Home Acervo Comunicarte número 104, página dedicada à poesia visual, poesia experimental, arte postal e crítica social, editada pelo poeta e artista visual Hugo Pontes no Jornal da Cidade, de Poços de Caldas, Minas Gerais, publicada em 30 e 31 de outubro de 1999, página 12.

Comunicarte número 104, página dedicada à poesia visual, poesia experimental, arte postal e crítica social, editada pelo poeta e artista visual Hugo Pontes no Jornal da Cidade, de Poços de Caldas, Minas Gerais, publicada em 30 e 31 de outubro de 1999, página 12.

Hugo Pontes

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04149 - 30 e 31 de outubro de 1999 - Jornal

47 x 32,5 cm

Texto do Salsa em português

Comunicarte número 104, página dedicada à poesia visual, poesia experimental, arte postal e crítica social, editada pelo poeta e artista visual Hugo Pontes no Jornal da Cidade, de Poços de Caldas, Minas Gerais, publicada em 30 e 31 de outubro de 1999, página 12. A edição apresenta um conjunto particularmente marcado pela crítica à situação política, econômica e social do Brasil no final da década de 1990, reunindo poemas visuais que abordam fome, desigualdade, desvio, caos, cidade, deserto, poder econômico, identidade nacional e linguagem.

O cabeçalho de comunicARTE identifica Hugo Pontes, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brasil, acompanhado pela composição Pouco a Porco, utilizada de modo recorrente como identidade visual da página. Também aparecem caixa postal, endereço eletrônico e página pessoal hospedada no GeoCities. Esses dados documentam a convivência entre comunicação postal, arte postal e internet dentro das redes de poesia visual mantidas por Hugo Pontes em 1999.

O texto editorial da edição possui forte caráter político e social. Hugo Pontes comenta criticamente aquilo que denomina colunas antissociais e contrapõe setores privilegiados da sociedade à realidade da população brasileira. O texto menciona diretamente FHC e o FMI e emprega linguagem experimental, erros intencionais, sinais, símbolos e deformações ortográficas para construir uma crítica ao poder político e econômico. Surgem como conceitos centrais Brasil, povo, desvio, caos, fome, deserto, passado, presente e futuro.

A referência a FHC corresponde ao contexto político brasileiro durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, enquanto a menção ao FMI insere o texto no debate sobre economia, dívida, políticas financeiras e dependência internacional. A linguagem é deliberadamente fragmentada e provocadora, transformando o próprio texto editorial em experiência poética e crítica.

O editorial estabelece ainda imagens de uma sociedade situada entre a cruz e a espada, acompanhando a televisão e incapaz de enxergar plenamente os acontecimentos ao seu redor. A crítica associa espetáculo midiático, desigualdade, vazio social e dificuldade de percepção da realidade. Ao final, a imagem do caos funciona como síntese da situação observada pelo autor.

Antônio Andrade, do Recife, Pernambuco, apresenta O Caminho, poema visual construído a partir do contorno do mapa do Brasil. No interior do território aparece uma placa de trânsito com a palavra DESVIO. A associação entre Brasil, caminho e desvio produz uma leitura política imediata, transformando o sinal rodoviário em metáfora para os rumos do país. A obra articula cartografia, palavra, sinalização urbana e crítica social.

Outro poema visual da edição recebe o título CAOS e distribui as letras C, A, O e S pelo espaço retangular. As letras são deslocadas, repetidas e reorganizadas, dissolvendo a estabilidade da palavra e transformando caos em estrutura gráfica. A disposição espacial produz uma representação visual do próprio conceito de desordem.

Em outra área da página aparece em enorme escala a palavra FOME. A palavra ocupa grande parte do espaço gráfico e transforma uma questão social em presença visual dominante. O trabalho aparece associado a Joel Marinho de Matos, de Poços de Caldas, Minas Gerais. A ampliação monumental da palavra converte a fome em imagem e em denúncia.

Clemente Padín, de Montevidéu, Uruguai, aparece com a composição Viva La Patria. A obra utiliza logotipos e símbolos reconhecíveis da cultura industrial, comercial e militar, combinados com a expressão Viva La Patria. A presença de marcas empresariais e referências ao aparato militar estabelece uma leitura crítica sobre nacionalismo, consumo, poder econômico, imperialismo e identidade política. A participação de Padín reforça a inserção de comunicARTE no circuito latino americano de poesia experimental e arte postal.

Almandrade, de Salvador, Bahia, apresenta a cidade e o deserto. A composição utiliza poucas palavras distribuídas em amplo espaço vazio. As palavras a, cidade, e, o e deserto aparecem separadas verticalmente e horizontalmente, transformando a distância física entre os termos em parte essencial da leitura. A obra explora silêncio, vazio, espaço urbano, isolamento e linguagem.

Ricardo Alfaya, do Rio de Janeiro, apresenta composição construída a partir de um grande X. Letras, números, sinais e caracteres parecem atravessar ou ser lançados através da estrutura central. O trabalho transforma o alfabeto em fluxo visual e relaciona escrita, código, ruptura, passagem e dispersão gráfica.

Comunicarte número 104 evidencia como Hugo Pontes utilizava a página jornalística não apenas para apresentar poesia visual, mas também como território de crítica social e política. Os temas fome, caos, desvio, cidade, deserto, pátria, consumo e poder aparecem articulados por diferentes artistas, constituindo um panorama crítico do Brasil e da América Latina no final de 1999.

A edição constitui fonte primária relevante para pesquisas sobre Hugo Pontes, comunicARTE, Jornal da Cidade, Antônio Andrade, Joel Marinho de Matos, Clemente Padín, Almandrade, Ricardo Alfaya, poesia visual brasileira, poesia experimental, Poema Processo, arte postal, mail art, crítica política, Fernando Henrique Cardoso, FMI, fome, desigualdade social, nacionalismo, consumo, identidade brasileira, América Latina, GeoCities e redes internacionais de artistas no final do século XX.

Salsa text in English

Comunicarte number 104 is a page devoted to visual poetry, experimental poetry, mail art and social criticism, edited by poet and visual artist Hugo Pontes for Jornal da Cidade in Poços de Caldas, Minas Gerais, Brazil, and published on October 30 and 31, 1999, on page 12. The issue presents a group of works strongly marked by criticism of the political, economic and social situation of Brazil at the end of the 1990s, bringing together visual poems addressing hunger, inequality, deviation, chaos, city, desert, economic power, national identity and language.

The comunicARTE heading identifies Hugo Pontes, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brazil, together with the recurring composition Pouco a Porco, used as part of the visual identity of the page. A postal box, electronic mail address and personal GeoCities page are also displayed. These details document the coexistence of postal communication, mail art and the internet within the visual poetry networks maintained by Hugo Pontes in 1999.

The editorial text has a strong political and social character. Hugo Pontes critically comments on what he describes as antisocial columns and contrasts privileged sectors of society with the reality experienced by the Brazilian population. The text directly mentions FHC and the IMF and uses experimental language, intentional distortions, signs, symbols and altered spelling to construct a criticism of political and economic power. Brazil, people, deviation, chaos, hunger, desert, past, present and future emerge as central concepts.

The reference to FHC relates to the Brazilian political context during the government of Fernando Henrique Cardoso, while the mention of the IMF places the text within debates concerning economics, debt, financial policies and international dependency. Its deliberately fragmented and provocative language transforms the editorial itself into a poetic and critical experiment.

The editorial also creates the image of a society positioned between opposing pressures, watching television while remaining unable to fully perceive the events taking place around it. The criticism connects media spectacle, inequality, social emptiness and the difficulty of perceiving reality. Chaos ultimately functions as a synthesis of the condition observed by the author.

Antônio Andrade from Recife, Pernambuco, presents O Caminho, a visual poem constructed from the outline of the map of Brazil. Inside the national territory appears a traffic sign containing the word DESVIO. The relationship among Brazil, path and deviation produces an immediate political reading, transforming a road sign into a metaphor for the direction of the country. The work combines cartography, language, urban signage and social criticism.

Another visual poem in the issue bears the title CAOS and distributes the letters C, A, O and S throughout a rectangular space. The letters are displaced, repeated and reorganized, dissolving the stability of the word and transforming chaos into a graphic structure. The spatial arrangement becomes a visual representation of disorder itself.

In another area of the page the word FOME appears on a monumental scale. The word occupies a major portion of the graphic space and turns a social problem into a dominant visual presence. The work appears associated with Joel Marinho de Matos from Poços de Caldas, Minas Gerais. The enormous scale of the word transforms hunger into both image and denunciation.

Clemente Padín from Montevideo, Uruguay, appears with the composition Viva La Patria. The work uses recognizable logos and symbols associated with industrial, commercial and military culture together with the expression Viva La Patria. The presence of corporate brands and military references creates a critical reading of nationalism, consumer culture, economic power, imperialism and political identity. The participation of Padín reinforces the connection of comunicARTE with Latin American experimental poetry and mail art networks.

Almandrade from Salvador, Bahia, presents a cidade e o deserto. The composition uses only a few words distributed across a large empty space. The Portuguese words for the city and the desert are separated vertically and horizontally, transforming the physical distance among them into an essential part of the reading. The work explores silence, emptiness, urban space, isolation and language.

Ricardo Alfaya from Rio de Janeiro presents a composition built around a large X. Letters, numbers, signs and characters appear to pass through or emerge from the central structure. The work transforms the alphabet into a visual flow and connects writing, code, rupture, passage and graphic dispersion.

Comunicarte number 104 demonstrates how Hugo Pontes used the newspaper page not only to present visual poetry but also as a territory for social and political criticism. Hunger, chaos, deviation, city, desert, homeland, consumer culture and power are articulated by different artists, creating a critical panorama of Brazil and Latin America at the end of 1999.

The issue is an important primary source for research on Hugo Pontes, comunicARTE, Jornal da Cidade, Antônio Andrade, Joel Marinho de Matos, Clemente Padín, Almandrade, Ricardo Alfaya, Brazilian visual poetry, experimental poetry, Poema Processo, mail art, political criticism, Fernando Henrique Cardoso, IMF, hunger, social inequality, nationalism, consumer culture, Brazilian identity, Latin America, GeoCities and international artist networks at the end of the twentieth century.

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