Home Acervo Balaio Incomum, Folha Porreta, X 816, é uma publicação autoral de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 2 de maio de 1996.

Balaio Incomum, Folha Porreta, X 816, é uma publicação autoral de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 2 de maio de 1996.

Moacy Cirne

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04264 - 2 de maio de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomum, Folha Porreta, X 816, é uma publicação autoral de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 2 de maio de 1996. O exemplar integra a série comemorativa 1986 a 1996, Dez anos de Balaio, identificada nesta folha como número 6. O documento reúne duas vertentes fundamentais do universo intelectual de Cirne, a cultura cinematográfica e a poesia satírica atribuída a Chico Doido de Caicó, articulando crítica cultural, memória, humor, literatura, cinema e edição independente.

A primeira parte apresenta o levantamento Dez Grandes Diretores e Seus Principais Filmes. Moacy Cirne seleciona dez nomes centrais da história do cinema e associa a cada diretor dois filmes considerados representativos de sua produção. A lista constitui uma síntese pessoal de referências cinematográficas e evidencia o interesse permanente de Cirne pelas relações entre cinema, cultura de massa, narrativa e pensamento crítico.

Michelangelo Antonioni aparece representado por A Aventura, de 1960, e O Deserto Vermelho, de 1964. Ingmar Bergman é associado a Morangos Silvestres, de 1957, e Persona, de 1966. Luis Buñuel aparece com Um Cão Andaluz, de 1928, e O Anjo Exterminador, de 1962. Sergei Eisenstein é representado por O Encouraçado Potemkin, de 1925, e Outubro, de 1927.

Jean Luc Godard aparece com Pierrot le Fou, de 1965, e Viver a Vida, de 1962. Jean Renoir é relacionado a A Regra do Jogo, de 1939, e A Grande Ilusão, de 1937. Alain Resnais aparece com Ano Passado em Marienbad, de 1961, e Hiroshima, Meu Amor, de 1959.

Dziga Vertov é representado por O Homem da Câmera, de 1929, e Entusiasmo, de 1930. Luchino Visconti aparece com O Leopardo, de 1963, e La Terra Trema, de 1948. Orson Welles encerra a seleção com Cidadão Kane, de 1941, e A Marca da Maldade, de 1958.

A escolha percorre diferentes momentos e tradições do cinema moderno e de vanguarda, reunindo expressionismo cinematográfico, surrealismo, montagem soviética, neorrealismo italiano, Nouvelle Vague francesa, cinema moderno europeu e cinema norte americano. A lista permite compreender o repertório cinematográfico de Moacy Cirne e sua aproximação com autores que transformaram a linguagem do cinema durante o século XX.

Na metade inferior da folha encontra se um poema atribuído a Chico Doido de Caicó. O personagem é novamente apresentado por meio de credenciais satíricas como membro da Academia Brasileira de Letras, cadeira 69, patrono dos formandos de Comunicação em fevereiro de 1993 e patrono da Semana Acalorada de Comunicação em janeiro de 1996.

O poema constrói a identidade de Chico Doido através de comparações sucessivas com personagens históricos, religiosos, filosóficos e lendários. Aparecem Maomé, Átila, Galileu, Casanova, Platão e Jesus Cristo. Cada referência é apropriada de maneira humorística e irreverente, sendo combinada a declarações sobre diferença, violência, sexualidade, inteligência e loucura.

A estrutura poética utiliza repetição da expressão Eu sou como elemento rítmico. Chico Doido afirma ser diferente como Maomé, bravo como Átila, sexualmente excessivo como Galileu e Casanova, sabido como Platão e, para a glória de Caicó, doido como Jesus Cristo. A enumeração transforma personagens da história universal em matéria de humor popular, erotismo e paródia.

Na sequência, o personagem dirige perguntas provocadoras aos leitores. Questiona se desejam que ele faça chover, realize determinado ato sexual ou se transforme em Cristo. As recusas sucessivas reforçam o caráter teatral e performático da voz de Chico Doido de Caicó.

Ao final da folha, Moacy Cirne registra informação documental especialmente importante. Cirne informa que ele e o poeta Nei Leandro de Castro estavam preparando o livro choque 69 Poemas de Chico Doido de Caicó. A publicação é anunciada inicialmente para 1997, seguida ironicamente pelas possibilidades de 1998, 1999, 2000 ou 2001. O comentário revela simultaneamente a existência de um projeto editorial e o humor de Cirne diante da incerteza de sua concretização.

A referência a Nei Leandro de Castro documenta uma conexão intelectual e literária relevante entre dois importantes escritores ligados ao Rio Grande do Norte. Também demonstra que Chico Doido de Caicó ultrapassava os limites de Folha Porreta e estava sendo concebido como matéria para uma publicação própria.

Balaio Incomum, Folha Porreta, X 816 constitui documento significativo para pesquisas sobre Moacy Cirne, Dez anos de Balaio, cultura cinematográfica, história do cinema, cinema de vanguarda, cinema moderno, Chico Doido de Caicó, Nei Leandro de Castro, Caicó, Rio Grande do Norte, poesia experimental brasileira, poesia satírica, humor, erotismo, literatura marginal, cultura de massa, fanzines, publicações independentes e redes culturais brasileiras da década de 1990.

Salsa text in English

Balaio Incomum, Folha Porreta, X 816, is an authorial publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro on 2 May 1996. The issue belongs to the commemorative series 1986 to 1996, Dez anos de Balaio, identified on this sheet as number 6. The document brings together two fundamental aspects of Cirnes intellectual universe, film culture and the satirical poetry attributed to Chico Doido de Caicó, connecting cultural criticism, memory, humor, literature, cinema and independent publishing.

The first section presents Dez Grandes Diretores e Seus Principais Filmes. Moacy Cirne selects ten major figures in the history of cinema and associates each director with two representative films. The list constitutes a personal synthesis of cinematic references and demonstrates Cirnes continuing interest in the relationships among cinema, mass culture, narrative and critical thought.

Michelangelo Antonioni is represented by A Aventura from 1960 and O Deserto Vermelho from 1964. Ingmar Bergman is associated with Morangos Silvestres from 1957 and Persona from 1966. Luis Buñuel appears with Um Cão Andaluz from 1928 and O Anjo Exterminador from 1962. Sergei Eisenstein is represented by O Encouraçado Potemkin from 1925 and Outubro from 1927.

Jean Luc Godard appears with Pierrot le Fou from 1965 and Viver a Vida from 1962. Jean Renoir is represented by A Regra do Jogo from 1939 and A Grande Ilusão from 1937. Alain Resnais appears with Ano Passado em Marienbad from 1961 and Hiroshima, Meu Amor from 1959.

Dziga Vertov is represented by O Homem da Câmera from 1929 and Entusiasmo from 1930. Luchino Visconti appears with O Leopardo from 1963 and La Terra Trema from 1948. Orson Welles completes the selection with Cidadão Kane from 1941 and A Marca da Maldade from 1958.

The selection covers different traditions and moments in modern and avant garde cinema, bringing together surrealism, Soviet montage, Italian neorealism, the French Nouvelle Vague, European modern cinema and American cinema. The list provides valuable evidence of Moacy Cirnes cinematic repertoire and his engagement with filmmakers who transformed the language of cinema during the twentieth century.

The lower half of the sheet contains a poem attributed to Chico Doido de Caicó. The character is again introduced through satirical credentials as a member of the Brazilian Academy of Letters, chair 69, patron of Communication graduates in February 1993 and patron of the Semana Acalorada of Communication in January 1996.

The poem constructs the identity of Chico Doido through successive comparisons with historical, religious, philosophical and legendary figures. Muhammad, Attila, Galileo, Casanova, Plato and Jesus Christ are mentioned. Each reference is appropriated in a humorous and irreverent manner and combined with statements about difference, violence, sexuality, intelligence and madness.

The poetic structure uses the repeated expression Eu sou as a rhythmic device. Chico Doido describes himself as different like Muhammad, fierce like Attila, sexually excessive through comparisons with Galileo and Casanova, knowledgeable like Plato and, for the glory of Caicó, mad like Jesus Christ. The enumeration transforms characters from universal history into material for popular humor, eroticism and parody.

The character subsequently addresses provocative questions to his readers. He asks whether they want him to make it rain, perform a particular sexual act or become Christ. His repeated refusals strengthen the theatrical and performative dimension of the voice of Chico Doido de Caicó.

At the bottom of the sheet Moacy Cirne records an especially important piece of documentary information. Cirne states that he and the poet Nei Leandro de Castro were preparing the livro choque 69 Poemas de Chico Doido de Caicó. Publication is initially announced for 1997 and then humorously postponed through the possibilities of 1998, 1999, 2000 or 2001. The comment simultaneously documents an editorial project and Cirnes humor regarding the uncertainty of its completion.

The reference to Nei Leandro de Castro documents an important intellectual and literary connection between two writers closely associated with Rio Grande do Norte. It also demonstrates that Chico Doido de Caicó extended beyond the pages of Folha Porreta and was being developed as the subject of an independent publication.

Balaio Incomum, Folha Porreta, X 816 is a significant document for research on Moacy Cirne, Dez anos de Balaio, film culture, film history, avant garde cinema, modern cinema, Chico Doido de Caicó, Nei Leandro de Castro, Caicó, Rio Grande do Norte, Brazilian experimental poetry, satirical poetry, humor, eroticism, marginal literature, mass culture, fanzines, independent publishing and Brazilian cultural networks of the 1990s.