Balaio Incomun, Folha Porreta, X 817, é uma publicação autoral de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 7 de maio de 1996.
Moacy Cirne
04265 - 7 de maio de 1996. - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 817, é uma publicação autoral de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 7 de maio de 1996. O exemplar integra a série comemorativa 1986 a 1996, Dez anos de Balaio, identificada nesta folha como número 7. O documento reúne três núcleos culturais, uma seleção de dez obras primas da música erudita, uma relação de filmes vinculada ao cineasta brasileiro Luiz Rosemberg Filho e uma pequena seleção de poemas de Affonso Ávila. A combinação evidencia o caráter multidisciplinar de Balaio Incomun e o interesse de Moacy Cirne pelo diálogo entre música, cinema, poesia, cultura de massa e experimentação intelectual.
A primeira seção tem o título Dez Obras Primas da Música Erudita e apresenta uma seleção pessoal de Moacy Cirne para a história da música ocidental. A relação começa com a Sinfonia Inacabada, de Franz Schubert, datada na folha de 1822. Em seguida aparecem As Quatro Estações, de Antonio Vivaldi, 1725, e os Concertos de Brandemburgo, de Johann Sebastian Bach, indicados com as datas 1718 a 1721.
Johannes Brahms é representado pelo Concerto número 1 para piano e orquestra, de 1861. Wolfgang Amadeus Mozart aparece duas vezes, com a Sinfonia número 41, Júpiter, de 1788, e a Fantasia para piano, de 1785. Ludwig van Beethoven também ocupa duas posições, com a Sinfonia número 9, datada na própria folha de 1826, e a Sinfonia número 3, Heroica, indicada como de 1806. A seleção termina com Prélude à l'après midi d'un faune, de Claude Debussy, 1894, e Pierrot Lunaire, de Arnold Schönberg, 1912.
Essa lista percorre diferentes períodos da música erudita europeia, do barroco ao romantismo e às transformações musicais do final do século XIX e início do século XX. Bach, Vivaldi, Mozart, Beethoven, Schubert, Brahms, Debussy e Schönberg formam, no documento, uma espécie de panorama afetivo e crítico da tradição musical valorizada por Moacy Cirne.
A segunda grande seção é intitulada Os Melhores Filmes e é dedicada a Luiz Rosemberg Filho, identificado como cineasta do Rio de Janeiro e autor de vídeos. O texto registra uma extensa seleção cinematográfica na qual Jean Luc Godard, Orson Welles e Ingmar Bergman aparecem classificados como hors concours, indicando posição especial na avaliação apresentada.
Entre os filmes destacados estão O Leopardo, de Luchino Visconti, O Bandido Giuliano, de Francesco Rosi, O Deserto Vermelho, de Michelangelo Antonioni, O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima, Cinzas e Diamantes, de Andrzej Wajda, Hiroshima Meu Amor, de Alain Resnais, Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick, Madre Joana dos Anjos, de Jerzy Kawalerowicz, Estranho Acidente, de Joseph Losey e Crônica Familiar, de Valerio Zurlini.
A relação prossegue com Gaviões e Passarinhos, de Pier Paolo Pasolini, Terra em Transe, de Glauber Rocha, A Bela Intrigante, de Jacques Rivette, O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, Trinta Anos Esta Noite, de Louis Malle, A Aventura, de Michelangelo Antonioni, e Ivan, o Terrível, de Sergei Eisenstein.
A presença de Terra em Transe introduz diretamente o Cinema Novo e a produção de Glauber Rocha dentro de uma constelação internacional de cinema moderno. A seleção aproxima cineastas brasileiros, europeus, japoneses, soviéticos e norte americanos e revela uma compreensão do cinema baseada sobretudo na invenção formal, no cinema de autor e na ruptura estética.
O documento acrescenta que Rosemberg apontou outros filmes de sua preferência. Entre eles aparecem Terra Prometida, de Andrzej Wajda, Oito e Meio, de Federico Fellini, Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, A Gaivota, de Marco Bellocchio, Ano Passado em Marienbad, de Alain Resnais, Senso, de Luchino Visconti, As Férias do Sr. Hulot, de Jacques Tati e Simão do Deserto, de Luis Buñuel.
A lista adicional inclui também Blablabla, de Andrea Tonacci, A Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock, A Doce Vida, de Federico Fellini, Novecento, de Bernardo Bertolucci, Rocco e Seus Irmãos, de Luchino Visconti, e Blow Up, de Michelangelo Antonioni. O conjunto registra um repertório cinematográfico de grande importância para compreender os referenciais culturais compartilhados por Moacy Cirne e Luiz Rosemberg Filho.
A parte inferior da folha apresenta Poemas de Affonso Ávila. Três composições breves trabalham com jogos de linguagem, erotismo, duplo sentido e deslocamentos semânticos. Os poemas recebem as indicações Laurel, Geociência e Eterno Retorno e exploram relações entre corpo, desejo, conhecimento, espaço e passagem do tempo.
No primeiro poema, Affonso Ávila transforma a expressão tradicional relacionada aos louros da vitória em jogo verbal de conteúdo erótico. No segundo, o vocabulário geográfico é transferido para o corpo e para a experiência amorosa, associando latitudes da cama e acidentes do corpo. No terceiro, a relação entre corpo velho e corpo novo é apresentada como reflexão irônica sobre repetição, passagem do tempo e eterno retorno.
A fonte desses poemas é identificada ao final como O Visto e o Imaginado, São Paulo, 1990. A presença de Affonso Ávila, importante nome da poesia experimental brasileira, amplia a dimensão literária da folha e estabelece diálogo entre a produção de Moacy Cirne, poesia de invenção, poesia visual, concretismo, experimentalismo literário e cultura brasileira da segunda metade do século XX.
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 817 constitui documento relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Luiz Rosemberg Filho, Affonso Ávila, cinema brasileiro, Cinema Novo, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Andrea Tonacci, cinema moderno, cinema de autor, música erudita, poesia experimental brasileira, poesia visual, literatura brasileira, cultura de massa, crítica cultural, publicações independentes e redes intelectuais brasileiras dos anos 1990.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 817, is an authorial publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro on 7 May 1996. The issue belongs to the commemorative series 1986 to 1996, Dez anos de Balaio, and is identified as number 7. The document brings together three cultural areas, a selection of ten masterpieces of classical music, a list of films connected with Brazilian filmmaker Luiz Rosemberg Filho and a small selection of poems by Affonso Ávila. This combination demonstrates the multidisciplinary character of Balaio Incomun and Moacy Cirnes interest in the dialogue among music, cinema, poetry, mass culture and intellectual experimentation.
The first section is entitled Dez Obras Primas da Música Erudita and presents Moacy Cirnes personal selection from the history of Western classical music. The list begins with the Unfinished Symphony by Franz Schubert, dated 1822 on the sheet. It continues with The Four Seasons by Antonio Vivaldi, 1725, and the Brandenburg Concertos by Johann Sebastian Bach, dated 1718 to 1721.
Johannes Brahms is represented by Piano Concerto number 1 from 1861. Wolfgang Amadeus Mozart appears twice with Symphony number 41, Jupiter, from 1788 and Fantasia for piano from 1785. Ludwig van Beethoven also occupies two positions with Symphony number 9, dated 1826 on the document itself, and Symphony number 3, Eroica, dated 1806. The selection concludes with Prélude à l'après midi d'un faune by Claude Debussy from 1894 and Pierrot Lunaire by Arnold Schönberg from 1912.
The list crosses different periods of European classical music, from the Baroque to Romanticism and the musical transformations of the late nineteenth and early twentieth centuries. Bach, Vivaldi, Mozart, Beethoven, Schubert, Brahms, Debussy and Schönberg form an intellectual and emotional panorama of the musical tradition valued by Moacy Cirne.
The second major section is entitled Os Melhores Filmes and is dedicated to Luiz Rosemberg Filho, identified as a filmmaker from Rio de Janeiro and author of videos. The document records an extensive film selection in which Jean Luc Godard, Orson Welles and Ingmar Bergman are classified as hors concours, indicating their exceptional position within the selection.
Films highlighted include The Leopard by Luchino Visconti, Salvatore Giuliano by Francesco Rosi, Red Desert by Michelangelo Antonioni, In the Realm of the Senses by Nagisa Oshima, Ashes and Diamonds by Andrzej Wajda, Hiroshima Mon Amour by Alain Resnais, Dr. Strangelove by Stanley Kubrick, Mother Joan of the Angels by Jerzy Kawalerowicz, Accident by Joseph Losey and Family Diary by Valerio Zurlini.
The list continues with Hawks and Sparrows by Pier Paolo Pasolini, Terra em Transe by Glauber Rocha, La Belle Noiseuse by Jacques Rivette, Last Tango in Paris by Bernardo Bertolucci, The Fire Within by Louis Malle, L'Avventura by Michelangelo Antonioni and Ivan the Terrible by Sergei Eisenstein.
The inclusion of Terra em Transe directly introduces Cinema Novo and Glauber Rochas work into an international constellation of modern cinema. The selection connects Brazilian, European, Japanese, Soviet and American filmmakers and reflects an understanding of cinema centered on formal invention, auteur cinema and aesthetic transformation.
The document also states that Rosemberg identified additional favorite films. These include The Promised Land by Andrzej Wajda, 8½ by Federico Fellini, Deus e o Diabo na Terra do Sol by Glauber Rocha, Vidas Secas by Nelson Pereira dos Santos, The Seagull by Marco Bellocchio, Last Year at Marienbad by Alain Resnais, Senso by Luchino Visconti, Monsieur Hulots Holiday by Jacques Tati and Simon of the Desert by Luis Buñuel.
The additional list also includes Blablabla by Andrea Tonacci, Rear Window by Alfred Hitchcock, La Dolce Vita by Federico Fellini, Novecento by Bernardo Bertolucci, Rocco and His Brothers by Luchino Visconti and Blow Up by Michelangelo Antonioni. Together these titles document an important cinematic repertoire shared within the intellectual environment of Moacy Cirne and Luiz Rosemberg Filho.
The lower section contains Poemas de Affonso Ávila. Three short compositions employ wordplay, eroticism, double meanings and semantic displacement. The poems are identified as Laurel, Geociência and Eterno Retorno and explore relationships among the body, desire, knowledge, space and time.
The first poem transforms a traditional expression about resting on ones laurels into an erotic verbal game. The second transfers geographical vocabulary to the body and erotic experience through references to the latitudes of the bed and the accidents of the body. The third considers the relationship between an old body and a new body as an ironic meditation on repetition, time and eternal return.
The source of the poems is identified at the bottom as O Visto e o Imaginado, São Paulo, 1990. The presence of Affonso Ávila, an important figure in Brazilian experimental poetry, broadens the literary dimension of the sheet and establishes connections among Moacy Cirne, poetry of invention, visual poetry, concretism, literary experimentation and Brazilian culture during the second half of the twentieth century.
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 817 is an important document for research on Moacy Cirne, Luiz Rosemberg Filho, Affonso Ávila, Brazilian cinema, Cinema Novo, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Andrea Tonacci, modern cinema, auteur cinema, classical music, Brazilian experimental poetry, visual poetry, Brazilian literature, mass culture, cultural criticism, independent publications and Brazilian intellectual networks of the 1990s.
