Brasil Turístico SP Viaduto do Chá é uma obra de Regina Silveira realizada em 1973 como parte de On Off 1, primeira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira.
Projeto On / Off - Julio Plaza e Regina Silveira
03659 - 1973 - Envelope Obra de Arte
29 x 21 cm
Brasil Turístico SP Viaduto do Chá é uma obra de Regina Silveira realizada em 1973 como parte de On Off 1, primeira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira. A composição utiliza uma imagem fotográfica de caráter turístico do centro de São Paulo, mostrando o Viaduto do Chá, edifícios institucionais, palmeiras, circulação urbana e a paisagem arquitetônica da região. Sobre essa imagem reconhecível da cidade, a artista insere em primeiro plano um grande acúmulo de automóveis destruídos, comprimidos e sobrepostos, produzindo um confronto direto entre a representação oficial da metrópole e uma imagem de ruína, descarte, violência e colapso urbano.\n\nNa margem inferior aparece a identificação datilografada Brasil Turístico SP Viaduto do Chá Regina Silveira 73. A inscrição confirma o título, o local representado, a autoria e o ano de produção. O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo registra Brasil Turístico SP Viaduto do Chá, de Regina Silveira, com data de 1973. A obra é também identificada por estudo acadêmico como integrante da série On Off número 1 e como trabalho realizado em São Paulo no segundo semestre de 1973.\n\nA obra constrói sua força crítica por meio da montagem de imagens de naturezas opostas. A parte superior conserva a aparência de um cartão postal ou de uma fotografia destinada a divulgar uma visão ordenada, monumental e atraente de São Paulo. A região inferior é ocupada por veículos acidentados ou descartados, formando uma barreira visual que interrompe o acesso simbólico à cidade. O amontoado de automóveis encobre parcialmente o espaço urbano e converte a imagem turística em comentário sobre os custos materiais e sociais da modernização.\n\nO título Brasil Turístico opera de maneira irônica. Em vez de apresentar somente monumentos, avenidas e edifícios como símbolos do progresso, a obra introduz aquilo que normalmente seria excluído da comunicação turística. A presença dos automóveis destruídos questiona o discurso oficial de desenvolvimento, expansão urbana e prosperidade associado à cidade de São Paulo durante a década de 1970. A imagem idealizada da metrópole é confrontada com resíduos da própria modernidade industrial.\n\nO Viaduto do Chá constitui um elemento central da iconografia histórica de São Paulo. Ao utilizar essa paisagem reconhecível, Regina Silveira estabelece uma relação entre memória urbana, cartão postal, publicidade, turismo e representação institucional. A artista não elimina a fotografia de origem. Ela a conserva como base para uma intervenção que altera completamente seu sentido. O resultado depende do reconhecimento da paisagem original e da percepção da incompatibilidade entre o cenário monumental e a massa de destroços.\n\nBrasil Turístico SP Viaduto do Chá relaciona apropriação fotográfica, montagem, reprodução gráfica e crítica urbana. A obra pertence a um momento em que Regina Silveira investigava imagens previamente existentes, retiradas de meios impressos e de circuitos de comunicação. A fotografia deixa de funcionar como registro neutro e passa a ser tratada como construção ideológica. A intervenção revela que imagens de cidades, monumentos e paisagens podem selecionar aquilo que deve ser visto e ocultar aspectos incômodos da realidade.\n\nA inserção dos automóveis destruídos também cria uma alteração de escala. Os veículos aparecem ampliados em relação à paisagem e ocupam quase toda a metade inferior da composição. Essa desproporção rompe a perspectiva convencional e aproxima os destroços do observador. A cidade permanece ao fundo, enquanto o resíduo industrial domina o primeiro plano. O recurso antecipa questões que se tornariam recorrentes na produção de Regina Silveira, como distorção, projeção, ausência, sombra, perspectiva e desestabilização do espaço representado.\n\nComo contribuição de On Off 1, a obra integrava um conjunto de trabalhos independentes reunidos em envelope. On Off foi editada por Julio Plaza e Regina Silveira entre 1972 e 1974 e reuniu artistas vinculados à experimentação gráfica, à arte conceitual, às publicações de artista e às redes alternativas de circulação. A primeira edição utilizou folhas soltas acondicionadas em envelope, permitindo que cada contribuição mantivesse sua autonomia e, ao mesmo tempo, participasse de uma publicação coletiva.\n\nA presença da obra em On Off amplia sua dimensão comunicacional. A folha podia circular diretamente entre artistas, pesquisadores e destinatários, sem depender dos formatos tradicionais de exposição ou comercialização. O envelope, a reprodução gráfica e a possibilidade de remessa aproximam o conjunto da arte postal, embora On Off deva ser compreendida de maneira mais abrangente como publicação de artista e projeto editorial experimental.\n\nA obra também dialoga com Brazil Today, livro de artista posterior de Regina Silveira, no qual imagens de resíduos urbanos e cemitérios de automóveis foram sobrepostas a cartões postais de monumentos e paisagens brasileiras. Um estudo acadêmico descreve intervenções semelhantes sobre imagens da Praça Ramos de Azevedo, do Viaduto do Chá, do MASP, do Museu Paulista, da estação Jabaquara e do Monumento às Bandeiras. Essa continuidade demonstra o interesse da artista pela crítica das representações turísticas e pela transformação semântica de cartões postais.\n\nBrasil Turístico SP Viaduto do Chá constitui um documento importante da arte conceitual brasileira e das experiências editoriais dos anos 1970. A obra relaciona cidade, turismo, consumo, indústria automobilística, acidente, descarte, fotografia, montagem e circulação postal. Sua inserção em On Off 1 permite compreendê la simultaneamente como obra autônoma, contribuição editorial, imagem crítica da modernização brasileira e parte das redes experimentais desenvolvidas por Regina Silveira e Julio Plaza.\n\nText for the Salsa program in English\n\nBrasil Turístico SP Viaduto do Chá is a work created by Regina Silveira in 1973 as part of On Off 1, the first issue of the artists publication organized by Julio Plaza and Regina Silveira. The composition uses a tourist oriented photographic image of central São Paulo, showing the Viaduto do Chá, institutional buildings, palm trees, urban circulation and the architectural landscape of the area. Over this recognizable city view, the artist inserts a large accumulation of crushed, damaged and overlapping automobiles in the foreground, creating a direct confrontation between the official representation of the metropolis and an image of ruin, waste, violence and urban collapse.\n\nA typewritten inscription along the lower margin reads Brasil Turístico SP Viaduto do Chá Regina Silveira 73. It confirms the title, represented location, authorship and year of production. The Museum of Contemporary Art of the University of São Paulo records Brasil Turístico SP Viaduto do Chá by Regina Silveira as a work dated 1973. An academic study also identifies it as part of On Off number 1 and as a work produced in São Paulo during the second half of 1973.\n\nThe work develops its critical force through the combination of images with opposing meanings. The upper section retains the appearance of a postcard or promotional photograph intended to present an ordered, monumental and attractive view of São Paulo. The lower section is occupied by wrecked or discarded vehicles, forming a visual barrier that interrupts symbolic access to the city. The accumulation of automobiles partially conceals the urban space and transforms the tourist image into a commentary on the material and social costs of modernization.\n\nThe title Brasil Turístico operates ironically. Instead of presenting monuments, avenues and buildings only as symbols of progress, the work introduces what would normally be excluded from tourist communication. The presence of destroyed automobiles questions official narratives of development, urban expansion and prosperity associated with São Paulo during the 1970s. The idealized metropolis is confronted with the remains produced by industrial modernity itself.\n\nThe Viaduto do Chá is a central element in the historical iconography of São Paulo. By using this recognizable view, Regina Silveira establishes a relationship among urban memory, postcards, advertising, tourism and institutional representation. The artist does not erase the source photograph. She preserves it as the basis for an intervention that radically changes its meaning. The work depends on the recognition of the original landscape and on the perceived incompatibility between the monumental setting and the mass of wreckage.\n\nBrasil Turístico SP Viaduto do Chá combines photographic appropriation, montage, graphic reproduction and urban criticism. It belongs to a period in which Regina Silveira investigated preexisting images taken from printed media and communication systems. Photography no longer functions as a neutral record. It becomes an ideological construction that selects what should be visible while concealing uncomfortable aspects of reality.\n\nThe inserted automobiles also create a disruption of scale. The vehicles appear enlarged in relation to the cityscape and occupy nearly the entire lower half of the composition. This disproportion breaks conventional perspective and brings the wreckage close to the viewer. The city remains in the background while industrial waste dominates the foreground. The strategy anticipates recurring concerns in Silveira's later production, including distortion, projection, absence, shadow, perspective and the destabilization of represented space.\n\nAs a contribution to On Off 1, the work belonged to a group of independent pieces assembled inside an envelope. On Off was edited by Julio Plaza and Regina Silveira between 1972 and 1974 and brought together artists connected with graphic experimentation, conceptual art, artists publications and alternative circulation networks. The first issue used loose sheets contained in an envelope, allowing each contribution to retain its autonomy while participating in a collective publication.\n\nThe inclusion of the work in On Off expanded its communicational dimension. The sheet could circulate directly among artists, researchers and recipients without depending exclusively on conventional exhibition or commercial formats. The envelope, graphic reproduction and possibility of postal delivery connect the project with mail art, although On Off is more accurately understood as an artists publication and experimental editorial project.\n\nThe work also relates to Brazil Today, a later artists book by Regina Silveira in which images of urban waste and automobile graveyards were superimposed onto postcards of Brazilian monuments and landscapes. An academic study describes comparable interventions on views of Praça Ramos de Azevedo, the Viaduto do Chá, MASP, Museu Paulista, Jabaquara station and the Monumento às Bandeiras. This continuity demonstrates the artist's sustained interest in criticizing tourist representation and transforming the meanings of postcards.\n\nBrasil Turístico SP Viaduto do Chá is an important document of Brazilian conceptual art and experimental publishing in the 1970s. It connects the city, tourism, consumption, the automobile industry, accident, waste, photography, montage and postal circulation. Its inclusion in On Off 1 allows it to be understood simultaneously as an autonomous work, an editorial contribution, a critical image of Brazilian modernization and part of the experimental networks developed by Regina Silveira and Julio Plaza.
