Home Acervo Boletim Diário do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso, produzido pela Coordenação de Cultura no âmbito do Projeto Cinco e Meia na Biblioteca, datado de 28 de junho de 1984, em Cuiabá, Mato Grosso.

Boletim Diário do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso, produzido pela Coordenação de Cultura no âmbito do Projeto Cinco e Meia na Biblioteca, datado de 28 de junho de 1984, em Cuiabá, Mato Grosso.

Wlademir Dias Pino

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04005 - 28 de Junho de 1984 - Publicação conceitual

21 x 15 cm

Boletim Diário do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso, produzido pela Coordenação de Cultura no âmbito do Projeto Cinco e Meia na Biblioteca, datado de 28 de junho de 1984, em Cuiabá, Mato Grosso. A edição apresenta o tema Experiências: Os classificados de poemas e registra a coordenação de Clóvis e Wlademir Pino. O documento constitui importante registro das investigações sobre poesia visual, escrita experimental, comunicação gráfica, apropriação de textos impressos, montagem, sistemas de signos e circulação internacional da arte experimental no ambiente cultural da Universidade Federal de Mato Grosso.\n\nA capa identifica Universidade Federal de Mato Grosso, Coordenação de Cultura, Boletim Diário do Museu de Arte e Cultura Popular e Projeto Cinco e Meia na Biblioteca. A programação registra 28 de junho, Experiências: Os classificados de poemas, Cuiabá 84. O título propõe uma aproximação entre o universo cotidiano dos classificados, da imprensa, da informação seriada e as possibilidades de construção poética. O poema passa a ser pensado como informação organizada, fragmento, código, textura e processo visual.\n\nNo centro da capa aparece uma composição extremamente densa formada por caracteres, letras, números e pequenos sinais sobrepostos. O nome Vincenzo Agnetti aparece verticalmente ao lado da imagem. A estrutura gráfica transforma o texto em superfície quase ilegível, produzindo um bloco no qual a escrita perde sua função exclusivamente linguística e adquire caráter visual.\n\nA presença de Vincenzo Agnetti é significativa dentro de uma edição dedicada às experiências com linguagem. O trabalho reproduzido estabelece uma tensão entre excesso de informação e impossibilidade de leitura. Letras e caracteres permanecem reconhecíveis individualmente, mas sua concentração cria uma massa visual. O código deixa de funcionar de maneira transparente e passa a ser observado como matéria.\n\nNa página oposta aparece uma grande composição identificada com o nome Bálint Szombathy. O trabalho utiliza como base uma página impressa em língua húngara. Sobre o texto original foi construída uma extensa rede de linhas negras, principalmente diagonais, verticais e horizontais, que atravessam praticamente toda a superfície.\n\nA intervenção de Bálint Szombathy modifica radicalmente o documento impresso. A página conserva parte de sua origem textual, mas a trama desenhada impede uma leitura convencional. O texto torna se fundo, suporte e textura para outra estrutura. A escrita permanece visível entre as linhas, estabelecendo uma relação entre informação, ocultamento, interferência e desenho.\n\nA concentração das linhas produz uma forte sensação de perspectiva e deslocamento espacial. Diversos traços parecem partir de uma região superior esquerda e expandir se pela página, enquanto linhas verticais e horizontais formam uma espécie de arquitetura ou grade. A intervenção transforma uma superfície destinada à leitura linear em espaço visual complexo.\n\nO trabalho estabelece uma relação direta com o conceito de Experiências anunciado pela edição. O material preexistente não é eliminado. Ele é submetido a uma nova ordem gráfica. A ação sobre o texto cria uma segunda camada de comunicação e demonstra que uma página pode simultaneamente ser escrita, imagem, suporte e objeto de intervenção.\n\nNas páginas internas aparece uma ampla composição construída por manchas negras de contornos orgânicos que atravessam horizontalmente o alto das duas páginas. Algumas dessas formas sugerem fragmentos de corpos, braços ou mãos, mas permanecem suficientemente abstratas para permitir diferentes interpretações. O contraste com o fundo claro cria um ritmo visual intenso.\n\nNa região inferior esquerda aparece uma montagem identificada como Eduardo Díaz Espinoza. O trabalho utiliza fragmentos de textos impressos em diferentes idiomas, orientações e tamanhos, além de escrita manuscrita, uma pequena imagem fotográfica e sobreposições. Trechos de jornal ou publicação são girados, cortados e reorganizados, fazendo da própria informação impressa a matéria da composição.\n\nA obra de Eduardo Díaz Espinoza enfatiza a fragmentação da linguagem. Textos que originalmente possuíam continuidade são separados e reorganizados. Algumas palavras permanecem legíveis, enquanto outras são interrompidas por mudanças de orientação, recortes e sobreposições. A comunicação deixa de seguir uma única direção e passa a exigir deslocamentos do olhar.\n\nA utilização simultânea de textos em diferentes línguas amplia o caráter internacional da proposta. A página funciona como território de encontro entre sistemas linguísticos distintos e sugere a circulação de cartas, jornais, documentos e impressos entre artistas e países. Esse procedimento aproxima a obra das práticas de arte postal, poesia visual, colagem textual e publicação experimental.\n\nNa página interna direita aparece uma estrutura geométrica organizada como uma grande grade retangular. Dentro dela encontram se diferentes módulos quadrados. Alguns permanecem preenchidos por pequenos quadrados escuros, enquanto outros contêm formas semelhantes a letras, sinais ou fragmentos gráficos. A repetição dos módulos produz uma lógica de sistema e sequência.\n\nEssa composição explora as relações entre repetição e diferença. Uma mesma estrutura básica é submetida a pequenas alterações. O observador precisa comparar os módulos para perceber mudanças de posição, forma e preenchimento. A leitura aproxima se de uma operação combinatória, relacionando poesia visual, design, sistema gráfico e pensamento estrutural.\n\nO conjunto apresentado no boletim demonstra que a noção de poema podia ultrapassar amplamente a palavra tradicional. Texto impresso, jornal, caracteres, grade, desenho, manuscrito, fotografia, recorte e espaço vazio passam a operar como unidades de linguagem. A publicação transforma a página em campo de experimentação.\n\nA expressão Os classificados de poemas adquire assim um sentido ampliado. Pode ser entendida como referência à classificação e organização da informação, mas também como ironia diante dos sistemas convencionais de catalogação e leitura. Os poemas apresentados não se acomodam facilmente em categorias tradicionais. Eles os atravessam e reorganizam.\n\nA participação de Clóvis e Wlademir Pino na coordenação torna o documento especialmente relevante para pesquisas sobre a atuação de Wlademir Dias Pino em Mato Grosso. A edição dialoga com suas investigações sobre visualidade, signo, estrutura, leitura não linear e autonomia da linguagem gráfica, questões fundamentais também para a compreensão do Poema Processo.\n\nO boletim registra ainda a presença de Vincenzo Agnetti, Bálint Szombathy e Eduardo Díaz Espinoza, permitindo documentar relações entre Cuiabá e circuitos internacionais de arte conceitual, poesia visual, poesia experimental, arte postal e comunicação alternativa. A reunião desses materiais demonstra uma atividade curatorial e editorial voltada para o intercâmbio internacional e para a expansão do conceito de poema.\n\nO Boletim Diário de 28 de junho de 1984 constitui portanto fonte primária relevante para pesquisas sobre Wlademir Dias Pino, Clóvis, Vincenzo Agnetti, Bálint Szombathy, Eduardo Díaz Espinoza, Universidade Federal de Mato Grosso, Coordenação de Cultura, Museu de Arte e Cultura Popular, Projeto Cinco e Meia na Biblioteca, Experiências, Os classificados de poemas, Cuiabá, Mato Grosso, poesia visual, poesia experimental, Poema Processo, arte conceitual, arte postal, mail art, escrita experimental, apropriação textual, colagem, montagem, tipografia, sistemas gráficos, comunicação visual, publicação de artista e redes internacionais de arte experimental.\n\nSalsa text in English\n\nDaily Bulletin of the Museum of Art and Popular Culture of the Federal University of Mato Grosso, produced by the Culture Coordination within the Five Thirty at the Library Project and dated 28 June 1984 in Cuiabá, Mato Grosso, Brazil. The edition presents the theme Experiments: Os classificados de poemas and records the coordination of Clóvis and Wlademir Pino. The document is an important record of investigations into visual poetry, experimental writing, graphic communication, appropriation of printed texts, montage, systems of signs and the international circulation of experimental art within the cultural environment of the Federal University of Mato Grosso.\n\nThe cover identifies the Federal University of Mato Grosso, Culture Coordination, Daily Bulletin of the Museum of Art and Popular Culture and the Five Thirty at the Library Project. The program records 28 June, Experiments: Os classificados de poemas, Cuiabá 84. The title proposes a relationship between the everyday universe of classified information, printed media and serialized communication and the possibilities of poetic construction. The poem is understood as organized information, fragment, code, texture and visual process.\n\nAt the center of the cover appears an extremely dense composition formed by characters, letters, numbers and small overlapping signs. The name Vincenzo Agnetti appears vertically beside the image. The graphic structure transforms text into an almost unreadable surface, producing a block in which writing loses its exclusively linguistic function and acquires a visual character.\n\nThe presence of Vincenzo Agnetti is significant within an edition devoted to experiments with language. The reproduced work creates tension between an excess of information and the impossibility of reading. Letters and characters remain individually recognizable, yet their concentration produces a visual mass. Code no longer operates transparently and instead becomes material to be observed.\n\nOn the opposite page appears a large composition identified with the name Bálint Szombathy. The work uses a printed Hungarian language page as its base. Across the original text an extensive network of black lines has been constructed, primarily diagonal, vertical and horizontal, covering almost the entire surface.\n\nBálint Szombathy's intervention radically transforms the printed document. The page preserves traces of its textual origin, but the drawn network prevents conventional reading. Text becomes background, support and texture for another structure. Writing remains visible between the lines, creating a relationship among information, concealment, interference and drawing.\n\nThe concentration of lines produces a strong sensation of perspective and spatial displacement. Numerous lines appear to emerge from an upper left region and expand across the page, while vertical and horizontal lines create a form of architecture or grid. The intervention transforms a surface intended for linear reading into a complex visual space.\n\nThe work directly corresponds with the concept of Experiments announced by the edition. Preexisting material is not eliminated. It is subjected to a new graphic order. The intervention on text creates a second layer of communication and demonstrates that a page can simultaneously function as writing, image, support and object of intervention.\n\nThe internal pages contain a broad composition formed by black organic shapes extending horizontally across the upper area of both pages. Some forms suggest fragments of bodies, arms or hands, yet they remain sufficiently abstract to permit multiple interpretations. Their contrast with the light background creates an intense visual rhythm.\n\nIn the lower left area appears a montage identified as Eduardo Díaz Espinoza. The work uses fragments of printed texts in different languages, orientations and sizes, together with handwriting, a small photographic image and overlapping elements. Fragments from newspapers or publications are rotated, cut and reorganized, turning printed information itself into compositional material.\n\nThe work by Eduardo Díaz Espinoza emphasizes the fragmentation of language. Texts that originally possessed continuity are separated and reorganized. Some words remain readable while others are interrupted by changes in direction, cuts and superimpositions. Communication no longer follows a single direction and instead requires movement of the viewer's gaze.\n\nThe simultaneous use of texts in different languages expands the international character of the proposition. The page functions as a meeting territory for different linguistic systems and suggests the circulation of letters, newspapers, documents and printed matter among artists and countries. This procedure connects the work with mail art, visual poetry, textual collage and experimental publishing.\n\nOn the lower right internal page appears a geometric structure organized as a large rectangular grid. Within it are different square modules. Some are filled with smaller dark squares while others contain forms resembling letters, signs or graphic fragments. The repetition of modules creates a logic of system and sequence.\n\nThis composition explores relationships between repetition and difference. A common basic structure is subjected to small modifications. The viewer must compare individual modules to perceive changes in position, form and filling. Reading approaches a combinatorial operation, connecting visual poetry, design, graphic systems and structural thinking.\n\nThe bulletin demonstrates that the concept of poem could extend far beyond conventional words. Printed text, newspaper fragments, characters, grids, drawing, handwriting, photography, cut material and empty space all operate as units of language. The publication transforms the page into a field of experimentation.\n\nThe expression Os classificados de poemas therefore acquires an expanded meaning. It can refer to classification and organization of information, but it may also operate ironically in relation to conventional systems of cataloguing and reading. The poems presented do not fit easily into traditional categories. Instead, they cross and reorganize them.\n\nThe participation of Clóvis and Wlademir Pino in the coordination makes the document especially relevant to research on the activities of Wlademir Dias Pino in Mato Grosso. The edition corresponds with his investigations into visuality, sign, structure, nonlinear reading and the autonomy of graphic language, questions that are also fundamental to understanding Poema Processo.\n\nThe bulletin also records the presence of Vincenzo Agnetti, Bálint Szombathy and Eduardo Díaz Espinoza, documenting connections between Cuiabá and international circuits of conceptual art, visual poetry, experimental poetry, mail art and alternative communication. The gathering of these materials demonstrates a curatorial and editorial activity focused on international exchange and on expanding the concept of poetry.\n\nThe Daily Bulletin dated 28 June 1984 is therefore an important primary source for research on Wlademir Dias Pino, Clóvis, Vincenzo Agnetti, Bálint Szombathy, Eduardo Díaz Espinoza, Federal University of Mato Grosso, Culture Coordination, Museum of Art and Popular Culture, Five Thirty at the Library Project, Experiments, Os classificados de poemas, Cuiabá, Mato Grosso, visual poetry, experimental poetry, Poema Processo, conceptual art, mail art, experimental writing, textual appropriation, collage, montage, typography, graphic systems, visual communication, artist publications and international experimental art networks.

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