Registro Lixo é uma obra de Regina Silveira realizada em 1974 e vinculada ao conjunto de On Off 3, terceira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira.
Projeto On / Off - Julio Plaza e Regina Silveira
03678 - 1974 - Envelope Obra de Arte
22,9 x 15,5 cm
Registro Lixo é uma obra de Regina Silveira realizada em 1974 e vinculada ao conjunto de On Off 3, terceira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira. A folha apresenta duas imagens de um depósito de resíduos ou terreno coberto por entulho. Na parte superior, a paisagem foi convertida em desenho linear, com contornos que isolam centenas de fragmentos, embalagens, objetos descartados e formas irregulares. Na parte inferior aparece a imagem fotográfica em preto e branco que serviu como referência ou matriz visual para o desenho. A inscrição REGINA SILVEIRA 1974, impressa na margem inferior, confirma visualmente a autoria e a data.\n\nUma fonte especializada na trajetória de Regina Silveira registra uma obra intitulada Registro Lixo, datada de 1974, produzida em serigrafia e pertencente à série Registro. A imagem apresentada possui correspondência temática e formal com esse núcleo de trabalhos, mas a identificação definitiva desta folha como um exemplar específico de Registro Lixo exige comparação direta com documentação da edição, medidas e processo de impressão.\n\nA composição estabelece uma relação direta entre fotografia e desenho. A imagem inferior registra o acúmulo de materiais descartados por meio da fotografia. A imagem superior repete aproximadamente a mesma paisagem, mas elimina volumes, sombras e tonalidades, conservando principalmente as linhas que separam um fragmento de outro. O processo transforma o depósito de resíduos em uma extensa rede gráfica.\n\nO desenho não simplifica completamente a cena. Ao contrário, preserva sua densidade e multiplica os contornos. Cada objeto se torna uma forma individual, mas a quantidade de elementos impede sua identificação completa. O observador reconhece caixas, recipientes, volumes quebrados, embalagens e restos de materiais, embora a natureza exata de grande parte dos resíduos permaneça indeterminada.\n\nA justaposição permite comparar dois sistemas de representação. A fotografia sugere registro documental e contato com uma situação existente. O desenho reorganiza essa informação por meio de seleção, contorno e interpretação manual. A obra mostra que nenhuma imagem é neutra. Tanto a fotografia quanto o desenho constroem maneiras específicas de visualizar, separar e compreender o mundo material.\n\nA palavra Registro, utilizada na identificação conhecida da obra, possui importância conceitual. Registrar pode significar documentar, preservar uma ocorrência, produzir uma imagem e inserir uma informação num arquivo. A artista apresenta o lixo como matéria digna de observação e registro, deslocando para o campo da arte aquilo que normalmente seria descartado, ocultado ou retirado da paisagem urbana.\n\nO lixo aparece simultaneamente como assunto, território e memória material. Cada fragmento corresponde a um objeto que perdeu sua função original. Reunidos no depósito, esses materiais formam uma paisagem produzida pelo consumo e pelo descarte. A obra não apresenta somente objetos abandonados. Ela registra os efeitos acumulados da atividade humana sobre o espaço.\n\nA ausência de figuras humanas não elimina a presença social. O homem aparece indiretamente por meio da produção, utilização e eliminação dos objetos. A paisagem é construída por vestígios de ações anteriores. Aquilo que foi fabricado, comprado, usado e descartado permanece como evidência de processos econômicos, industriais e cotidianos.\n\nA imagem inferior possui tonalidades cinzentas e menor definição em algumas áreas, criando uma atmosfera de distância e extensão. A parte superior, ao converter a fotografia em contorno, torna cada fragmento mais visível e simultaneamente mais abstrato. O objeto deixa de ser reconhecido somente por sua função e passa a ser percebido como forma.\n\nEssa passagem entre fotografia e desenho relaciona a obra às investigações de Regina Silveira sobre apropriação, reprodução, transformação crítica de imagens e meios gráficos. Em trabalhos realizados durante a década de 1970, a artista empregou fotografias preexistentes ou produzidas para servir como matéria inicial, alterando seu sentido por meio de desenho, montagem, serigrafia e reorganização editorial.\n\nA composição também permite refletir sobre excesso e legibilidade. O desenho procura separar cada elemento do depósito, mas a enorme quantidade de formas torna a leitura novamente difícil. O esforço de organizar visualmente o lixo encontra o limite imposto pelo próprio acúmulo. A imagem permanece entre inventário e caos, identificação e indeterminação.\n\nA divisão vertical da folha em duas partes estabelece uma espécie de comparação didática. Na região superior encontra se a tradução gráfica da paisagem. Na inferior permanece o registro fotográfico. O observador pode alternar continuamente entre as duas imagens, procurando correspondências, diferenças, omissões e alterações.\n\nComo parte de On Off 3, a obra integrava uma publicação coletiva composta por contribuições independentes reunidas em envelope de papel. On Off foi editada por Julio Plaza e Regina Silveira entre 1972 e 1974 e reuniu artistas ligados à arte conceitual, à publicação de artista, à fotografia, ao design, à poesia visual e à experimentação gráfica.\n\nA inserção da folha em On Off amplia sua dimensão editorial e comunicacional. A obra não dependia exclusivamente de apresentação em parede. Podia ser retirada do envelope, manuseada, comparada às outras contribuições e circular diretamente entre artistas, pesquisadores e destinatários. Essa condição aproxima o conjunto das publicações de artista e das redes de arte postal, embora sua classificação principal permaneça publicação experimental coletiva.\n\nA data de 1974 corresponde a um período decisivo na produção de Regina Silveira, marcado pelo uso de reprodução gráfica, fotografia apropriada, desenho e análise crítica da imagem. O arquivo oficial da artista registra que ela se estabeleceu em São Paulo em 1973 e desenvolveu uma extensa trajetória dedicada à investigação da perspectiva, da representação, da ausência, da distorção e dos sistemas gráficos.\n\nRegistro Lixo constitui um documento relevante da arte conceitual e da experimentação gráfica brasileira dos anos 1970. A obra articula fotografia, desenho, acumulação, descarte, consumo, paisagem, vestígio, arquivo e reprodução. Sua presença em On Off 3 insere essa investigação numa plataforma coletiva em que edição, circulação e comparação entre diferentes linguagens faziam parte da experiência artística.\n\nText for the Salsa program in English\n\nRegistro Lixo is a work created by Regina Silveira in 1974 and associated with On Off 3, the third issue of the artists publication organized by Julio Plaza and Regina Silveira. The sheet presents two images of a waste deposit or terrain covered with discarded materials. In the upper section, the landscape has been converted into a linear drawing whose contours isolate hundreds of fragments, packages, objects and irregular forms. The lower section contains the black and white photographic image that appears to have served as the visual source or matrix for the drawing. The inscription REGINA SILVEIRA 1974 along the lower margin visually confirms authorship and date.\n\nA specialist source on Regina Silveira records a work titled Registro Lixo, dated 1974 and produced as a screen print within the Registro series. The sheet shown presents strong thematic and formal correspondence with that body of work, although definitive identification of this particular contribution requires direct comparison with edition documentation, measurements and printing process.\n\nThe composition establishes a direct relationship between photography and drawing. The lower image records the accumulation of discarded materials through photography. The upper image repeats approximately the same landscape but removes volume, shadow and tonal variation, preserving primarily the lines separating one fragment from another. The process transforms the waste deposit into an extensive graphic network.\n\nThe drawing does not completely simplify the scene. Instead, it preserves its density and multiplies its contours. Each object becomes an individual form, yet the quantity of elements prevents complete identification. Boxes, containers, broken volumes, packages and material remains can be recognized, although the precise nature of much of the waste remains uncertain.\n\nThe juxtaposition allows two systems of representation to be compared. Photography suggests documentary recording and contact with an existing situation. Drawing reorganizes that information through selection, contour and manual interpretation. The work demonstrates that neither image is neutral. Photography and drawing both construct specific ways of seeing, separating and understanding material reality.\n\nThe word Registro has conceptual importance. It may refer to documenting an event, preserving evidence, producing an image or entering information into an archive. Silveira presents waste as material worthy of observation and documentation, transferring into the field of art what would normally be discarded, hidden or removed from the urban landscape.\n\nWaste appears simultaneously as subject, territory and material memory. Each fragment corresponds to an object that has lost its original function. Gathered within the deposit, these materials form a landscape produced by consumption and disposal. The work does not present only abandoned objects. It records accumulated evidence of human activity upon space.\n\nThe absence of human figures does not eliminate social presence. Human activity appears indirectly through the production, use and disposal of objects. The landscape is constructed from traces of previous actions. What was manufactured, purchased, used and discarded remains as evidence of economic, industrial and everyday processes.\n\nThe lower image contains grey tonal variations and reduced definition in certain areas, creating a sense of distance and extension. By converting the photograph into outlines, the upper section makes each fragment more visible and more abstract at the same time. The object is no longer recognized exclusively through its function and begins to operate as graphic form.\n\nThis transition between photograph and drawing connects the work with Regina Silveira
s investigations into appropriation, reproduction, critical transformation of images and expanded graphic media. During the 1970s, she frequently employed existing photographs or images produced as source material, transforming their meanings through drawing, montage, screen printing and editorial reorganization.\n\nThe composition also addresses excess and legibility. The drawing attempts to separate each element of the deposit, but the enormous quantity of forms makes reading difficult once again. The effort to visually organize waste reaches a limit imposed by accumulation itself. The image remains suspended between inventory and chaos, identification and indeterminacy.\n\nThe vertical arrangement of the sheet creates a form of comparative display. The graphic translation of the landscape occupies the upper section. The photographic record remains below. The viewer can move repeatedly between the images, searching for correspondences, differences, omissions and transformations.\n\nAs part of On Off 3, the work belonged to a collective publication composed of independent contributions assembled inside a paper envelope. On Off was edited by Julio Plaza and Regina Silveira between 1972 and 1974 and included artists associated with conceptual art, artists publishing, photography, design, visual poetry and graphic experimentation.\n\nIts inclusion in On Off expands the editorial and communicational dimensions of the work. The sheet did not depend exclusively on wall display. It could be removed from the envelope, handled, compared with other contributions and circulated directly among artists, researchers and recipients. This condition connects the project with artists publications and mail art networks, although its principal classification remains that of a collaborative experimental publication.\n\nThe date 1974 corresponds to an important period in Regina Silveira
s production, marked by graphic reproduction, appropriated photography, drawing and critical analysis of images. The artist
s official archive records that she settled in São Paulo in 1973 and developed an extensive career investigating perspective, representation, absence, distortion and graphic systems.\n\nRegistro Lixo is a relevant document of Brazilian conceptual art and graphic experimentation during the 1970s. The work connects photography, drawing, accumulation, disposal, consumption, landscape, traces, archives and reproduction. Its presence in On Off 3 places this investigation within a collective platform in which editing, circulation and comparison among different artistic languages formed part of the work
s experience.
