Balaio Incomun, Folha Porreta, X 880, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1996.
Moacy Cirne
04287 - 1 de agosto de 1996. - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 880, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1996. O documento reúne comentário político e esportivo, reflexão sobre os Jogos Olímpicos, futebol brasileiro, cinema, crítica cinematográfica e circulação de repertórios culturais. A folha apresenta como textos centrais Tragédia olímpica, Clássicos do cinema em vídeo e Cinema, Os melhores filmes, compondo um retrato das preocupações culturais e críticas de Moacy Cirne no momento dos Jogos Olímpicos de Atlanta de 1996.
O texto de abertura, Tragédia olímpica, analisa a derrota da seleção brasileira de futebol nos Jogos Olímpicos. Moacy Cirne afirma que a derrota começou a se desenhar no jogo contra o Japão e critica a arrogância, a falta de humildade e a ausência de garra demonstradas pela equipe brasileira. A atuação de Zagallo aparece como um dos elementos centrais da crítica.
Cirne considera que o futebol sem garra não merece vencer e questiona a possibilidade de a seleção brasileira temer a Nigéria. O autor registra que a equipe nigeriana jogou como um leão ferido e destaca sua combatividade. A crítica transforma o episódio esportivo em reflexão sobre atitude, preparação, determinação e excesso de confiança no futebol brasileiro.
O texto também menciona os menos de cinquenta milhões de brasileiros que, segundo Cirne, ainda saberiam que futebol se ganha no campo e não pela imagem pública. O autor passa então a projetar a Copa do Mundo de 1998 na França, quando o Brasil tentaria conquistar seu segundo bicampeonato e tornar se pentacampeão mundial. A recomendação final é clara: jogar sem frescuras, com garra, talento, ousadia e determinação.
A seção Clássicos do cinema em vídeo comenta uma coleção lançada no mercado brasileiro pela editora Altaya, de Madrid, composta por quarenta clássicos do cinema em vídeo. O texto informa que a série começava com Cidadão Kane e Em busca do ouro.
Moacy Cirne menciona outros títulos previstos na coleção, entre eles O terceiro homem, No tempo das diligências, A grande ilusão, O anjo azul, Ladrões de bicicleta, A general, Desencanto, M, o vampiro de Düsseldorf e O encouraçado Potemkin. Ele reconhece lacunas significativas na seleção, observando a ausência de filmes de Michelangelo Antonioni, Federico Fellini, Ingmar Bergman, Luis Buñuel e Alain Resnais, mas considera que, apesar dessas ausências, a coleção constituía uma boa seleção para o público interessado na história do cinema.
Cirne também critica a qualidade técnica de algumas telecinagens. Menciona especificamente a cópia existente de Cidadão Kane pela Continental, considerada péssima, e chama atenção para a necessidade de que grandes filmes sejam vistos primeiro no cinema e posteriormente revistos em vídeo. Esse comentário registra uma questão importante da cultura audiovisual dos anos 1990, quando a circulação doméstica de clássicos em VHS ampliava o acesso às obras, mas frequentemente apresentava limitações técnicas de reprodução.
Na seção Cinema, Os melhores filmes, Antônio Serra, do Rio de Janeiro, identificado como professor do Departamento de Comunicação da UFF, apresenta uma seleção marcada pelo cinema de aventura e pelo espetáculo. São mencionados As minas do Rei Salomão, A ponte do Rio Kwai, 2001 uma odisseia no espaço, Lawrence da Arábia, O homem que queria ser rei, O tesouro de Sierra Madre, Os canhões de Navarone, Os sete samurais, Spartacus e Uma aventura na África.
A seleção de Antônio Serra estabelece relações com Stanley Kubrick, David Lean, John Huston, Akira Kurosawa e outros nomes associados ao cinema clássico e épico. Sua identificação como professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal Fluminense acrescenta mais um registro da presença da UFF na rede de colaboradores e participantes de Balaio Incomun.
Outra seleção é atribuída a Jo Name, do Rio de Janeiro, identificado como funcionário do Núcleo Audiovisual da UFF. Sua lista reúne A mulher do lado, de François Truffaut, Casanova e a revolução, de Ettore Scola, A liberdade é azul, de Krzysztof Kieslowski, A companhia dos lobos, de Neil Jordan, A última sessão de cinema, de Peter Bogdanovich, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, Limite, de Mario Peixoto, Ran, de Akira Kurosawa, Amarcord, de Federico Fellini, Tampopo, de Juzo Itami, e Os brutos também comem spaghetti, também associado a Juzo Itami.
Essa relação possui especial importância para o cinema brasileiro pela presença simultânea de Deus e o diabo na terra do sol e Limite. Glauber Rocha e Mario Peixoto aparecem integrados a um repertório internacional de cinema de autor, reforçando a posição do cinema brasileiro moderno e experimental dentro das escolhas reunidas por Balaio.
A terceira participação é de Benjamin Albagli, do Rio de Janeiro, identificado como jornalista e tradutor. Sua lista apresenta O criado, de Joseph Losey, Morte em Veneza, de Luchino Visconti, Crepúsculo dos deuses, de Billy Wilder, Cabaret, de Bob Fosse, A regra do jogo, de Jean Renoir, Vertigo, de Alfred Hitchcock, Cidadão Kane, de Orson Welles, Peeping Tom, de Michael Powell, Insignificance, de Nicolas Roeg, Amarcord, de Federico Fellini, Um cão andaluz, de Luis Buñuel, Mishima, de Paul Schrader, Persona, de Ingmar Bergman, O passageiro, de Michelangelo Antonioni, 2001 uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick, Terra em transe, de Glauber Rocha, Toda nudez será castigada, de Arnaldo Jabor, Nunca fomos tão felizes, de Murilo Salles, Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais, e Allonsanfan, dos irmãos Taviani.
A seleção de Benjamin Albagli possui forte interesse para a história do cinema brasileiro. Terra em transe, Toda nudez será castigada e Nunca fomos tão felizes introduzem Glauber Rocha, Arnaldo Jabor e Murilo Salles num repertório que também inclui Welles, Hitchcock, Fellini, Buñuel, Bergman, Antonioni, Kubrick, Visconti e Resnais.
O conjunto das três listas confirma o caráter amplo da pesquisa cinematográfica conduzida por Moacy Cirne em Balaio Incomun. Os participantes incluem professores, profissionais ligados ao audiovisual, jornalistas e tradutores, demonstrando que a enquete atravessava diferentes grupos culturais e profissionais.
O exemplar também reforça a importância da Universidade Federal Fluminense na circulação de Balaio Incomun. Antônio Serra aparece como professor do Departamento de Comunicação da UFF e Jo Name como funcionário do Núcleo Audiovisual da mesma universidade. A recorrência da UFF em diversos números da publicação permite mapear uma importante rede de sociabilidade intelectual, acadêmica e cinematográfica em torno de Moacy Cirne.
Balaio Incomun X 880 constitui fonte primária relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Tragédia olímpica, Jogos Olímpicos de Atlanta de 1996, futebol brasileiro, seleção brasileira, Zagallo, Nigéria, mídia esportiva, Copa do Mundo de 1998, cinema em vídeo, VHS, Editora Altaya, história do cinema, Cidadão Kane, João Luís Vieira, Antônio Serra, Jo Name, Benjamin Albagli, UFF, Universidade Federal Fluminense, Núcleo Audiovisual da UFF, cinema brasileiro, Cinema Novo, Glauber Rocha, Mario Peixoto, Arnaldo Jabor, Murilo Salles, crítica cinematográfica, cultura audiovisual e imprensa independente brasileira dos anos 1990.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 880, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 1 August 1996. The document brings together sports and political commentary, reflections on the Olympic Games, Brazilian football, cinema, film criticism and the circulation of cultural repertoires. Its central sections are Olympic tragedy, Cinema classics on video and Cinema, The Best Films, providing a portrait of Moacy Cirne's cultural and critical concerns during the 1996 Atlanta Olympic Games.
The opening text, Olympic tragedy, analyzes the defeat of the Brazilian football team at the Olympic Games. Moacy Cirne argues that the defeat had begun to take shape in the match against Japan and criticizes the arrogance, lack of humility and absence of determination displayed by the Brazilian team. Zagallo's leadership is one of the central elements of the criticism.
Cirne argues that football played without determination does not deserve victory and questions how Brazil could fear Nigeria. He describes the Nigerian team as playing like a wounded lion and emphasizes its fighting spirit. The sporting episode therefore becomes a reflection on attitude, preparation, determination and excessive confidence in Brazilian football.
The text also refers to the fewer than fifty million Brazilians who, according to Cirne, still understood that football is won on the field rather than through public image. He then projects forward to the 1998 World Cup in France, when Brazil would attempt to win another title and become five time world champion. His final recommendation is to play with determination, talent, courage and boldness.
The section Cinema classics on video discusses a collection released in the Brazilian market by the Madrid based publisher Altaya, consisting of forty classic films on video. The text states that the series began with Citizen Kane and The Gold Rush.
Moacy Cirne mentions other films expected in the collection, including The Third Man, Stagecoach, Grand Illusion, The Blue Angel, Bicycle Thieves, The General, Brief Encounter, M and Battleship Potemkin. He recognizes important gaps in the selection, noting the absence of films by Michelangelo Antonioni, Federico Fellini, Ingmar Bergman, Luis Buñuel and Alain Resnais, but nevertheless considers the project a good selection for viewers interested in film history.
Cirne also criticizes the technical quality of some video transfers. He specifically mentions an existing Continental edition of Citizen Kane as being very poor and stresses that major films should ideally first be seen in a movie theater and then revisited on video. The comment documents an important aspect of audiovisual culture in the 1990s, when VHS expanded domestic access to film classics but often suffered from significant technical limitations.
In the Cinema section, The Best Films, Antônio Serra from Rio de Janeiro, identified as a professor in the Department of Communication at UFF, presents a selection strongly marked by adventure and spectacle. His choices include King Solomon's Mines, The Bridge on the River Kwai, 2001 A Space Odyssey, Lawrence of Arabia, The Man Who Would Be King, The Treasure of the Sierra Madre, The Guns of Navarone, Seven Samurai, Spartacus and The African Queen.
Antônio Serra's selection establishes connections with Stanley Kubrick, David Lean, John Huston, Akira Kurosawa and other filmmakers associated with classical and epic cinema. His identification as a professor in the Department of Communication at Universidade Federal Fluminense adds another record of UFF's presence within the network of contributors to Balaio Incomun.
Another selection is attributed to Jo Name from Rio de Janeiro, identified as an employee of the Audiovisual Center at UFF. The list includes The Woman Next Door by François Truffaut, Casanova and the Revolution by Ettore Scola, Three Colors Blue by Krzysztof Kieslowski, The Company of Wolves by Neil Jordan, The Last Picture Show by Peter Bogdanovich, Black God White Devil by Glauber Rocha, Limite by Mario Peixoto, Ran by Akira Kurosawa, Amarcord by Federico Fellini, Tampopo by Juzo Itami, and a further title associated with Juzo Itami that appears in Portuguese as Os brutos também comem spaghetti.
This selection is particularly significant for Brazilian cinema because it includes both Black God White Devil and Limite. Glauber Rocha and Mario Peixoto are placed within an international repertoire of auteur cinema, reinforcing the position of Brazilian modern and experimental film within the cultural choices collected by Balaio.
The third contribution is by Benjamin Albagli from Rio de Janeiro, identified as a journalist and translator. His list includes The Servant by Joseph Losey, Death in Venice by Luchino Visconti, Sunset Boulevard by Billy Wilder, Cabaret by Bob Fosse, The Rules of the Game by Jean Renoir, Vertigo by Alfred Hitchcock, Citizen Kane by Orson Welles, Peeping Tom by Michael Powell, Insignificance by Nicolas Roeg, Amarcord by Federico Fellini, Un Chien Andalou by Luis Buñuel, Mishima by Paul Schrader, Persona by Ingmar Bergman, The Passenger by Michelangelo Antonioni, 2001 A Space Odyssey by Stanley Kubrick, Entranced Earth by Glauber Rocha, Toda nudez será castigada by Arnaldo Jabor, Nunca fomos tão felizes by Murilo Salles, Hiroshima mon amour by Alain Resnais, and Allonsanfan by the Taviani brothers.
Benjamin Albagli's selection has considerable relevance to Brazilian film history. Entranced Earth, Toda nudez será castigada and Nunca fomos tão felizes introduce Glauber Rocha, Arnaldo Jabor and Murilo Salles into a repertoire that also includes Welles, Hitchcock, Fellini, Buñuel, Bergman, Antonioni, Kubrick, Visconti and Resnais.
Together the three lists confirm the broad character of the cinematic survey conducted by Moacy Cirne in Balaio Incomun. Participants include professors, audiovisual professionals, journalists and translators, demonstrating that the survey crossed several cultural and professional groups.
The issue also reinforces the importance of Universidade Federal Fluminense in the circulation of Balaio Incomun. Antônio Serra is identified as a professor in the Department of Communication at UFF and Jo Name as an employee of the university's Audiovisual Center. The recurring presence of UFF in different issues makes it possible to map an important intellectual, academic and cinematic network surrounding Moacy Cirne.
Balaio Incomun X 880 is an important primary source for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Olympic tragedy, the 1996 Atlanta Olympic Games, Brazilian football, the Brazilian national team, Zagallo, Nigeria, sports media, the 1998 World Cup, cinema on video, VHS, Altaya, film history, Citizen Kane, Antônio Serra, Jo Name, Benjamin Albagli, UFF, Universidade Federal Fluminense, the UFF Audiovisual Center, Brazilian cinema, Cinema Novo, Glauber Rocha, Mario Peixoto, Arnaldo Jabor, Murilo Salles, film criticism, audiovisual culture and Brazilian independent publishing during the 1990s.
