Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 945, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 10 de abril de 1997, integra a série de edições comemorativas dos trinta anos do Poema Processo.

Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 945, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 10 de abril de 1997, integra a série de edições comemorativas dos trinta anos do Poema Processo.

Moacy Cirne

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Categoria: Categoria: Publicação seriadaSubcategoria: Boletim experimentalClassificação complementar: Poesia visual; Documento editorial; Arte conceitual; Documento de rede

Acervo: 04324

Data: 10 de Abril de 1997

Dimensões: 33 x 21,5 cm

Texto Salsa em portuguêsBalaio Incomun, Folha Porreta, XI 945, de Moacy Cirne, produzido no Rio de Janeiro em 10 de abril de 1997, integra a série de edições comemorativas dos trinta anos do Poema Processo. A inscrição 1967 1997: 30 Anos de Poema Processo aparece no alto da página, seguida pelo título Poema Processo, Ponto e Vírgula. O documento recupera fragmentos de poemas processo dos anos 1960 a partir do livro Processo: linguagem e comunicação, de Wlademir Dias Pino, publicado em Petrópolis pela Editora Vozes, obra fundamental para a documentação teórica e histórica do movimento.A referência direta a Wlademir Dias Pino possui grande importância documental. Poeta, artista visual, teórico e um dos principais formuladores do Poema Processo, Dias Pino desenvolveu pesquisas que deslocaram o poema da dependência exclusiva da palavra para estruturas baseadas em códigos, signos, imagens, gráficos, sequências, relações espaciais e processos de comunicação. Ao recorrer ao livro Processo: linguagem e comunicação, Moacy Cirne transforma esta edição do Balaio Incomun em instrumento de memória e circulação das formulações históricas do movimento.O subtítulo informa explicitamente que a página reúne fragmentos de poemas processo dos anos 60. A montagem não apresenta uma obra isolada, mas combina diferentes estruturas visuais em uma única composição. Esse procedimento reforça a ideia de arquivo ativo, no qual materiais históricos são reorganizados e recolocados em circulação três décadas depois.A composição central apresenta um grande campo formado pela repetição de pequenos elementos circulares e ovais. A regularidade inicial desse padrão sofre alterações de direção e densidade, produzindo uma superfície visual vibratória. Sobre essa estrutura aparecem áreas negras irregulares com palavras fragmentadas em letras brancas. Entre as expressões legíveis encontram se Cada Época, Tem, A Sua e Escrita, formando a proposição Cada Época Tem A Sua Escrita.A frase possui relação direta com as pesquisas do Poema Processo sobre comunicação e transformação dos sistemas de escrita. Cada época produz seus próprios códigos, tecnologias, convenções e modos de organizar informação. Dentro da página, a escrita não aparece apenas como frase verbal. Ela é fragmentada, inclinada, sobreposta e integrada a massas gráficas, tornando sua organização visual parte do próprio significado.A palavra escrita deixa assim de funcionar somente como portadora de uma mensagem linguística e passa a possuir valor espacial, gráfico e semiótico. A orientação irregular dos blocos exige que o observador percorra a composição visualmente para reconstruir a frase. Ler e ver tornam se operações complementares.Na região inferior direita aparece uma grande forma circular preenchida por uma textura de linhas muito próximas. O círculo é atravessado por dois elementos retangulares dispostos em sentidos diferentes e contém outro pequeno círculo em sua parte superior. Essa organização produz uma estrutura próxima de um diagrama ou objeto gráfico e amplia a diversidade de códigos presentes na página.Outro elemento significativo encontra se na região inferior esquerda. Uma pequena forma semelhante a uma placa apresenta a inscrição É Obrigatório o Uso de Óculos de Segurança Nesta Área. A incorporação de uma mensagem originária da sinalização técnica ou industrial ao espaço do poema exemplifica a apropriação de códigos cotidianos de comunicação pelo Poema Processo. Uma informação funcional é retirada de seu contexto habitual e passa a participar de uma construção poética e visual.A presença dessa sinalização demonstra que o material do poema pode ser encontrado fora do repertório literário tradicional. Avisos, símbolos, diagramas, padrões gráficos, sistemas de orientação, letras comerciais e mensagens utilitárias podem adquirir novas funções quando deslocados para outro sistema de relações. Essa abertura para linguagens externas à literatura constitui uma das características mais importantes das experiências do Poema Processo.A montagem trabalha ainda com inclinações, sobreposições, contrastes entre preto e branco, repetição, textura, fragmentação e diferentes escalas. Não existe uma sequência única de leitura. O observador pode começar pelas palavras, pelos padrões circulares, pelo grande elemento geométrico ou pela placa de segurança. A página exige participação perceptiva e permite diferentes percursos.Poema Processo, Ponto e Vírgula funciona como reflexão visual sobre a própria história do movimento. O ponto e vírgula do título pode sugerir continuidade em vez de encerramento. Em 1997, três décadas depois de 1967, Moacy Cirne recupera fragmentos históricos não como vestígios de uma experiência concluída, mas como signos ainda capazes de produzir novas relações e interpretações.A edição também possui importância para compreender a atuação de Moacy Cirne como pesquisador, crítico, poeta e agente de preservação da memória do Poema Processo. Ao selecionar materiais provenientes de Processo: linguagem e comunicação, de Wlademir Dias Pino, Cirne estabelece um diálogo entre a formulação histórica do movimento, a documentação bibliográfica e sua reativação editorial no Balaio Incomun.Balaio Incomun XI 945 constitui fonte primária relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Wlademir Dias Pino, Poema Processo, Processo: linguagem e comunicação, Editora Vozes, poesia visual brasileira, poesia experimental, poema processo, poesia semiótica, comunicação visual, linguagem, escrita, signo, código, fragmentação, montagem, tipografia experimental, apropriação de linguagem industrial, sinalização, participação do leitor, arte gráfica, publicações independentes, 1967, 1997 e trinta anos do Poema Processo.Salsa text in EnglishBalaio Incomun, Folha Porreta, XI 945, by Moacy Cirne, produced in Rio de Janeiro on April 10, 1997, belongs to the series of issues commemorating the thirtieth anniversary of Poema Processo. The inscription 1967 1997: 30 Anos de Poema Processo appears at the top of the page, followed by the title Poema Processo, Ponto e Vírgula. The document recovers fragments of process poems from the 1960s based on the book Processo: linguagem e comunicação by Wlademir Dias Pino, published in Petrópolis by Editora Vozes, an important work for the theoretical and historical documentation of the movement.The direct reference to Wlademir Dias Pino has major documentary importance. A poet, visual artist, theorist and one of the principal formulators of Poema Processo, Dias Pino developed research that moved poetry beyond exclusive dependence on words and toward structures based on codes, signs, images, graphics, sequences, spatial relationships and communication processes. By returning to Processo: linguagem e comunicação, Moacy Cirne transforms this issue of Balaio Incomun into an instrument for preserving and circulating the historical formulations of the movement.The subtitle explicitly states that the page contains fragments of process poems from the 1960s. The montage does not present a single isolated work but combines different visual structures within one composition. This procedure reinforces the concept of an active archive in which historical materials are reorganized and returned to circulation three decades later.The central composition contains a large field constructed through the repetition of small circular and oval elements. The initial regularity of this pattern changes in direction and density, creating a visually vibrating surface. Over this structure appear irregular dark areas containing fragmented white words. Among the clearly visible expressions are Cada Época, Tem, A Sua and Escrita, forming the proposition Cada Época Tem A Sua Escrita.The phrase has a direct relationship with Poema Processo investigations into communication and changing systems of writing. Each historical period produces its own codes, technologies, conventions and ways of organizing information. Within the page, writing does not appear merely as a verbal sentence. It is fragmented, tilted, superimposed and integrated into graphic masses, making its visual organization part of its meaning.Writing therefore ceases to function only as a carrier of linguistic information and acquires spatial, graphic and semiotic value. The irregular orientation of the blocks requires the viewer to move visually through the composition in order to reconstruct the sentence. Reading and seeing become complementary operations.In the lower right area appears a large circular form filled with a dense texture of closely spaced lines. The circle is crossed by two rectangular elements oriented in different directions and contains a smaller circle near its upper portion. This organization creates a structure resembling a diagram or graphic object and expands the variety of codes present on the page.Another significant element appears in the lower left area. A small shape resembling a sign contains the statement É Obrigatório o Uso de Óculos de Segurança Nesta Área. The incorporation of a message originally associated with technical or industrial signage into the space of the poem exemplifies the appropriation of everyday communication codes by Poema Processo. Functional information is removed from its usual context and becomes part of a poetic and visual construction.The presence of this safety sign demonstrates that poetic material can be found outside the traditional literary repertoire. Notices, symbols, diagrams, graphic patterns, orientation systems, commercial lettering and utilitarian messages can acquire new functions when displaced into another system of relationships. This openness to languages outside literature is one of the important characteristics of Poema Processo experimentation.The montage also works through inclination, superimposition, black and white contrast, repetition, texture, fragmentation and changes of scale. There is no single predetermined reading sequence. The viewer may begin with the words, the circular patterns, the large geometric element or the safety sign. The page requires perceptual participation and permits multiple paths through the composition.Poema Processo, Ponto e Vírgula functions as a visual reflection on the history of the movement itself. The semicolon in the title can suggest continuity rather than conclusion. In 1997, three decades after 1967, Moacy Cirne retrieves historical fragments not as remains of a completed experiment but as signs still capable of producing new relationships and interpretations.The issue is also significant for understanding Moacy Cirne as a researcher, critic, poet and agent in the preservation of Poema Processo memory. By selecting material from Processo: linguagem e comunicação by Wlademir Dias Pino, Cirne creates a dialogue among the historical formulation of the movement, bibliographical documentation and its editorial reactivation within Balaio Incomun.Balaio Incomun XI 945 is an important primary source for research on Moacy Cirne, Wlademir Dias Pino, Poema Processo, Processo: linguagem e comunicação, Editora Vozes, Brazilian visual poetry, experimental poetry, process poetry, semiotic poetry, visual communication, language, writing, signs, codes, fragmentation, montage, experimental typography, appropriation of industrial language, signage, reader participation, graphic art, independent publishing, 1967, 1997 and the thirtieth anniversary of Poema Processo.

Texto de observação em portuguêsDocumento identificado como Balaio Incomun, XI 945, Folha Porreta, de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 10 de abril de 1997. A folha apresenta a inscrição 1967 1997: 30 Anos de Poema Processo e o título Poema Processo, Ponto e Vírgula.A informação bibliográfica no alto da página identifica o conteúdo como fragmentos de poemas processo dos anos 60 retirados do livro Processo: linguagem e comunicação, de Wlademir Dias Pino, publicado em Petrópolis pela Editora Vozes. Essa referência é essencial para a catalogação porque vincula diretamente a montagem de Moacy Cirne a uma das principais fontes bibliográficas da história do Poema Processo.A composição visual ocupa a maior parte da folha. O fundo principal é formado por grande quantidade de pequenos elementos circulares ou ovais repetidos em linhas. As repetições sofrem modificações de direção e espaçamento, produzindo textura, vibração e movimento visual.Sobre esse campo aparecem blocos negros irregulares contendo palavras brancas. É possível reconhecer Cada Época, Tem, A Sua e Escrita. Reunidos visualmente, esses fragmentos formam a expressão Cada Época Tem A Sua Escrita. A frase encontra se dividida entre diferentes áreas, tornando necessária uma leitura espacial da composição.A distribuição das palavras demonstra a transformação da escrita em material gráfico. A mensagem verbal permanece identificável, mas sua compreensão depende da posição, inclinação, dimensão e relação entre os fragmentos. Esse procedimento aproxima texto, tipografia e imagem e exemplifica a ruptura do Poema Processo com a leitura literária exclusivamente linear.Na região inferior direita encontra se uma forma circular de grande dimensão, preenchida por linhas densas e atravessada por dois elementos retangulares. Dentro do círculo aparece também uma forma circular menor. O conjunto possui aparência diagramática e funciona como outro sistema visual dentro da montagem.Na parte inferior esquerda aparece um elemento semelhante a uma placa de sinalização com a inscrição É Obrigatório o Uso de Óculos de Segurança Nesta Área. O deslocamento de uma mensagem de segurança industrial para o campo do poema constitui exemplo de apropriação de linguagem funcional e cotidiana pelo Poema Processo.A coexistência de sinalização industrial, frase verbal fragmentada, padrões repetitivos e estruturas geométricas demonstra a diversidade de códigos mobilizados pela composição. A obra não depende de uma única linguagem e produz sentido pela relação entre informações de origens distintas.A página utiliza preto e branco, padrões seriados, áreas de textura, sobreposição, inclinação e fragmentação. A leitura não possui começo ou fim obrigatório. O observador constrói percursos entre palavras, sinais e formas e participa da organização do sentido.O título Poema Processo, Ponto e Vírgula possui relevância conceitual. Em uma edição comemorativa de 1997, o ponto e vírgula pode ser interpretado como sinal de continuidade. A memória de 1967 é retomada sem ser apresentada como encerrada, sugerindo a permanência das questões do movimento no campo da poesia e da comunicação.A relação entre Moacy Cirne e Wlademir Dias Pino torna esta folha particularmente importante para a história documental do Poema Processo. Cirne utiliza uma publicação teórica de Dias Pino como fonte para reorganizar materiais históricos dentro de uma nova página comemorativa, criando uma ligação direta entre arquivo, bibliografia, memória e experimentação visual.Peça relevante para indexação de Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 945, Rio de Janeiro, 10 de abril de 1997, Wlademir Dias Pino, Processo: linguagem e comunicação, Editora Vozes, Petrópolis, Poema Processo, Poema Processo Ponto e Vírgula, 1967, 1997, 30 anos de Poema Processo, poemas processo dos anos 60, Cada Época Tem A Sua Escrita, poesia visual brasileira, poesia experimental, linguagem visual, comunicação, semiótica, signo, código, tipografia experimental, sinalização, montagem, fragmentação, repetição, arte gráfica e memória das vanguardas brasileiras.Observation text in EnglishDocument identified as Balaio Incomun, XI 945, Folha Porreta, by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, April 10, 1997. The sheet carries the inscription 1967 1997: 30 Anos de Poema Processo and the title Poema Processo, Ponto e Vírgula.The bibliographical information at the top identifies the content as fragments of process poems from the 1960s taken from the book Processo: linguagem e comunicação by Wlademir Dias Pino, published in Petrópolis by Editora Vozes. This reference is essential for cataloguing because it directly connects Moacy Cirne's montage with one of the principal bibliographical sources in the history of Poema Processo.The visual composition occupies most of the sheet. Its principal background is constructed from a large number of small circular or oval elements repeated in rows. These repetitions change in direction and spacing, producing texture, vibration and visual movement.Over this field appear irregular dark blocks containing white words. The expressions Cada Época, Tem, A Sua and Escrita can be recognized. Read together across the composition, these fragments form the statement Cada Época Tem A Sua Escrita. The sentence is distributed among different areas and therefore requires a spatial mode of reading.The distribution of the words demonstrates the transformation of writing into graphic material. The verbal message remains recognizable, but understanding it depends on the position, inclination, scale and relationship among the fragments. This procedure brings text, typography and image together and exemplifies the break made by Poema Processo with exclusively linear literary reading.In the lower right area appears a large circular form filled with dense lines and crossed by two rectangular elements. A smaller circular form also appears inside it. The whole structure has a diagrammatic appearance and functions as another visual system within the montage.In the lower left section appears an element resembling a safety sign containing the statement É Obrigatório o Uso de Óculos de Segurança Nesta Área. The displacement of an industrial safety message into the field of poetry provides an example of the appropriation of functional and everyday language within Poema Processo.The coexistence of industrial signage, fragmented verbal language, repetitive patterns and geometric structures demonstrates the diversity of codes mobilized by the composition. The work does not depend on a single language and produces meaning through relationships among information originating in different contexts.The page uses black and white contrast, serial patterns, textured areas, superimposition, inclination and fragmentation. Reading has no compulsory beginning or ending. The viewer constructs paths among words, signs and forms and participates in the organization of meaning.The title Poema Processo, Ponto e Vírgula has conceptual significance. In a commemorative issue from 1997, the semicolon can be interpreted as a sign of continuity. The memory of 1967 is recovered without being presented as concluded, suggesting the continuing relevance of the movement's questions concerning poetry and communication.The relationship between Moacy Cirne and Wlademir Dias Pino makes this sheet especially important for the documentary history of Poema Processo. Cirne uses a theoretical publication by Dias Pino as a source for reorganizing historical materials within a new commemorative page, creating a direct connection among archive, bibliography, memory and visual experimentation.This piece is highly relevant for indexing Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 945, Rio de Janeiro, April 10 1997, Wlademir Dias Pino, Processo: linguagem e comunicação, Editora Vozes, Petrópolis, Poema Processo, Poema Processo Ponto e Vírgula, 1967, 1997, 30 years of Poema Processo, process poems from the 1960s, Cada Época Tem A Sua Escrita, Brazilian visual poetry, experimental poetry, visual language, communication, semiotics, signs, codes, experimental typography, signage, montage, fragmentation, repetition, graphic art and the memory of Brazilian avant garde movements.


Inglês

Balaio Incomun, Folha Porreta, XI 945, by Moacy Cirne, produced in Rio de Janeiro on April 10, 1997, belongs to the series of issues commemorating the thirtieth anniversary of Poema Processo.

Dimensions: 13 x 8,5 in