Home Acervo Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 915, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 12 de dezembro de 1996, identificada como 3ª edição.

Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 915, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 12 de dezembro de 1996, identificada como 3ª edição.

Moacy Cirne

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04304 - 12 de Dezembro de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS

Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 915, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 12 de dezembro de 1996, identificada como 3ª edição. Sob o enunciado Em arte, política e cultura, a folha apresenta Os Melhores e os Piores de 1996, um inventário crítico e satírico no qual Moacy Cirne seleciona personalidades da música, literatura, poesia, cinema, artes plásticas, jornalismo, política, universidade, quadrinhos e cultura brasileira, contrapondo reconhecimento intelectual e artístico a uma extensa lista de rejeições políticas, midiáticas e culturais.

A seção Os melhores aparece sob a designação Folha Balaio Porreta e reúne vinte e cinco nomes acompanhados por localidade e área de atuação. A seleção constitui um importante mapa das afinidades culturais e políticas de Moacy Cirne em 1996 e revela a amplitude de seu repertório, envolvendo criação artística, crítica, produção acadêmica, política, poesia, música e comunicação.

Na música, Moacy Cirne destaca Paulinho da Viola, do Rio de Janeiro, Chico César, relacionado à Paraíba e a São Paulo, e Zélia Duncan, do Rio de Janeiro. Henrique Cazes, também do Rio de Janeiro, aparece reconhecido pelo conjunto da obra. A diversidade desses nomes evidencia o interesse por diferentes vertentes da música brasileira, da tradição popular à criação contemporânea.

Na literatura e na poesia são selecionados Diva Cunha, do Rio Grande do Norte, Orides Fontela, Dirce Araujo, Carlito Azevedo e José Neumanne Pinto. Sebastião Uchoa Leite aparece em ensaio literário, Jorge Wanderley em tradução e Carlos Heitor Cony pelo conjunto da obra. A lista constitui um registro significativo das preferências literárias de Moacy Cirne durante os anos 1990.

Dênis de Moraes, do Rio de Janeiro, é destacado em biografia literária. Sua presença dialoga diretamente com outras Folhas Porretas de 1996 nas quais Moacy Cirne comenta O Rebelde do Traço, biografia de Henfil escrita por Dênis de Moraes. A seleção confirma a importância que Cirne atribuía ao trabalho de pesquisa e preservação da memória política e cultural brasileira.

No cinema aparece Jom Tob Azulay, do Rio de Janeiro. Nas artes plásticas é destacada Niura Belavinha, de Minas Gerais. Hildeberto Barbosa Filho, da Paraíba, aparece associado ao fanzinismo, registrando a valorização de práticas editoriais alternativas e independentes.

Dorian Jorge Freire, do Rio Grande do Norte, e Jânio de Freitas, do Rio de Janeiro, são reconhecidos no jornalismo. Wolney Redon aparece em produção criativo acadêmica, enquanto Marialva Barbosa e Ana Maria Lopes são destacadas em política acadêmica. Essas escolhas evidenciam a proximidade de Balaio Incomum com o ambiente universitário, especialmente com debates ligados à comunicação, cultura e produção intelectual.

Na política, a relação positiva inclui Tarso Genro, do Rio Grande do Sul, e Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte. A presença de Fátima Bezerra estabelece continuidade com o intenso interesse de Moacy Cirne pela política potiguar registrado em várias Folhas Porretas do segundo semestre de 1996.

Hugo Pontes, de Minas Gerais, recebe destaque em divulgação da vanguarda. Essa menção possui especial importância para pesquisas sobre poesia experimental, poesia visual, arte postal e circulação de vanguardas no Brasil, situando Hugo Pontes dentro do repertório de agentes culturais valorizados por Moacy Cirne.

Paulo Caruso, de São Paulo, é escolhido em quadrinho cartunístico. A categoria aproxima o documento de uma área central na trajetória intelectual de Moacy Cirne, reconhecido pesquisador dos quadrinhos e da comunicação gráfica.

A seção Os piores recebe o título satírico Escrotéu de Merda. O vocabulário agressivo deve ser compreendido como parte do estilo autoral, humorístico e provocador da publicação. A relação reúne políticos, jornalistas, religiosos, apresentadores de televisão e outras personalidades, cada um associado a uma categoria crítica criada por Moacy Cirne.

Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães e César Maia aparecem relacionados à expressão sacanagem política. Fernando Henrique Cardoso é apresentado de maneira satírica como fernando henrique cardoso de mello e associado a putaria política. Esses registros evidenciam novamente a postura crítica de Cirne diante da política institucional brasileira da década de 1990.

Paulo Francis aparece relacionado ao jornalismo, enquanto Dom Lucas Moreira Neves é associado a putaria pseudo religiosa e Edir Macedo a pornografia pseudo religiosa. As classificações pertencem ao discurso satírico de Moacy Cirne e devem ser compreendidas como opinião autoral, não como descrições factuais das pessoas mencionadas.

No campo televisivo aparecem Fausto Silva e Gugu Liberato, classificados por Cirne como baixaria televisiva. Dérico é relacionado a bobagem aleatória. Essas referências reforçam a crítica frequente de Balaio Incomum à televisão comercial e à cultura de massa brasileira.

Paulo Renato é associado a escrotidão governamental. Paulo Coelho aparece relacionado ao neologismo literatolice. Roberto Campos recebe uma classificação satírica ligada à direita política. Mendonça Filho e Marcello Alencar são associados a politicagem, enquanto Pedrinho Abrão aparece relacionado à ideologia da esperteza.

A relação termina com uma crítica coletiva aos cronistas esportivos da Rede Bandeirantes, de São Paulo, reafirmando o interesse de Moacy Cirne pelo futebol, pelo jornalismo esportivo e pela crítica aos meios de comunicação.

Balaio Incomum XI 915 constitui um documento excepcional para reconstruir o universo de referências de Moacy Cirne no final de 1996. A oposição entre melhores e piores cria uma cartografia subjetiva da cultura brasileira, revelando autores, artistas, músicos, jornalistas, acadêmicos e políticos admirados pelo autor e, simultaneamente, figuras e instituições que ele rejeitava.

A folha deve ser compreendida como crítica cultural e sátira autoral. Seu valor histórico está justamente na intensidade de suas escolhas, no vocabulário irreverente e na maneira como Moacy Cirne coloca poesia, música, política, artes visuais, cinema, quadrinhos, universidade, televisão, religião e jornalismo em um único campo de avaliação.

Documento relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XI 915, Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 1996, Os Melhores e os Piores de 1996, arte, política, cultura brasileira, Paulinho da Viola, Dênis de Moraes, Diva Cunha, Jom Tob Azulay, Hildeberto Barbosa Filho, Niura Belavinha, Dorian Jorge Freire, Wolney Redon, Tarso Genro, Fátima Bezerra, Jorge Wanderley, Jânio de Freitas, Marialva Barbosa, Ana Maria Lopes, Hugo Pontes, Orides Fontela, Sebastião Uchoa Leite, Paulo Caruso, Dirce Araujo, Chico César, Carlito Azevedo, Zélia Duncan, José Neumanne Pinto, Carlos Heitor Cony, Henrique Cazes, política brasileira, poesia experimental, vanguarda, quadrinhos, jornalismo, música brasileira, imprensa alternativa e publicações independentes.

TEXTO SALSA EM INGLÊS

Balaio Incomum, Folha Porreta, issue XI 915, a publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro on December 12, 1996 and identified as the third edition. Under the heading Em arte, política e cultura, the sheet presents Os Melhores e os Piores de 1996, a critical and satirical inventory in which Moacy Cirne selects personalities from music, literature, poetry, cinema, visual arts, journalism, politics, university culture, comics and Brazilian cultural life, contrasting intellectual and artistic recognition with an extensive list of political, media and cultural rejections.

The section Os melhores appears under the designation Folha Balaio Porreta and contains twenty five names accompanied by location and field of activity. The selection constitutes an important map of Moacy Cirne's cultural and political affinities in 1996 and reveals the breadth of his repertoire, involving artistic creation, criticism, academic production, politics, poetry, music and communication.

In music, Moacy Cirne highlights Paulinho da Viola from Rio de Janeiro, Chico César associated with Paraíba and São Paulo, and Zélia Duncan from Rio de Janeiro. Henrique Cazes, also from Rio de Janeiro, is recognized for his overall body of work. The diversity of these names demonstrates an interest in different dimensions of Brazilian music, from popular tradition to contemporary creation.

In literature and poetry, the selection includes Diva Cunha from Rio Grande do Norte, Orides Fontela, Dirce Araujo, Carlito Azevedo and José Neumanne Pinto. Sebastião Uchoa Leite appears in literary essay, Jorge Wanderley in translation and Carlos Heitor Cony for his overall body of work. The list provides a significant record of Moacy Cirne's literary preferences during the 1990s.

Dênis de Moraes from Rio de Janeiro is highlighted in literary biography. His presence directly connects with other 1996 Folha Porreta issues in which Moacy Cirne discusses O Rebelde do Traço, the biography of Henfil written by Dênis de Moraes. The selection confirms the importance Cirne attributed to research and the preservation of Brazilian political and cultural memory.

Jom Tob Azulay from Rio de Janeiro is selected in cinema. Niura Belavinha from Minas Gerais is recognized in visual arts. Hildeberto Barbosa Filho from Paraíba appears in connection with fanzine culture, documenting the appreciation of alternative and independent editorial practices.

Dorian Jorge Freire from Rio Grande do Norte and Jânio de Freitas from Rio de Janeiro are recognized in journalism. Wolney Redon appears in creative academic production, while Marialva Barbosa and Ana Maria Lopes are highlighted in academic politics. These choices demonstrate the close relationship between Balaio Incomum and the university environment, particularly debates concerning communication, culture and intellectual production.

In politics, the positive selection includes Tarso Genro from Rio Grande do Sul and Fátima Bezerra from Rio Grande do Norte. The presence of Fátima Bezerra establishes continuity with Moacy Cirne's strong interest in the politics of Rio Grande do Norte documented in several Folha Porreta issues during the second half of 1996.

Hugo Pontes from Minas Gerais is recognized for dissemination of the avant garde. This reference is particularly significant for research on experimental poetry, visual poetry, mail art and the circulation of avant garde practices in Brazil, locating Hugo Pontes within the network of cultural agents valued by Moacy Cirne.

Paulo Caruso from São Paulo is selected in cartoon comics. This category connects the document with a central field in Moacy Cirne's intellectual career as an important researcher of comics and graphic communication.

The section Os piores receives the satirical title Escrotéu de Merda. Its aggressive vocabulary should be understood as part of the authorial, humorous and provocative style of the publication. The list brings together politicians, journalists, religious figures, television presenters and other personalities, each associated with a critical category invented by Moacy Cirne.

Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães and César Maia are connected with the expression sacanagem política. Fernando Henrique Cardoso is satirically presented as fernando henrique cardoso de mello and associated with putaria política. These entries once again demonstrate Cirne's critical position toward Brazilian institutional politics during the 1990s.

Paulo Francis appears in relation to journalism, while Dom Lucas Moreira Neves is associated with putaria pseudo religiosa and Edir Macedo with pornografia pseudo religiosa. These classifications belong to Moacy Cirne's satirical discourse and should be understood as authorial opinions rather than factual descriptions of the individuals mentioned.

In television, Fausto Silva and Gugu Liberato are classified by Cirne under baixaria televisiva. Dérico is associated with bobagem aleatória. These references reinforce Balaio Incomum's recurring criticism of commercial television and Brazilian mass culture.

Paulo Renato is associated with escrotidão governamental. Paulo Coelho appears in connection with the neologism literatolice. Roberto Campos receives a satirical classification connected with right wing politics. Mendonça Filho and Marcello Alencar are associated with politicagem, while Pedrinho Abrão appears in connection with the ideology of cleverness.

The list concludes with a collective criticism of sports commentators from Rede Bandeirantes in São Paulo, reaffirming Moacy Cirne's interest in football, sports journalism and criticism of mass media.

Balaio Incomum XI 915 is an exceptional document for reconstructing Moacy Cirne's universe of references at the end of 1996. The opposition between best and worst creates a subjective cartography of Brazilian culture, revealing authors, artists, musicians, journalists, academics and politicians admired by the author and, simultaneously, figures and institutions he rejected.

The sheet should be understood as cultural criticism and authorial satire. Its historical value lies precisely in the intensity of its choices, its irreverent vocabulary and the way Moacy Cirne places poetry, music, politics, visual arts, cinema, comics, university culture, television, religion and journalism within a single field of evaluation.

This document is relevant to research on Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XI 915, Rio de Janeiro, December 12, 1996, Os Melhores e os Piores de 1996, art, politics, Brazilian culture, Paulinho da Viola, Dênis de Moraes, Diva Cunha, Jom Tob Azulay, Hildeberto Barbosa Filho, Niura Belavinha, Dorian Jorge Freire, Wolney Redon, Tarso Genro, Fátima Bezerra, Jorge Wanderley, Jânio de Freitas, Marialva Barbosa, Ana Maria Lopes, Hugo Pontes, Orides Fontela, Sebastião Uchoa Leite, Paulo Caruso, Dirce Araujo, Chico César, Carlito Azevedo, Zélia Duncan, José Neumanne Pinto, Carlos Heitor Cony, Henrique Cazes, Brazilian politics, experimental poetry, avant garde culture, comics, journalism, Brazilian music, alternative press and independent publishing.