Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, X 878, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1996.

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 878, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1996.

Moacy Cirne

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04285 - 2 de agosto de 1996. - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Texto Salsa em português

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 878, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1996. O documento integra a produção editorial independente de Balaio Incomun e tem como eixo principal a seção Cinema, Os melhores filmes. O exemplar possui especial importância para a história do Poema Processo e das redes culturais do Rio Grande do Norte por registrar as escolhas cinematográficas de Falves Silva, apresentado no próprio documento como poeta visual e um dos fundadores do Poema Processo, e de J. Medeiros, identificado como artista multimídia. A folha reúne ainda referências ao poeta Murilo Mendes e uma expressiva composição gráfica de caráter visual e experimental.

Na opinião de Falves Silva, do Rio Grande do Norte, poeta visual e um dos fundadores do Poema Processo, os melhores filmes incluem Napoleão, de Abel Gance, Outubro, de Sergei Eisenstein, Cidadão Kane, de Orson Welles, M, o vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang, No tempo das diligências, de John Ford, Os brutos também amam, de George Stevens, Vertigo, de Alfred Hitchcock, Juventude transviada, de Nicholas Ray, Tempos modernos, de Charles Chaplin, Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni, Acossado, de Jean Luc Godard, O tesouro de Sierra Madre, de John Huston, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais, O baile, de Ettore Scola, 2001 uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick, Oito e meio, de Federico Fellini, O discreto charme da burguesia, de Luis Buñuel, Teorema, de Pier Paolo Pasolini, e Kin dza dza, identificado na folha como produção soviética.

A seleção de Falves Silva constitui um registro importante de seu repertório cinematográfico e intelectual. Sua lista aproxima cinema soviético, expressionismo alemão, cinema clássico norte americano, Nouvelle Vague, cinema moderno europeu, Cinema Novo brasileiro e produções experimentais. Sergei Eisenstein, Fritz Lang, Orson Welles, Alfred Hitchcock, Michelangelo Antonioni, Jean Luc Godard, Alain Resnais, Stanley Kubrick, Federico Fellini, Luis Buñuel e Pier Paolo Pasolini aparecem ao lado de Glauber Rocha, estabelecendo uma constelação marcada por montagem, experimentação narrativa, inovação visual, crítica social e transformação das linguagens artísticas.

A presença de Deus e o diabo na terra do sol entre os filmes escolhidos por Falves Silva aproxima diretamente Poema Processo e Cinema Novo dentro do universo de referências registrado por Balaio Incomun. O documento torna possível observar como artistas ligados à poesia visual brasileira também formavam seus repertórios a partir de experiências cinematográficas de ruptura e experimentação.

A segunda seleção é de J. Medeiros, do Rio Grande do Norte, apresentado como artista multimídia. Seus vinte filmes escolhidos são Limite, de Mario Peixoto, Napoleão, de Abel Gance, A grande ilusão, de Jean Renoir, O pátio, de Glauber Rocha, Laranja mecânica, de Stanley Kubrick, Outubro, de Sergei Eisenstein, Macbeth, de Roman Polanski, Os pássaros, de Alfred Hitchcock, Um cão andaluz, de Luis Buñuel, Os brutos também amam, de George Stevens, O boi de prata, de Augusto Ribeiro Jr., Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, Zero em comportamento, de Jean Vigo, O cangaceiro, de Lima Barreto, São Paulo S A, de Luiz Sérgio Person, Cidadão Kane, de Orson Welles, Oito e meio, de Federico Fellini, M, o vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang, No tempo das diligências, de John Ford, e Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni.

A relação de J. Medeiros apresenta forte presença do cinema brasileiro. Limite, de Mario Peixoto, O pátio e Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, O boi de prata, de Augusto Ribeiro Jr., O cangaceiro, de Lima Barreto, e São Paulo S A, de Luiz Sérgio Person, aparecem em diálogo com filmes fundamentais do cinema internacional. A escolha de O pátio é particularmente significativa por registrar uma realização inicial de Glauber Rocha e reforçar o interesse de J. Medeiros por experiências de linguagem no cinema brasileiro.

As listas de Falves Silva e J. Medeiros possuem diversas coincidências. Napoleão, Outubro, Cidadão Kane, M, o vampiro de Düsseldorf, No tempo das diligências, Os brutos também amam, Deus e o diabo na terra do sol e Zabriskie Point aparecem nas duas seleções. Essas recorrências documentam afinidades culturais entre dois agentes ligados ao ambiente artístico do Rio Grande do Norte e permitem investigar repertórios compartilhados em torno de cinema moderno, vanguarda, cultura visual e experimentação.

Na região central da folha aparecem referências a Murilo Mendes. Uma formulação relaciona a criação da mulher ao momento em que o homem dormia e associa Deus ao surrealismo. Outra imagina Deus frequentando uma escola e aprendendo somente matemática, com referência a Conversa portátil. Na coluna lateral intitulada Ainda de Murilo Mendes aparecem outros fragmentos breves relacionados a fascismo, deuses, canto, Sol, sonho, perfume e palavras. A presença de Murilo Mendes amplia a dimensão literária do documento e aproxima Balaio Incomun do modernismo brasileiro, do surrealismo, do aforismo e da poesia experimental.

A metade inferior da folha contém uma grande composição visual formada pela acumulação de letras, sinais gráficos e estruturas tipográficas. A letra A aparece repetidamente em diferentes orientações e tamanhos, criando uma massa gráfica irregular. Um grande círculo construído por linhas concêntricas ocupa parte central da composição. Letras, desenho, repetição, densidade, vazio, ritmo e organização espacial funcionam como elementos estruturais da imagem.

A autoria da composição gráfica não pode ser estabelecida com segurança apenas pela reprodução disponível. Existem inscrições incorporadas à imagem, mas a leitura não é suficientemente clara para uma atribuição definitiva. Para catalogação, o elemento pode ser descrito como composição gráfica ou poema visual reproduzido em Balaio Incomun X 878, mantendo a autoria como não confirmada até consulta ao documento original ou a fontes complementares.

A presença dessa composição no mesmo exemplar que identifica Falves Silva como poeta visual e fundador do Poema Processo amplia o interesse histórico da folha. Palavra, letra, signo, desenho, repetição e espaço gráfico aparecem como matéria visual, aproximando o documento das investigações sobre poesia visual, poema objeto, comunicação não verbal, tipografia experimental e Poema Processo.

Balaio Incomun X 878 constitui fonte primária de grande relevância para pesquisas sobre Moacy Cirne, Falves Silva, J. Medeiros, Poema Processo, poesia visual, poesia experimental, arte experimental brasileira, cinema brasileiro, Cinema Novo, Glauber Rocha, Mario Peixoto, Limite, O pátio, Deus e o diabo na terra do sol, Augusto Ribeiro Jr., O boi de prata, Lima Barreto, O cangaceiro, Luiz Sérgio Person, São Paulo S A, Sergei Eisenstein, Abel Gance, Fritz Lang, Orson Welles, Alfred Hitchcock, Michelangelo Antonioni, Jean Luc Godard, Alain Resnais, Stanley Kubrick, Federico Fellini, Luis Buñuel, Pier Paolo Pasolini, Murilo Mendes, surrealismo, cultura visual, Rio Grande do Norte e redes de vanguarda brasileiras.

Salsa text in English

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 878, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 2 August 1996. The document belongs to the independent editorial production of Balaio Incomun and is centered on the section Cinema, The Best Films. The issue is particularly important to the history of Poema Processo and the cultural networks of Rio Grande do Norte because it records the film selections of Falves Silva, identified in the document itself as a visual poet and one of the founders of Poema Processo, and J. Medeiros, identified as a multimedia artist. The sheet also contains references to the Brazilian poet Murilo Mendes and a significant experimental graphic composition.

According to Falves Silva from Rio Grande do Norte, visual poet and one of the founders of Poema Processo, the selected films include Napoleon by Abel Gance, October by Sergei Eisenstein, Citizen Kane by Orson Welles, M by Fritz Lang, Stagecoach by John Ford, Shane by George Stevens, Vertigo by Alfred Hitchcock, Rebel Without a Cause by Nicholas Ray, Modern Times by Charles Chaplin, Zabriskie Point by Michelangelo Antonioni, Breathless by Jean Luc Godard, The Treasure of the Sierra Madre by John Huston, Black God White Devil by Glauber Rocha, Hiroshima mon amour by Alain Resnais, The Ball by Ettore Scola, 2001 A Space Odyssey by Stanley Kubrick, Eight and a Half by Federico Fellini, The Discreet Charm of the Bourgeoisie by Luis Buñuel, Teorema by Pier Paolo Pasolini, and Kin dza dza, identified on the sheet as a Soviet production.

Falves Silva's selection is an important record of his cinematic and intellectual repertoire. His list brings together Soviet cinema, German Expressionism, classical American cinema, the French New Wave, European modern cinema, Brazilian Cinema Novo and experimental productions. Sergei Eisenstein, Fritz Lang, Orson Welles, Alfred Hitchcock, Michelangelo Antonioni, Jean Luc Godard, Alain Resnais, Stanley Kubrick, Federico Fellini, Luis Buñuel and Pier Paolo Pasolini appear alongside Glauber Rocha, creating a constellation marked by montage, narrative experimentation, visual innovation, social criticism and transformations of artistic language.

The presence of Black God White Devil among the films selected by Falves Silva creates a direct connection between Poema Processo and Cinema Novo within the cultural references documented by Balaio Incomun. The document makes it possible to observe how artists associated with Brazilian visual poetry also constructed their intellectual repertories through films marked by formal experimentation and rupture.

The second selection is by J. Medeiros from Rio Grande do Norte, identified as a multimedia artist. His twenty selected films are Limite by Mario Peixoto, Napoleon by Abel Gance, Grand Illusion by Jean Renoir, O pátio by Glauber Rocha, A Clockwork Orange by Stanley Kubrick, October by Sergei Eisenstein, Macbeth by Roman Polanski, The Birds by Alfred Hitchcock, Un Chien Andalou by Luis Buñuel, Shane by George Stevens, O boi de prata by Augusto Ribeiro Jr., Black God White Devil by Glauber Rocha, Zero for Conduct by Jean Vigo, O cangaceiro by Lima Barreto, São Paulo S A by Luiz Sérgio Person, Citizen Kane by Orson Welles, Eight and a Half by Federico Fellini, M by Fritz Lang, Stagecoach by John Ford, and Zabriskie Point by Michelangelo Antonioni.

J. Medeiros's list contains a strong representation of Brazilian cinema. Limite by Mario Peixoto, O pátio and Black God White Devil by Glauber Rocha, O boi de prata by Augusto Ribeiro Jr., O cangaceiro by Lima Barreto and São Paulo S A by Luiz Sérgio Person appear in dialogue with major works of international cinema. The presence of O pátio is particularly significant because it records an early work by Glauber Rocha and reinforces J. Medeiros's interest in experiments with cinematic language.

The selections of Falves Silva and J. Medeiros share several films. Napoleon, October, Citizen Kane, M, Stagecoach, Shane, Black God White Devil and Zabriskie Point appear in both lists. These recurring choices document cultural affinities between two figures connected with the artistic environment of Rio Grande do Norte and provide material for investigating shared repertories involving modern cinema, avant garde practices, visual culture and experimentation.

References to Murilo Mendes appear in the central section of the sheet. One formulation connects the creation of woman with the moment in which man was sleeping and associates God with Surrealism. Another imagines God attending school and learning only mathematics, with a reference to Conversa portátil. A lateral section identified as further material by Murilo Mendes contains additional brief fragments concerning fascism, gods, singing, the Sun, dreams, perfume and words. The presence of Murilo Mendes expands the literary dimension of the document and connects Balaio Incomun with Brazilian modernism, Surrealism, aphoristic writing and experimental poetry.

The lower half of the sheet contains a large visual composition created through an accumulation of letters, graphic signs and typographic structures. The letter A appears repeatedly in different orientations and sizes, creating an irregular graphic mass. A large circle made of concentric lines occupies a central area of the composition. Letters, drawing, repetition, density, empty space, rhythm and spatial organization function as structural components of the image.

The authorship of the graphic composition cannot be established securely from the available reproduction. There are inscriptions incorporated into the image, but they are not sufficiently legible for definitive attribution. For cataloguing purposes, the element can be described as a graphic composition or visual poem reproduced in Balaio Incomun X 878, with authorship remaining unconfirmed until the original document or additional sources can be examined.

The presence of this composition in the same issue that identifies Falves Silva as a visual poet and founder of Poema Processo increases the historical importance of the sheet. Word, letter, sign, drawing, repetition and graphic space become visual material, connecting the document with research into visual poetry, poem objects, nonverbal communication, experimental typography and Poema Processo.

Balaio Incomun X 878 is a highly significant primary source for research on Moacy Cirne, Falves Silva, J. Medeiros, Poema Processo, visual poetry, experimental poetry, Brazilian experimental art, Brazilian cinema, Cinema Novo, Glauber Rocha, Mario Peixoto, Limite, O pátio, Black God White Devil, Augusto Ribeiro Jr., O boi de prata, Lima Barreto, O cangaceiro, Luiz Sérgio Person, São Paulo S A, Sergei Eisenstein, Abel Gance, Fritz Lang, Orson Welles, Alfred Hitchcock, Michelangelo Antonioni, Jean Luc Godard, Alain Resnais, Stanley Kubrick, Federico Fellini, Luis Buñuel, Pier Paolo Pasolini, Murilo Mendes, Surrealism, visual culture, Rio Grande do Norte and Brazilian avant garde networks.