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Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 898, publicação independente de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em um dia qualquer de outubro de 1996.

Moacy Cirne

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04296 - Outubro de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS

Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 898, publicação independente de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em um dia qualquer de outubro de 1996. A folha reúne crítica política, poesia, sátira, comentário sobre mídia e futebol, reflexão sobre o voto nulo e notícia cultural, compondo um registro particularmente significativo da atuação intelectual e política de Moacy Cirne na década de 1990.

A publicação é organizada em diferentes blocos textuais. Entre os títulos identificáveis estão PSDB, no Rio e em São Paulo, De Zemaria Pinto, Exercício da crueldade, O voto nulo como opção política, Balaio 900 vai botar pra fuder, O comentarista equivocado e Prêmio Vladimir Herzog para Wolney. Essa diversidade demonstra o caráter aberto de Balaio Incomum e Folha Porreta, publicação na qual literatura, poesia experimental, política, humor, crítica cultural e acontecimentos contemporâneos convivem em uma mesma página.

No texto PSDB, no Rio e em São Paulo, Moacy Cirne estabelece uma comparação entre o PSDB paulista e o PSDB carioca. O autor afirma existir uma diferença radical entre os dois, manifestando respeito por determinados quadros políticos de São Paulo e citando nomes como Covas, Montoro e Serra. Em contraste, apresenta uma avaliação extremamente crítica do partido no Rio de Janeiro.

O texto menciona ainda Artur da Távola, Marcello Alencar, César Maia, Conde e Cabral. Moacy Cirne utiliza linguagem provocadora para comentar as alianças, disputas e personagens políticos cariocas. Ao final desse bloco, afirma que anular o voto no Rio não representa apenas uma questão política, mas uma questão provocativamente política. A formulação conecta diretamente esse número de Balaio Incomum às intervenções eleitorais realizadas pelo autor em outras Folhas Porretas de outubro de 1996.

No setor superior direito encontra se uma contribuição de Zemaria Pinto intitulada Exercício da crueldade. O texto apresenta uma construção poética condensada, na qual palavras são comparadas a serpentes, navalhas e balas que explodem dentro do peito de quem ouve e de quem fala. Em seguida aparecem as palavras fluir, conter, poder e condensar, organizadas como unidades poéticas. A indicação final informa que o texto pertence a Fragmentos de silêncio, Manaus, 1995.

A presença de Zemaria Pinto amplia o campo de relações literárias documentado por Balaio Incomum, conectando Moacy Cirne a autores de outras regiões brasileiras e, neste caso, a uma produção vinculada a Manaus. A publicação funciona assim também como espaço de circulação de poesia contemporânea e intercâmbio entre escritores.

Outro bloco fundamental possui o título O voto nulo como opção política. Moacy Cirne afirma que sua opção política pelo voto nulo no Rio transcende qualquer orientação partidária. O argumento é construído a partir da independência de um número que não estaria associado a partido algum.

O número 69 reaparece como elemento central. Moacy Cirne explica que esse número passa a funcionar como emblema e signo vivo de erotismo e protesto político. A associação entre voto, sexualidade e provocação confirma a continuidade da campanha satírica Vote 69 presente em outros números de Folha Porreta produzidos durante as eleições municipais de 1996.

O texto define o voto nulo contra o que Moacy Cirne denomina PSDBFELÊ do Rio como o mais inteligente e original dos votos nulos e também como o mais provocativo. A palavra PSDBFELÊ aparece como invenção verbal e satírica, demonstrando novamente o emprego do neologismo como recurso de crítica política.

Na região central encontra se o anúncio Balaio 900 vai botar pra fuder. Moacy Cirne anuncia que o número 900 de Balaio, previsto para a semana seguinte, teria como alvos satíricos o IACS e O Grande Rio. O anúncio utiliza deliberadamente linguagem exagerada e humorística para criar expectativa em torno da edição comemorativa.

A sátira é ampliada por uma sequência de reações fictícias atribuídas a personalidades públicas. Entre os nomes identificáveis encontram se Eugênio Sales, Maluf, César Maia, D. Lucas Neves, Madonna, Sharon Stone, ACM e Edir Macedo. As supostas declarações apresentam o número 900 como insulto, horror, atentado à tradição ou acontecimento desejado. A mistura de políticos, religiosos e celebridades internacionais cria um efeito de absurdo característico do humor de Moacy Cirne.

Esse bloco é particularmente relevante para compreender a autorreferência presente em Balaio Incomum. A própria publicação transforma sua numeração, circulação e recepção imaginária em matéria de humor. O número 900 deixa de ser apenas uma referência editorial e passa a integrar a construção poética e satírica da série.

Na parte inferior esquerda encontra se O comentarista equivocado. O texto aborda Sérgio Noronha e distingue sua atividade como comentarista de futebol de suas opiniões políticas. Moacy Cirne reconhece qualidades em seus comentários futebolísticos, mas critica duramente suas posições políticas, mencionando inclusive o voto nulo no Rio. O fragmento demonstra como esporte, mídia e política também integravam o universo crítico de Folha Porreta.

Na região inferior direita aparece Prêmio Vladimir Herzog para Wolney. O texto informa que um professor da Comunicação da UFF havia recebido o importante Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, de São Paulo, na categoria Propaganda, por projetos desenvolvidos com alunos na disciplina Planejamento de Cartazes. O documento relaciona assim Balaio Incomum ao campo da comunicação, do ensino universitário, dos direitos humanos, do design gráfico e da produção de cartazes.

A referência ao Prêmio Vladimir Herzog possui especial importância documental por inserir na página um reconhecimento ligado à defesa dos direitos humanos e à comunicação. A presença desse registro ao lado de críticas eleitorais, poesia e sátira revela a amplitude temática da publicação de Moacy Cirne.

Balaio Incomum XI 898 constitui importante documento para compreender Moacy Cirne como poeta, crítico, professor, intelectual, humorista e participante ativo dos debates políticos brasileiros. A folha evidencia sua capacidade de conectar poesia experimental, comentário eleitoral, crítica aos partidos políticos, voto nulo, erotismo, cultura de massa, televisão, futebol, universidade, comunicação e direitos humanos.

Documento relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XI 898, Rio de Janeiro, outubro de 1996, eleições municipais de 1996, PSDB, voto nulo, Vote 69, política carioca, política brasileira, Covas, Montoro, Serra, Artur da Távola, Marcello Alencar, César Maia, Conde, Cabral, Zemaria Pinto, Fragmentos de silêncio, Manaus, Sérgio Noronha, UFF, comunicação, Prêmio Vladimir Herzog, direitos humanos, poesia experimental, sátira política, imprensa alternativa e publicações independentes brasileiras.

TEXTO SALSA EM INGLÊS

Balaio Incomum, Folha Porreta, issue XI 898, an independent publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro on an unspecified day in October 1996. The sheet combines political criticism, poetry, satire, commentary on media and football, reflections on the null vote and cultural news, making it a particularly significant record of Moacy Cirne's intellectual and political activity during the 1990s.

The publication is organized into several textual sections. Identifiable titles include PSDB, no Rio e em São Paulo, De Zemaria Pinto, Exercício da crueldade, O voto nulo como opção política, Balaio 900 vai botar pra fuder, O comentarista equivocado and Prêmio Vladimir Herzog para Wolney. This diversity demonstrates the open character of Balaio Incomum and Folha Porreta, where literature, experimental poetry, politics, humor, cultural criticism and contemporary events coexist on a single page.

In the text PSDB, no Rio e em São Paulo, Moacy Cirne establishes a comparison between the São Paulo and Rio de Janeiro branches of the PSDB. The author argues that there is a radical difference between them, expressing respect for certain political figures associated with São Paulo and mentioning Covas, Montoro and Serra. In contrast, he presents an extremely critical assessment of the party in Rio de Janeiro.

The text also mentions Artur da Távola, Marcello Alencar, César Maia, Conde and Cabral. Moacy Cirne uses provocative language to comment on alliances, disputes and political personalities in Rio. At the end of this section he argues that casting a null vote in Rio is not merely a political question but a provocatively political question. This formulation directly connects this issue of Balaio Incomum with the electoral interventions produced by the author in other Folha Porreta sheets during October 1996.

In the upper right section is a contribution by Zemaria Pinto entitled Exercício da crueldade. The poem presents a condensed construction in which words are compared to serpents, blades and bullets exploding inside the chest of those who hear and those who speak. It is followed by the words fluir, conter, poder and condensar, organized as poetic units. The final indication identifies the source as Fragmentos de silêncio, Manaus, 1995.

The presence of Zemaria Pinto expands the literary network documented by Balaio Incomum, connecting Moacy Cirne with writers from other Brazilian regions and, in this case, with literary production associated with Manaus. The publication therefore also functions as a space for the circulation of contemporary poetry and exchange among writers.

Another fundamental section is entitled O voto nulo como opção política. Moacy Cirne states that his political choice of casting a null vote in Rio transcends any partisan orientation. His argument is constructed around the independence of a number that is not connected with any political party.

The number 69 reappears as a central element. Moacy Cirne explains that the number becomes an emblem and a living sign of eroticism and political protest. The association among voting, sexuality and provocation confirms the continuity of the satirical Vote 69 campaign found in other Folha Porreta issues produced during the 1996 municipal elections.

The text defines the null vote against what Moacy Cirne calls the PSDBFELÊ of Rio as the most intelligent and original of the null votes and also the most provocative. The term PSDBFELÊ appears as a verbal and satirical invention, again demonstrating the use of neologism as an instrument of political criticism.

In the central area appears the announcement Balaio 900 vai botar pra fuder. Moacy Cirne announces that issue 900 of Balaio, expected the following week, would satirize the IACS and O Grande Rio. The announcement deliberately employs exaggerated and humorous language to create anticipation around the commemorative issue.

The satire is expanded through a sequence of fictional reactions attributed to public personalities. Identifiable names include Eugênio Sales, Maluf, César Maia, D. Lucas Neves, Madonna, Sharon Stone, ACM and Edir Macedo. The supposed statements describe issue 900 as an insult, a horror, an attack on tradition or a desired event. The mixture of politicians, religious figures and international celebrities creates an absurd effect characteristic of Moacy Cirne's humor.

This section is particularly important for understanding the self referential dimension of Balaio Incomum. The publication transforms its own numbering, circulation and imaginary reception into material for humor. Issue 900 becomes more than an editorial number and enters the poetic and satirical construction of the series.

In the lower left section appears O comentarista equivocado. The text discusses Sérgio Noronha and distinguishes his activity as a football commentator from his political opinions. Moacy Cirne recognizes qualities in his football commentary but strongly criticizes his political positions, including a reference to the null vote in Rio. The fragment demonstrates how sports, media and politics also formed part of the critical universe of Folha Porreta.

In the lower right area appears Prêmio Vladimir Herzog para Wolney. The text reports that a professor of Communication at UFF had received the important Vladimir Herzog Award for Amnesty and Human Rights in São Paulo, in the Advertising category, for projects developed with students in a poster planning course. The document therefore connects Balaio Incomum with communication studies, university education, human rights, graphic design and poster production.

The reference to the Vladimir Herzog Award has particular documentary importance because it introduces recognition related to human rights and communication into the page. Its presence beside electoral criticism, poetry and satire demonstrates the broad thematic scope of Moacy Cirne's publication.

Balaio Incomum XI 898 is an important document for understanding Moacy Cirne as poet, critic, professor, intellectual, humorist and active participant in Brazilian political debates. The sheet demonstrates his ability to connect experimental poetry, electoral commentary, criticism of political parties, the null vote, eroticism, mass culture, television, football, universities, communication and human rights.

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