Home Acervo Balaio Incomun XI 952, Folha Porreta, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 6 de maio de 1997, integra a série comemorativa 1967 1997

Balaio Incomun XI 952, Folha Porreta, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 6 de maio de 1997, integra a série comemorativa 1967 1997

Moacy Cirne

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04328 - 6 de maio de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS

Balaio Incomun XI 952, Folha Porreta, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 6 de maio de 1997, integra a série comemorativa 1967 1997, 30 anos de Poema Processo. A folha apresenta Antiprojeto Nº 6 e estabelece um diálogo entre uma proposta de 1979, vinculada a Objetos verbais, e sua versão reelaborada em 1997. O trabalho evidencia procedimentos fundamentais da poesia experimental de Moacy Cirne, como apropriação, montagem, humor, intertextualidade, instrução performativa e transformação da palavra em matéria de operação poética.

Na versão de 1979, o poema assume a forma de receita numerada. Os itens iniciais permanecem vazios e a sequência culmina nas instruções para fazer uma salada tropical com as 120 mil palavras do Aurelião, juntar uma garrafa de murim e um livro de Zola e servir o poema bem gelado. A linguagem culinária converte literatura, dicionário e bebida em elementos de uma operação conceitual.

Na versão de 1997, Moacy Cirne amplia o procedimento ao reunir textos de diferentes autores e referências nordestinas. O roteiro propõe tomar um poema de Chico Doido de Caicó, acrescentar um poema de José Bezerra Gomes, misturar versos de Joaquim Cardozo presentes em Imagens do Nordeste, juntar três cálices de licor de jenipapo e bater poemas e versos durante 43 segundos em um liquidificador. O resultado deve novamente ser servido bem gelado.

A composição transforma leitura em ação e o poema em processo aberto, aproximando literatura, oralidade, cultura popular, humor e experimentação visual. Na parte inferior aparece ainda a frase É PRECISO LUTAR, SONHAR, QUERER!!! acompanhada da indicação de que foi encontrada nos muros do Rio de Janeiro no final dos anos 70. O documento constitui registro significativo da produção de Moacy Cirne e da permanência dos princípios do Poema Processo trinta anos após o surgimento do movimento, articulando memória, poesia visual, poesia experimental, cultura nordestina, apropriação textual e crítica aos modelos tradicionais de criação literária.

TEXTO SALSA EM INGLÊS

Balaio Incomun XI 952, Folha Porreta, by Moacy Cirne, produced in Rio de Janeiro on 6 May 1997, belongs to the commemorative series 1967 1997, 30 Years of Poema Processo. The sheet presents Antiprojeto No. 6 and establishes a dialogue between a proposal created in 1979, associated with Objetos verbais, and its revised 1997 version. The work demonstrates essential procedures in Moacy Cirne's experimental poetry, including appropriation, montage, humor, intertextuality, performative instruction and the transformation of language into material for poetic operations.

In the 1979 version, the poem takes the form of a numbered recipe. The first items remain blank and the sequence culminates in instructions to prepare a tropical salad with the 120 thousand words of the Aurelião, add a bottle of murim and a book by Zola, and serve the poem very cold. Culinary language transforms literature, the dictionary and drink into components of a conceptual poetic action.

In the 1997 version, Moacy Cirne expands this procedure by combining texts by different authors and references connected to Northeastern Brazilian culture. The instructions propose taking a poem by Chico Doido de Caicó, adding a poem by José Bezerra Gomes, mixing verses by Joaquim Cardozo from Imagens do Nordeste, adding three glasses of jenipapo liqueur and blending the poems and verses for 43 seconds in a blender. The poem is once again to be served very cold.

The composition transforms reading into action and the poem into an open process, bringing together literature, oral culture, popular culture, humor and visual experimentation. At the bottom of the sheet appears the phrase É PRECISO LUTAR, SONHAR, QUERER!!! together with the information that it appeared on the walls of Rio de Janeiro at the end of the 1970s. The document is an important record of Moacy Cirne's production and of the continued relevance of Poema Processo principles thirty years after the emergence of the movement, connecting memory, visual poetry, experimental poetry, Northeastern Brazilian culture, textual appropriation and criticism of traditional literary creation.