Hugo Pontes, ComunicARTE nº 18, Jornal da Cidade, 27 de setembro de 1992, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brasil.
Hugo Pontes
04109 - 27 de Setembro de 1992 - Jornal
47 x 32,5 cm
Texto para o Salsa em português
Hugo Pontes, ComunicARTE nº 18, Jornal da Cidade, 27 de setembro de 1992, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brasil. Edição dedicada à poesia visual, poesia experimental, Arte Postal, comunicação gráfica e às relações entre palavra, imagem e circulação artística. A página é identificada pelo cabeçalho ComunicARTE nº 18, pelo nome de Hugo Pontes e pelo endereço Caixa Postal 922, 37700, Poços de Caldas, Minas Gerais. O cabeçalho apresenta novamente quatro reproduções circulares de Porcoaporco, composição de Hugo Pontes utilizada como elemento de identidade visual do projeto ComunicARTE.
O principal destaque desta edição é Joaquim Branco, poeta, escritor, editor e artista ligado à poesia visual brasileira. A publicação apresenta retrato do autor, dados biográficos e uma seleção de poemas visuais e trabalhos gráficos produzidos em diferentes momentos de sua trajetória. O texto informa que Joaquim Branco nasceu em 1940, em Cataguases, Minas Gerais, e foi funcionário do Banco do Brasil, posteriormente aposentado. Registra também sua atividade editorial em jornais literários, mencionando O Muro, de 1961, SLD, de 1968, e Totem, de 1974. Essas publicações são apresentadas como veículos de divulgação de movimentos de vanguarda, entre eles Concretismo, Poema Processo e Arte Postal.
Segundo a biografia publicada em ComunicARTE, Joaquim Branco desenvolveu trabalhos nas áreas de teatro, poesia e conto, além de crítica literária, tendo recebido premiações em literatura. Entre os livros mencionados encontram se Concreções da Fala, de 1969, Consumito, de 1975, Laser para Lazer, de 1984, além de produções em formato de poemas em envelope e outros trabalhos editoriais experimentais. O texto o situa entre nomes de destaque do poema visual em Minas Gerais e no Brasil.
Entre as obras reproduzidas encontra se Laser para Lazer, datada de 1973, composição visual estruturada pelas palavras LASER, LAZER, para e laisser faire. Linhas convergentes e divergentes relacionam graficamente os termos, transformando aproximações fonéticas e semânticas em estrutura visual. A obra explora o trânsito entre português e francês, a semelhança gráfica entre laser e lazer e o princípio de construção espacial característico da poesia visual.
Outra composição apresenta as palavras seu, teu, meu e br(EU), organizadas verticalmente, explorando relações entre pronomes possessivos, identidade individual e possível associação entre Brasil e eu. O jogo verbal condensa questões de posse, identidade, subjetividade e pertencimento por meio de uma estrutura tipográfica econômica.
A edição reproduz também trabalhos posteriores de Joaquim Branco vinculados à crítica política, à ecologia e à cultura de massa. Entre as imagens aparece composição de 1982 com a expressão Novembro mês de fantasma, outra datada de 1984 que aproxima referências arquitetônicas e símbolos associados a diferentes sistemas políticos e culturais, além de Arte em Mandala, de 1986. Outra composição emprega repetidamente a palavra tree ao redor da palavra FIRE, estabelecendo tensão visual entre árvore, fogo e destruição ambiental.
Um dos trabalhos mais significativos reproduzidos traz o título Egologia e a palavra Ecology, associado à referência ECO 92. A imagem incorpora o retrato de Joaquim Branco e articula ecologia, ego e linguagem, inserindo a obra no contexto das discussões ambientais que ganharam especial visibilidade internacional em 1992. O conjunto demonstra como Joaquim Branco utiliza procedimentos de montagem, tipografia, repetição, apropriação, humor, crítica e deslocamento semântico.
ComunicARTE nº 18 documenta a aproximação entre Hugo Pontes e Joaquim Branco e constitui fonte relevante para a história da poesia visual brasileira, do Poema Processo, da Arte Postal e das publicações experimentais. Ao dedicar espaço jornalístico à trajetória e às obras de Joaquim Branco, Hugo Pontes transforma o Jornal da Cidade em plataforma de documentação e circulação de práticas artísticas que normalmente transitavam por revistas independentes, livros de artista, correspondências, envelopes, cartazes e redes de mail art. A edição preserva informações importantes para pesquisas sobre Joaquim Branco, Hugo Pontes, ComunicARTE, Jornal da Cidade, Cataguases, Poços de Caldas, poesia visual mineira, Poema Processo, Concretismo, Arte Postal, poesia experimental, publicações alternativas e arte brasileira das décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990.
Text for Salsa in English
Hugo Pontes, ComunicARTE No. 18, Jornal da Cidade, September 27, 1992, Poços de Caldas, Minas Gerais, Brazil. Issue devoted to visual poetry, experimental poetry, Mail Art, graphic communication and the relationships between word, image and artistic circulation. The page is identified by the header ComunicARTE No. 18, the name Hugo Pontes and the correspondence address Caixa Postal 922, 37700, Poços de Caldas, Minas Gerais. The header once again features four circular reproductions of Porcoaporco, a composition by Hugo Pontes used as a recurring visual identity element of the ComunicARTE project.
The principal focus of this issue is Joaquim Branco, poet, writer, editor and artist associated with Brazilian visual poetry. The publication presents his portrait, biographical information and a selection of visual poems and graphic works produced at different moments in his career. The text states that Joaquim Branco was born in 1940 in Cataguases, Minas Gerais, and worked for Banco do Brasil before retiring. It also records his editorial activity in literary newspapers, mentioning O Muro from 1961, SLD from 1968 and Totem from 1974. These publications are described as vehicles for the dissemination of avant garde movements including Concretism, Poema Processo and Mail Art.
According to the biography published in ComunicARTE, Joaquim Branco developed work in theater, poetry and short fiction, as well as literary criticism, and received several literary awards. Books mentioned include Concreções da Fala from 1969, Consumito from 1975, Laser para Lazer from 1984, together with works produced as poems in envelopes and other forms of experimental publishing. The text places him among the important figures of visual poetry in Minas Gerais and Brazil.
Among the reproduced works is Laser para Lazer, dated 1973, a visual composition structured through the words LASER, LAZER, para and laisser faire. Converging and diverging lines graphically connect the terms, transforming phonetic and semantic relationships into visual structure. The work explores movement between Portuguese and French, the graphic similarity between laser and lazer and the spatial construction characteristic of visual poetry.
Another composition presents the words seu, teu, meu and br(EU), arranged vertically and exploring relationships between possessive pronouns, individual identity and a possible association between Brazil and the self. The verbal construction condenses questions of possession, identity, subjectivity and belonging through an economical typographic structure.
The issue also reproduces later works by Joaquim Branco connected with political criticism, ecology and mass culture. Among the images is a 1982 composition carrying the expression Novembro mês de fantasma, another work dated 1984 that juxtaposes architectural references and symbols associated with different political and cultural systems, as well as Arte em Mandala from 1986. Another composition repeatedly uses the word tree around the word FIRE, creating a visual tension between trees, fire and environmental destruction.
One of the most significant reproduced works bears the title Egologia and includes the word Ecology together with a reference to ECO 92. The image incorporates a portrait of Joaquim Branco and connects ecology, ego and language, positioning the work in the context of environmental debates that acquired strong international visibility in 1992. The group of works demonstrates how Joaquim Branco employed montage, typography, repetition, appropriation, humor, criticism and semantic displacement.
ComunicARTE No. 18 documents the connection between Hugo Pontes and Joaquim Branco and represents an important source for the history of Brazilian visual poetry, Poema Processo, Mail Art and experimental publishing. By dedicating newspaper space to Joaquim Brancos career and works, Hugo Pontes transformed Jornal da Cidade into a platform for documenting and circulating artistic practices that commonly moved through independent magazines, artist books, correspondence, envelopes, posters and mail art networks. The issue preserves important information for research on Joaquim Branco, Hugo Pontes, ComunicARTE, Jornal da Cidade, Cataguases, Poços de Caldas, visual poetry in Minas Gerais, Poema Processo, Concretism, Mail Art, experimental poetry, alternative publications and Brazilian art from the 1960s through the 1990s.



