Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1021, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1997

Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1021, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1997

Moacy Cirne

-Balaio+Incomun+,+Folha+Porreta+,+Moacy+Cirne+,+XII-1021,+Rio+de+Janeiro+,+17+de+Novembro+de+1997,+Questoes+Departamentais.jpg

04371 - 17 de novembro de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1021, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1997. Esta edição reúne reflexão sobre a vida universitária, relações entre colegas, ética acadêmica, política departamental, música, memória cultural, comemorações dos 30 anos do Poema Processo e referências à poesia brasileira. O documento constitui fonte relevante para compreender simultaneamente a atuação intelectual de Moacy Cirne, o ambiente universitário da década de 1990 e a permanência histórica do Poema Processo trinta anos após seu lançamento em 1967.

O texto principal, Questões Departamentais, discute conflitos e divergências dentro do espaço universitário. Moacy Cirne observa que alguns colegas são excelentes e outros apenas razoáveis e chama atenção para problemas derivados de disputas acadêmicas e políticas. Defende que a luta por um departamento forte, acadêmica e politicamente, deve estar vinculada à defesa de uma universidade pública democrática e de qualidade. Para Cirne, os colegas deveriam ser companheiros de viagem e a disputa intelectual deveria permanecer saudável e produtiva.

A reflexão distingue debate crítico de conflito pessoal. Moacy Cirne afirma que a ética é fundamental e que fazer política exige empenho democrático, coerência intelectual e responsabilidade. O texto cita Adauto Novaes e sua obra Ética, publicada pela Companhia das Letras em 1992, utilizando a reflexão sobre ação política e moral como referência para avaliar as relações dentro do departamento. A edição registra, assim, aspectos da cultura universitária, da ética acadêmica e das disputas institucionais na Universidade Federal Fluminense.

A seção Para uma Discografia Amorosamente Porreta 25 25 encerra a série discográfica desenvolvida por Moacy Cirne. A seleção apresenta repertório erudito, experimental, barroco, jazzístico e brasileiro. Entre os nomes destacados aparecem Pierre Boulez, a BBC Symphony Orchestra, John Cage, Georg Friedrich Handel, Simon Preston, The English Concert, Trevor Pinnock, Gerry Mulligan, Astor Piazzolla, Waldir Azevedo, Pixinguinha, Hermeto Pascoal e Henrique Cazes.

A presença de Pierre Boulez e John Cage evidencia o interesse de Cirne pelas experiências da música contemporânea e pelas linguagens experimentais do século XX. A referência a Thirteen, de John Cage, situa a discografia no universo das composições abertas e das pesquisas sonoras de vanguarda. Handel surge por meio dos Coronation Anthems, em interpretação relacionada a Simon Preston, The English Concert e Trevor Pinnock.

O encontro musical entre Gerry Mulligan e Astor Piazzolla aparece através de Summit, gravação realizada em 1974 e apresentada como diálogo entre duas grandes figuras do jazz e da música argentina. A discografia também destaca a tradição instrumental brasileira por meio de Waldir Azevedo, Pixinguinha, Hermeto Pascoal e Henrique Cazes, com referências ao choro e a interpretações de obras importantes do repertório nacional.

Ao concluir a Discografia Porreta, Moacy Cirne informa ter citado aproximadamente 150 discos, reunindo música clássica ou erudita, música brasileira e música americana, especialmente jazz. Entre os compositores clássicos mais recorrentes aparecem Johann Sebastian Bach, George Friedrich Handel, Wolfgang Amadeus Mozart e Johannes Brahms. Na área brasileira, Pixinguinha recebe destaque especial. No jazz, John Coltrane aparece entre os músicos mais mencionados. Essa síntese oferece importante registro dos interesses musicais e dos critérios críticos de Moacy Cirne.

A seção UERJ comemora os 30 anos do Poema Processo documenta uma atividade organizada no âmbito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O Departamento de Literatura Portuguesa e o Instituto Tempos Modernos, através da Sociedade dos Poetas Vivos da UERJ, promoveram na quinta feira, dia 13, uma comemoração dos trinta anos do Poema Processo. Participaram Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Neide Dias de Sá e Moacy Cirne, nomes fundamentais para a história do movimento.

O texto recorda ainda a participação de Natal e do Rio Grande do Norte na formação e expansão do Poema Processo. Menciona a Fundação José Augusto e o Palácio Potengi, além de integrantes e colaboradores ligados à experiência potiguar, entre eles Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Falves Silva, Nei Leandro de Castro, Sanderson Negreiros, Marcos Silva, Frederico Marcos, Ribamar Gurgel, Fernando Pimenta e o próprio Moacy Cirne. A passagem é especialmente significativa para reconstruir a rede de artistas, poetas e intelectuais associada ao movimento.

A edição também aproxima a memória do Poema Processo de outros nomes da poesia brasileira contemporânea, mencionando Sebastião Uchoa Leite, Affonso Ávila, Armando Freitas Filho, Mauro Gama, Nei Leandro de Castro, José Paulo Paes, Luiz Carlos Guimarães, Orides Fontela, Carlito Azevedo, Sebastião Nunes e Glauco Mattoso. Essas referências demonstram que o Balaio Incomun funcionava também como espaço de circulação de nomes, leituras e relações entre diferentes vertentes da poesia brasileira.

Na parte inferior aparece Vamos Todos à Praia, fragmento dedicado ao cotidiano e ao imaginário das praias cariocas, reforçando a característica do Balaio de combinar reflexão política, crítica universitária, música, poesia, memória cultural e observação da vida urbana.

Balaio Incomun XII 1021 é documento fundamental para pesquisas sobre Moacy Cirne, Poema Processo, Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Neide Dias de Sá, Falves Silva, Universidade Federal Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, Sociedade dos Poetas Vivos, Fundação José Augusto, Palácio Potengi, poesia experimental, poesia visual, vanguarda brasileira, ética acadêmica, política universitária, música experimental, John Cage, Pierre Boulez, Handel, Gerry Mulligan, Astor Piazzolla, Pixinguinha, Waldir Azevedo, Henrique Cazes, jazz, choro e cultura brasileira.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, XII 1021, publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, November 17, 1997. This issue brings together reflections on university life, relationships among colleagues, academic ethics, departmental politics, music, cultural memory, celebrations of the 30th anniversary of Poema Processo and references to Brazilian poetry. The document is an important source for understanding the intellectual activity of Moacy Cirne, the university environment of the 1990s and the historical continuity of Poema Processo thirty years after its launch in 1967.

The main text, Departmental Questions, discusses conflicts and disagreements within the university environment. Moacy Cirne observes that some colleagues are excellent while others are merely reasonable and calls attention to problems resulting from academic and political disputes. He argues that the struggle for a strong department, both academically and politically, must be connected to the defense of a democratic and high quality public university. For Cirne, colleagues should become companions on a shared journey and intellectual disputes should remain healthy and productive.

The reflection distinguishes critical debate from personal conflict. Moacy Cirne argues that ethics is fundamental and that political action requires democratic commitment, intellectual coherence and responsibility. The text cites Adauto Novaes and the book Ética, published by Companhia das Letras in 1992, using a reflection on political and moral action as a reference for evaluating relationships inside the department. The issue therefore records aspects of university culture, academic ethics and institutional disputes at Universidade Federal Fluminense.

The section For a Lovingly Porreta Discography 25 25 concludes the musical series developed by Moacy Cirne. The selection combines classical, experimental, Baroque, jazz and Brazilian music. Among the names highlighted are Pierre Boulez, the BBC Symphony Orchestra, John Cage, George Friedrich Handel, Simon Preston, The English Concert, Trevor Pinnock, Gerry Mulligan, Astor Piazzolla, Waldir Azevedo, Pixinguinha, Hermeto Pascoal and Henrique Cazes.

The presence of Pierre Boulez and John Cage reveals Cirne's interest in contemporary musical experimentation and twentieth century avant garde languages. The reference to Thirteen by John Cage places the discography within the field of open composition and experimental sound research. Handel appears through the Coronation Anthems in a performance associated with Simon Preston, The English Concert and Trevor Pinnock.

The musical encounter between Gerry Mulligan and Astor Piazzolla appears through Summit, a recording made in 1974 and presented as a dialogue between major figures of jazz and Argentine music. The discography also emphasizes the Brazilian instrumental tradition through Waldir Azevedo, Pixinguinha, Hermeto Pascoal and Henrique Cazes, with references to choro and important works from the national repertoire.

At the conclusion of Discografia Porreta, Moacy Cirne states that approximately 150 records had been cited, covering classical music, Brazilian music and American music, particularly jazz. Among the classical composers appearing most frequently are Johann Sebastian Bach, George Friedrich Handel, Wolfgang Amadeus Mozart and Johannes Brahms. In Brazilian music, Pixinguinha receives particular emphasis. In jazz, John Coltrane appears among the most frequently mentioned musicians. This summary provides an important record of Moacy Cirne's musical interests and critical criteria.

The section UERJ Celebrates the 30th Anniversary of Poema Processo documents an activity organized within Universidade do Estado do Rio de Janeiro. The Department of Portuguese Literature and Instituto Tempos Modernos, through the Sociedade dos Poetas Vivos of UERJ, organized a celebration on Thursday the 13th marking thirty years of Poema Processo. Participants included Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Neide Dias de Sá and Moacy Cirne, all fundamental names in the history of the movement.

The text also recalls the participation of Natal and Rio Grande do Norte in the formation and expansion of Poema Processo. It mentions Fundação José Augusto and Palácio Potengi, together with figures associated with the movement in Rio Grande do Norte, including Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Falves Silva, Nei Leandro de Castro, Sanderson Negreiros, Marcos Silva, Frederico Marcos, Ribamar Gurgel, Fernando Pimenta and Moacy Cirne himself. This passage is particularly important for reconstructing the network of artists, poets and intellectuals connected with the movement.

The issue also connects the memory of Poema Processo with other names in contemporary Brazilian poetry, mentioning Sebastião Uchoa Leite, Affonso Ávila, Armando Freitas Filho, Mauro Gama, Nei Leandro de Castro, José Paulo Paes, Luiz Carlos Guimarães, Orides Fontela, Carlito Azevedo, Sebastião Nunes and Glauco Mattoso. These references demonstrate that Balaio Incomun also functioned as a space for the circulation of names, readings and connections between different currents of Brazilian poetry.

At the bottom appears Vamos Todos à Praia, a fragment devoted to everyday life and the imagery of Rio de Janeiro beaches, reinforcing the characteristic structure of Balaio, which combines political reflection, university criticism, music, poetry, cultural memory and observations of urban life.

Balaio Incomun XII 1021 is a fundamental document for research on Moacy Cirne, Poema Processo, Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Neide Dias de Sá, Falves Silva, Universidade Federal Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, Sociedade dos Poetas Vivos, Fundação José Augusto, Palácio Potengi, experimental poetry, visual poetry, Brazilian avant garde movements, academic ethics, university politics, experimental music, John Cage, Pierre Boulez, Handel, Gerry Mulligan, Astor Piazzolla, Pixinguinha, Waldir Azevedo, Henrique Cazes, jazz, choro and Brazilian culture.