Balaio Incomun, Folha Porreta, X 841, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 19 de junho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 31
Moacy Cirne
04274 - 19 de junho de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel
33 x 21,5 cm
Texto Salsa em português
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 841, publicação de Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 19 de junho de 1996. O documento integra a série comemorativa 1986 1996 Dez anos de Balaio, número 31, e articula literatura brasileira, Machado de Assis, poesia contemporânea, cinema, crítica cultural, ensino universitário, humor e memória editorial. No cabeçalho aparece ainda a indicação pela Greve Geral do dia 21, inserindo o exemplar no contexto político e social de junho de 1996.
A abertura apresenta Os dez melhores contos de Machado de Assis, seleção que reúne O alienista, A igreja do diabo, Cantiga de esponsais, Missa do galo, A desejada das gentes, A cartomante, Noite de almirante, O escrivão Coimbra, O espelho e Uns braços. A relação evidencia a presença da literatura brasileira e de Machado de Assis no universo crítico de Moacy Cirne, aproximando Balaio Incomun de temas como conto brasileiro, realismo, crítica social, ironia, psicologia, literatura do século XIX e formação do cânone literário nacional.
Na parte esquerda da folha encontra se Terceiro poema para a minha doce rapariga, de Hildeberto Barbosa Filho, identificado como proveniente do livro Peso do lobo, Paraíba, 1986. O poema desenvolve uma composição amorosa marcada pela repetição da expressão minha doce rapariga e por imagens do corpo, do desejo, do mar e da natureza. Surgem referências a búzios, asteroides do mar, esponjas, caramujos, canoas, praia lunar, conchas, corais, ilhas e Paul Éluard. A presença do poeta paraibano insere o exemplar numa rede de circulação literária nordestina e brasileira.
Na seção Cinema, intitulada Os melhores filmes, Moacy Cirne apresenta a seleção de Hildeberto Barbosa Filho, da Paraíba, identificado como poeta e professor da UFPB. Sua relação cinematográfica inclui O anjo azul, de Josef von Sternberg, Tempos modernos, de Charles Chaplin, Cidadão Kane, de Orson Welles, Farrapo humano, de Billy Wilder, Um lugar ao sol, de George Stevens, Matar ou morrer, de Fred Zinnemann, Viver, de Akira Kurosawa, Os brutos também amam, de George Stevens, Morangos silvestres, de Ingmar Bergman, O homem que sabia demais, de Alfred Hitchcock, Noites de Cabíria, de Federico Fellini, A doce vida, de Federico Fellini, Se meu apartamento falasse, de Billy Wilder, Viridiana, de Luis Buñuel, O homem que matou o facínora, de John Ford, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, Blow Up, de Michelangelo Antonioni, Queimada, de Gillo Pontecorvo, Perdidos na noite, de John Schlesinger, Sem destino, de Dennis Hopper, e Amarcord, de Federico Fellini.
A seleção de Hildeberto Barbosa Filho conecta Balaio Incomun a diferentes tradições cinematográficas e inclui cinema clássico norte americano, neorrealismo e modernidade europeia, cinema japonês, cinema brasileiro e Cinema Novo. Entre os cineastas citados encontram se Sternberg, Chaplin, Welles, Wilder, Stevens, Zinnemann, Kurosawa, Bergman, Hitchcock, Fellini, Buñuel, Ford, Glauber Rocha, Antonioni, Pontecorvo, Schlesinger e Hopper.
Outro núcleo importante do documento é dedicado ao Prêmio Dez Anos de Balaio. O texto informa que Balaio número 829 havia instituído o prêmio e apresenta o regulamento. A iniciativa destinava se aos alunos e alunas do IACS e propunha identificar, na ordem correta, os três diretores mais citados na enquete Os Melhores Filmes promovida pela publicação.
Segundo as regras registradas, o vencedor seria a pessoa que acertasse a ordem dos três diretores mais citados. A resposta, devidamente identificada, deveria ser remetida ao Balaio até as 18 horas do dia 6 de setembro daquele ano. A divulgação dos nomes dos vencedores seria feita na edição comemorativa de Balaio de 9 de setembro de 1996. Em caso de empate haveria sorteio. Como prêmio, o vencedor receberia dez livros e um CD.
O próprio documento fornece uma lista de possíveis nomes para orientar os participantes. São mencionados Michelangelo Antonioni, Ingmar Bergman, Luis Buñuel, Charles Chaplin, Sergei Eisenstein, Federico Fellini, John Ford, Jean Luc Godard, Alfred Hitchcock, Akira Kurosawa, Jean Renoir, Alain Resnais, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Luchino Visconti e Orson Welles. O texto observa ainda que pelo menos até aquele momento esses eram os diretores mais citados na enquete.
Na parte inferior da folha aparece uma referência a Glauco Mattoso e ao Jornal Dobrabil, em passagem que emprega humor irreverente e provocação crítica para discutir a recepção da poesia. Essa inserção reforça a aproximação de Balaio Incomun com experiências literárias experimentais, poesia marginal, humor, sátira e práticas editoriais alternativas.
Balaio Incomun X 841 demonstra como Moacy Cirne transformava uma folha independente em espaço de cruzamento entre literatura, poesia, cinema, cultura universitária, participação dos leitores e comentário político. O número 31 da série Dez anos de Balaio registra simultaneamente Machado de Assis, Hildeberto Barbosa Filho, Paul Éluard, Glauber Rocha, Federico Fellini, Orson Welles, Charles Chaplin, Luis Buñuel, Ingmar Bergman, Akira Kurosawa, Glauco Mattoso e diversas outras referências fundamentais da literatura, da poesia e do cinema.
O documento constitui fonte primária relevante para pesquisas sobre Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Hildeberto Barbosa Filho, Machado de Assis, Glauco Mattoso, Poema Processo, poesia experimental, literatura brasileira, cinema, crítica cinematográfica, Cinema Novo, UFPB, IACS, imprensa alternativa, publicações independentes, cultura universitária e redes intelectuais brasileiras da década de 1990.
Salsa text in English
Balaio Incomun, Folha Porreta, X 841, a publication by Moacy Cirne, Rio de Janeiro, 19 June 1996. The document belongs to the commemorative series 1986 1996 Ten Years of Balaio, number 31, and combines Brazilian literature, Machado de Assis, contemporary poetry, cinema, cultural criticism, university life, humor and editorial memory. The heading also contains a reference to the General Strike of the 21st, connecting the issue with the political and social context of June 1996.
The opening section presents The ten best short stories by Machado de Assis. The selection includes O alienista, A igreja do diabo, Cantiga de esponsais, Missa do galo, A desejada das gentes, A cartomante, Noite de almirante, O escrivão Coimbra, O espelho and Uns braços. The list demonstrates the importance of Brazilian literature and Machado de Assis within the critical universe of Moacy Cirne, connecting Balaio Incomun with the Brazilian short story, realism, social criticism, irony, psychology, nineteenth century literature and the formation of the Brazilian literary canon.
On the left side of the sheet appears Terceiro poema para a minha doce rapariga by Hildeberto Barbosa Filho, identified as coming from the book Peso do lobo, Paraíba, 1986. The poem develops a love composition structured around the recurring expression minha doce rapariga and images of the body, desire, the sea and nature. References include shells, sea asteroids, sponges, snails, boats, a lunar beach, corals, islands and Paul Éluard. The presence of the Paraíba poet places the publication within a broader network of Northeastern and Brazilian literary circulation.
In the Cinema section, entitled The Best Films, Moacy Cirne presents the selection of Hildeberto Barbosa Filho from Paraíba, identified as a poet and professor at UFPB. His film list includes The Blue Angel by Josef von Sternberg, Modern Times by Charles Chaplin, Citizen Kane by Orson Welles, The Lost Weekend by Billy Wilder, A Place in the Sun by George Stevens, High Noon by Fred Zinnemann, Ikiru by Akira Kurosawa, Shane by George Stevens, Wild Strawberries by Ingmar Bergman, The Man Who Knew Too Much by Alfred Hitchcock, Nights of Cabiria by Federico Fellini, La Dolce Vita by Federico Fellini, The Apartment by Billy Wilder, Viridiana by Luis Buñuel, The Man Who Shot Liberty Valance by John Ford, Black God White Devil by Glauber Rocha, Blow Up by Michelangelo Antonioni, Burn by Gillo Pontecorvo, Midnight Cowboy by John Schlesinger, Easy Rider by Dennis Hopper, and Amarcord by Federico Fellini.
Hildeberto Barbosa Filho's selection connects Balaio Incomun with several major cinematic traditions, including classical American cinema, European modern cinema, Japanese cinema, Brazilian cinema and Cinema Novo. Filmmakers represented include Sternberg, Chaplin, Welles, Wilder, Stevens, Zinnemann, Kurosawa, Bergman, Hitchcock, Fellini, Buñuel, Ford, Glauber Rocha, Antonioni, Pontecorvo, Schlesinger and Hopper.
Another major section of the document is devoted to the Ten Years of Balaio Prize. The text states that Balaio number 829 had established the prize and reproduces its regulations. The competition was intended for students of IACS and asked participants to identify, in the correct order, the three directors most frequently mentioned in the publication's survey The Best Films.
According to the regulations, the winner would be the participant who correctly identified the order of the three most frequently cited directors. The properly identified answer had to be sent to Balaio by 6 PM on 6 September of that year. The names of the winners were to be announced in the commemorative Balaio edition of 9 September 1996. A drawing would decide any tie. The winner would receive ten books and one CD.
The document itself supplies a group of likely candidates for the competition. The names include Michelangelo Antonioni, Ingmar Bergman, Luis Buñuel, Charles Chaplin, Sergei Eisenstein, Federico Fellini, John Ford, Jean Luc Godard, Alfred Hitchcock, Akira Kurosawa, Jean Renoir, Alain Resnais, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Luchino Visconti and Orson Welles. The publication notes that, at least up to that point, these were the filmmakers most frequently mentioned in the survey.
At the bottom of the page appears a reference to Glauco Mattoso and Jornal Dobrabil in a passage using irreverent humor and critical provocation to address the reception of poetry. This inclusion further connects Balaio Incomun with experimental literary practices, marginal poetry, satire, humor and alternative editorial production.
Balaio Incomun X 841 demonstrates how Moacy Cirne transformed an independent publication into a meeting point for literature, poetry, cinema, university culture, reader participation and political commentary. Number 31 of the Ten Years of Balaio series simultaneously records Machado de Assis, Hildeberto Barbosa Filho, Paul Éluard, Glauber Rocha, Federico Fellini, Orson Welles, Charles Chaplin, Luis Buñuel, Ingmar Bergman, Akira Kurosawa, Glauco Mattoso and many other important references from literature, poetry and cinema.
The document is an important primary source for research on Moacy Cirne, Balaio Incomun, Folha Porreta, Hildeberto Barbosa Filho, Machado de Assis, Glauco Mattoso, Poema Processo, experimental poetry, Brazilian literature, cinema, film criticism, Cinema Novo, UFPB, IACS, alternative publishing, independent publications, university culture and Brazilian intellectual networks of the 1990s.
