Home Acervo Critikitsch: Sistema Crítico Nacionalizador de Produtos é uma obra de Fernando Cerqueira Lemos realizada em 1974 como contribuição para On Off 3, terceira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira.

Critikitsch: Sistema Crítico Nacionalizador de Produtos é uma obra de Fernando Cerqueira Lemos realizada em 1974 como contribuição para On Off 3, terceira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira.

Projeto On / Off - Julio Plaza e Regina Silveira

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03684 - 1974 - Envelope Obra de Arte

23 x 16 cm

Critikitsch: Sistema Crítico Nacionalizador de Produtos é uma obra de Fernando Cerqueira Lemos realizada em 1974 como contribuição para On Off 3, terceira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira. O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo registra formalmente a obra com esse título, atribui sua autoria a Fernando Cerqueira Lemos, data a peça de 1974 e a inclui no núcleo de trabalhos associados às publicações On Off.\n\nA obra apresentada parece ocupar as duas faces de uma mesma folha dobrada ou de uma contribuição formada por páginas articuladas. Uma das faces funciona como abertura ou capa interna e apresenta a palavra CRITIKITSCH, a expressão sistema crítico nacionalizador de produtos e o nome fernando lemos. A outra reúne fotografias, textos datilografados, marcas comerciais, imagens de produtos, dinheiro, monumentos, objetos e exemplos de obsolescência.\n\nO título Critikitsch combina critic, crítica, kitsch e possivelmente uma sonoridade de origem germânica. A palavra criada funciona como nome de um sistema conceitual destinado a examinar os produtos e imagens que circulavam no Brasil. A construção verbal deve ser preservada exatamente como título histórico e não corrigida para uma palavra convencional.\n\nLogo abaixo aparece a definição sistema crítico nacionalizador de produtos. A expressão apresenta a obra como instrumento de análise, classificação e transformação simbólica das mercadorias. O sistema proposto por Fernando Lemos não parece nacionalizar produtos no sentido jurídico ou industrial. Ele os nacionaliza criticamente, observando como mercadorias, marcas e imagens estrangeiras são absorvidas, reproduzidas, adaptadas ou ressignificadas dentro da cultura brasileira.\n\nA escolha da palavra sistema é importante. Em vez de oferecer apenas uma composição visual, Fernando Lemos estrutura a obra como método de pensamento. Fotografias, legendas, textos e exemplos funcionam como partes de uma demonstração. A folha aproxima obra de arte, ensaio visual, relatório, manual, inventário e publicação crítica.\n\nNa face de abertura aparecem marcas comerciais e logotipos. Entre os elementos visíveis estão Coca Cola, Pepsi Cola e símbolos gráficos de outras empresas ou produtos. Essas marcas pertencem à cultura de massa e à circulação internacional de mercadorias. Ao serem reunidas na obra, deixam temporariamente sua função publicitária e tornam se objetos de observação crítica.\n\nPróximo aos logotipos aparece a inscrição UM SIGNIFICADO UM SIGNIFICANTE E O PRODUTO DO SÍMBOLO. O enunciado relaciona os produtos de consumo com conceitos da semiótica. O signo comercial não vende apenas uma mercadoria concreta. Ele associa nome, imagem, promessa, prestígio, desejo e identidade social.\n\nA marca funciona como significante visual e verbal. O produto aparece como objeto material. O significado é construído culturalmente pela publicidade e pelo consumidor. A obra sugere que o valor simbólico pode ser tão importante quanto a utilidade do objeto e que a circulação das marcas participa da formação de comportamentos e imaginários coletivos.\n\nNa região inferior esquerda dessa mesma face aparecem imagens de dinheiro brasileiro, incluindo referências ao Banco Central do Brasil e à unidade monetária cruzeiro. A presença de cédulas aproxima símbolo, Estado, valor e circulação econômica. O dinheiro também é uma imagem produzida e reconhecida socialmente. Seu valor depende de um sistema de confiança e convenção.\n\nA aproximação entre marcas comerciais e moeda permite observar dois sistemas de representação econômica. A marca atribui identidade e desejo à mercadoria. A cédula representa valor de troca. Ambas circulam como imagens autorizadas por instituições e reconhecidas coletivamente.\n\nNa face interna aparece um conjunto de textos e fotografias organizado em áreas. Os trechos visíveis discutem consumo, desperdício, obsolescência, modificação de produtos e monumentos. A composição deve ser lida como ensaio visual, no qual cada exemplo contribui para uma crítica mais ampla dos ciclos de produção, utilização, abandono e transformação simbólica.\n\nUm dos textos começa com a formulação O consumo é um fato consumado. O desperdício é um fato consumido. A proximidade entre consumado e consumido cria um jogo verbal que aproxima conclusão, uso e destruição. O consumo aparece como ato social consolidado, enquanto o desperdício surge como consequência do próprio funcionamento desse sistema.\n\nO texto seguinte afirma que nas sobras o consumidor é castigado e apresenta possibilidades de transformação do produto. O objeto pode ser banalizado, gratificado, reutilizado, modificado ou apropriado. A leitura completa de algumas palavras não é segura na imagem, mas o sentido geral parece discutir formas de prolongar, alterar ou questionar a vida dos produtos depois de seu consumo inicial.\n\nEssa discussão rompe com a ideia de que a mercadoria possui trajetória linear formada apenas por fabricação, compra, uso e descarte. Fernando Lemos apresenta o produto como matéria passível de nova função, crítica e reorganização. O objeto descartado pode retornar ao campo social como memória, resíduo, monumento, imagem ou obra.\n\nUma fotografia mostra um avião antigo colocado ou preservado em ambiente urbano. Abaixo aparece o título OBSOLESCÊNCIA. A aeronave, anteriormente ligada ao transporte, à velocidade e à tecnologia, perdeu sua função original e passou a ocupar outra posição social. Ela pode tornar se monumento, objeto histórico, atração ou vestígio técnico.\n\nO texto associado à fotografia menciona aproximadamente um avião da praça 14 Bis de São Paulo e discute a perda de significado do monumento. A imagem parece utilizar o avião como exemplo de objeto tecnológico retirado do funcionamento e transformado em representação pública. A obsolescência não significa apenas destruição física. Pode significar mudança de função, perda de contexto e transformação do objeto em símbolo.\n\nOutra fotografia apresenta um monumento urbano, possivelmente uma figura histórica elevada sobre pedestal. O texto correspondente também utiliza o título OBSOLESCÊNCIA. A obra aproxima monumentos e produtos, sugerindo que ambos podem perder eficácia social quando seus significados deixam de ser compreendidos ou compartilhados.\n\nO monumento depende da memória coletiva para continuar funcionando como símbolo. Quando a pessoa representada, o acontecimento histórico ou os valores celebrados deixam de ser reconhecidos, a estrutura física pode permanecer, mas sua função comunicativa se enfraquece. A obra parece tratar essa perda como forma de obsolescência cultural.\n\nUma terceira fotografia mostra um recipiente metálico ou embalagem convertido em objeto com alças, correias ou partes acrescentadas. A legenda utiliza a expressão VULGARIZAÇÃO DO KITSCH À ESCALA DE CONSUMO. O produto apropriado parece ter sido transformado artesanalmente e inserido em outro circuito de utilização.\n\nO texto inferior discute o objeto e parece perguntar se a transformação produz algo original, inferior, superior ou simplesmente adequado ao consumidor. A reutilização deixa visíveis a embalagem, a marca e os sinais do produto anterior. Em vez de apagar sua origem comercial, o novo objeto carrega a memória da mercadoria.\n\nA palavra kitsch é central nesse núcleo. O kitsch pode relacionar se à imitação, ao gosto popular, à produção industrial de símbolos, ao excesso ornamental e à transformação de imagens culturais em objetos de consumo. Fernando Lemos utiliza o termo de maneira crítica, mas não necessariamente para condenar de forma simples os objetos apresentados. A obra parece investigar como o valor estético é construído, classificado e disputado.\n\nAo acrescentar criti ao termo kitsch, o artista transforma o kitsch em instrumento de análise. Critikitsch pode significar crítica do kitsch e também um kitsch capaz de produzir crítica. A ambiguidade impede separar completamente cultura erudita, cultura popular, publicidade, consumo e criação artística.\n\nA obra examina marcas estrangeiras num contexto brasileiro. Coca Cola e Pepsi Cola aparecem ao lado de cédulas nacionais, monumentos paulistanos e objetos reaproveitados. Essa combinação produz o sentido de nacionalização crítica sugerido pelo subtítulo.\n\nNacionalizar não significa eliminar a origem estrangeira das marcas. Significa observar como elas entram no cotidiano, recebem novas leituras e convivem com símbolos locais. O produto global passa a integrar uma experiência social particular.\n\nA utilização de fotografias, documentos e textos datilografados aproxima a peça da arte conceitual e das publicações de artista. A aparência de relatório reforça o caráter analítico, enquanto as associações entre imagens e palavras impedem que a obra seja reduzida a uma pesquisa acadêmica convencional.\n\nA folha também utiliza procedimentos de apropriação. Logotipos, dinheiro, fotografias urbanas, objetos comerciais e textos são retirados de seus circuitos habituais e reorganizados. A mudança de contexto modifica o modo como são percebidos.\n\nAs imagens não são apresentadas apenas para ilustrar os textos. Elas funcionam como argumentos visuais. O avião demonstra a transformação de uma tecnologia em monumento. A estátua evidencia a possível perda de significado histórico. O recipiente modificado mostra a reutilização de uma mercadoria. As marcas e cédulas revelam sistemas simbólicos de consumo e valor.\n\nO projeto estabelece relações entre obsolescência material e obsolescência cultural. Um produto pode deixar de funcionar tecnicamente. Uma imagem pode perder capacidade de comunicação. Um monumento pode permanecer fisicamente intacto, mas tornar se socialmente ilegível.\n\nA obsolescência também pode ser planejada pelo próprio sistema econômico, que estimula a substituição de produtos ainda utilizáveis. Embora essa formulação não apareça integralmente legível na folha, a relação entre consumo, desperdício e produto indica uma crítica aos ciclos acelerados de compra e descarte.\n\nO espaço vazio tem função importante na composição. Os textos e imagens não ocupam completamente as páginas. A dispersão obriga o leitor a deslocar o olhar e construir relações entre núcleos separados. A página funciona como mapa de ideias.\n\nA tipografia datilografada transmite aparência administrativa e documental. Em contraste, os logotipos comerciais possuem desenhos altamente identificáveis. A obra confronta a linguagem impessoal do relatório com a linguagem sedutora da publicidade.\n\nO nome fernando lemos aparece em caracteres minúsculos na abertura. A forma discreta de identificação contrasta com a presença visual das marcas. A autoria não busca funcionar como logotipo dominante. O artista organiza um sistema no qual produtos, símbolos e documentos são os principais agentes da análise.\n\nO MAC USP registra Fernando Cerqueira Lemos como artista nascido em Cruzeiro, São Paulo, em 1928, e relaciona obras de seu acervo a exposições como Poéticas Visuais, Tendências do Livro de Artista no Brasil, Livro de Artista no Acervo, Um dia terá que ter terminado 1969 74, Teoria e Crítica da Arte Contemporânea e Julio Plaza Indústria Poética.\n\nCritikitsch integra On Off 3, publicação de 1974 formada por contribuições independentes reunidas em envelope. A listagem pública do MAC USP situa a obra entre os trabalhos da terceira edição, ao lado de contribuições de Gerson Zanini, Roberto Keppler, Gabriel Borba, Guta, Fábio Moreira Leite, Ubirajara Ribeiro, Mário Ishikawa, Amélia Toledo, Julio Plaza, Artur Matuck, Donato Chiarella, Regina Silveira, Anésia Pacheco e Chaves, Donato Ferrari e Míriam Chiaverini.\n\nOn Off foi editada por Julio Plaza e Regina Silveira entre 1972 e 1974 e reuniu artistas vinculados à arte conceitual, à fotografia, à poesia visual, à experimentação gráfica e às publicações de artista. A circulação das folhas em envelope aproxima o projeto das redes de arte postal, embora sua classificação principal seja publicação de artista e projeto editorial coletivo.\n\nA estrutura dobrável ou articulada da contribuição de Fernando Lemos exige participação física do leitor. A obra precisa ser aberta, girada e examinada por partes. A manipulação revela progressivamente a relação entre marcas, textos, dinheiro, fotografias, produtos e conceitos.\n\nEssa materialidade aproxima leitura e ação. O observador não recebe todas as informações ao mesmo tempo. Precisa reconstruir o sistema proposto pelo artista e relacionar seus exemplos. A publicação transforma o leitor em participante de uma investigação crítica.\n\nCritikitsch: Sistema Crítico Nacionalizador de Produtos constitui um documento relevante da arte conceitual, da crítica da cultura de massa e da experimentação editorial brasileira da década de 1970. A obra articula consumo, desperdício, publicidade, marca, moeda, obsolescência, monumento, kitsch, reutilização, semiótica e circulação. Sua inclusão em On Off 3 demonstra como a publicação funcionou como espaço para ensaio visual, análise cultural e criação de sistemas críticos por meio da combinação entre palavra, imagem e objeto editorial.\n\nText for the Salsa program in English\n\nCritikitsch: Sistema Crítico Nacionalizador de Produtos is a work created by Fernando Cerqueira Lemos in 1974 as a contribution to On Off 3, the third issue of the artists publication organized by Julio Plaza and Regina Silveira. The Museum of Contemporary Art of the University of São Paulo formally records the work under this title, attributes it to Fernando Cerqueira Lemos, dates it to 1974 and places it within the group associated with the On Off publications.\n\nThe contribution appears to occupy both sides of a folded sheet or a group of articulated pages. One face operates as an opening or internal cover and presents the word CRITIKITSCH, the phrase sistema crítico nacionalizador de produtos and the name fernando lemos. The other sections combine photographs, typewritten texts, commercial marks, product images, currency, monuments, objects and examples of obsolescence.\n\nThe title Critikitsch combines criticism, kitsch and possibly a Germanic linguistic sound. The invented word functions as the name of a conceptual system designed to examine products and images circulating in Brazil. It should be preserved exactly as a historical title.\n\nThe phrase sistema crítico nacionalizador de produtos defines the work as an instrument for analysing, classifying and symbolically transforming commodities. The system does not appear to nationalize products in a legal or industrial sense. It critically nationalizes them by examining how foreign goods, brands and images are absorbed, reproduced, adapted and reinterpreted within Brazilian culture.\n\nThe word system is significant. Rather than presenting only a visual composition, Fernando Lemos structures the work as a method of thought. Photographs, captions, texts and examples operate as parts of a demonstration. The sheet connects artwork, visual essay, report, manual, inventory and critical publication.\n\nCommercial marks and logos appear on the opening face. Visible elements include Coca Cola, Pepsi Cola and other graphic symbols associated with companies or products. Removed from their advertising functions, these marks become objects of critical observation.\n\nThe inscription UM SIGNIFICADO UM SIGNIFICANTE E O PRODUTO DO SÍMBOLO appears near the logos. The statement connects consumer products with semiotic concepts. A commercial sign does not sell only a material commodity. It associates name, image, promise, prestige, desire and social identity.\n\nThe brand operates as visual and verbal signifier. The product functions as material object. Meaning is culturally constructed through advertising and consumer interpretation. Symbolic value may become as important as practical utility.\n\nImages of Brazilian currency appear in the lower left area, including references to Banco Central do Brasil and the monetary unit cruzeiro. Currency is itself a socially authorized image whose value depends on collective trust and convention.\n\nThe relationship between brands and money brings together two systems of economic representation. Brands produce identity and desire around commodities. Banknotes represent exchange value. Both circulate as images supported by institutions and social recognition.\n\nThe internal face combines photographs and texts discussing consumption, waste, obsolescence, product modification and monuments. The composition functions as a visual essay in which each example contributes to a broader criticism of production, use, abandonment and symbolic transformation.\n\nOne passage begins with O consumo é um fato consumado. O desperdício é um fato consumido. The relationship between consumado and consumido creates a linguistic connection among completion, use and destruction. Consumption appears as an established social fact, while waste emerges as one of its consequences.\n\nAnother passage discusses the consumer, discarded material and different possibilities for transforming products. The object may be reused, modified, appropriated or redirected toward a new function. The complete wording cannot be securely read from the available image, but the general argument concerns extending or questioning the life of commodities after their initial consumption.\n\nA photograph shows an old aircraft placed within an urban environment. The heading OBSOLESCÊNCIA appears below it. A machine formerly associated with transport, speed and technology has lost its original function and acquired another social role as monument, historical object, attraction or technical trace.\n\nThe corresponding text appears to refer to an aircraft at Praça 14 Bis in São Paulo and discusses the loss or transformation of monumental meaning. Obsolescence does not necessarily mean physical destruction. It may involve functional displacement, loss of context and conversion into a symbol.\n\nAnother photograph presents an urban monument, possibly a historical figure on a pedestal. Its text also uses the heading OBSOLESCÊNCIA. The work connects monuments and products by suggesting that both may lose social effectiveness when their meanings are no longer recognized.\n\nA monument depends on collective memory. When the represented person, event or values cease to be understood, the physical structure may remain while its communicative function weakens. The work appears to treat this condition as cultural obsolescence.\n\nA third photograph presents a metal container or package transformed through the addition of handles, straps or other parts. The caption includes the phrase VULGARIZAÇÃO DO KITSCH À ESCALA DE CONSUMO. The altered product appears to have been redirected into an artisanal or secondary circuit of use.\n\nThe reused object retains its earlier package, brand and commercial appearance. Instead of erasing its origin, the transformation carries the memory of the commodity into its new function.\n\nKitsch is central to the conceptual system. It may relate to imitation, popular taste, industrial production of symbols, ornament and the conversion of cultural images into consumer goods. Fernando Lemos approaches the term critically without simply condemning every object shown.\n\nBy adding a critical dimension to kitsch, the artist transforms it into an analytical instrument. Critikitsch may signify a criticism of kitsch and also a kitsch capable of producing criticism. The ambiguity prevents a simple separation among high culture, popular culture, advertising, consumption and art.\n\nThe work examines international brands within a Brazilian context. Coca Cola and Pepsi Cola appear beside national currency, São Paulo monuments and locally altered objects. This combination gives meaning to the subtitle Sistema Crítico Nacionalizador de Produtos.\n\nNationalization does not erase the foreign origin of the brands. It observes how they enter everyday life, acquire local readings and coexist with national symbols. A global commodity becomes part of a specific social experience.\n\nThe use of photographs, documents and typewritten texts connects the piece with conceptual art and artists publishing. Its report like appearance reinforces analytical intent, while the relationship between image and language prevents it from functioning as a conventional academic study.\n\nThe work also uses appropriation. Logos, currency, urban photographs, commercial objects and texts are removed from their normal circuits and reorganized. Their change of context modifies their meaning.\n\nThe images do not merely illustrate the texts. They act as visual arguments. The aircraft demonstrates the transformation of technology into monument. The statue indicates the possible loss of historical meaning. The altered container demonstrates commodity reuse. Brands and currency expose systems of consumption and value.\n\nThe project connects material and cultural obsolescence. A product may cease to function technically. An image may lose communicative force. A monument may remain physically intact while becoming socially unreadable.\n\nThe empty areas of the composition are important. Text and image do not occupy the complete surface. Their distribution requires the reader to move across the page and construct connections among separate conceptual areas.\n\nThe typewritten text conveys an administrative and documentary appearance. Commercial logos, by contrast, possess highly recognizable and persuasive graphic forms. The work confronts the impersonal language of a report with the seductive language of advertising.\n\nThe name fernando lemos appears discreetly in lowercase characters. Authorship does not operate as the dominant logo. The artist organizes a system in which products, symbols and documents become the principal agents of analysis.\n\nMAC USP records Fernando Cerqueira Lemos as an artist born in Cruzeiro, São Paulo, in 1928. The institution associates works from its collection with Poéticas Visuais, Tendências do Livro de Artista no Brasil, Livro de Artista no Acervo, Um dia terá que ter terminado 1969 74, Teoria e Crítica da Arte Contemporânea and Julio Plaza Indústria Poética.\n\nCritikitsch belongs to On Off 3, the 1974 issue composed of independent contributions assembled inside an envelope. The public MAC USP listing places it among works by Gerson Zanini, Roberto Keppler, Gabriel Borba, Guta, Fábio Moreira Leite, Ubirajara Ribeiro, Mário Ishikawa, Amélia Toledo, Julio Plaza, Artur Matuck, Donato Chiarella, Regina Silveira, Anésia Pacheco e Chaves, Donato Ferrari and Míriam Chiaverini.\n\nOn Off was edited by Julio Plaza and Regina Silveira between 1972 and 1974 and included artists connected with conceptual art, photography, visual poetry, graphic experimentation and artists publishing. Its circulation in loose sheet and envelope formats connects the project with mail art networks, although its principal classification remains an artists publication and collaborative editorial project.\n\nThe folded or articulated structure requires physical participation from the reader. The work must be opened, turned and examined in sections. Handling progressively reveals the relationships among brands, texts, currency, photographs, products and concepts.\n\nCritikitsch: Sistema Crítico Nacionalizador de Produtos is a significant document of Brazilian conceptual art, mass culture criticism and experimental publishing during the 1970s. It brings together consumption, waste, advertising, brands, currency, obsolescence, monuments, kitsch, reuse, semiotics and circulation. Its inclusion in On Off 3 demonstrates how the publication operated as a platform for visual essays, cultural analysis and critical systems constructed through word, image and editorial form.

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