Boletim Diário do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso, produzido pela Coordenação de Cultura no âmbito do Projeto Cinco e Meia na Biblioteca, datado de 23 de junho de 1984, em Cuiabá, Mato Grosso.
Wlademir Dias Pino
04000 - 23 de Junho de 1984 - Publicação conceitual
21 x 14,7 cm
Boletim Diário do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso, produzido pela Coordenação de Cultura no âmbito do Projeto Cinco e Meia na Biblioteca, datado de 23 de junho de 1984, em Cuiabá, Mato Grosso. A edição é dedicada ao artista, ilustrador e desenhista norte americano Geoffrey Moss e apresenta a programação Geoffrey Moss: As Imagens arredondadas nos olhos. O exemplar registra também a coordenação de Clóvis e Wlademir Dias Pino, constituindo documento relevante para a história das atividades culturais da Universidade Federal de Mato Grosso e para a circulação internacional da produção gráfica em Cuiabá durante a década de 1980.\n\nGeoffrey Moss desenvolveu uma trajetória ligada ao desenho, à ilustração, à pintura e à sátira política. Formado pela University of Vermont e pela Yale School of Art, trabalhou no departamento de conservação do Metropolitan Museum of Art e posteriormente produziu ilustrações para páginas de opinião de jornais como The New York Times e The Washington Post. Tornou se especialmente conhecido por desenhos de comentário político construídos sem legendas, utilizando metáforas visuais como principal forma de comunicação.\n\nO boletim de 23 de junho de 1984 evidencia precisamente essa capacidade de construir significados por meio da imagem sem depender de explicações verbais. A capa apresenta uma composição semelhante a dois grandes olhos ou óculos, cada forma preenchida em negro e atravessada por uma abertura semelhante a uma fechadura. Entre elas aparece uma forma central clara e sinuosa. Linhas contínuas conectam os elementos, criando uma imagem simultaneamente facial, mecânica e simbólica. O título As Imagens arredondadas nos olhos estabelece relação direta entre visão, percepção, forma e construção da imagem.\n\nNa contracapa aparece uma pequena fotografia de Geoffrey Moss acompanhada de seu nome. Abaixo encontra se uma grande composição surreal que reúne uma mosca, um carretel de linha, uma tesoura, uma forma circular semelhante a um globo ou lente, elementos orgânicos, um rosto ou crânio e estruturas que parecem atravessar ou escapar do campo circular. Objetos cotidianos são retirados de suas funções convencionais e combinados de maneira inesperada, produzindo uma narrativa visual baseada em associação, transformação e metáfora.\n\nO carretel, a linha e a tesoura introduzem a ideia de ligação, corte e continuidade. A presença do inseto e das formas orgânicas acrescenta uma dimensão de estranhamento. O círculo funciona ao mesmo tempo como lente, mundo, recipiente ou campo de observação. Essa combinação demonstra um princípio recorrente no desenho conceitual de Geoffrey Moss, no qual objetos reconhecíveis são reorganizados para produzir significados que ultrapassam sua utilização cotidiana.\n\nAs páginas internas apresentam outras composições em desenho de forte caráter fantástico e satírico. Uma figura antropomórfica caminha apoiada em uma bengala e protegida por um guarda chuva, mas seu corpo parece fundir características humanas, animais e imaginárias. O personagem ocupa grande parte da página e apresenta uma postura simultaneamente elegante e absurda. O contraste entre um comportamento social reconhecível e uma anatomia impossível produz humor visual e estranhamento.\n\nNa página seguinte aparece uma figura pesada coberta por uma grande capa escura. O personagem segura um objeto semelhante a espada ou bastão e utiliza sobre a cabeça uma estrutura que pode lembrar capacete, recipiente ou aparelho mecânico. No centro de seu corpo surge outra forma gráfica. A imagem combina referências humanas, tecnológicas e fantásticas, transformando o personagem em uma espécie de organismo híbrido.\n\nNa faixa inferior das páginas internas surge uma composição horizontal particularmente significativa. Uma pequena figura humana caminha sobre uma superfície formada por uma enorme estrutura curva, enquanto à direita aparece a cabeça monumental de um homem. A diferença extrema de escala transforma a cena em metáfora visual. O pequeno personagem parece percorrer uma paisagem constituída pelo corpo, pelo pensamento ou pela presença de uma figura gigantesca. O desenho estabelece relações entre indivíduo, espaço, poder, percepção e escala.\n\nO conjunto publicado demonstra a importância do desenho como instrumento de pensamento. Geoffrey Moss não utiliza a imagem apenas para ilustrar um texto anterior. A própria imagem formula a ideia. Objetos familiares, corpos, animais, máquinas, rostos e utensílios são combinados para criar situações que exigem do observador associação e interpretação. Esse método aproxima seu trabalho da ilustração conceitual, da sátira gráfica, do surrealismo, da comunicação visual e de certas estratégias da poesia visual.\n\nA ausência de legendas explicativas em grande parte das imagens amplia o papel ativo do espectador. O significado não é apresentado de maneira fechada. Ele é produzido pela relação entre os elementos visuais e pela experiência de quem observa. Essa característica estabelece um diálogo especialmente interessante com o ambiente experimental relacionado a Wlademir Dias Pino, no qual a imagem, a estrutura gráfica e a participação perceptiva do leitor adquiriram importância fundamental.\n\nA edição também demonstra a dimensão internacional do Projeto Cinco e Meia na Biblioteca. Ao apresentar em Cuiabá um conjunto relacionado a Geoffrey Moss, a Universidade Federal de Mato Grosso e o Museu de Arte e Cultura Popular colocavam em circulação uma produção vinculada à ilustração e à comunicação gráfica norte americana, aproximando diferentes circuitos culturais por meio da publicação, da exposição e da biblioteca.\n\nO boletim de 23 de junho de 1984 constitui, portanto, fonte documental relevante para pesquisas sobre Geoffrey Moss, Wlademir Dias Pino, Clóvis, Universidade Federal de Mato Grosso, Coordenação de Cultura, Museu de Arte e Cultura Popular, Projeto Cinco e Meia na Biblioteca, Cuiabá, Mato Grosso, desenho, ilustração, sátira gráfica, sátira política, comunicação visual, metáfora visual, imagem conceitual, surrealismo, cultura impressa, design editorial, poesia visual e circulação internacional da arte na década de 1980.\n\nSalsa text in English\n\nDaily Bulletin of the Museum of Art and Popular Culture of the Federal University of Mato Grosso, produced by the Culture Coordination within the Five Thirty at the Library Project and dated 23 June 1984 in Cuiabá, Mato Grosso, Brazil. The edition is devoted to American artist, illustrator and draftsman Geoffrey Moss and presents the program Geoffrey Moss: As Imagens arredondadas nos olhos. The publication also records the coordination of Clóvis and Wlademir Dias Pino, making it an important document for the history of cultural activities at the Federal University of Mato Grosso and for the international circulation of graphic production in Cuiabá during the 1980s.\n\nGeoffrey Moss developed a career connected with drawing, illustration, painting and political satire. Educated at the University of Vermont and Yale School of Art, he worked in the conservation department of the Metropolitan Museum of Art and later produced illustrations for opinion pages including The New York Times and The Washington Post. He became particularly recognized for political commentary drawings created without captions, using visual metaphor as the principal means of communication.\n\nThe bulletin dated 23 June 1984 clearly demonstrates this capacity to construct meaning through images without dependence on verbal explanation. The cover presents a composition resembling two large eyes or eyeglasses, with each dark form containing an opening resembling a keyhole. A light sinuous shape appears between them. Continuous lines connect the different elements, producing an image that is simultaneously facial, mechanical and symbolic. The title As Imagens arredondadas nos olhos establishes a direct relationship among vision, perception, form and the construction of imagery.\n\nThe back cover includes a small photograph of Geoffrey Moss accompanied by his name. Below it is a large surreal composition combining a fly, a spool of thread, scissors, a circular form resembling a globe or lens, organic elements, a face or skull and structures that appear to cross or escape from the circular field. Everyday objects are removed from their conventional functions and combined in unexpected ways, producing a visual narrative based on association, transformation and metaphor.\n\nThe spool, thread and scissors introduce ideas of connection, cutting and continuity. The insect and organic forms create an additional sense of strangeness. The circle can simultaneously function as lens, world, container or field of observation. This combination demonstrates a principle associated with the conceptual drawings of Geoffrey Moss in which recognizable objects are reorganized to produce meanings beyond their everyday uses.\n\nThe internal pages contain additional drawings with a strongly fantastic and satirical character. One anthropomorphic figure walks with a cane beneath an umbrella, while its body appears to combine human, animal and imaginary characteristics. The character occupies much of the page and presents a posture that is simultaneously elegant and absurd. The contrast between recognizable social behavior and impossible anatomy creates visual humor and estrangement.\n\nOn the following page appears a heavy figure covered by a large dark cloak. The character holds an object resembling a sword or staff and wears a structure on its head that may suggest a helmet, container or mechanical apparatus. Another graphic form appears at the center of the body. The image combines human, technological and fantastic references, transforming the character into a hybrid organism.\n\nAcross the lower section of the internal pages is a particularly significant horizontal composition. A small human figure walks over a surface formed by an enormous curved structure while the monumental head of a man appears at the right. The extreme difference in scale transforms the scene into a visual metaphor. The small figure seems to travel through a landscape formed by the body, thought or presence of a gigantic individual. The drawing establishes relationships among the individual, space, power, perception and scale.\n\nThe published ensemble demonstrates the importance of drawing as an instrument of thought. Geoffrey Moss does not simply use the image to illustrate a previously established text. The image itself formulates the idea. Familiar objects, bodies, animals, machines, faces and tools are combined to create situations that require association and interpretation from the viewer. This approach connects his work with conceptual illustration, graphic satire, surrealism, visual communication and certain strategies associated with visual poetry.\n\nThe absence of explanatory captions in much of the imagery increases the active role of the viewer. Meaning is not presented as a closed statement. It emerges through relationships among visual elements and through the experience of observation. This quality creates a particularly interesting dialogue with the experimental environment associated with Wlademir Dias Pino, in which image, graphic structure and the perceptual participation of the reader acquired fundamental importance.\n\nThe edition also demonstrates the international dimension of the Five Thirty at the Library Project. By presenting material associated with Geoffrey Moss in Cuiabá, the Federal University of Mato Grosso and the Museum of Art and Popular Culture placed into circulation a body of work connected with American illustration and graphic communication, linking different cultural networks through publication, exhibition and the library.\n\nThe bulletin dated 23 June 1984 is therefore an important documentary source for research on Geoffrey Moss, Wlademir Dias Pino, Clóvis, Federal University of Mato Grosso, Culture Coordination, Museum of Art and Popular Culture, Five Thirty at the Library Project, Cuiabá, Mato Grosso, drawing, illustration, graphic satire, political satire, visual communication, visual metaphor, conceptual imagery, surrealism, print culture, editorial design, visual poetry and the international circulation of art during the 1980s.


