Cartão de arte postal enviado por Joaquim Branco, do Rio de Janeiro, a Falves Silva, em Natal, Rio Grande do Norte, com texto datilografado datado de 1 de agosto de 1985 e carimbo postal de 5 de agosto de 1985.
Joaquim Branco
03704 - 5 de Agosto de 1985 - Cartao
11,6 x 18,3 cm
Cartão de arte postal enviado por Joaquim Branco, do Rio de Janeiro, a Falves Silva, em Natal, Rio Grande do Norte, com texto datilografado datado de 1 de agosto de 1985 e carimbo postal de 5 de agosto de 1985. A peça reúne correspondência pessoal, reflexão sobre a retomada da vanguarda artística no Nordeste brasileiro, referências ao projeto CRIAÇÃO, ao livro Laser, a Álvaro de Sá, Anchieta Fernandes e Dantas, além de desenho, carimbos, franquia postal e identificação do remetente.\n\nO texto começa com a indicação Rio, 1.8.85. Joaquim Branco informa que havia acabado de receber CRIAÇÃO, remetida por Falves Silva e pelos demais responsáveis pela publicação ou projeto. O emprego do nome em letras maiúsculas indica que CRIAÇÃO era o título do material recebido. O documento não informa número, edição, formato, periodicidade ou responsáveis editoriais completos, mas confirma sua circulação entre Natal e o Rio de Janeiro em 1985.\n\nJoaquim Branco agradece não apenas a remessa, mas também a publicação de um trabalho que havia enviado. Essa passagem demonstra que ele participou como colaborador de CRIAÇÃO e que sua contribuição foi efetivamente publicada. O cartão funciona, portanto, como confirmação de recebimento, agradecimento editorial e registro da participação de Joaquim Branco em uma iniciativa experimental conduzida pelo núcleo de Falves Silva.\n\nO remetente afirma que o trabalho de Falves Silva e de seus colaboradores era excelente e único naquele momento na região nordestina. A avaliação possui importância documental porque registra a percepção de Joaquim Branco sobre a posição de CRIAÇÃO dentro da produção cultural do Nordeste em meados da década de 1980.\n\nSegundo a carta, essa singularidade justificava a importância do projeto e a necessidade de sua continuidade em intervalos menores. Joaquim Branco defendia, assim, maior frequência de publicação ou circulação. O comentário permite compreender CRIAÇÃO como uma iniciativa cuja continuidade dependia de remessas, colaborações, organização editorial e manutenção de uma rede de artistas e poetas.\n\nNa sequência, Joaquim Branco escreve que a vanguarda, depois de permanecer meio hibernada, parecia ressurgir aos poucos. A expressão registra uma leitura histórica do período e sugere que, em 1985, o artista identificava uma retomada das experiências de poesia visual, arte postal, publicação independente e produção de vanguarda depois de um intervalo de menor atividade.\n\nO remetente acrescenta que não poderiam parar de jogar nesse barro. A frase emprega uma imagem de trabalho manual, matéria e continuidade. O barro pode ser lido como metáfora para o campo de criação coletiva, para o contexto cultural nordestino ou para uma produção artística ainda em formação. Como a carta não explica a expressão, essas possibilidades devem permanecer como interpretações abertas.\n\nJoaquim Branco envia um grande abraço para toda a turma, especialmente para Anchieta e Dantas, identificados como antigos amigos. Anchieta corresponde a Anchieta Fernandes, poeta, crítico, pesquisador e participante histórico do Poema Processo em Natal. A identidade completa de Dantas não é esclarecida pelo cartão e não deve ser atribuída sem documentação complementar.\n\nA menção a toda a turma demonstra que Falves Silva representava, para Joaquim Branco, um núcleo coletivo de artistas e intelectuais de Natal. O cartão não registra apenas uma relação individual. Ele documenta a continuidade de uma comunidade formada por amizades, publicações, obras, textos críticos e projetos compartilhados.\n\nJoaquim Branco lamenta que nenhum poema do livro Laser tenha sido utilizado para ilustrar o artigo de Álvaro. A referência indica a existência de um artigo de Álvaro de Sá publicado em CRIAÇÃO ou em material relacionado. Também confirma que o livro Laser continha poemas considerados adequados para dialogar visualmente com esse texto.\n\nA passagem estabelece uma relação documental entre Joaquim Branco, o livro Laser, Álvaro de Sá, Falves Silva e CRIAÇÃO. O cartão não informa o título do artigo, a edição da publicação, o motivo da ausência das imagens nem quais poemas de Laser poderiam ter sido reproduzidos.\n\nO livro Laser ocupa posição relevante na trajetória de Joaquim Branco e em sua ligação com a poesia visual e experimental. No cartão, o título aparece em letras maiúsculas e entre parênteses, funcionando como referência bibliográfica direta. A observação de Joaquim Branco revela seu interesse pela integração entre artigo crítico e reprodução de poemas visuais.\n\nA carta termina com a expressão de amizade permanente e com a assinatura manuscrita de Joaquim Branco em tinta rosa ou vermelha. Abaixo da assinatura encontra se também seu nome impresso. A combinação entre texto datilografado, assinatura manual e elementos gráficos transforma a correspondência em documento pessoal e artístico.\n\nNo verso postal, o nome Falves Silva e o endereço Rua Engenheiro José Rocha, número 3401, Candelária, CEP 59000, Natal, Rio Grande do Norte, aparecem datilografados. O número 3401 parece funcionar como complemento do endereço. A forma de registro difere de outras correspondências dirigidas a Falves Silva, nas quais aparece o número 16 acompanhado do complemento 3401.\n\nNa área central aparece um carimbo vertical com as expressões Arte Correio e Mail Art. Esse carimbo identifica diretamente o objeto como integrante da rede de arte postal e aproxima a correspondência pessoal de uma prática artística consciente.\n\nAo lado encontra se a identificação vertical do remetente Joaquim Branco, Rua Voluntários da Pátria, número 389, apartamento 622, CEP 22270, Rio de Janeiro, Brasil. O endereço documenta um dos pontos de contato utilizados pelo artista em sua circulação de cartas, poemas, publicações e projetos experimentais.\n\nNa região superior há um carimbo circular de postagem com data de 5 de agosto de 1985 e uma franquia mecânica dos Correios do Brasil no valor de 270 cruzeiros. A diferença entre a data interna da carta, 1 de agosto, e a postagem, 5 de agosto, demonstra que o cartão foi preparado alguns dias antes de ser efetivamente enviado.\n\nA área esquerda do verso apresenta um desenho de caráter caricatural. Observa se um rosto masculino com cabelo, sobrancelhas marcadas, nariz alongado, bigode e barba, aplicado sobre mancha amarela. Ao lado aparece uma dedicatória manuscrita de leitura parcialmente incerta, possivelmente dirigida ao destinatário.\n\nAcima do retrato encontra se um balão de fala com impressões e sobreposições gráficas. Parte da inscrição parece incluir a palavra mail ou elementos relacionados à arte postal, mas a leitura integral não é segura. A composição incorpora desenho, palavra, mancha de cor e carimbo como recursos complementares à correspondência.\n\nO cartão documenta a relação entre Joaquim Branco e Falves Silva e amplia a compreensão da rede experimental brasileira em 1985. A peça demonstra a circulação de CRIAÇÃO, a publicação de uma contribuição de Joaquim Branco, a participação de Álvaro de Sá, a referência ao livro Laser e a manutenção de vínculos com Anchieta Fernandes, Dantas e o grupo de Natal.\n\nA relação com o Poema Processo é direta por meio dos artistas mencionados. Joaquim Branco, Falves Silva, Álvaro de Sá e Anchieta Fernandes estão ligados à história da poesia experimental brasileira e do Poema Processo. A carta evidencia a continuidade dessas relações muitos anos depois da fase pública inicial do movimento.\n\nO documento também mostra que a produção de vanguarda não se restringia a exposições ou obras isoladas. Ela dependia de publicações independentes, correspondência, colaboração editorial, envio de poemas, artigos críticos, reprodução de imagens e manutenção de redes de amizade.\n\nO valor histórico do cartão reside em seu conteúdo textual preciso. Ele confirma que Joaquim Branco recebeu CRIAÇÃO, teve um trabalho publicado, considerava a iniciativa única no Nordeste naquele momento, defendia maior frequência de circulação e identificava um ressurgimento gradual da vanguarda. A peça constitui fonte primária para o estudo de Joaquim Branco, Falves Silva, Álvaro de Sá, Anchieta Fernandes, do livro Laser, do projeto CRIAÇÃO, do Poema Processo e da Mail Art brasileira.\n\nTEXT FOR THE SALSA PROGRAM IN ENGLISH\n\nMail art postcard sent by Joaquim Branco, from Rio de Janeiro, to Falves Silva in Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. The typed message is dated 1 August 1985 and the postal cancellation is dated 5 August 1985. The object combines personal correspondence, reflection on the revival of avant garde activity in northeastern Brazil, references to the project or publication CRIAÇÃO, the book Laser, Álvaro de Sá, Anchieta Fernandes and Dantas, together with drawing, rubber stamps, postal franking and sender identification.\n\nThe message begins with the indication Rio, 1.8.85. Joaquim Branco states that he had just received CRIAÇÃO, sent by Falves Silva and the other people responsible for the publication or project. The use of capital letters establishes CRIAÇÃO as the title of the material received. The document does not provide an issue number, format, frequency or complete editorial credits, but it confirms its circulation between Natal and Rio de Janeiro in 1985.\n\nBranco thanks Falves Silva not only for the mailing but also for publishing a work he had submitted. This passage demonstrates that Joaquim Branco participated as a contributor to CRIAÇÃO and that his contribution was actually published. The postcard therefore functions as confirmation of receipt, editorial acknowledgement and documentary evidence of his participation in an experimental initiative organized by the group associated with Falves Silva.\n\nThe sender states that the work produced by Falves Silva and his collaborators was excellent and unique at that moment in northeastern Brazil. This assessment is historically significant because it records Joaquim Branco
s perception of the position occupied by CRIAÇÃO within the cultural production of the Northeast during the mid 1980s.\n\nAccording to the letter, this singular position justified the project
s importance and the need for it to continue at shorter intervals. Joaquim Branco was therefore advocating a more frequent publication or circulation schedule. His comment suggests that the continuity of CRIAÇÃO depended on mailings, artistic contributions, editorial organization and the maintenance of a network of artists and poets.\n\nBranco then writes that the avant garde, after remaining partly dormant, appeared to be gradually reemerging. The sentence records his historical interpretation of the period and suggests that in 1985 he perceived a renewed movement in visual poetry, Mail Art, independent publishing and experimental cultural production after an interval of reduced activity.\n\nHe adds that they could not stop working in that clay. The expression introduces an image of manual labor, material and continuity. Clay may be understood as a metaphor for collective creation, for the cultural context of northeastern Brazil or for an artistic field still being shaped. Since the letter provides no explanation, these possibilities should remain open interpretations.\n\nJoaquim Branco sends greetings to the entire group and especially to Anchieta and Dantas, whom he identifies as old friends. Anchieta refers to Anchieta Fernandes, a poet, critic, researcher and historical participant in the Process Poem Movement in Natal. The complete identity of Dantas is not established by the postcard and should not be assigned without additional documentation.\n\nThe reference to the entire group shows that Falves Silva represented a wider artistic and intellectual community in Natal. The postcard records more than an individual relationship. It documents the continuation of a network built through friendship, publications, artworks, critical texts and collaborative projects.\n\nBranco regrets that no poem from the book Laser had been selected to illustrate Álvaro
s article. This reference indicates that an article by Álvaro de Sá appeared in CRIAÇÃO or in a related publication. It also confirms that Laser contained poems considered suitable for a visual dialogue with that text.\n\nThe passage establishes a documentary relationship among Joaquim Branco, the book Laser, Álvaro de Sá, Falves Silva and CRIAÇÃO. The postcard does not provide the title of Álvaro
s article, the issue of the publication, the reason why the poems were not reproduced or the specific works from Laser that might have been selected.\n\nLaser occupies an important place in Joaquim Branco
s relationship with visual and experimental poetry. On the postcard, the title is written in capital letters and placed within parentheses, functioning as a direct bibliographic reference. His observation reveals an interest in the integration of critical writing and the reproduction of visual poems.\n\nThe letter ends with an expression of lasting friendship and Joaquim Branco
s handwritten signature in pink or red ink. His printed name also appears beneath the signature. The combination of typed text, handwritten signature and graphic components transforms the correspondence into both a personal and artistic document.\n\nOn the postal side, the name Falves Silva and the address Rua Engenheiro José Rocha, number 3401, Candelária, postal code 59000, Natal, Rio Grande do Norte, are typed. The number 3401 appears to function as an address complement. This arrangement differs from other correspondence addressed to Falves Silva in which number 16 is followed by the additional reference 3401.\n\nA vertical stamp in the central area contains the expressions Arte Correio and Mail Art. This mark directly identifies the object as part of the correspondence art network and connects the personal letter with a conscious artistic practice.\n\nBeside it appears the vertical identification of the sender as Joaquim Branco, Rua Voluntários da Pátria, number 389, apartment 622, postal code 22270, Rio de Janeiro, Brazil. The address documents one of the contact points used by the artist for the circulation of letters, poems, publications and experimental projects.\n\nThe upper area contains a circular postal cancellation dated 5 August 1985 and a mechanical Brazilian postal franking mark with a value of 270 cruzeiros. The difference between the internal date of 1 August and the mailing date of 5 August shows that the postcard was prepared several days before entering the postal system.\n\nThe left side of the reverse contains a caricature style drawing. It shows a male face with hair, pronounced eyebrows, an elongated nose, moustache and beard, placed over a yellow field. A short handwritten dedication appears nearby, although its complete reading remains uncertain.\n\nAbove the portrait is a speech balloon containing overlapping printed and stamped elements. Part of the inscription may include the word mail or other references to postal art, but a complete transcription cannot be established from the available reproduction. The composition incorporates drawing, language, color and rubber stamping as extensions of the written correspondence.\n\nThe postcard documents the relationship between Joaquim Branco and Falves Silva and expands the understanding of the Brazilian experimental network in 1985. It records the circulation of CRIAÇÃO, the publication of a contribution by Joaquim Branco, the participation of Álvaro de Sá, the reference to Laser and the continuation of contact with Anchieta Fernandes, Dantas and the artistic community in Natal.\n\nIts relationship with the Process Poem Movement is direct through the people named in the letter. Joaquim Branco, Falves Silva, Álvaro de Sá and Anchieta Fernandes are connected with the history of Brazilian experimental poetry and the Process Poem Movement. The document demonstrates the continuation of these relationships many years after the movement
s first public phase.\n\nThe correspondence also shows that avant garde activity was not limited to exhibitions or isolated artworks. It depended on independent publications, postal communication, editorial collaboration, the submission of poems, critical articles, image reproduction and the maintenance of friendship networks.\n\nThe historical importance of the postcard lies in the precision of its textual information. It confirms that Joaquim Branco received CRIAÇÃO, had a contribution published, regarded the initiative as unique in northeastern Brazil at that moment, advocated more frequent circulation and perceived a gradual revival of the avant garde. The object is a primary source for research on Joaquim Branco, Falves Silva, Álvaro de Sá, Anchieta Fernandes, Laser, CRIAÇÃO, the Process Poem Movement and Brazilian Mail Art.


