Home Acervo Hugo Pontes, ComunicARTE nº 21, Jornal da Cidade, 29 de novembro de 1992, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brasil.

Hugo Pontes, ComunicARTE nº 21, Jornal da Cidade, 29 de novembro de 1992, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brasil.

Hugo Pontes

-Hugo+Pontes+,+Jornal+da+Cidade+,+Comunicarte+No+21+,+29+de+Novembro+de+1992,+1a.jpg

04110 - 29 de Novembro 1992 - Jornal

47 x 32,5 cm

Texto para o Salsa em português

Hugo Pontes, ComunicARTE nº 21, Jornal da Cidade, 29 de novembro de 1992, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brasil. Edição de ComunicARTE organizada por Hugo Pontes e dedicada à poesia visual, Arte Postal, Mail Art, poesia experimental, comunicação gráfica, intercâmbio artístico e circulação de obras por redes postais. O cabeçalho identifica ComunicARTE nº 21, Hugo Pontes e o endereço Caixa Postal 922, 37700, Poços de Caldas, Minas Gerais. A identidade gráfica da publicação incorpora quatro reproduções circulares da composição Porcoaporco, de Hugo Pontes.

Um dos documentos de maior importância histórica desta edição é a divulgação da Mail Art Show A Amazônia Vista pelos Artistas, identificada como 1ª Mostra de Arte Postal do Acre. A chamada informa que os trabalhos poderiam ser enviados para Franklin Jorge Roque, Caixa Postal 459, 69900 00, Rio Branco, Acre. O anúncio registra a articulação entre ComunicARTE e uma iniciativa de Arte Postal realizada na Amazônia brasileira, constituindo evidência documental da expansão geográfica das redes de Mail Art para o Acre no início da década de 1990. A presença da chamada no Jornal da Cidade demonstra a função de ComunicARTE não apenas como espaço de reprodução de poemas visuais, mas também como veículo de convocação, divulgação e conexão entre artistas.

A edição reúne obras de diferentes artistas brasileiros. Entre os participantes identificáveis está Fred Maia, de São Paulo, São Paulo, com uma composição visual construída a partir da imagem radiográfica ou esquemática de uma mão, na qual ossos e articulações são transformados em estrutura gráfica e poética. A relação entre corpo, mão, imagem médica e linguagem visual aproxima o trabalho das experiências de apropriação iconográfica presentes na poesia visual e na arte conceitual.

Outra composição apresenta sucessivas figuras humanas esquemáticas acompanhadas pela palavra URGENTE repetida três vezes e pelo texto África Ardente com a dança com os dentes África Incandescente. O trabalho associa repetição, ritmo visual, corpo, dança e linguagem, produzindo uma construção de caráter poético e gráfico. Na página aparece a identificação PAÇO CAC, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, vinculada a esse conjunto.

Também aparece a composição Dublê de Cabeça, associada ao nome Walter Tranche. A obra utiliza uma figura humana estilizada e duplicada, criando uma relação visual entre corpo, identidade, movimento e desdobramento da figura. O procedimento gráfico dialoga com a síntese formal característica de parte da poesia visual e da produção gráfica experimental daquele período.

A edição apresenta ainda um trabalho estruturado pela expressão Existe alguma diferença, acompanhado por imagens de figuras humanas apresentadas em situações contrastantes. A composição mobiliza comparação visual, repetição e questionamento, utilizando a relação entre imagem e texto como mecanismo de leitura crítica.

Entre os trabalhos reproduzidos encontra se uma composição associada a Sebastião Nunes, de Sabará, Minas Gerais, estruturada em uma sequência de oito quadros com figuras humanas e um coração como elemento recorrente. Abaixo aparece uma referência textual ao verso Eu tenho um coração maior que o mundo, seguida da referência a Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração, associada a CDA. O trabalho articula imagem, literatura, corpo e coração, apropriando e deslocando uma referência poética para uma narrativa visual sequencial.

Joaquim Branco, de Cataguases, Minas Gerais, participa com composição baseada nas palavras MAN e WOMAN. As letras são distribuídas entre duas silhuetas humanas, estabelecendo uma relação visual e linguística entre homem e mulher. A própria legenda explicativa apresenta M como MAN e W como WOMAN. A obra explora língua inglesa, gênero, estrutura vocabular, identidade e espacialização tipográfica, procedimentos recorrentes na poesia visual de Joaquim Branco.

Carlos de Barros, de Curitiba, Paraná, aparece associado a trabalhos construídos por sequências fotográficas e por registros gráficos semelhantes a eletrocardiogramas. Uma das composições apresenta uma mulher em sucessivas posições diante de uma cadeira, em estrutura sequencial identificada como Exercício nº 1014. A disposição das imagens transforma ação corporal, objeto cotidiano e passagem do tempo em uma sequência visual próxima da performance registrada fotograficamente.

Outro conjunto atribuído a Carlos de Barros utiliza gráficos semelhantes a eletrocardiogramas acompanhados por fragmentos verbais. Entre as expressões legíveis estão Bate mais forte, Sai do compasso, Meu coração, Tempo avança, Me leva com ele, Em tua direção, Perco a harmonia, Me desarranjo, Quando choras, Vem a alegria e Você chegou. A associação entre ritmo cardíaco, afetividade, tempo e linguagem converte sinais médicos em estrutura poética e transforma o coração simultaneamente em órgão, símbolo emocional e sistema gráfico.

O conjunto de ComunicARTE nº 21 demonstra a diversidade de procedimentos da poesia visual brasileira no começo da década de 1990. Fotografia, desenho, silhueta, tipografia, reprodução de imagens médicas, sinais gráficos, sequências narrativas, apropriação literária, performance, repetição verbal e experimentação espacial são utilizados como recursos de construção poética. Ao reunir autores de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná e divulgar uma Mostra de Arte Postal no Acre, Hugo Pontes estabelece uma cartografia da circulação da poesia experimental e da Arte Postal no Brasil.

ComunicARTE nº 21 constitui documento relevante para pesquisas sobre Hugo Pontes, ComunicARTE, Jornal da Cidade, Poços de Caldas, Franklin Jorge Roque, 1ª Mostra de Arte Postal do Acre, A Amazônia Vista pelos Artistas, Fred Maia, Sebastião Nunes, Joaquim Branco, Carlos de Barros, Walter Tranche, poesia visual brasileira, Arte Postal, Mail Art, poesia experimental, arte conceitual, performance, comunicação alternativa, publicações de artista e redes de correspondência artística no Brasil.

Text for Salsa in English

Hugo Pontes, ComunicARTE No. 21, Jornal da Cidade, November 29, 1992, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brazil. Issue of ComunicARTE organized by Hugo Pontes and devoted to visual poetry, Mail Art, experimental poetry, graphic communication, artistic exchange and the circulation of works through postal networks. The header identifies ComunicARTE No. 21, Hugo Pontes and the address Caixa Postal 922, 37700, Poços de Caldas, Minas Gerais. The graphic identity of the publication incorporates four circular reproductions of the composition Porcoaporco by Hugo Pontes.

One of the most historically significant documents in this issue is the announcement of the Mail Art Show A Amazônia Vista pelos Artistas, identified as the 1ª Mostra de Arte Postal do Acre. The notice states that works could be sent to Franklin Jorge Roque, Caixa Postal 459, 69900 00, Rio Branco, Acre. The announcement documents the connection between ComunicARTE and a Mail Art initiative organized in the Brazilian Amazon, providing evidence of the geographical expansion of Mail Art networks into Acre during the early 1990s. Its publication in Jornal da Cidade demonstrates that ComunicARTE functioned not only as a space for reproducing visual poetry but also as a vehicle for calls, information and connections among artists.

The issue brings together works by several Brazilian artists. Among the identifiable participants is Fred Maia from São Paulo, São Paulo, with a visual composition constructed from the radiographic or schematic image of a hand in which bones and joints become a graphic and poetic structure. The relationship among body, hand, medical imagery and visual language connects the work with forms of iconographic appropriation found in visual poetry and conceptual art.

Another composition presents successive schematic human figures accompanied by the word URGENTE repeated three times and the text África Ardente com a dança com os dentes África Incandescente. The work combines repetition, visual rhythm, body, dance and language to produce a poetic and graphic construction. The page includes the identification PAÇO CAC, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, in association with this group.

The composition Dublê de Cabeça also appears and is associated with the name Walter Tranche. The work employs a stylized and duplicated human figure, establishing a visual relationship among body, identity, movement and the doubling of the figure. Its graphic procedure relates to the formal synthesis found in visual poetry and experimental graphic production of the period.

The issue also presents a work structured around the expression Existe alguma diferença, accompanied by images of human figures shown in contrasting situations. The composition uses visual comparison, repetition and questioning, making the relationship between image and text an instrument of critical reading.

Among the reproduced works is a composition associated with Sebastião Nunes from Sabará, Minas Gerais, structured as a sequence of eight panels containing human figures and a heart as a recurring element. Beneath the sequence appears a textual reference to Eu tenho um coração maior que o mundo, followed by the reference to Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração, associated with CDA. The work connects image, literature, body and heart, appropriating and relocating a poetic reference within a sequential visual narrative.

Joaquim Branco from Cataguases, Minas Gerais, contributes a composition based on the words MAN and WOMAN. Letters are distributed between two human silhouettes, establishing a visual and linguistic relationship between man and woman. The explanatory notation itself presents M as MAN and W as WOMAN. The work explores the English language, gender, word structure, identity and typographic spatialization, procedures frequently found in Joaquim Brancos visual poetry.

Carlos de Barros from Curitiba, Paraná, appears in works constructed through photographic sequences and graphic records resembling electrocardiograms. One composition presents a woman in successive positions in relation to a chair, arranged as a visual sequence identified as Exercício No. 1014. The organization of the images transforms bodily action, an everyday object and the passage of time into a visual sequence related to photographically recorded performance.

Another group attributed to Carlos de Barros uses graphics resembling electrocardiograms accompanied by verbal fragments. Legible expressions include Bate mais forte, Sai do compasso, Meu coração, Tempo avança, Me leva com ele, Em tua direção, Perco a harmonia, Me desarranjo, Quando choras, Vem a alegria and Você chegou. The relationship among heartbeat, affection, time and language converts medical signs into poetic structures and transforms the heart simultaneously into an organ, an emotional symbol and a graphic system.

ComunicARTE No. 21 demonstrates the diversity of procedures employed in Brazilian visual poetry during the early 1990s. Photography, drawing, silhouettes, typography, medical imagery, graphic signs, sequential narratives, literary appropriation, performance, verbal repetition and spatial experimentation are used as resources for poetic construction. By bringing together authors from São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro and Paraná and publicizing a Mail Art exhibition in Acre, Hugo Pontes establishes a geographical network of experimental poetry and Mail Art circulation in Brazil.

ComunicARTE No. 21 is a relevant document for research on Hugo Pontes, ComunicARTE, Jornal da Cidade, Poços de Caldas, Franklin Jorge Roque, 1ª Mostra de Arte Postal do Acre, A Amazônia Vista pelos Artistas, Fred Maia, Sebastião Nunes, Joaquim Branco, Carlos de Barros, Walter Tranche, Brazilian visual poetry, Mail Art, experimental poetry, conceptual art, performance, alternative communication, artist publications and artistic correspondence networks in Brazil.

-Hugo+Pontes+,+Jornal+da+Cidade+,+Comunicarte+No+21+,+29+de+Novembro+de+1992,+1a.jpg -Hugo+Pontes+,+Jornal+da+Cidade+,+Comunicarte+No+21+,+29+de+Novembro+de+1992,+1b.jpg -Hugo+Pontes+,+Jornal+da+Cidade+,+Comunicarte+No+21+,+29+de+Novembro+de+1992,+1c.jpg -Hugo+Pontes+,+Jornal+da+Cidade+,+Comunicarte+No+21+,+29+de+Novembro+de+1992,+1d.jpg