Eletrocardiograma é uma obra de Claudio Tozzi realizada em 1973 como contribuição para On Off 1, primeira edição da publicação de artista editada por Julio Plaza e Regina Silveira.
Projeto On / Off - Julio Plaza e Regina Silveira
03661 - 1973 - Envelope Obra de Arte
21,5 x 29,8 cm
Eletrocardiograma é uma obra de Claudio Tozzi realizada em 1973 como contribuição para On Off 1, primeira edição da publicação de artista editada por Julio Plaza e Regina Silveira. A composição incorpora quatro fragmentos de papel milimetrado médico com registros eletrocardiográficos, organizados verticalmente dentro de uma moldura gráfica escura. Na parte superior aparecem o título Eletrocardiograma e a data 10/9/73. Na margem inferior encontram se a identificação Claudio Tozzi e o horário 16 h. 42 min.\n\nO Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo confirma a existência da obra Eletrocardiograma, de Claudio Tozzi, datada de 1973. O trabalho aparece no mesmo conjunto documental em que o museu registra obras de On Off 1, incluindo contribuições de Mário Ishikawa, Julio Plaza, Cláudio Ferlauto, Flavio Pons, Guta, Donato Chiarella e Amélia Toledo.\n\nA imagem reproduz registros produzidos por um equipamento da Hewlett Packard Medical Electronics Division em papel identificado como Permapaper. Os traçados apresentam variações de ritmo, intensidade e direção, incluindo picos, intervalos, quedas e alterações gráficas que testemunham o funcionamento do corpo por meio de uma linguagem técnica. Algumas anotações manuscritas permanecem visíveis sobre as tiras, preservando o caráter documental do material médico original.\n\nA obra desloca o eletrocardiograma de sua função clínica para o campo da arte. Em um hospital ou consultório, o gráfico serviria como instrumento de observação e interpretação da atividade elétrica do coração. Inserido em On Off, ele passa a operar simultaneamente como documento corporal, desenho automático, sequência temporal, índice físico e imagem gráfica.\n\nO traçado não representa o coração de forma ilustrativa. Ele constitui um vestígio produzido diretamente pela atividade corporal e mediado por uma máquina. Nesse sentido, a obra aproxima corpo, tecnologia, registro e linguagem. O organismo humano é convertido em sinais lineares, enquanto uma experiência biológica privada se transforma em informação visual capaz de circular como parte de uma publicação coletiva.\n\nA presença de data e horário reforça a relação entre imagem e acontecimento. O registro não é apresentado como forma abstrata sem origem, mas como resultado de uma medição realizada em 10 de setembro de 1973, às 16 horas e 42 minutos. Esses elementos conferem ao trabalho precisão documental, embora a imagem não permita determinar quem foi submetido ao exame nem em qual instituição médica ele foi produzido.\n\nA organização das tiras cria uma sequência que pode ser lida horizontalmente e também como sucessão temporal. Cada linha representa a continuidade de uma medição, mas a reunião dos quatro segmentos transforma o documento em composição visual. O trabalho utiliza repetição, intervalo, ritmo e variação sem eliminar os dados técnicos impressos no papel.\n\nEletrocardiograma relaciona se às investigações de Claudio Tozzi sobre imagens provenientes dos meios de comunicação, da vida urbana, da tecnologia e da cultura de massa. Ao empregar um documento médico preexistente, o artista desloca um objeto informacional para outro sistema de leitura. Aquilo que antes pertencia à medicina passa a ser observado também por suas qualidades gráficas, semânticas e conceituais.\n\nA obra pode ser entendida como uma reflexão sobre a transformação do indivíduo em dado. O corpo deixa de aparecer como figura humana e passa a ser reconhecido por uma sucessão de sinais. A identidade física é traduzida por uma máquina em linhas, números, data e horário. Essa operação aproxima o trabalho de debates sobre mecanização, controle, informação, diagnóstico e mediação tecnológica.\n\nComo parte de On Off 1, Eletrocardiograma integrava uma publicação composta por trabalhos independentes reunidos em envelope. On Off foi editada por Julio Plaza e Regina Silveira entre 1972 e 1974 e contou com a participação de artistas como Claudio Tozzi, Amélia Toledo, Cláudio Ferlauto, Donato Chiarela, Evandro Carlos Jardim, Flávio Pons, Fred Forest, Gabriel Borba, Gerson Zanini, Mário Ishikawa, Miriam Chiaverini, Roberto Keppler, Ubirajara Ribeiro e Vera Chaves Barcellos.\n\nA condição editorial amplia o significado da obra. O registro médico deixa de ser um documento isolado e torna se uma contribuição destinada à reprodução, reunião, intercâmbio e circulação entre artistas e destinatários. Essa estrutura aproxima o projeto das publicações de artista, da arte conceitual, da experimentação gráfica e das redes de arte postal brasileiras da década de 1970.\n\nA obra constitui um documento relevante para a história da arte conceitual brasileira por reunir corpo, medicina, tecnologia, tempo, registro e publicação. O eletrocardiograma preserva a memória de uma atividade orgânica, mas também funciona como linha, escrita e informação. Claudio Tozzi transforma um material técnico em obra ao modificar seu contexto, seu modo de leitura e sua circulação.\n\nText for the Salsa program in English\n\nEletrocardiograma is a work created by Claudio Tozzi in 1973 as a contribution to On Off 1, the first issue of the artists publication edited by Julio Plaza and Regina Silveira. The composition incorporates four fragments of medical graph paper containing electrocardiographic recordings, arranged vertically within a dark graphic frame. The title Eletrocardiograma and the date 10/9/73 appear at the top. The name Claudio Tozzi and the time 16 h. 42 min. are printed along the lower margin.\n\nThe Museum of Contemporary Art of the University of São Paulo confirms the existence of Eletrocardiograma by Claudio Tozzi, dated 1973. The work appears within the same documentary group in which the museum records contributions associated with On Off 1 by Mário Ishikawa, Julio Plaza, Cláudio Ferlauto, Flavio Pons, Guta, Donato Chiarella and Amélia Toledo.\n\nThe image reproduces recordings generated by equipment from the Hewlett Packard Medical Electronics Division on paper identified as Permapaper. The traces display changes in rhythm, intensity and direction, including peaks, intervals, drops and graphic variations that register the functioning of the body through a technical language. Handwritten annotations remain visible on some of the strips, preserving the documentary nature of the original medical material.\n\nThe work displaces the electrocardiogram from its clinical function into the field of art. Within a hospital or medical office, the graph would serve as an instrument for observing and interpreting the electrical activity of the heart. Within On Off, it operates simultaneously as a bodily document, an automatic drawing, a temporal sequence, a physical index and a graphic image.\n\nThe trace does not illustrate the heart. It is evidence produced directly by bodily activity and mediated by a machine. The work therefore connects body, technology, recording and language. A private biological event is converted into linear signs and transformed into visual information capable of circulating as part of a collective publication.\n\nThe inclusion of a date and time reinforces the relationship between image and event. The recording is not presented as an abstract form without origin, but as the result of a measurement made on 10 September 1973 at 4.42 pm. These elements give the work documentary precision, although the image does not reveal whose cardiac activity was recorded or where the medical examination was performed.\n\nThe arrangement of the strips creates a sequence that may be read horizontally and as a temporal progression. Each line represents the continuity of a measurement, while the assembly of four segments transforms the clinical document into a visual composition. Repetition, interval, rhythm and variation are used without removing the technical data printed on the paper.\n\nEletrocardiograma relates to Claudio Tozzi
s investigations into images drawn from communication systems, urban life, technology and mass culture. By using an existing medical document, the artist transfers an informational object into a different system of interpretation. Material originally belonging to medicine becomes visible for its graphic, semantic and conceptual properties.\n\nThe work may also be understood as a reflection on the conversion of the individual into data. The body is no longer represented as a human figure but recognized through a succession of signals. Physical identity is translated by a machine into lines, numbers, date and time. This operation connects the work with questions of mechanization, surveillance, information, diagnosis and technological mediation.\n\nAs part of On Off 1, Eletrocardiograma belonged to a publication composed of independent contributions assembled inside an envelope. On Off was edited by Julio Plaza and Regina Silveira between 1972 and 1974 and included artists such as Claudio Tozzi, Amélia Toledo, Cláudio Ferlauto, Donato Chiarela, Evandro Carlos Jardim, Flávio Pons, Fred Forest, Gabriel Borba, Gerson Zanini, Mário Ishikawa, Miriam Chiaverini, Roberto Keppler, Ubirajara Ribeiro and Vera Chaves Barcellos.\n\nThe editorial context expands the meaning of the work. The medical recording ceases to be an isolated document and becomes a contribution intended for assembly, exchange and circulation among artists and recipients. This structure connects the project with artists publications, conceptual art, graphic experimentation and Brazilian mail art networks of the 1970s.\n\nEletrocardiograma is a relevant document in the history of Brazilian conceptual art because it brings together the body, medicine, technology, time, recording and publishing. The electrocardiogram preserves the memory of an organic activity while also functioning as line, writing and information. Claudio Tozzi transforms technical material into an artwork by changing its context, its mode of interpretation and its circulation.
