Boletim Diário do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso, produzido pela Coordenação de Cultura no âmbito do Projeto Cinco e Meia na Biblioteca, datado de 26 de junho de 1984, em Cuiabá, Mato Grosso.
Wlademir Dias Pino
04003 - 26 de junho de 1984 - Publicação conceitual
21 x 15 cm
Boletim Diário do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso, produzido pela Coordenação de Cultura no âmbito do Projeto Cinco e Meia na Biblioteca, datado de 26 de junho de 1984, em Cuiabá, Mato Grosso. A edição apresenta o tema Visualidade: Serão essas as imagens
e registra Coordenação: Clóvis e Wlademir Pino. O documento integra a série de boletins dedicados à investigação da imagem, da percepção, da poesia visual e das linguagens gráficas experimentais desenvolvidas no ambiente cultural da Universidade Federal de Mato Grosso durante a década de 1980.\n\nA capa identifica Universidade Federal de Mato Grosso e Coordenação de Cultura, seguida da programação Cuiabá 84, 26, Visualidade: Serão essas as imagens
, junho. Na parte inferior aparece a identificação Boletim Diário do Museu de Arte e Cultura Popular, Projeto Cinco e Meia na Biblioteca. A própria formulação Serão essas as imagens
introduz uma questão central da publicação, colocando em dúvida a estabilidade da representação e propondo a imagem como campo de investigação e não apenas como reprodução do real.\n\nA composição principal da capa apresenta uma forma circular contendo uma figura escura e uma pequena inscrição gráfica. O contraste entre a superfície clara e a mancha negra produz uma imagem ambígua que pode ser lida simultaneamente como personagem, sombra, silhueta ou signo. A indefinição visual reforça a pergunta proposta pelo título e estimula o observador a participar do processo de reconhecimento e interpretação.\n\nA contracapa reúne diferentes experiências baseadas em retrato, repetição e estrutura modular. Na parte superior aparecem oito imagens de rostos humanos, cada uma correspondendo a diferentes indivíduos ou diferentes registros fotográficos. Ao lado encontram se pequenos quadrados numerados de 1 a 8, acompanhados pela indicação mecène 1, mecène 2, mecène 3, mecène 4, mecène 5, mecène 6, mecène 7 e mecène 8. O conjunto parece estabelecer uma relação entre identidade, classificação, sequência e representação.\n\nAbaixo dos retratos aparece o nome Julien Blaine, importante referência do campo da poesia experimental e visual. Sua presença neste boletim amplia o caráter internacional da programação e aproxima o documento das redes europeias de poesia visual, poesia sonora, performance e publicação experimental que dialogavam com artistas brasileiros e latino americanos.\n\nNa parte inferior da mesma página há seis estruturas gráficas quadrangulares organizadas em grades. As imagens partem de módulos circulares repetidos e passam progressivamente por transformações que produzem curvas, espirais, deslocamentos e padrões ondulados. A última composição é identificada com o nome Timm Ulrichs. O conjunto explora repetição, sistema, transformação e percepção óptica, elementos fundamentais para a investigação da visualidade.\n\nA sequência de grades demonstra como uma unidade simples pode gerar múltiplas configurações quando submetida a alterações de posição, direção e combinação. A forma deixa de ser apenas figura e passa a funcionar como processo. Essa lógica aproxima a composição de pesquisas construtivas, arte conceitual, poesia visual, sistemas gráficos e experiências de programação visual.\n\nAs páginas internas apresentam dois trabalhos de grande dimensão. À esquerda aparece uma composição identificada como M. P. Anker. A imagem reúne uma árvore de forte presença gráfica, estruturas geométricas, aves estilizadas, palavras, números, um rosto feminino, silhuetas humanas e fragmentos de representação. Entre as inscrições visíveis aparece a palavra Vogel, termo alemão para pássaro. A montagem constrói um campo de relações entre natureza, linguagem, número, imagem e sistema de classificação.\n\nO trabalho de M. P. Anker é organizado como uma espécie de diagrama visual. A árvore ocupa a região superior enquanto diferentes formas de aves aparecem inseridas em uma estrutura semelhante a tabela. Letras e sinais distribuem se entre os módulos. Na parte inferior, linhas, figuras humanas, números e fragmentos gráficos ampliam a complexidade da composição. A leitura não é linear e exige do observador a construção de conexões entre os diversos signos.\n\nÀ direita encontra se uma grande composição identificada com o nome Claudio Zoccola. O trabalho utiliza montagem e sobreposição de imagens. Uma figura humana sentada aparece parcialmente integrada a formas animais, objetos e superfícies gráficas. Uma ave de grandes dimensões atravessa a região superior e outra figura alada surge próxima ao topo. A imagem mistura referências naturalistas, fantásticas e documentais, criando uma situação visual ambígua.\n\nO procedimento de Claudio Zoccola evidencia a transformação da fotografia e da reprodução impressa por meio da montagem. Elementos provenientes de registros diferentes são combinados em uma única superfície, anulando as fronteiras entre documento, ficção, corpo, animal e objeto. A imagem torna se construção e não simples registro.\n\nA edição de 26 de junho de 1984 reforça uma concepção de Visualidade baseada na pergunta sobre como as imagens são produzidas, percebidas, classificadas e transformadas. Retratos fotográficos, sistemas modulares, desenhos, palavras, números, animais, figuras humanas, montagens e formas abstratas são colocados em relação dentro de uma mesma publicação.\n\nA presença de Julien Blaine, Timm Ulrichs, M. P. Anker e Claudio Zoccola demonstra o caráter internacional do conjunto selecionado. Esses nomes aparecem associados a práticas que atravessam poesia visual, arte conceitual, performance, fotografia, desenho, montagem e experimentação editorial. Sua reunião em Cuiabá documenta a inserção do Museu de Arte e Cultura Popular e da Universidade Federal de Mato Grosso em circuitos de intercâmbio artístico que ultrapassavam fronteiras nacionais.\n\nA coordenação de Clóvis e Wlademir Pino possui especial importância documental. Wlademir Dias Pino desenvolveu uma trajetória centrada na investigação da visualidade, da estrutura, do signo e da transformação da leitura em processo perceptivo. A edição dialoga diretamente com essas preocupações ao apresentar obras nas quais o significado não está inteiramente dado, mas precisa ser construído pelo observador.\n\nO boletim constitui assim uma fonte primária relevante para estudos sobre Wlademir Dias Pino, Clóvis, Julien Blaine, Timm Ulrichs, M. P. Anker, Claudio Zoccola, Universidade Federal de Mato Grosso, Museu de Arte e Cultura Popular, Projeto Cinco e Meia na Biblioteca, Visualidade, Serão essas as imagens
, Cuiabá, Mato Grosso, 26 de junho de 1984, poesia visual, poesia experimental, Poema Processo, arte conceitual, fotografia, montagem, sistema, repetição, arte gráfica, percepção visual, signo, comunicação visual, publicação de artista e redes internacionais de arte experimental.\n\nSalsa text in English\n\nDaily Bulletin of the Museum of Art and Popular Culture of the Federal University of Mato Grosso, produced by the Culture Coordination within the Five Thirty at the Library Project and dated 26 June 1984 in Cuiabá, Mato Grosso, Brazil. The edition presents the theme Visualidade: Serão essas as imagens
and records Coordenação: Clóvis e Wlademir Pino. The document belongs to a series of bulletins devoted to investigations of image, perception, visual poetry and experimental graphic languages within the cultural environment of the Federal University of Mato Grosso during the 1980s.\n\nThe cover identifies the Federal University of Mato Grosso and the Culture Coordination, followed by the program Cuiabá 84, 26, Visualidade: Serão essas as imagens
, June. The lower section identifies the Daily Bulletin of the Museum of Art and Popular Culture and the Five Thirty at the Library Project. The formulation Serão essas as imagens
introduces a central question of the publication by challenging the stability of representation and presenting the image as a field of investigation rather than simply as a reproduction of reality.\n\nThe main cover composition presents a circular form containing a dark figure and a small graphic inscription. The contrast between the light surface and the black mass produces an ambiguous image that can simultaneously be read as a character, shadow, silhouette or sign. This visual indeterminacy reinforces the question proposed by the title and encourages the viewer to participate in the process of recognition and interpretation.\n\nThe back cover combines different experiments based on portraiture, repetition and modular structure. Eight photographic faces appear in the upper section. Beside them are small numbered squares from 1 to 8 accompanied by the indications mécène 1 through mécène 8. The ensemble establishes relationships among identity, classification, sequence and representation.\n\nBelow the portraits appears the name Julien Blaine, an important figure within experimental and visual poetry. His presence expands the international character of the bulletin and connects the publication with European networks of visual poetry, sound poetry, performance and experimental publishing that maintained dialogues with Brazilian and Latin American artistic practices.\n\nThe lower section of the same page contains six square graphic structures organized as grids. The images begin with repeated circular modules and progressively transform into curves, spirals, displaced configurations and wave patterns. The final composition is identified with the name Timm Ulrichs. The sequence explores repetition, system, transformation and optical perception, fundamental elements in investigations of visuality.\n\nThe grid sequence demonstrates how a simple unit can generate multiple configurations when subjected to changes in position, direction and combination. Form ceases to function only as a figure and becomes a process. This logic connects the composition with constructive research, conceptual art, visual poetry, graphic systems and experiments in programmed visual structures.\n\nThe internal pages present two large scale works. On the left is a composition identified as M. P. Anker. The image combines a strongly graphic tree, geometric structures, stylized birds, words, numbers, a female face, human silhouettes and fragments of representation. The word Vogel, the German term for bird, can be identified among the inscriptions. The montage constructs a field of relationships among nature, language, number, image and systems of classification.\n\nThe work by M. P. Anker is organized like a visual diagram. The tree dominates the upper region while different bird forms are inserted into a structure resembling a table or chart. Letters and signs are distributed among the modules. In the lower area, lines, human figures, numbers and graphic fragments increase the complexity of the composition. Reading is nonlinear and requires the viewer to construct connections among the different signs.\n\nOn the right is a large composition identified with the name Claudio Zoccola. The work uses montage and superimposition of images. A seated human figure appears partially integrated with animal forms, objects and graphic surfaces. A large bird crosses the upper region and another winged figure appears near the top. The image combines naturalistic, fantastic and documentary references to create an ambiguous visual situation.\n\nThe procedure associated with Claudio Zoccola demonstrates the transformation of photography and printed reproduction through montage. Elements drawn from different records are combined on a single surface, dissolving boundaries among document, fiction, body, animal and object. The image becomes a construction rather than a simple record.\n\nThe edition dated 26 June 1984 reinforces a conception of Visualidade based on questions concerning how images are produced, perceived, classified and transformed. Photographic portraits, modular systems, drawings, words, numbers, animals, human figures, montages and abstract forms are brought into relation within a single publication.\n\nThe presence of Julien Blaine, Timm Ulrichs, M. P. Anker and Claudio Zoccola demonstrates the international character of the selected material. These names appear in connection with practices crossing visual poetry, conceptual art, performance, photography, drawing, montage and experimental publishing. Their presentation in Cuiabá documents the participation of the Museum of Art and Popular Culture and the Federal University of Mato Grosso in artistic exchange networks extending beyond national borders.\n\nThe coordination of Clóvis and Wlademir Pino has particular documentary significance. Wlademir Dias Pino developed a trajectory centered on investigations of visuality, structure, sign and the transformation of reading into a perceptual process. This edition directly engages with these concerns by presenting works in which meaning is not completely given but must be constructed by the observer.\n\nThe bulletin is therefore an important primary source for research on Wlademir Dias Pino, Clóvis, Julien Blaine, Timm Ulrichs, M. P. Anker, Claudio Zoccola, Federal University of Mato Grosso, Museum of Art and Popular Culture, Five Thirty at the Library Project, Visualidade, Serão essas as imagens
, Cuiabá, Mato Grosso, 26 June 1984, visual poetry, experimental poetry, Poema Processo, conceptual art, photography, montage, system, repetition, graphic art, visual perception, sign, visual communication, artist publications and international experimental art networks.



