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Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 950, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 17 de abril de 1997

Moacy Cirne

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04327 - 17 de abril de 1997 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 950, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 17 de abril de 1997, integra a série comemorativa 1967 1997, 30 Anos de Poema Processo. A página apresenta uma composição radicalmente visual, construída pela multiplicação, repetição, inversão, fragmentação e desgaste de elementos impressos provenientes do próprio universo gráfico do Balaio Incomun. A obra aproxima memória do Poema Processo, reprodução mecânica, ruído visual, política e intervenção poética.

No alto da folha permanecem legíveis o cabeçalho Balaio Incomun, Folha Porreta, o nome de Moacy Cirne, a indicação Rio, 17 abril 1997 e a inscrição 1967 1997: 30 Anos de Poema Processo. A partir dessas informações institucionais e cronológicas, toda a superfície da página passa a funcionar como campo experimental.

A composição é formada por numerosas camadas de textos e imagens reproduzidas, muitas delas parcialmente apagadas, invertidas, giradas ou superpostas. Fragmentos do próprio cabeçalho do Balaio aparecem em diferentes escalas e orientações, transformando informações editoriais em matéria visual. A repetição deixa de servir apenas à identificação da publicação e passa a constituir um procedimento poético.

O processo de reprodução parece explorar conscientemente as marcas da fotocópia e da impressão, como perda de definição, manchas, falhas, zonas esbranquiçadas, acúmulos de tinta e fragmentos dificilmente legíveis. Esses efeitos transformam o ruído técnico em linguagem. A imperfeição da cópia não é apenas um problema material, mas participa da aparência e da construção do documento.

A página estabelece dessa maneira uma relação direta com princípios históricos do Poema Processo. O poema não precisa depender de uma sequência verbal claramente organizada. A informação pode ser fragmentada, visualizada, repetida, distorcida e submetida a procedimentos de transformação. O suporte e o processo de reprodução tornam se elementos constitutivos da obra.

Em diversos pontos aparecem versões inclinadas ou invertidas de informações relacionadas ao próprio Balaio e à comemoração dos trinta anos do Poema Processo. Essa autorreferência transforma a publicação em matéria de sua própria experiência gráfica. Balaio Incomun reproduz Balaio Incomun, fragmenta sua identidade visual e a reinscreve em uma estrutura aberta.

A grande concentração de vestígios gráficos produz uma textura que ocupa praticamente toda a folha. Não existe separação convencional entre título, imagem, corpo de texto e margem. Todos esses campos parecem contaminados pela mesma lógica de repetição e desgaste. A leitura é descontínua e depende da procura por fragmentos reconhecíveis dentro de uma superfície saturada.

A obra também utiliza inversão e rotação. Algumas inscrições aparecem de cabeça para baixo ou em ângulos diferentes. Esse deslocamento rompe a orientação habitual da leitura e obriga o observador a percorrer a página em múltiplas direções. A informação perde sua posição fixa e passa a existir como elemento espacial.

Na parte inferior da folha encontra se a inscrição de maior importância política da composição: balaiopoemaprocesso dedicado à luta dos sem terra, seguida pela afirmação Reforma Agrária Já. Essa mensagem relaciona explicitamente a comemoração dos trinta anos do Poema Processo à luta pela reforma agrária e às mobilizações dos trabalhadores sem terra no Brasil dos anos 1990.

A fusão verbal balaiopoemaprocesso aproxima o nome da publicação e o nome do movimento em uma única unidade. O procedimento pode ser compreendido como síntese gráfica e conceitual entre Balaio Incomun e Poema Processo. Ao mesmo tempo, a dedicatória à luta dos sem terra demonstra que a memória do movimento é apresentada por Moacy Cirne em associação direta com questões políticas contemporâneas.

Reforma Agrária Já aparece em destaque e funciona simultaneamente como palavra de ordem, slogan político e elemento poético. A formulação curta e imperativa aproxima a página da tradição dos poemas slogans e das intervenções políticas presentes desde os primeiros momentos do Poema Processo. Linguagem estética e ação política aparecem novamente articuladas.

A referência à luta dos sem terra situa o documento no contexto brasileiro de 1997, período em que a questão agrária, a concentração fundiária, os conflitos no campo e as mobilizações por reforma agrária ocupavam espaço importante no debate público. Moacy Cirne insere esse contexto no interior de uma página dedicada à história da vanguarda, evitando transformar a comemoração dos trinta anos em exercício exclusivamente retrospectivo.

A edição estabelece, portanto, uma relação entre 1967 e 1997. De um lado está a memória do Poema Processo e de suas investigações sobre linguagem, signo, estrutura, reprodução e comunicação. De outro está a realidade política contemporânea e a reivindicação pela reforma agrária. A página sugere que a experimentação poética continua vinculada à capacidade de intervir criticamente no presente.

A aparência desgastada e quase arqueológica da composição também pode ser compreendida como metáfora de memória. Fragmentos históricos reaparecem parcialmente, sobrepostos e transformados por sucessivos processos de reprodução. O documento não apresenta a memória como imagem intacta, mas como campo de restos, repetições, apagamentos e novas articulações.

Balaio Incomun XI 950 constitui assim um importante exemplo de poesia visual, apropriação gráfica e intervenção política dentro das comemorações dos trinta anos do Poema Processo. A folha converte o próprio material editorial em poema, explora a deterioração e a reprodução como recursos expressivos e encerra a composição com uma declaração explícita de solidariedade à luta dos sem terra e à reforma agrária.

Documento relevante para pesquisas e indexação sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 950, Rio de Janeiro, 17 de abril de 1997, 1967, 1997, 30 anos de Poema Processo, Poema Processo, balaiopoemaprocesso, reforma agrária, Reforma Agrária Já, luta dos sem terra, trabalhadores sem terra, questão agrária brasileira, poesia política, poesia visual brasileira, poesia experimental, poema processo, poema slogan, arte política, comunicação visual, reprodução gráfica, fotocópia, xerografia, ruído visual, fragmentação, repetição, inversão, montagem, apropriação, memória das vanguardas e cultura brasileira dos anos 1990.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 950, by Moacy Cirne, produced in Rio de Janeiro on April 17, 1997, belongs to the commemorative series 1967 1997, 30 Anos de Poema Processo. The page presents a radically visual composition constructed through multiplication, repetition, inversion, fragmentation and deterioration of printed elements originating from the graphic universe of Balaio Incomun itself. The work connects the memory of Poema Processo with mechanical reproduction, visual noise, politics and poetic intervention.

At the top of the sheet remain legible the heading Balaio Incomun, Folha Porreta, the name Moacy Cirne, the indication Rio, 17 abril 1997 and the inscription 1967 1997: 30 Anos de Poema Processo. From these institutional and chronological elements, the entire surface of the page becomes an experimental field.

The composition consists of numerous layers of reproduced texts and images, many of them partially erased, inverted, rotated or superimposed. Fragments of the Balaio heading itself appear in different scales and orientations, transforming editorial information into visual material. Repetition no longer serves only to identify the publication and instead becomes a poetic procedure.

The reproduction process appears to deliberately explore the marks of photocopying and printing, including loss of definition, stains, failures, pale areas, concentrations of ink and fragments that are difficult to read. These effects transform technical noise into language. The imperfection of the copy is not merely a material problem but participates in the appearance and construction of the document.

The page thus establishes a direct relationship with historical principles of Poema Processo. A poem does not need to depend on a clearly organized verbal sequence. Information can be fragmented, visualized, repeated, distorted and subjected to processes of transformation. The medium and the reproductive process become constitutive elements of the work.

At several points, tilted or inverted versions of information related to Balaio itself and to the thirtieth anniversary of Poema Processo can be identified. This self reference transforms the publication into the material of its own graphic experiment. Balaio Incomun reproduces Balaio Incomun, fragments its visual identity and reinscribes it within an open structure.

The dense accumulation of graphic traces produces a texture that occupies almost the entire sheet. There is no conventional separation among title, image, body text and margins. All these areas appear to be affected by the same logic of repetition and deterioration. Reading becomes discontinuous and depends on searching for recognizable fragments within a saturated surface.

The work also employs inversion and rotation. Some inscriptions appear upside down or at different angles. This displacement breaks the habitual orientation of reading and requires the viewer to move across the page in multiple directions. Information loses its fixed position and becomes a spatial element.

At the bottom of the sheet appears the most politically significant inscription of the composition: balaiopoemaprocesso dedicado à luta dos sem terra, followed by Reforma Agrária Já. This message explicitly connects the commemoration of thirty years of Poema Processo with the struggle for agrarian reform and with the mobilization of landless workers in Brazil during the 1990s.

The fused expression balaiopoemaprocesso joins the name of the publication and the name of the movement into a single unit. It can be understood as a graphic and conceptual synthesis of Balaio Incomun and Poema Processo. At the same time, the dedication to the struggle of the landless demonstrates that Moacy Cirne presents the memory of the movement in direct association with contemporary political questions.

Reforma Agrária Já appears prominently and functions simultaneously as a political slogan, a call for action and a poetic element. Its short imperative formulation connects the page with the tradition of slogan poems and political interventions that had been present since the early history of Poema Processo. Aesthetic language and political action are once again brought together.

The reference to the struggle of the landless situates the document within the Brazilian context of 1997, when agrarian issues, concentration of land ownership, conflicts in rural areas and mobilizations for land reform occupied an important place in public debate. Moacy Cirne inserts this contemporary context into a page devoted to the history of the avant garde and avoids transforming the thirtieth anniversary into an exclusively retrospective exercise.

The issue therefore establishes a relationship between 1967 and 1997. On one side is the memory of Poema Processo and its investigations into language, signs, structure, reproduction and communication. On the other is contemporary political reality and the demand for agrarian reform. The page suggests that poetic experimentation continues to be connected with the capacity for critical intervention in the present.

The worn and almost archaeological appearance of the composition can also be understood as a metaphor for memory. Historical fragments return partially, superimposed and transformed through successive processes of reproduction. The document does not present memory as an intact image but as a field of traces, repetitions, erasures and new articulations.

Balaio Incomun XI 950 is therefore an important example of visual poetry, graphic appropriation and political intervention within the commemorations of the thirtieth anniversary of Poema Processo. The sheet converts its own editorial material into poetry, explores deterioration and reproduction as expressive resources and concludes the composition with an explicit declaration of solidarity with the struggle of the landless and with agrarian reform.

This document is highly relevant for research and indexing on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 950, Rio de Janeiro, April 17 1997, 1967, 1997, 30 years of Poema Processo, Poema Processo, balaiopoemaprocesso, agrarian reform, Reforma Agrária Já, struggle of the landless, landless workers, Brazilian agrarian issues, political poetry, Brazilian visual poetry, experimental poetry, process poetry, slogan poem, political art, visual communication, graphic reproduction, photocopying, xerography, visual noise, fragmentation, repetition, inversion, montage, appropriation, memory of the avant garde and Brazilian culture of the 1990s.