Home Acervo Wlademir Dias Pino, O Contraestilo em Wlademir Dias Pino, setembro de 1993. Conjunto documental e gráfico relacionado às pesquisas de Wlademir Dias Pino sobre poesia visual, linguagem, alfabeto, tipografia, semiótica, espaço, arquitetura e transformação da letra.

Wlademir Dias Pino, O Contraestilo em Wlademir Dias Pino, setembro de 1993. Conjunto documental e gráfico relacionado às pesquisas de Wlademir Dias Pino sobre poesia visual, linguagem, alfabeto, tipografia, semiótica, espaço, arquitetura e transformação da letra.

Wlademir Dias Pino

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03968 - Setembro de 1993 - Publicação conceitual

21 x 20,8 cm

Texto para o programa Salsa\n\nWlademir Dias Pino, O Contraestilo em Wlademir Dias Pino, setembro de 1993. Conjunto documental e gráfico relacionado às pesquisas de Wlademir Dias Pino sobre poesia visual, linguagem, alfabeto, tipografia, semiótica, espaço, arquitetura e transformação da letra. O núcleo teórico do material é um ensaio de Álvaro de Sá, assinado em setembro de 1993, no qual o autor examina a trajetória de Wlademir Dias Pino a partir do conceito de contraestilo. O conjunto inclui ainda estudos gráficos e espaciais da letra A, figuras humanas, estruturas geométricas e a identificação institucional da UFMT e do Museu de Arte e Cultura Popular.\n\nÁlvaro de Sá inicia o ensaio afirmando que uma característica permanente dos trabalhos de Wlademir Dias Pino é o processo de interferência nas linguagens, realizado em diferentes níveis e direções. Para o autor, acompanhar essa sequência de interferências permite estabelecer uma biografia do processo autoral de Wlademir e, simultaneamente, compreender a formação de seu contraestilo. Assim, a produção de Wlademir Dias Pino não é apresentada como repetição de uma fórmula visual estável, mas como permanente investigação e transformação dos sistemas de linguagem.\n\nO texto dedica atenção especial a A Ave, produzida no início da década de 1950 e editada em 1956. Segundo Álvaro de Sá, o livro parte de frases e estruturas verbais para progressivamente desconstruir o texto por meio da fisicalidade do papel, da transparência, da cor, da perfuração, da posição relativa das palavras e da sobreposição de diferentes camadas. As folhas permutáveis recompõem novos textos e conduzem a obra em direção a unidades cada vez menores, chegando aos fonemas e a relações mínimas entre elementos verbais e sensoriais.\n\nA Ave é apresentada como uma experiência na qual a linguagem verbal, gestual e visual é submetida a sucessivos procedimentos de condensação e deslocamento. A sintaxe linear do discurso e dos fonemas sofre uma recomputação através da disposição espacial das páginas, assimiladas a uma superfície de coordenadas cartesianas. Álvaro de Sá aproxima esse procedimento de uma análise semiótica que transforma a própria sintaxe em objeto de investigação.\n\nO ensaio menciona Antônio Houaiss e sua avaliação da inovação sintática da Poesia Concreta, observando que A Ave teria levado essa investigação a uma radicalidade ainda mais profunda. O documento insere, portanto, o livro de Wlademir Dias Pino no centro das discussões sobre poesia concreta, poesia visual e transformação da sintaxe poética na segunda metade do século XX.\n\nOutro trabalho fundamental analisado é SOLIDA. Segundo o ensaio, suas primeiras versões conhecidas datam de 1956 e o projeto teria sido completado em 1960 com a edição de um bloco de cartões permutáveis. O sentido cartesiano permanece através da posição relativa das letras distribuídas pelas diferentes folhas ou cartões.\n\nEm SOLIDA, palavras são obtidas a partir das posições relativas de uma coluna formada pela palavra SOLIDA disposta em diferentes linhas. A estrutura cria um espaço imaginário no qual diversas combinações derivadas de quadrados latinos podem ser realizadas. O processo desconstrói a palavra para produzir conjuntos de letras e não necessariamente palavras convencionais. Esses conjuntos são selecionados entre as possibilidades combinatórias e podem coincidir com formas reconhecidas pelo dicionário.\n\nSegundo Álvaro de Sá, esses conjuntos derivam do posicionamento das letras em relações imaginárias estabelecidas por pontos tipográficos, linhas, áreas, superfícies e volumes. O processo constrói uma espécie de texto verbal transformado, aproveitando o automatismo da língua para oferecer uma orientação de leitura sem restringir a experiência a uma única interpretação.\n\nO ensaio cita sequências derivadas de SOLIDA e explica que o método estabelece uma codificação através da posição imaginária das letras e de seus elementos estruturais. Ao mesmo tempo, o autor alerta que isso não autoriza uma leitura simplesmente figurativa. Um ponto não deve ser automaticamente identificado com determinado conjunto verbal, nem um volume com outro. A operação fundamental encontra se no funcionamento do sistema e na mobilidade das possibilidades de leitura.\n\nÁlvaro de Sá destaca a importância desse processo para a invenção poética e recorda a recepção de SOLIDA no contexto da poesia experimental brasileira. O texto menciona Décio Pignatari e a revista Invenção número 4, de 1964, registrando que Pignatari, ao apresentar o poema Código, atribuiu a SOLIDA um papel precursor na exploração poética do código semiótico.\n\nO ensaio também menciona Augusto de Campos. Segundo Álvaro de Sá, experiências de permutação de letras desenvolvidas por Augusto de Campos para o poema ACASO CAOS poderiam ser relacionadas criativamente ao procedimento anteriormente desenvolvido por Wlademir Dias Pino em SOLIDA. A comparação situa a obra dentro de um campo mais amplo de poesia combinatória, permutacional e semiótica.\n\nPara Álvaro de Sá, o nível de informação contido no processo de SOLIDA representa uma ruptura com a imobilidade do discurso verbal e teria contribuído para o caminho que desembocaria na formulação teórica do Poema Processo. A análise de A Ave e SOLIDA é apresentada como eixo fundamental para compreender a passagem da escritura ao processo, do estático ao dinâmico, do determinismo à indeterminação e à participação ativa do leitor consumidor.\n\nO texto estabelece dessa forma uma genealogia direta entre as pesquisas de Wlademir Dias Pino realizadas nas décadas de 1950 e 1960 e o surgimento do Poema Processo. A obra deixa de ser entendida apenas como objeto verbal concluído e passa a ser concebida como sistema aberto, procedimento, matriz de possibilidades e experiência de participação.\n\nÁlvaro de Sá menciona outros livros e projetos de Wlademir Dias Pino que continuaram essa interferência nas linguagens. ELEMENTOS é associado à dialética entre verticalidade e horizontalidade e às relações entre fala, escrita e visualidade. NUMÉRICOS é relacionado à condensação das linguagens verbal e matemática, construindo uma nova linguagem na qual podem coexistir signos dotados de significado, valor e referência.\n\nO texto recupera ainda uma apresentação realizada por Álvaro de Sá ao livro Escrita em 1969, na qual destacava a estrutura dialética da página como unidade capaz de gerar novas possibilidades contínuas de exploração.\n\nEntre outras etapas da trajetória de Wlademir Dias Pino, o ensaio menciona A MARCA E O LOGOTIPO BRASILEIROS, associando o projeto à universalização da leitura do logotipo e ao estudo da realidade informacional. A pesquisa reúne tipografia, simbologia e imaginário de diferentes épocas e sociedades em uma produção textual e semiótica.\n\nTambém são citados os seis primeiros volumes da ENCICLOPÉDIA VISUAL, apresentados como acontecimento de integração entre alfabetos, imagens e construções geométricas. Nesse conjunto, a própria linguagem tipográfica passa a ser sistematicamente interrogada.\n\nEssas diferentes experiências convergem na exposição identificada no texto como Sétimo Elogio ao A/a. Álvaro de Sá afirma que o contraestilo de Wlademir está presente nessa exposição e aprofunda questionamentos sobre a linguagem que o artista vinha desenvolvendo ao longo de sua trajetória.\n\nA letra A é escolhida como representante e paradigma das demais letras do alfabeto e, segundo o ensaio, é apresentada sob uma coleção de formas diferentes. O A deixa de ser apenas caractere tipográfico e passa a constituir uma matriz de variações topológicas, espaciais e semióticas.\n\nA letra é deformada a partir de sua configuração original por variações topológicas não radicais que acabam expondo diferentes aspectos de sua estrutura. Mesmo quando as formas se tornam abstratas, elas mantêm sinais suficientes para permitir o reconhecimento de um conteúdo alfabético e conduzir novamente à leitura da letra dentro do código.\n\nA coleção apresenta diferentes séries. O texto menciona, entre elas, uma matriz hexagonal e séries de formas curvilíneas, incluindo catenárias, hipérboles, parábolas e outras curvas de desenvolvimento potencialmente indeterminado.\n\nÁlvaro de Sá destaca que a letra adquire tridimensionalidade. O espaço de inscrição passa a assumir uma configuração heterogênea através de linhas convergentes e não paralelas. Forma se um volume sem recorrer ao uso fácil da perspectiva, ao mesmo tempo em que a tridimensionalidade transporta o código para diferentes dimensões semióticas.\n\nA coleção possui também dimensão de paródia e ironia em relação à racionalidade rígida dos logotipos. Para o autor, determinadas formas remetem a uma racionalidade mais livre e menos determinada. A pesquisa deixa de ser apenas tipográfica e se transforma em crítica aos mecanismos históricos de padronização do alfabeto.\n\nÁlvaro de Sá observa que a produção dos alfabetos esteve cercada, ao longo do tempo, por uma rigidez ligada à escrita carolíngia e às letras góticas. Em sua interpretação, muitos desses alfabetos representam máscaras estilizadas das linhas fundamentais que constituem as letras, e a pesquisa de Wlademir procura revelar as estruturas mínimas existentes por trás dessas convenções.\n\nOutro aspecto importante é a utilização de suportes variáveis, tanto em cor quanto em material. A variação rejeita a ideia da letra como configuração fixa e demonstra a necessidade de releitura do código alfabético. O texto chama atenção para o fato de que a tradição consolidou determinados traços mínimos como elementos suficientes para reconhecer uma letra, especialmente o A, e Wlademir explora exatamente os limites dessa identificação.\n\nAs versões maiúscula e minúscula da letra são colocadas em relação dinâmica. À medida que o código se abre, a leitura pode reconhecer diferentes As dentro de uma mesma configuração topológica.\n\nAlgumas formas funcionam como indicadores de leitura. Outras tornam se abstrações geométricas que oferecem inicialmente informações apenas visuais, provocando uma situação de não figuração da letra antes que o código volte a ser reconhecido. Essa tensão entre reconhecimento e estranhamento é central no processo.\n\nO ensaio aproxima as construções de Wlademir de certos princípios encontrados na obra de M C Escher e na tradição da azulejaria árabe. Álvaro de Sá ressalta, porém, que existem diferenças essenciais. Em Escher, o elemento mínimo estaria relacionado ao código da perspectiva, enquanto em Wlademir Dias Pino o código mínimo seria a própria letra.\n\nA diferenciação topológica e a ruptura de simetrias criam ilusões espaciais e dimensões contraditórias. O alfabeto passa assim a atuar como uma arquitetura de possibilidades perceptivas.\n\nAs ambiguidades de leitura também fazem com que uma única estrutura possa sugerir diferentes letras. O texto menciona que determinadas formas do A podem simultaneamente ser percebidas como L, V ou até R. A apresentação de uma única letra permite, dessa maneira, sintetizar potencialmente todo o alfabeto.\n\nPara Álvaro de Sá, esse procedimento demonstra a complexidade do código alfabético, um sistema dotado de dinâmica particular que, apesar de sua longa presença cultural, ainda seria pouco estudado em sua dimensão visual e estrutural.\n\nEssa dinâmica começa a produzir uma espécie de dança das formas. Cada letra corresponde também à trajetória de um ponto deslocando se no espaço heterogêneo do papel. A pesquisa aproxima geometria, movimento, código e percepção.\n\nO ensaio observa ainda que as formas apresentadas em 1994 invadem a estrutura do código e permitem uma reflexão poética sobre as relações entre a letra e o inconsciente. Os traços alfabéticos estabilizados dentro do sistema psíquico podem liberar formações imaginárias motivadas por tensões inconscientes.\n\nÁlvaro de Sá estabelece também uma aproximação entre as formas da pesquisa de Wlademir e a arquitetura de Brasília. Segundo o texto, os traços alfabéticos podem atualizar se dentro da estética arquitetônica. Essa relação entre letra e construção espacial adquire particular importância porque a arquitetura foi uma das práticas profissionais escolhidas por Wlademir Dias Pino e lhe permitiu organizar espaços para investigar linguagens.\n\nO ensaio conclui que essa relação ajuda a compreender as conexões apontadas por diversos críticos entre Poesia Concreta e Brasília e entre poética e arquitetura. A exposição realizada em Brasília é apresentada, portanto, como síntese de uma das vertentes do contraestilo de Wlademir Dias Pino.\n\nAs imagens que acompanham o texto reforçam essa dimensão espacial. Em uma composição, figuras humanas aparecem ao redor de um grande plano verde colocado sobre um campo amarelo, atravessado por linhas que sugerem eixo, profundidade, deslocamento e estrutura. Em outra página, diferentes configurações geométricas e curvilíneas são distribuídas sobre um fundo verde, apresentando variações que podem ser interpretadas simultaneamente como letra, objeto, planta, volume, arquitetura e escultura. A presença da figura humana estabelece escala e sugere o deslocamento da letra do espaço gráfico para o espaço corporal e ambiental.\n\nO Contraestilo em Wlademir Dias Pino constitui um documento crítico de grande relevância porque oferece uma interpretação histórica e conceitual da obra de Wlademir Dias Pino escrita por Álvaro de Sá, outro protagonista fundamental do Poema Processo. O texto documenta relações entre A Ave, SOLIDA, ELEMENTOS, NUMÉRICOS, Escrita, A Marca e o Logotipo Brasileiros, Enciclopédia Visual e a exposição Sétimo Elogio ao A/a, formando uma importante cartografia da produção do artista.\n\nO documento é especialmente relevante para pesquisas sobre Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Poema Processo, Poesia Concreta, A Ave, SOLIDA, poesia visual brasileira, poesia experimental, semiótica, código alfabético, poesia combinatória, livros permutáveis, livro de artista, tipografia experimental, design gráfico, comunicação visual, alfabetos, logotipos, Enciclopédia Visual, arquitetura, Brasília, M C Escher, Décio Pignatari, Augusto de Campos, Antônio Houaiss, revista Invenção, UFMT, Museu de Arte e Cultura Popular e história da vanguarda brasileira.\n\nENGLISH\nText for the Salsa program\n\nWlademir Dias Pino, The Counterstyle in Wlademir Dias Pino, September 1993. Documentary and graphic ensemble related to the investigations of Wlademir Dias Pino into visual poetry, language, alphabet, typography, semiotics, space, architecture and the transformation of letters. The theoretical core of the material is an essay by Álvaro de Sá, signed in September 1993, in which he examines the trajectory of Wlademir Dias Pino through the concept of counterstyle. The ensemble also contains graphic and spatial studies of the letter A, human figures, geometric structures and the institutional identification of UFMT and the Museum of Popular Art and Culture.\n\nÁlvaro de Sá begins by stating that a permanent characteristic of the work of Wlademir Dias Pino is a process of interference within languages, operating at different levels and in different directions. For the author, following this sequence of interventions makes it possible to establish a biography of the creative process of Wlademir and, simultaneously, to understand the formation of his counterstyle. His production is therefore presented not as the repetition of a stable visual formula but as a continuous investigation and transformation of systems of language.\n\nThe essay gives particular attention to A Ave, produced in the early 1950s and published in 1956. According to Álvaro de Sá, the book begins with verbal phrases and structures and progressively dismantles the text through the physical properties of paper, transparency, color, perforation, the relative position of words and the superimposition of layers. Permutable sheets reconstruct new texts and lead the work toward increasingly reduced units, eventually reaching phonemes and minimal relationships between verbal and sensory components.\n\nA Ave is presented as an experiment in which verbal, gestural and visual language is subjected to successive procedures of condensation and displacement. The linear syntax of discourse and phonemes undergoes a recomputation through the spatial arrangement of pages conceived as a surface of Cartesian coordinates. Álvaro de Sá relates this procedure to a semiotic analysis in which syntax itself becomes the object of investigation.\n\nThe essay refers to Antônio Houaiss and his assessment of the syntactic innovations of Concrete Poetry, arguing that A Ave carried this investigation toward an even more radical territory. The document consequently places the book by Wlademir Dias Pino at the center of discussions concerning Concrete Poetry, visual poetry and the transformation of poetic syntax during the second half of the twentieth century.\n\nAnother fundamental work analyzed in the essay is SOLIDA. According to the text, its earliest known versions date from 1956 and the project was completed in 1960 with the publication of a block of permutable cards. A Cartesian principle is maintained through the relative position of letters distributed across the different cards.\n\nIn SOLIDA, words are generated from the relative positions of a column formed by the word SOLIDA distributed over different lines. This column establishes an imaginary space in which combinations derived from Latin squares become possible. The procedure decomposes the word in order to create sets of letters that are not necessarily conventional words. These sets are selected from the available combinatorial possibilities and may coincide with forms recognized by dictionaries.\n\nAccording to Álvaro de Sá, these combinations derive from the positioning of letters within imaginary relationships constructed through typographic points, lines, areas, surfaces and volumes. The process produces a transformed verbal text that uses the automatic mechanisms of language to suggest orientations of reading without limiting the experience to a single interpretation.\n\nThe essay explains that the method establishes a codification based on the imaginary positions of letters and their structural elements. At the same time, Álvaro de Sá warns that the system does not authorize a merely figurative reading. A point should not automatically be identified with a particular verbal set, nor should a volume be equated with another set. The essential operation lies in the functioning of the system and in the mobility of possible readings.\n\nÁlvaro de Sá emphasizes the importance of this process for poetic invention and recalls the reception of SOLIDA within Brazilian experimental poetry. The essay mentions Décio Pignatari and issue number 4 of the magazine Invenção from 1964, recording that Pignatari, when presenting the poem Código, attributed to SOLIDA a pioneering role in the poetic exploration of the semiotic code.\n\nThe text also refers to Augusto de Campos. According to Álvaro de Sá, experiments with letter permutations developed by Augusto de Campos for the poem ACASO CAOS can be creatively related to procedures previously explored by Wlademir Dias Pino in SOLIDA. This comparison situates the work within a broader field of combinatorial, permutational and semiotic poetry.\n\nFor Álvaro de Sá, the degree of information contained in the process of SOLIDA represents a challenge to the immobility of verbal discourse and contributed to the path that would lead to the theoretical formulation of Poema Processo. The analysis of A Ave and SOLIDA is presented as fundamental to understanding the movement from writing to process, from the static to the dynamic, from determinism to indeterminacy and to the active participation of the reader consumer.\n\nThe essay therefore establishes a direct genealogy between the investigations undertaken by Wlademir Dias Pino during the 1950s and 1960s and the emergence of Poema Processo. The work ceases to be understood merely as a completed verbal object and becomes an open system, a procedure, a matrix of possibilities and an experience of participation.\n\nÁlvaro de Sá refers to other books and projects by Wlademir Dias Pino that continued this interference within languages. ELEMENTOS is associated with the dialectic between verticality and horizontality and with relationships among speech, writing and visuality. NUMÉRICOS is connected with the condensation of verbal and mathematical languages and the creation of a new language in which signs endowed with meaning, value and reference can coexist.\n\nThe essay also recalls an introduction written by Álvaro de Sá for the book Escrita in 1969, in which he emphasized the dialectical structure of the page as a unit capable of creating continuous new possibilities of exploration.\n\nAmong other phases of the work of Wlademir Dias Pino, the essay mentions A MARCA E O LOGOTIPO BRASILEIROS, connecting the project with the universalization of logo reading and the study of informational reality. The research combines typography, symbolic systems and the imaginary of different historical periods and societies within a textual and semiotic production.\n\nThe first six volumes of ENCICLOPÉDIA VISUAL are also cited and described as an important development in the visual integration of alphabets, images and geometric constructions. In this project, typographic language itself becomes systematically questioned.\n\nThese different experiences converge in the exhibition identified in the text as Sétimo Elogio ao A/a. Álvaro de Sá states that the counterstyle of Wlademir is present in the exhibition and intensifies the questions about language that the artist had developed throughout his career.\n\nThe letter A is selected as representative and paradigm of the other letters of the alphabet and appears through a collection of different forms. The A ceases to function merely as a typographic character and becomes a matrix of topological, spatial and semiotic variations.\n\nThe letter is deformed from its original structure through topological variations that expose different aspects of its configuration. Even when the resulting formations become abstract, they retain enough information to permit recognition of their alphabetic character and eventually lead the viewer back to the reading of the letter within its code.\n\nThe collection includes different series. The essay mentions a hexagonal matrix and series based on curvilinear forms including catenaries, hyperbolas, parabolas and other potentially indeterminate curves.\n\nÁlvaro de Sá emphasizes that the letter acquires three dimensionality. The field of inscription becomes heterogeneous through converging and nonparallel lines. A volume emerges without dependence on conventional perspective, while three dimensionality carries the code into different semiotic dimensions.\n\nThe collection also incorporates parody and irony toward the rigid rationality associated with logos. Some forms refer to a freer and less determined rationality. The investigation therefore goes beyond typography and becomes a critique of historical mechanisms used to standardize alphabets.\n\nÁlvaro de Sá observes that the production of alphabets has historically been surrounded by forms of rigidity associated with Carolingian writing and Gothic letters. In his interpretation, many alphabets are stylized masks of the fundamental lines that constitute letters, while the research of Wlademir seeks to expose the minimal structures hidden behind those conventions.\n\nAnother important aspect is the use of variable supports in both color and material. Variation rejects the concept of the letter as a fixed configuration and reinforces the need to reread the alphabetic code. The essay draws attention to the fact that tradition has established certain minimal strokes as sufficient elements for identifying a letter, particularly the A, and Wlademir investigates the limits of precisely this recognition.\n\nUppercase and lowercase forms are brought into a dynamic relationship. As the code becomes open, reading can recognize different forms of A within the same topological configuration.\n\nSome shapes function as indicators of reading. Others become geometric abstractions that initially offer information only through visual perception, demonstrating a possible state of nonfiguration before the alphabetic code is recognized again. This tension between recognition and estrangement is central to the process.\n\nThe essay relates the constructions of Wlademir to certain principles found in the work of M C Escher and in the tradition of Arab tile patterns. Álvaro de Sá nevertheless stresses important differences. In Escher the minimum code is associated with perspective, while in Wlademir Dias Pino the minimum code is the letter itself.\n\nTopological differentiation and abrupt breaks in symmetry produce spatial illusions and contradictory dimensions. The alphabet therefore begins to operate as an architecture of perceptual possibilities.\n\nAmbiguities of reading also allow one structure to suggest several different letters. The essay states that certain variations of A can simultaneously be read as L, V or even R. In this sense, the presentation of a single letter can potentially synthesize the entire alphabet.\n\nFor Álvaro de Sá, this procedure demonstrates the complexity of the alphabetic code, a system with a distinctive internal dynamic that, despite its long cultural history, has received surprisingly little study in its visual and structural dimensions.\n\nThis dynamic begins to resemble a dance of forms. Each letter can also be understood as the trajectory of a point moving through the heterogeneous space of the page. The investigation thus brings together geometry, movement, code and perception.\n\nThe essay further observes that the forms presented in 1994 enter into the structure of the code and enable a poetic reflection on the relationship between letters and the unconscious. Alphabetic traces fixed within the psychic system may release imaginary formations generated by unconscious tensions.\n\nÁlvaro de Sá also establishes a relationship between these forms and the architecture of Brasília. According to the text, alphabetic traces can become actualized within architectural aesthetics. This relationship between letter and spatial construction is especially significant because architecture was among the professional practices selected by Wlademir Dias Pino and enabled him to organize spaces for the investigation of languages.\n\nThe essay concludes that this relationship helps explain connections made by critics between Concrete Poetry and Brasília and between poetics and architecture. The exhibition in Brasília is consequently presented as a synthesis of one of the principal dimensions of the counterstyle of Wlademir Dias Pino.\n\nThe images accompanying the essay reinforce this spatial dimension. One composition shows human figures around a large green plane on a yellow field crossed by lines suggesting axes, depth, displacement and structure. Another page distributes different geometric and curvilinear configurations across a green background, presenting variations that can simultaneously be interpreted as letters, objects, plans, volumes, architecture and sculpture. Human figures establish scale and suggest the displacement of the letter from graphic space into bodily and environmental space.\n\nThe Counterstyle in Wlademir Dias Pino is an important critical document because it provides a historical and conceptual interpretation of the work of Wlademir Dias Pino written by Álvaro de Sá, another fundamental figure of Poema Processo. The essay documents relationships among A Ave, SOLIDA, ELEMENTOS, NUMÉRICOS, Escrita, A Marca e o Logotipo Brasileiros, Enciclopédia Visual and the exhibition Sétimo Elogio ao A/a, creating an important map of the intellectual and artistic production of Wlademir Dias Pino.\n\nThe document is particularly relevant for research on Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Poema Processo, Concrete Poetry, A Ave, SOLIDA, Brazilian visual poetry, experimental poetry, semiotics, alphabetic code, combinatorial poetry, permutable books, artist books, experimental typography, graphic design, visual communication, alphabets, logos, Enciclopédia Visual, architecture, Brasília, M C Escher, Décio Pignatari, Augusto de Campos, Antônio Houaiss, the magazine Invenção, UFMT, the Museum of Popular Art and Culture and the history of the Brazilian avant garde.

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