Minha mãe é quem sabia das coisas é uma obra de Guta realizada em 1973 como contribuição para On Off 1, primeira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira.
Projeto On / Off - Julio Plaza e Regina Silveira
03664 - 1973 - Envelope Obra de Arte
29,7 x 21 cm
Minha mãe é quem sabia das coisas é uma obra de Guta realizada em 1973 como contribuição para On Off 1, primeira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira. A composição apresenta a imagem ampliada de uma mão com o dedo indicador estendido para a direita. Próximo à ponta do dedo aparecem três linhas curvas que sugerem movimento, toque, comando ou acionamento. A frase COME, CALA, DORME acompanha diagonalmente a direção do gesto. Na margem inferior aparece a inscrição MINHA MÃE É QUEM SABIA DAS COISAS, seguida da identificação GUTA BRASIL 1947 1973.\n\nO Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo registra uma obra correspondente com o título Minha mãe é quem sabia das coisas, autoria de Guta e data de 1973. O exemplar institucional foi produzido em offset sobre papel, mede 29,7 por 21 centímetros, possui o número de inventário 1989.24.83.5 e ingressou no acervo por doação de Cacilda Teixeira da Costa e Annateresa Fabris. Esses dados confirmam a identificação da obra, mas o número de inventário e a proveniência não devem ser atribuídos automaticamente à folha apresentada sem documentação específica.\n\nA obra combina imagem fotográfica, linguagem verbal, gesto corporal e reprodução gráfica. A mão ocupa grande parte da superfície e aparece isolada de qualquer corpo ou ambiente. Esse recorte elimina a identidade física da pessoa e transforma o dedo indicador em um sinal autônomo. O gesto pode ser percebido como indicação, ordem, acusação, orientação ou comando. As linhas próximas à ponta do dedo intensificam essa ação e sugerem que a imagem não representa apenas uma posição estática, mas um gesto dirigido ao observador.\n\nA frase COME, CALA, DORME reúne três verbos no imperativo. As palavras constroem uma sequência associada ao cotidiano doméstico, à disciplina, à educação e à autoridade familiar. Comer, calar e dormir aparecem como ações determinadas por uma voz que organiza o comportamento de outra pessoa. O texto pode evocar ordens dirigidas a uma criança, mas a obra não identifica explicitamente quem fala nem quem recebe os comandos.\n\nA relação entre a imagem da mão e a sequência verbal produz uma reflexão sobre autoridade, aprendizado e controle. O dedo indicador reforça visualmente o caráter imperativo das palavras. A mão não acolhe nem oferece um objeto. Ela aponta e parece ordenar. O trabalho converte uma expressão corporal cotidiana em signo gráfico de poder e transmissão de regras.\n\nA inscrição MINHA MÃE É QUEM SABIA DAS COISAS introduz uma voz memorial e pessoal. A mãe aparece como figura de conhecimento, experiência e autoridade. O verbo no passado sugere recordação e distância temporal. A afirmação pode conter afeto, reconhecimento, ironia, obediência ou crítica, sem que uma única leitura seja determinada pela composição.\n\nA obra permite relacionar duas dimensões da figura materna. A primeira é a mãe como depositária de saberes cotidianos e orientadora da vida. A segunda é a mãe como agente da disciplina, representada pelas ordens comer, calar e dormir. Essa tensão impede que a imagem seja compreendida somente como homenagem ou somente como denúncia. O sentido permanece aberto entre memória afetiva, formação, autoridade e controle.\n\nA mão ampliada produz uma alteração de escala que aumenta a força do gesto. O dedo avança horizontalmente sobre o espaço vazio e conduz o olhar até o texto. A ausência de cenário concentra a atenção na relação entre corpo e linguagem. O fundo claro funciona como campo gráfico e reforça a economia visual da composição.\n\nO uso de offset aproxima o trabalho da linguagem de cartazes, anúncios, revistas, folhetos e materiais de comunicação de massa. A imagem pode ser reproduzida e circular em diferentes exemplares, preservando sua força visual direta. Essa condição técnica é especialmente significativa em On Off, projeto baseado na reunião e circulação de contribuições impressas de diversos artistas. O MAC USP confirma a técnica de offset sobre papel para o exemplar pertencente ao museu.\n\nComo parte de On Off 1, Minha mãe é quem sabia das coisas integrava uma publicação coletiva composta por trabalhos independentes acondicionados em envelope. A Fundação Vera Chaves Barcellos inclui Guta entre os participantes de On Off, ao lado de artistas como Amélia Toledo, Claudio Tozzi, Cláudio Ferlauto, Flávio Pons, Mário Ishikawa, Roberto Keppler, Vera Chaves Barcellos e outros participantes das diferentes edições.\n\nA inserção em On Off amplia o significado da obra para além da folha individual. O trabalho participava de um sistema editorial que reunia imagem, texto, reprodução, envelope, intercâmbio e circulação. As contribuições podiam ser manuseadas separadamente, reorganizadas dentro do conjunto e transmitidas diretamente entre artistas e destinatários. Essa estrutura vincula o projeto à publicação de artista, à arte conceitual, à experimentação gráfica e às redes de arte postal brasileiras da década de 1970.\n\nA obra também dialoga com procedimentos da poesia visual. A frase não funciona como simples legenda da imagem. Sua posição diagonal, sua proximidade com o dedo e sua divisão em três comandos interferem na leitura visual. Texto e fotografia constituem uma única estrutura de significado. A palavra adquire presença gráfica e a imagem passa a ser lida como uma forma de linguagem.\n\nA inscrição GUTA BRASIL 1947 1973 deve ser preservada exatamente como elemento histórico presente na obra. Os números podem indicar um período biográfico, uma construção conceitual, uma identificação editorial ou outro sentido determinado pela artista. A imagem, isoladamente, não permite afirmar que 1947 seja necessariamente a data de nascimento e 1973 a data de falecimento de Guta. O MAC USP registra a obra em 1973, mas a fonte institucional localizada não esclarece o significado biográfico dessa inscrição.\n\nMinha mãe é quem sabia das coisas constitui um documento relevante da produção conceitual e editorial brasileira dos anos 1970. A obra articula corpo, gesto, linguagem, memória, maternidade, educação, disciplina, autoridade e comunicação gráfica. Sua participação em On Off 1 permite compreendê la simultaneamente como obra autônoma, contribuição para uma publicação de artista e elemento de uma rede experimental de circulação criada por Julio Plaza e Regina Silveira.\n\nText for the Salsa program in English\n\nMinha mãe é quem sabia das coisas is a work created by Guta in 1973 as a contribution to On Off 1, the first issue of the artists publication organized by Julio Plaza and Regina Silveira. The composition presents an enlarged image of a hand with its index finger pointing toward the right. Three curved lines near the fingertip suggest movement, touch, command or activation. The phrase COME, CALA, DORME follows the direction of the gesture diagonally. The lower margin contains the inscription MINHA MÃE É QUEM SABIA DAS COISAS, followed by GUTA BRASIL 1947 1973.\n\nThe Museum of Contemporary Art of the University of São Paulo records a corresponding work titled Minha mãe é quem sabia das coisas, attributed to Guta and dated 1973. The institutional example was produced in offset on paper, measures 29.7 by 21 centimetres, bears accession number 1989.24.83.5 and entered the collection through a donation by Cacilda Teixeira da Costa and Annateresa Fabris. These details confirm the identification of the work, but the museum accession number and provenance should not automatically be assigned to the sheet shown without specific documentation.\n\nThe work combines photographic imagery, verbal language, bodily gesture and graphic reproduction. The hand occupies a large portion of the surface and is isolated from any body or environment. This visual cropping removes the physical identity of the person and transforms the pointing finger into an autonomous sign. The gesture may be understood as indication, instruction, accusation, orientation or command. The curved lines beside the fingertip intensify the action and suggest that the image represents more than a static position.\n\nThe phrase COME, CALA, DORME consists of three imperative verbs. The words create a sequence associated with domestic life, discipline, education and family authority. Eating, remaining silent and sleeping appear as actions determined by a voice that organizes the behaviour of another person. The phrase may evoke commands addressed to a child, although the work does not explicitly identify the speaker or recipient.\n\nThe relationship between the hand and the verbal sequence produces a reflection on authority, learning and control. The index finger visually reinforces the imperative character of the words. The hand does not welcome or offer anything. It points and appears to issue an order. An ordinary bodily gesture is transformed into a graphic sign of power and the transmission of rules.\n\nThe inscription MINHA MÃE É QUEM SABIA DAS COISAS introduces a personal and memorial voice. The mother appears as a figure of knowledge, experience and authority. The use of the past tense suggests memory and temporal distance. The statement may contain affection, recognition, irony, obedience or criticism without imposing a single interpretation.\n\nThe work brings together two possible dimensions of the maternal figure. The first is the mother as a source of practical knowledge and guidance. The second is the mother as an agent of discipline, represented by the commands to eat, remain silent and sleep. This tension prevents the work from being understood exclusively as either homage or accusation. Its meaning remains open between affection, memory, education, authority and control.\n\nThe enlarged hand alters conventional scale and increases the visual force of the gesture. The finger extends horizontally across the empty space and directs the viewer toward the words. The absence of a setting concentrates attention on the relationship between body and language. The light background operates as a graphic field and reinforces the visual economy of the composition.\n\nThe use of offset printing connects the work with posters, advertisements, magazines, leaflets and other forms of mass communication. The image could be reproduced and circulated in multiple examples while preserving its direct visual impact. This technical condition is particularly relevant within On Off, a project based on the assembly and circulation of printed contributions by different artists. MAC USP confirms offset on paper as the technique of its institutional example.\n\nAs part of On Off 1, Minha mãe é quem sabia das coisas belonged to a collective publication composed of independent works assembled inside an envelope. The Fundação Vera Chaves Barcellos lists Guta among the artists who participated in On Off, together with Amélia Toledo, Claudio Tozzi, Cláudio Ferlauto, Flávio Pons, Mário Ishikawa, Roberto Keppler, Vera Chaves Barcellos and other contributors to the different issues.\n\nIts inclusion in On Off expands the meaning of the work beyond the individual sheet. It participated in an editorial system combining image, text, reproduction, envelope, exchange and circulation. Contributions could be handled separately, reorganized inside the set and transmitted directly among artists and recipients. This structure connects the project with artists publications, conceptual art, graphic experimentation and Brazilian mail art networks of the 1970s.\n\nThe work also relates to visual poetry. The phrase does not function merely as a caption. Its diagonal placement, proximity to the finger and division into three commands actively shape the visual reading. Text and photograph form a unified structure of meaning. The word acquires graphic presence, while the image functions as a form of language.\n\nThe inscription GUTA BRASIL 1947 1973 should be preserved exactly as a historical element printed on the work. The numbers may indicate a biographical period, a conceptual construction, an editorial identification or another meaning established by the artist. The image alone does not prove that 1947 represents Guta's date of birth or that 1973 records her death. MAC USP dates the work to 1973, but the institutional source located does not explain the biographical meaning of the printed inscription.\n\nMinha mãe é quem sabia das coisas is a relevant document of Brazilian conceptual and editorial production during the 1970s. It connects the body, gesture, language, memory, motherhood, education, discipline, authority and graphic communication. Its presence in On Off 1 allows it to be understood simultaneously as an autonomous work, a contribution to an artists publication and part of the experimental circulation network created by Julio Plaza and Regina Silveira.
