Home Acervo Comunicarte número 85, página dedicada à poesia visual, poesia experimental, arte postal, colagem, experimentação gráfica e intercâmbio artístico internacional, organizada por Hugo Pontes e publicada na página 14 do Jornal da Cidade, de Poços de Caldas, Minas Gerais, em 28 e 29 de março de 1998.

Comunicarte número 85, página dedicada à poesia visual, poesia experimental, arte postal, colagem, experimentação gráfica e intercâmbio artístico internacional, organizada por Hugo Pontes e publicada na página 14 do Jornal da Cidade, de Poços de Caldas, Minas Gerais, em 28 e 29 de março de 1998.

Hugo Pontes

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04135 - 28 e 29 de Março de 1998 - Jornal

47 x 32,5 cm

Texto para o Salsa em português

Comunicarte número 85, página dedicada à poesia visual, poesia experimental, arte postal, colagem, experimentação gráfica e intercâmbio artístico internacional, organizada por Hugo Pontes e publicada na página 14 do Jornal da Cidade, de Poços de Caldas, Minas Gerais, em 28 e 29 de março de 1998. A edição dedica especial atenção ao poeta e artista visual australiano Pete Spence e apresenta uma reflexão editorial sobre o princípio Poemas sem Fronteiras, conceito fundamental para compreender o projeto desenvolvido por Hugo Pontes em Comunicarte.

O cabeçalho identifica Comunicarte número 85, Hugo Pontes, Caixa Postal 922, CEP 37701 970, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brasil. A identidade gráfica mantém quatro imagens circulares sobrepostas da série Pouco a Porco, de Hugo Pontes, marca recorrente da publicação e elemento relacionado à poesia visual, experimentação entre palavra e imagem, ironia e crítica social.

O editorial afirma que Poemas sem Fronteiras sempre foi um objetivo da página Comunicarte. O texto defende a comunicação entre pessoas para além das diferenças de idioma e relaciona essa comunicação tanto à condição humana quanto ao entendimento do universo que cerca o indivíduo. A declaração sintetiza a proposta internacional e humanista que orientava a seleção e a circulação das obras publicadas.

Hugo Pontes informa que Comunicarte procurava apresentar trabalhos de poetas visuais brasileiros e de diversos países do mundo para mostrar o que vinha sendo produzido ao longo de aproximadamente 25 anos de luta pelo poema visual. A expressão oferece importante referência para a maneira como Hugo Pontes compreendia historicamente a continuidade e a internacionalização da poesia visual no final da década de 1990.

Pete Spence é destacado no editorial como poeta australiano e como um dos nomes que se sobressaíam pelo valor intrínseco de seu trabalho e pela regularidade de sua produção. A edição publica seu endereço em 40 Bramwell Street, Ocean Grove 3226, Victoria, Austrália. A presença do endereço postal evidencia o papel de Comunicarte como instrumento efetivo de contato entre artistas e participantes da rede internacional de poesia visual e arte postal.

Os trabalhos reproduzidos apresentam linguagem baseada em apropriação, colagem, fragmentação tipográfica, formas geométricas, fotografia, reprodução gráfica e combinação de textos provenientes de diferentes fontes. Letras de grande escala, fragmentos de palavras, superfícies negras e recortes impressos são utilizados como unidades visuais independentes.

Uma das composições apresenta uma estrutura formada por recortes de textos impressos, letras e sinais sobrepostos a grandes áreas geométricas escuras. A palavra ou fragmento visual central é inserido em uma montagem de materiais tipográficos, criando relações entre leitura, ruído informacional, apropriação e forma.

Outra obra utiliza uma figura humana fotografada ou reproduzida graficamente, associada a diferentes elementos visuais e a um fundo de forte contraste. A montagem aproxima corpo, imagem, cultura impressa e intervenção artística, característica recorrente das práticas experimentais vinculadas à poesia visual e à arte postal.

Também aparece uma composição envolvendo a representação de um esqueleto e uma figura humana, colocados diante de uma superfície preenchida por pequenos elementos gráficos repetidos. A justaposição entre anatomia, corpo e padrão visual introduz relações entre vida, morte, representação, ciência, reprodução e linguagem.

Outros trabalhos utilizam linhas diagonais, círculos, quadrados, retângulos, letras isoladas e elementos semelhantes a sistemas de sinalização ou notação gráfica. Essas construções transformam caracteres e formas geométricas em unidades poéticas e aproximam o poema visual de procedimentos de design, colagem, desenho e composição conceitual.

Uma das peças é construída como uma espécie de grade ou campo estruturado, contendo blocos, círculos, pequenos signos, formas geométricas e letras organizadas em diferentes posições. A obra rejeita a leitura linear e propõe uma percepção simultânea dos elementos, característica central da poesia visual.

A edição apresenta ainda uma composição baseada em formas angulares e linhas que atravessam o espaço da página, associadas a letras e fragmentos verbais. A tensão entre geometria e escrita produz uma leitura aberta, sem uma sequência obrigatória.

A expressão Poemas sem Fronteiras aparece repetidamente ao longo da página, funcionando como princípio editorial e também como elemento gráfico. Sua presença reforça a ideia de que a poesia visual constituía para Hugo Pontes uma linguagem capaz de criar comunicação internacional para além de barreiras linguísticas.

Comunicarte número 85 registra também os meios digitais de contato mantidos por Hugo Pontes, incluindo referência à página hospedada no GeoCities, no diretório Paris 3114, e ao endereço eletrônico pontes@geocities.com. Esses dados demonstram que em 1998 Comunicarte articulava publicação em jornal, circulação postal, arte postal, endereço eletrônico e presença na internet.

O exemplar documentado apresenta no verso etiqueta destinada a Falves Silva, no endereço Engenheiro José Rocha 3401, CEP 50065 260, Natal, Rio Grande do Norte, além de marcas postais. O exemplar constitui evidência material da circulação de Comunicarte entre Hugo Pontes e Falves Silva e da permanência das redes de correspondência relacionadas à poesia experimental brasileira.

Comunicarte número 85 constitui importante fonte documental para pesquisas sobre Hugo Pontes, Pete Spence, Falves Silva, Jornal da Cidade, Poços de Caldas, Comunicarte, Poemas sem Fronteiras, poesia visual australiana, poesia visual brasileira, poesia experimental, arte postal, mail art, colagem, apropriação, tipografia experimental, GeoCities, internet, Ocean Grove, Victoria, Austrália e redes internacionais de artistas durante a década de 1990.

Salsa text in English

Comunicarte number 85, a page devoted to visual poetry, experimental poetry, mail art, collage, graphic experimentation and international artistic exchange, organized by Hugo Pontes and published on page 14 of Jornal da Cidade in Poços de Caldas, Minas Gerais, on March 28 and 29, 1998. The issue gives special attention to Australian poet and visual artist Pete Spence and presents an editorial reflection on Poemas sem Fronteiras, a fundamental concept for understanding the project developed by Hugo Pontes through Comunicarte.

The header identifies Comunicarte number 85, Hugo Pontes, Post Office Box 922, postal code 37701 970, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brazil. Its graphic identity maintains four overlapping circular images from the Pouco a Porco series by Hugo Pontes, a recurring feature associated with visual poetry, experimentation between word and image, irony and social criticism.

The editorial states that Poemas sem Fronteiras has always been an objective of the Comunicarte page. The text defends communication among people beyond differences of language and connects such communication with both the human condition and an understanding of the surrounding universe. This statement summarizes the international and humanist principles guiding the selection and circulation of works published by Comunicarte.

Hugo Pontes explains that Comunicarte sought to present the work of Brazilian visual poets together with artists from many different countries in order to demonstrate what had been produced during approximately twenty five years of activity surrounding visual poetry. This statement provides an important reference for understanding how Hugo Pontes viewed the historical continuity and international development of visual poetry at the end of the 1990s.

Pete Spence is highlighted in the editorial as an Australian poet and as one of the artists who had distinguished himself through the intrinsic visual value of his work and the regularity of his production. His published address is 40 Bramwell Street, Ocean Grove 3226, Victoria, Australia. The presence of his postal address demonstrates the role of Comunicarte as an effective instrument for direct contact among artists within international visual poetry and mail art networks.

The reproduced works employ a visual language based on appropriation, collage, typographic fragmentation, geometric forms, photography, graphic reproduction and combinations of texts from different sources. Large scale letters, verbal fragments, dark surfaces and printed clippings become independent visual units.

One composition presents a structure formed from pieces of printed text, letters and signs superimposed on large dark geometric fields. Verbal and visual fragments are inserted into a montage of typographic materials, creating relationships among reading, informational noise, appropriation and form.

Another work uses a photographed or graphically reproduced human figure associated with different visual elements and a strongly contrasting background. The montage connects body, image, printed culture and artistic intervention, procedures frequently associated with experimental visual poetry and mail art.

Another composition combines the representation of a skeleton with a human figure placed against a surface filled with repeated graphic elements. The juxtaposition of anatomy, body and visual pattern introduces relationships among life, death, representation, science, reproduction and language.

Other works use diagonal lines, circles, squares, rectangles, isolated letters and elements resembling systems of graphic notation or visual signs. These constructions transform characters and geometric forms into poetic units and connect visual poetry with design, collage, drawing and conceptual composition.

One piece is structured as a type of grid or visual field containing blocks, circles, small signs, geometric forms and letters organized in different positions. The work rejects linear reading and proposes simultaneous perception of its elements, a fundamental characteristic of visual poetry.

Another composition uses angular forms and lines crossing the surface of the page together with letters and verbal fragments. The tension between geometry and writing produces an open reading without a compulsory sequence.

The expression Poemas sem Fronteiras appears repeatedly throughout the page, functioning both as an editorial principle and as a graphic element. Its presence reinforces the idea that visual poetry represented for Hugo Pontes a form of communication capable of crossing linguistic and national boundaries.

Comunicarte number 85 also records the digital means of communication maintained by Hugo Pontes, including a reference to the GeoCities page in the Paris 3114 directory and the electronic mail address pontes@geocities.com. These details demonstrate that in 1998 Comunicarte connected newspaper publication, postal circulation, mail art, electronic mail and the internet.

The reverse of the documented copy contains an address label for Falves Silva at Engenheiro José Rocha 3401, postal code 50065 260, Natal, Rio Grande do Norte, together with postal markings. The copy provides material evidence of the circulation of Comunicarte between Hugo Pontes and Falves Silva and of the continuing correspondence networks associated with Brazilian experimental poetry.

Comunicarte number 85 is an important documentary source for research on Hugo Pontes, Pete Spence, Falves Silva, Jornal da Cidade, Poços de Caldas, Comunicarte, Poemas sem Fronteiras, Australian visual poetry, Brazilian visual poetry, experimental poetry, mail art, collage, appropriation, experimental typography, GeoCities, internet, Ocean Grove, Victoria, Australia and international artist networks during the 1990s.

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