Home Acervo Hino aos Vencidos é uma obra de Gabriel Borba realizada em 1974 como contribuição para On Off 3, terceira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira.

Hino aos Vencidos é uma obra de Gabriel Borba realizada em 1974 como contribuição para On Off 3, terceira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira.

Projeto On / Off - Julio Plaza e Regina Silveira

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03685 - 1974 - Envelope Obra de Arte

23 x 15,5 cm

Hino aos Vencidos é uma obra de Gabriel Borba realizada em 1974 como contribuição para On Off 3, terceira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira. A identificação correta do artista é Gabriel Borba, e não Gabriel Borga Filho. O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo confirma o título Hino aos Vencidos, a autoria de Gabriel Borba, a data de 1974, a vinculação à publicação On Off 3, a técnica linha costurada sobre papel pautado e as dimensões de 23 por 15,5 centímetros.\n\nA composição utiliza uma folha semelhante a papel de música, formada por dez conjuntos horizontais de pautas impressas. Cada pauta oferece o espaço convencionalmente destinado à escrita de notas, pausas, claves e demais sinais musicais. Entretanto, nenhuma partitura musical tradicional foi inscrita nessas linhas.\n\nNa região central inferior aparece uma linha vermelha costurada diretamente sobre o papel. O fio atravessa algumas pautas, forma uma área curta de pontos ou passagens sucessivas, cria uma curva fechada semelhante a um laço e prolonga se numa linha ampla e sinuosa. A intervenção substitui a notação musical por uma ação material, manual e corporal.\n\nNa margem inferior aparecem as inscrições HINO AOS VENCIDOS, GABRIEL BORBA FILHO e 1974. O nome impresso na própria folha utiliza a forma Gabriel Borba Filho, enquanto o registro institucional do MAC USP emprega Gabriel Borba. Para o cadastro no Salsa, recomenda se utilizar Gabriel Borba como nome normalizado do artista e conservar Gabriel Borba Filho no campo de inscrições e variantes nominais.\n\nO título estabelece uma inversão crítica do sentido tradicional do hino. Um hino costuma celebrar vitórias, nações, instituições, heróis ou acontecimentos considerados exemplares. Nesta obra, a homenagem é dirigida aos vencidos. O trabalho desloca a forma solene e comemorativa para aqueles que perderam, foram derrotados, silenciados ou excluídos das narrativas oficiais.\n\nO plural vencidos amplia o sentido da obra. O título não identifica uma pessoa, grupo ou acontecimento específico. Pode abranger indivíduos derrotados em conflitos, pessoas afastadas das estruturas de poder, projetos interrompidos, movimentos reprimidos ou sujeitos que permaneceram fora da memória pública. Essa abertura deve ser preservada, pois não foi localizada uma declaração do artista que determine um destinatário único para o hino.\n\nA ausência de notas musicais é decisiva. A folha conserva a estrutura de uma partitura, mas não oferece uma melodia executável de modo convencional. O hino existe como proposição visual e conceitual, não como composição sonora plenamente determinada.\n\nO silêncio da pauta vazia pode ser relacionado à condição dos vencidos. Aqueles que não possuem voz, registro ou representação aparecem por meio de uma música que não foi escrita. A inexistência de uma sequência musical completa transforma a ausência em parte do conteúdo da obra.\n\nAo mesmo tempo, a linha vermelha impede que a folha permaneça inteiramente vazia. Ela introduz uma presença física, uma marca e um percurso. O fio atravessa o espaço destinado à música como um sinal que não pertence ao vocabulário tradicional da partitura.\n\nA costura aproxima desenho, escrita e matéria. A linha funciona como traço, mas não foi produzida apenas por tinta ou impressão. Para existir, precisou perfurar o papel, passar de uma face para a outra e tensionar o suporte. A obra contém, portanto, uma ação material que deixa marcas permanentes na folha.\n\nEssa perfuração pode ser percebida como gesto de inscrição, ferida, reparo, ligação ou sutura. Essas interpretações decorrem da relação entre linha, papel e título e devem permanecer como leituras curatoriais. Não devem ser apresentadas como explicações documentadas de Gabriel Borba.\n\nO fio vermelho também introduz uma dimensão corporal. A cor pode sugerir sangue, energia, resistência, vida, conflito ou memória. A obra não determina um único significado cromático, mas o contraste entre o vermelho e o papel claro torna a intervenção imediatamente visível.\n\nA primeira região costurada apresenta pequenos movimentos repetidos, semelhantes a pontos, ondas ou uma sequência comprimida. Em seguida, o fio se abre em curvas maiores. Essa passagem cria uma espécie de ritmo visual, embora não corresponda diretamente a valores musicais convencionais.\n\nA linha atravessa diferentes alturas da pauta e abandona parcialmente a organização horizontal do papel. Em vez de permanecer submetida às cinco linhas de cada pentagrama, ela cruza, desce, retorna, forma laços e ocupa o espaço de maneira livre.\n\nO trabalho estabelece uma tensão entre sistema e gesto. A pauta representa uma estrutura regulada, preparada para receber sinais codificados. A costura representa uma ação singular, irregular e material. A obra coloca em relação a disciplina da escrita musical e a liberdade do traço manual.\n\nA partitura costuma permitir que uma composição seja repetida por diferentes intérpretes. Hino aos Vencidos oferece uma estrutura que não pode ser executada musicalmente sem que alguém invente uma tradução. O observador pode imaginar sons, pausas, interrupções, ruídos ou silêncio, mas nenhuma leitura sonora é obrigatória.\n\nEssa indeterminação aproxima a obra da poesia visual e da arte conceitual. O significado é produzido pela relação entre título, suporte, ausência de notas, costura e expectativa do observador. A obra não ilustra simplesmente a ideia de derrota. Ela reorganiza um sistema de comunicação para tornar visível aquilo que não encontra representação convencional.\n\nO hino também pode ser entendido como antimonumento. Em vez de erguer uma estrutura grandiosa ou produzir uma celebração pública, Gabriel Borba utiliza uma folha pequena, um fio e uma intervenção mínima. A homenagem aos vencidos ocorre por meio de uma linguagem frágil, portátil e silenciosa.\n\nA condição física do fio reforça essa fragilidade. A linha pode tensionar, deformar ou rasgar o papel. A materialidade da obra depende do equilíbrio entre permanência e vulnerabilidade.\n\nA peça demonstra que uma publicação de artista podia incluir não apenas reproduções impressas, mas também intervenções materiais. O MAC USP descreve a técnica como linha costurada sobre papel pautado, confirmando que a costura integra a constituição original da obra e não corresponde a uma alteração posterior.\n\nComo parte de On Off 3, Hino aos Vencidos integrava uma publicação coletiva formada por contribuições independentes reunidas em envelope. A listagem institucional do MAC USP situa a obra junto a trabalhos de Gerson Zanini, Roberto Keppler, Guta, Fábio Moreira Leite, Ubirajara Ribeiro, Mário Ishikawa, Amélia Toledo, Julio Plaza, Artur Matuck, Donato Chiarella, Regina Silveira, Anésia Pacheco e Chaves, Donato Ferrari e Míriam Chiaverini.\n\nOn Off foi editada por Julio Plaza e Regina Silveira entre 1972 e 1974 e reuniu artistas relacionados à arte conceitual, à experimentação gráfica, à fotografia, à poesia visual, às publicações de artista e às formas alternativas de circulação. Gabriel Borba aparece entre os participantes documentados do projeto.\n\nA estrutura editorial de On Off 3 permitia retirar a folha do envelope, observá la separadamente, comparar sua materialidade com as demais contribuições e reinseri la no conjunto. Hino aos Vencidos preservava sua autonomia, mas participava de uma rede de relações construída pela publicação.\n\nA obra também exige atenção à frente e ao verso. Como o fio atravessa o suporte, a face posterior deve apresentar pontos, passagens e segmentos da costura. O verso não deve ser tratado apenas como área secundária, pois registra o processo material necessário para construir a imagem frontal.\n\nO exemplar preservado pelo MAC USP possui número de inventário 1989.24.85.4 e ingressou na coleção por doação de Cacilda Teixeira da Costa e Annateresa Fabris. Esses dados identificam exclusivamente o exemplar institucional e não devem ser atribuídos automaticamente à folha apresentada sem documentação de proveniência.\n\nO MAC USP relaciona Hino aos Vencidos às exposições Tendências do Livro de Artista no Brasil, realizada em 1985, Livro de Artista no Acervo, realizada em 1988, Um dia terá que ter terminado 1969 74, apresentada entre 2010 e 2011, e Julio Plaza Indústria Poética, apresentada entre 2013 e 2017. A obra também aparece associada à publicação Prospectiva 74.\n\nO acervo do MAC USP conserva outras obras de Gabriel Borba que desenvolvem relações entre linguagem, desenho, ação, indicação, repetição e sistemas gráficos, entre elas Nós, Deconstrução versão III, Operador, Tachas e versões posteriores relacionadas ao tema dos vencidos. A existência de Hino dos Vencidos e Hymne des Vaincus em registros posteriores indica que o artista retomou esse campo de investigação, embora essas peças não devam ser confundidas com Hino aos Vencidos de 1974.\n\nHino aos Vencidos constitui um documento relevante da arte conceitual, da poesia visual e das publicações de artista no Brasil. A obra articula música, silêncio, derrota, memória, linha, costura, corpo, fragilidade e circulação editorial. Sua inclusão em On Off 3 demonstra como um suporte convencional podia ser transformado por uma intervenção mínima e como uma homenagem podia existir sem melodia, voz ou celebração oficial.\n\nText for the Salsa program in English\n\nHino aos Vencidos is a work created by Gabriel Borba in 1974 as a contribution to On Off 3, the third issue of the artists publication organized by Julio Plaza and Regina Silveira. The correct identification of the artist is Gabriel Borba rather than Gabriel Borga Filho. The Museum of Contemporary Art of the University of São Paulo confirms the title Hino aos Vencidos, the authorship of Gabriel Borba, the date 1974, its inclusion in On Off 3, the technique of stitched thread on ruled music paper and the dimensions of 23 by 15.5 centimetres.\n\nThe composition uses a sheet resembling music manuscript paper, formed by ten horizontal groups of printed staves. Each staff provides the conventional space for notes, rests, clefs and other musical signs. No traditional musical notation has been entered on these lines.\n\nA red thread is stitched directly through the paper in the lower central region. It crosses several staves, forms a short area of successive points or movements, creates a closed curve resembling a loop and continues into a broad sinuous line. The intervention replaces musical notation with a material, manual and bodily action.\n\nThe lower margin carries the inscriptions HINO AOS VENCIDOS, GABRIEL BORBA FILHO and 1974. The object itself uses the name Gabriel Borba Filho, while the MAC USP institutional record uses Gabriel Borba. The normalized artist field should therefore use Gabriel Borba, while Gabriel Borba Filho should be preserved in the fields for inscriptions and alternative names.\n\nThe title reverses the traditional function of a hymn. Hymns usually celebrate victories, nations, institutions, heroes or exemplary events. This work directs its tribute toward the defeated. The solemn and commemorative form is transferred to those who lost, were silenced or were excluded from official narratives.\n\nThe plural form of the defeated broadens the meaning. The title does not identify a specific individual, community or historical event. It may encompass people defeated in conflicts, subjects excluded from structures of power, interrupted projects, suppressed movements or people absent from public memory. This openness should be preserved because no statement by the artist defining a single recipient has been located.\n\nThe absence of musical notes is decisive. The sheet retains the structure of a score but does not provide a conventionally playable melody. The hymn exists as a visual and conceptual proposition rather than as a fully determined musical composition.\n\nThe empty staves may be connected with the condition of those without voice, record or representation. A music that has not been written becomes a form through which absence itself enters the work.\n\nThe red thread prevents the page from remaining entirely empty. It introduces physical presence, a mark and a trajectory. The thread crosses the space prepared for music as a sign that does not belong to the traditional vocabulary of notation.\n\nStitching connects drawing, writing and matter. The line operates as a trace, but it was not created only through ink or printing. It required the paper to be pierced, the thread to move from one side to the other and the support to be placed under tension.\n\nThe perforation may be perceived as inscription, injury, repair, connection or suture. These possibilities arise from the relationship among thread, paper and title and should remain curatorial interpretations rather than documented explanations by Gabriel Borba.\n\nThe red colour introduces a bodily dimension. It may suggest blood, energy, resistance, life, conflict or memory. The work does not determine a single chromatic meaning, but the contrast between red thread and pale paper makes the intervention immediately visible.\n\nThe first stitched region contains small repeated movements resembling points, waves or a compressed sequence. The thread then expands into larger curves. This transition creates visual rhythm without corresponding directly to conventional musical values.\n\nThe line crosses different levels of the staves and partly abandons their horizontal organization. Rather than remaining within the five lines of each musical staff, it intersects, descends, returns, loops and occupies the space freely.\n\nThe work establishes tension between system and gesture. The printed staff represents a regulated structure prepared to receive coded signs. The stitch represents a singular, irregular and material action. The discipline of musical writing is placed in relation with the freedom of manual movement.\n\nA conventional score allows a composition to be repeated by different performers. Hino aos Vencidos offers a structure that cannot be performed musically unless someone invents a translation. The viewer may imagine sounds, pauses, interruptions, noise or silence, but no sonic interpretation is compulsory.\n\nThis indeterminacy connects the work with visual poetry and conceptual art. Meaning emerges from the relationship among title, support, absence of notation, stitching and viewer expectation. The work does not simply illustrate defeat. It reorganizes a communication system in order to make visible what lacks conventional representation.\n\nThe hymn may also be understood as an antimonument. Rather than constructing a grand public structure, Gabriel Borba uses a small sheet, a thread and a minimal intervention. The defeated are commemorated through a fragile, portable and silent language.\n\nThe physical vulnerability of the thread reinforces this fragility. The stitch may place the paper under tension, distort it or produce tears. The material existence of the work depends on a balance between permanence and vulnerability.\n\nMAC USP describes the technique as stitched thread on ruled paper, confirming that the sewing belongs to the original constitution of the work and is not a later alteration.\n\nAs part of On Off 3, Hino aos Vencidos belonged to a collective publication composed of independent contributions assembled inside an envelope. MAC USP places the work alongside contributions by Gerson Zanini, Roberto Keppler, Guta, Fábio Moreira Leite, Ubirajara Ribeiro, Mário Ishikawa, Amélia Toledo, Julio Plaza, Artur Matuck, Donato Chiarella, Regina Silveira, Anésia Pacheco e Chaves, Donato Ferrari and Míriam Chiaverini.\n\nOn Off was edited by Julio Plaza and Regina Silveira between 1972 and 1974 and brought together artists associated with conceptual art, graphic experimentation, photography, visual poetry, artists publications and alternative circulation. Gabriel Borba is documented among the participants.\n\nThe editorial structure allowed the sheet to be removed from the envelope, examined independently, compared with the other contributions and returned to the set. Hino aos Vencidos retained its autonomy while participating in a network of relationships created by the publication.\n\nThe work requires examination of both front and reverse. Because the thread passes through the support, the reverse should preserve stitches, crossings and material evidence of the process. It should not be treated as a secondary or empty face.\n\nThe MAC USP example bears accession number 1989.24.85.4 and entered the collection through a donation by Cacilda Teixeira da Costa and Annateresa Fabris. These details identify only the institutional example and should not automatically be assigned to the sheet shown without provenance documentation.\n\nMAC USP associates Hino aos Vencidos with Tendências do Livro de Artista no Brasil, held in 1985, Livro de Artista no Acervo, held in 1988, Um dia terá que ter terminado 1969 74, presented between 2010 and 2011, and Julio Plaza Indústria Poética, presented between 2013 and 2017. The work is also associated with the publication Prospectiva 74.\n\nThe MAC USP collection preserves other works by Gabriel Borba involving language, drawing, action, indication, repetition and graphic systems, including Nós, Deconstrução versão III, Operador, Tachas and later works connected with the theme of the defeated. Records for Hino dos Vencidos and Hymne des Vaincus indicate that the artist returned to this field of investigation, although those works should not be confused with Hino aos Vencidos from 1974.\n\nHino aos Vencidos is a significant document of Brazilian conceptual art, visual poetry and artists publishing. It brings together music, silence, defeat, memory, thread, stitching, body, fragility and editorial circulation. Its inclusion in On Off 3 demonstrates how a conventional support could be transformed through a minimal intervention and how a tribute could exist without melody, voice or official celebration.