Sem título é uma obra de Amélia Toledo realizada em 1974 como contribuição para On Off 3, terceira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira.
Projeto On / Off - Julio Plaza e Regina Silveira
03682 - 1974 - Envelope Obra de Arte
23 x 15,5 cm
Sem título é uma obra de Amélia Toledo realizada em 1974 como contribuição para On Off 3, terceira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira. O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo confirma o título Sem título, a data de 1974, a vinculação à publicação On Off 3, a técnica offset sobre papel e as dimensões de 23 por 15,5 centímetros. O exemplar preservado pelo museu possui o número de inventário 1989.24.85.8.\n\nA composição apresenta um retrato fotográfico em preto e branco de uma pessoa usando óculos, com o rosto visto frontalmente e a boca aberta em expressão de sorriso ou fala. Sobre a fotografia foram aplicadas linhas geométricas claras, contínuas e tracejadas, que convergem para um ponto localizado na margem superior da folha. A imagem combina representação fotográfica, desenho técnico, perspectiva, diagrama e reprodução gráfica.\n\nO rosto ocupa quase toda a superfície e funciona como campo sobre o qual é construído um sistema de linhas. O ponto de convergência está situado acima da cabeça e organiza diferentes direções que atravessam a testa, os óculos, os olhos, o nariz e a boca. A figura humana deixa de ser somente um retrato e passa a integrar uma construção espacial.\n\nDuas linhas verticais atravessam aproximadamente o centro do rosto. Uma delas é contínua e a outra aparece de forma tracejada. Essas linhas dividem a imagem e estabelecem um eixo que liga a região superior ao centro da boca. Outras linhas partem do mesmo ponto e se abrem em direção às laterais, formando uma estrutura próxima de uma projeção em perspectiva.\n\nA aplicação do diagrama altera a leitura da fotografia. Em vez de oferecer apenas a identificação de uma pessoa, a obra apresenta o rosto como território de medição, orientação e construção. Os elementos faciais são atravessados por linhas que parecem calcular posições, organizar distâncias e relacionar diferentes pontos da imagem.\n\nA perspectiva é tradicionalmente utilizada para representar profundidade e organizar o espaço a partir de um ponto de vista. Nesta obra, o procedimento é deslocado para o corpo. O rosto não está apenas localizado dentro de um espaço representado. Ele próprio se transforma em superfície sobre a qual o espaço é construído.\n\nA convergência das linhas num ponto situado acima da cabeça pode sugerir foco, projeção, pensamento, visão, enquadramento ou emissão de energia. Essas associações derivam da estrutura visual e devem permanecer como interpretações curatoriais. Não foi localizada nas fontes institucionais consultadas uma declaração de Amélia Toledo que determine o significado preciso dessas linhas.\n\nOs óculos possuem papel importante na composição. Suas armações criam contornos escuros sobre os olhos e dialogam com a geometria acrescentada à fotografia. O instrumento associado à visão é atravessado por outro sistema visual, formado pelas linhas de perspectiva. A obra aproxima o ato de olhar dos mecanismos utilizados para organizar e representar aquilo que é visto.\n\nA boca aberta introduz movimento e temporalidade. A pessoa pode estar sorrindo, falando ou reagindo no instante do registro. A fotografia preserva uma expressão momentânea, enquanto o desenho geométrico estabelece uma estrutura fixa e racional. O encontro entre gesto facial e diagrama cria tensão entre espontaneidade e controle.\n\nA imagem também relaciona corpo e linguagem. A boca é o lugar da fala, enquanto as linhas funcionam como sinais gráficos. O retrato conserva a presença de uma pessoa, mas o sistema sobreposto converte essa presença em problema visual. A identidade individual permanece subordinada às relações entre rosto, percepção, medida e representação.\n\nO alto contraste reduz parte das variações tonais da fotografia e reforça as áreas escuras dos cabelos, dos óculos e das sombras faciais. As linhas claras permanecem visíveis sobre essas regiões e estabelecem uma segunda camada de informação. Fotografia e desenho não se fundem completamente. Cada linguagem conserva características próprias.\n\nA obra participa das investigações de Amélia Toledo sobre corpo, percepção, espaço, matéria, contato e experiência sensorial. Neste trabalho, essas questões aparecem mediadas pela fotografia e pela construção geométrica. O corpo não é apresentado como volume escultórico nem como presença integral, mas como imagem fragmentada e submetida a um sistema de projeção.\n\nAmélia Toledo nasceu em São Paulo em 1926 e faleceu na mesma cidade em 2017. O MAC USP conserva cinco obras da artista e documenta sua participação em numerosas exposições e publicações. Entre os registros relacionados à sua produção encontram se Prospectiva 74, Tendências do Livro de Artista no Brasil, Livro de Artista no Acervo, Julio Plaza Indústria Poética e estudos dedicados à arte conceitual brasileira.\n\nComo parte de On Off 3, a obra integrava uma publicação coletiva composta por contribuições independentes reunidas em envelope. On Off foi editada por Julio Plaza e Regina Silveira entre 1972 e 1974 e reuniu artistas associados à arte conceitual, à experimentação gráfica, à publicação de artista, à fotografia e às formas alternativas de circulação. Amélia Toledo está documentada entre os participantes do projeto.\n\nA condição editorial é fundamental para compreender a peça. A folha podia ser retirada do envelope, examinada individualmente, comparada às demais contribuições e novamente incorporada ao conjunto. A obra existia simultaneamente como imagem autônoma e como parte de uma estrutura coletiva.\n\nO offset permitia reproduzir o retrato e o diagrama em diferentes exemplares. A reprodução técnica não funciona apenas como meio de documentação. Ela constitui a própria materialidade da contribuição, tornando possível sua circulação dentro da edição e das redes de intercâmbio artístico.\n\nA publicação aproxima a obra da arte postal, embora sua classificação principal deva permanecer publicação de artista e experiência editorial coletiva. O envelope, as folhas independentes e a circulação direta entre artistas e destinatários transformavam reprodução, transporte e comunicação em componentes da prática artística.\n\nO exemplar do MAC USP ingressou na coleção por doação de Cacilda Teixeira da Costa e Annateresa Fabris. O museu relaciona a obra às exposições Tendências do Livro de Artista no Brasil, realizada em 1985, Livro de Artista no Acervo, realizada em 1988, Um dia terá que ter terminado 1969 74, apresentada entre 2010 e 2011, e Julio Plaza Indústria Poética, apresentada entre 2013 e 2017.\n\nSem título constitui um documento relevante da produção conceitual e editorial brasileira da década de 1970. A obra articula retrato, corpo, visão, fotografia, perspectiva, diagrama, reprodução e circulação. Sua presença em On Off 3 insere a investigação de Amélia Toledo numa plataforma coletiva em que diferentes linguagens e modos de percepção eram colocados em relação.\n\nText for the Salsa program in English\n\nUntitled is a work created by Amélia Toledo in 1974 as a contribution to On Off 3, the third issue of the artists publication organized by Julio Plaza and Regina Silveira. The Museum of Contemporary Art of the University of São Paulo confirms the title Untitled, the date 1974, its inclusion in On Off 3, the technique offset on paper and the dimensions of 23 by 15.5 centimetres. The example preserved by the museum bears accession number 1989.24.85.8.\n\nThe composition presents a black and white photographic portrait of a person wearing glasses, seen frontally with an open mouth suggesting a smile or speech. Continuous and dashed geometric lines have been applied over the photograph and converge toward a point located at the upper edge of the sheet. The image combines photographic representation, technical drawing, perspective, diagram and graphic reproduction.\n\nThe face occupies almost the entire surface and becomes the field upon which a system of lines is constructed. The point of convergence is positioned above the head and organizes several directions crossing the forehead, glasses, eyes, nose and mouth. The human figure ceases to operate only as a portrait and becomes part of a spatial construction.\n\nTwo vertical lines cross approximately through the centre of the face. One appears continuous and the other dashed. Together they establish an axis connecting the upper convergence point with the central area of the mouth. Other lines originate from the same point and extend toward the sides, creating a structure related to perspectival projection.\n\nThe diagram changes the interpretation of the photograph. Rather than presenting only the identity of a person, the work treats the face as a territory of measurement, orientation and construction. Facial elements are crossed by lines that appear to calculate positions, organize distances and connect different points within the image.\n\nPerspective is traditionally employed to represent depth and organize space from a particular viewpoint. In this work, the procedure is transferred onto the body. The face is not merely located within a represented space. It becomes the surface upon which space itself is constructed.\n\nThe convergence of lines above the head may suggest focus, projection, thought, vision, framing or emitted energy. These associations derive from the visible structure and should remain curatorial interpretations. No institutional source consulted contains a direct statement by Amélia Toledo determining the precise meaning of the geometric construction.\n\nThe glasses have an important role within the composition. Their dark frames create strong contours around the eyes and interact with the geometry placed over the photograph. An instrument associated with vision is crossed by another visual system formed by the perspectival lines. The work connects the act of seeing with the structures used to organize and represent what is seen.\n\nThe open mouth introduces movement and temporality. The person may be smiling, speaking or reacting at the moment of the photographic exposure. Photography preserves a temporary expression, while the geometric drawing establishes a fixed and rational structure. Their encounter creates tension between spontaneity and control.\n\nThe image also connects body and language. The mouth is associated with speech, while the lines function as graphic signs. The portrait preserves human presence, but the superimposed system transforms that presence into a visual problem. Individual identity becomes secondary to the relationships among face, perception, measurement and representation.\n\nHigh contrast reproduction reduces some of the original tonal variation and emphasizes the dark areas of hair, glasses and facial shadow. The light lines remain visible over these regions and establish a second layer of information. Photography and drawing do not merge completely. Each medium preserves its own characteristics.\n\nThe work belongs to Amélia Toledo
s investigations into the body, perception, space, matter, contact and sensory experience. In this piece, those concerns are mediated through photography and geometric construction. The body is not presented as a sculptural volume or complete presence but as a fragmented image subjected to a system of projection.\n\nAmélia Toledo was born in São Paulo in 1926 and died in the same city in 2017. MAC USP preserves five works by the artist and documents her presence in numerous exhibitions and publications, including Prospectiva 74, Tendências do Livro de Artista no Brasil, Livro de Artista no Acervo and Julio Plaza Indústria Poética.\n\nAs part of On Off 3, the work belonged to a collective publication composed of independent contributions assembled inside an envelope. On Off was edited by Julio Plaza and Regina Silveira between 1972 and 1974 and included artists associated with conceptual art, graphic experimentation, artists publishing, photography and alternative circulation. Amélia Toledo is documented among the participants.\n\nThe editorial condition is essential to understanding the piece. The sheet could be removed from the envelope, examined independently, compared with the other contributions and returned to the set. The work existed simultaneously as an autonomous image and as part of a collective structure.\n\nOffset printing allowed the portrait and diagram to be reproduced in multiple examples. Technical reproduction did not merely document an original work. It constituted the material form of the contribution and enabled its circulation through the edition and artistic exchange networks.\n\nThe publication connects the work with mail art, although its principal classification should remain artists publication and collaborative editorial experiment. The envelope, loose sheets and direct circulation among artists and recipients transformed reproduction, transport and communication into components of artistic practice.\n\nThe MAC USP example entered the collection through a donation by Cacilda Teixeira da Costa and Annateresa Fabris. The museum associates the work with Tendências do Livro de Artista no Brasil, held in 1985, Livro de Artista no Acervo, held in 1988, Um dia terá que ter terminado 1969 74, presented between 2010 and 2011, and Julio Plaza Indústria Poética, presented between 2013 and 2017.\n\nUntitled is a significant document of Brazilian conceptual and editorial production during the 1970s. It brings together portraiture, body, vision, photography, perspective, diagram, reproduction and circulation. Its inclusion in On Off 3 places Amélia Toledo
s investigation within a collective platform in which different artistic languages and modes of perception were brought into relation.
