Home Acervo Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 892, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 10 de outubro de 1996.

Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 892, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 10 de outubro de 1996.

Moacy Cirne

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04293 - 10 de outubro de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS

Balaio Incomum, Folha Porreta, número XI 892, publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 10 de outubro de 1996. A folha constitui uma intervenção poética, gráfica e política relacionada ao contexto eleitoral carioca de 1996. Texto, fotografia, humor, provocação e crítica ao processo eleitoral são articulados em uma composição que utiliza a própria ideia do voto como matéria de poesia e contestação.

No centro conceitual da página encontra se a sequência No Rio de Janeiro, nem Conde, nem Cabral, diga não, seguida pela expressão deliberadamente inventada merdabostatolice. Moacy Cirne reúne linguagem política, humor verbal e neologismo para manifestar rejeição às alternativas eleitorais mencionadas na folha. A construção funciona simultaneamente como posicionamento crítico e exercício poético de invenção linguística.

A frase Apesar da frustração, vote pelo prazer conduz ao elemento mais provocador da composição, VOTE 69. Em seguida aparece Para anular o seu voto, no dia 15 de novembro. A combinação transforma o número 69 em signo de duplo sentido, associando erotismo, prazer, humor e voto nulo. O procedimento desloca a linguagem eleitoral convencional e converte a orientação política em jogo verbal e visual.

A utilização do número 69 aproxima sexualidade e política de maneira irônica. Em vez de apresentar candidato ou programa, a folha propõe um número impossível como alternativa simbólica, transformando a anulação do voto em gesto crítico. O eleitor deixa de ser tratado apenas como participante de uma escolha institucional e passa a ocupar o papel de leitor de uma intervenção poética.

A composição visual é marcada por grande área vazia, texto datilografado e uma fotografia histórica recortada e inclinada na metade inferior. A imagem apresenta uma sequência de mulheres nuas em movimento, reforçando visualmente as referências ao corpo, ao prazer e à sexualidade introduzidas pelo número 69.

A legenda identifica a imagem como fotografia de Arthur Allen, aproximadamente de 1920, especialmente cedida por Luiz Rosenberg Filho. Essa informação estabelece uma conexão entre Balaio Incomum, fotografia histórica, cultura visual, cinema e redes intelectuais e artísticas vinculadas a Moacy Cirne.

A apropriação de uma fotografia antiga para uma intervenção política contemporânea demonstra o procedimento característico de Balaio Incomum de aproximar materiais provenientes de épocas e linguagens distintas. A fotografia deixa seu contexto original e passa a participar de uma crítica política produzida cerca de sete décadas depois.

O documento revela ainda a maneira como Moacy Cirne utiliza humor, erotismo e irreverência como instrumentos de crítica. A política não aparece isolada da poesia ou da cultura visual. Texto, número, corpo, fotografia e neologismo operam conjuntamente para produzir uma intervenção contra discursos eleitorais convencionais.

A folha constitui importante registro da relação entre Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, poesia experimental, política brasileira, cultura alternativa e intervenção gráfica nos anos 1990. Também documenta a presença de referências eleitorais diretamente incorporadas à produção independente do autor.

Documento relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XI 892, Rio de Janeiro, 10 de outubro de 1996, eleições no Rio de Janeiro, Conde, Cabral, voto nulo, VOTE 69, política brasileira, poesia política, poesia experimental, humor, erotismo, fotografia, Arthur Allen, Luiz Rosenberg Filho, cultura visual, imprensa alternativa e publicações independentes brasileiras.

TEXTO SALSA EM INGLÊS

Balaio Incomum, Folha Porreta, issue XI 892, a publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro on October 10, 1996. The sheet constitutes a poetic, graphic and political intervention connected with the electoral context of Rio de Janeiro in 1996. Text, photography, humor, provocation and criticism of the electoral process are combined in a composition that transforms voting itself into material for poetry and dissent.

At the conceptual center of the page is the sequence No Rio de Janeiro, nem Conde, nem Cabral, diga não, followed by the deliberately invented expression merdabostatolice. Moacy Cirne combines political language, verbal humor and neologism to express rejection of the electoral alternatives mentioned in the sheet. The construction functions simultaneously as critical positioning and poetic experimentation with language.

The phrase Apesar da frustração, vote pelo prazer leads to the most provocative element of the composition, VOTE 69. It is followed by Para anular o seu voto, no dia 15 de novembro. This combination transforms the number 69 into a sign with double meaning, connecting eroticism, pleasure, humor and the null vote. The procedure displaces conventional electoral language and turns political instruction into verbal and visual play.

The use of the number 69 connects sexuality and politics in an ironic manner. Rather than presenting a candidate or political program, the sheet proposes an impossible number as a symbolic alternative, transforming the cancellation of the vote into a critical gesture. The voter becomes not only a participant in an institutional choice but also the reader of a poetic intervention.

The visual composition is characterized by extensive empty space, typewritten text and a historical photograph cut and tilted across the lower half of the page. The image presents a sequence of nude women in movement, visually reinforcing the references to the body, pleasure and sexuality introduced by the number 69.

The caption identifies the image as a photograph by Arthur Allen, dating from approximately 1920, specially provided by Luiz Rosenberg Filho. This information establishes a connection among Balaio Incomum, historical photography, visual culture, cinema and the artistic and intellectual networks surrounding Moacy Cirne.

The appropriation of an old photograph for a contemporary political intervention demonstrates the characteristic procedure of Balaio Incomum in bringing together materials from different periods and languages. The photograph leaves its original context and becomes part of a political critique produced approximately seven decades later.

The document also reveals how Moacy Cirne employs humor, eroticism and irreverence as critical instruments. Politics does not appear separated from poetry or visual culture. Text, number, body, photography and neologism operate together to produce an intervention against conventional electoral discourse.

The sheet is an important record of the relationship among Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, experimental poetry, Brazilian politics, alternative culture and graphic intervention during the 1990s. It also documents the direct incorporation of electoral references into the independent production of the author.

This document is relevant to research on Moacy Cirne, Balaio Incomum, Folha Porreta, XI 892, Rio de Janeiro, October 10, 1996, elections in Rio de Janeiro, Conde, Cabral, null vote, VOTE 69, Brazilian politics, political poetry, experimental poetry, humor, eroticism, photography, Arthur Allen, Luiz Rosenberg Filho, visual culture, alternative press and Brazilian independent publications.