Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, número XI 974, produzido por Moacy Cirne no Rio de Janeiro em 9 de junho de 1997, dedicado aos 30 anos do Poema Processo.

Balaio Incomun, Folha Porreta, número XI 974, produzido por Moacy Cirne no Rio de Janeiro em 9 de junho de 1997, dedicado aos 30 anos do Poema Processo.

Moacy Cirne

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04343 - 9 de junho de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS

Balaio Incomun, Folha Porreta, número XI 974, produzido por Moacy Cirne no Rio de Janeiro em 9 de junho de 1997, dedicado aos 30 anos do Poema Processo. O documento integra a série comemorativa realizada por Cirne em 1997 para recuperar, revisar e recolocar em circulação experiências históricas do movimento surgido em 1967. Esta edição apresenta Poema, projeto originalmente concebido por Laércio Bezerra em 1967 e retomado em versão de Moacy Cirne em 1997.

No cabeçalho da composição aparecem as informações Poema Processo, 30 anos, Poema, Projeto de Laércio Bezerra 1967, Versão de MCirne 1997 e a indicação de que a ilustração utilizada foi localizada em America libre, de Gérard de Cortanze, publicada em Paris em 1976. A presença dessas referências documenta uma operação de apropriação, montagem e atualização de materiais gráficos, procedimento associado às práticas experimentais do Poema Processo.

A composição visual ocupa grande parte da folha e utiliza uma representação crítica da conhecida figura do Tio Sam. A personagem aparece deformada, com aspecto esquelético, sorriso agressivo, cartola decorada com elementos da bandeira dos Estados Unidos e o gesto frontal de apontar diretamente para o observador. Ao redor da figura é repetida diversas vezes a expressão espanhola Es usted libre, transformando a pergunta sobre liberdade em elemento verbal, visual e espacial da composição.

A repetição da pergunta Es usted libre estabelece uma tensão entre imagem, palavra, propaganda, poder político e conceito de liberdade. O conhecido símbolo norte americano é deslocado de sua função propagandística original e convertido em matéria de crítica visual. A pergunta distribuída irregularmente pelo espaço gráfico produz um campo de leitura no qual texto e imagem deixam de funcionar separadamente. A liberdade passa a ser interrogada pela própria construção visual da página.

O exemplar XI 974 é particularmente relevante para a história do Poema Processo por documentar, trinta anos depois, a recuperação de um projeto de Laércio Bezerra datado de 1967 por Moacy Cirne, um dos principais formuladores e participantes históricos do movimento. A folha relaciona poesia experimental, poema visual, montagem gráfica, apropriação de imagem, crítica política, cultura de massa e comunicação visual.

O documento constitui fonte importante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Laércio Bezerra, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, vanguarda brasileira, arte e política, comunicação visual, cultura gráfica, apropriação, montagem, intertextualidade, história da poesia de vanguarda no Brasil e comemorações dos 30 anos do Poema Processo em 1997.

TEXTO SALSA EM INGLÊS

Balaio Incomun, Folha Porreta, issue XI 974, produced by Moacy Cirne in Rio de Janeiro on June 9, 1997, dedicated to the 30th anniversary of Poema Processo. The document belongs to the commemorative series developed by Cirne in 1997 to recover, review and recirculate historical experiments associated with the movement that emerged in 1967. This issue presents Poema, a project originally conceived by Laércio Bezerra in 1967 and revisited in a 1997 version by Moacy Cirne.

The heading records the information Poema Processo, 30 years, Poema, Project by Laércio Bezerra 1967, Version by MCirne 1997, together with the indication that the illustration was taken from America libre by Gérard de Cortanze, published in Paris in 1976. These references document an operation of appropriation, montage and updating of graphic material, procedures closely related to experimental practices within Poema Processo.

The visual composition occupies most of the sheet and uses a critical representation of the familiar Uncle Sam figure. The character appears distorted and skeletal, with an aggressive grin, a top hat decorated with elements of the United States flag and the familiar frontal gesture pointing directly toward the viewer. Surrounding the figure, the Spanish expression Es usted libre is repeated many times, transforming a question about freedom into a verbal, visual and spatial component of the work.

The repeated question Es usted libre creates tension between image, language, propaganda, political power and the concept of freedom. A familiar symbol of United States propaganda is displaced from its original function and converted into material for visual criticism. The question is irregularly distributed throughout the graphic field, producing a reading environment in which text and image no longer operate independently. Freedom itself becomes the subject of interrogation through the visual construction of the page.

Issue XI 974 is particularly significant for the history of Poema Processo because it documents, thirty years later, Moacy Cirne's recovery of a 1967 project by Laércio Bezerra. The sheet connects experimental poetry, visual poetry, graphic montage, image appropriation, political criticism, mass culture and visual communication.

The document is an important source for research on Moacy Cirne, Laércio Bezerra, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, Brazilian avant garde practices, art and politics, visual communication, graphic culture, appropriation, montage, intertextuality, the history of avant garde poetry in Brazil and the 30th anniversary commemorations of Poema Processo in 1997.