Cine Mato Gráfico é uma obra de Cláudio Ferlauto realizada em 1973 como contribuição para On Off 1, primeira edição da publicação de artista editada por Julio Plaza e Regina Silveira.
Projeto On / Off - Julio Plaza e Regina Silveira
03663 - 1973 - Envelope Obra de Arte
29,7 x 21 cm
Cine Mato Gráfico é uma obra de Cláudio Ferlauto realizada em 1973 como contribuição para On Off 1, primeira edição da publicação de artista editada por Julio Plaza e Regina Silveira. A composição apresenta seis quadros retangulares organizados em três linhas e duas colunas, estruturando uma sequência visual próxima da linguagem das histórias em quadrinhos, do cinema de animação e dos estudos de movimento. Na parte inferior aparecem o título cine mato gráfico, o nome CLÁUDIO FERLAUTO, os números 3 e 13 e a inscrição 8/73, indicando agosto de 1973.\n\nO Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo registra formalmente a obra com o título Cine Mato Gráfico, autoria de Cláudio Ferlauto, data de 1973, publicação On/Off 1, técnica offset sobre papel e dimensões de 29,7 por 21 centímetros. O exemplar pertencente ao MAC USP possui número de inventário 1989.24.83.6 e ingressou no acervo por doação de Cacilda Teixeira da Costa e Annateresa Fabris.\n\nA sequência começa com uma estrela isolada e uma forma arredondada semelhante a uma nuvem entrando pela margem esquerda. Nos quadros seguintes, essa forma avança progressivamente em direção à estrela. Primeiro aproxima se do símbolo, depois o encobre parcialmente e, em seguida, ocupa quase todo o campo visual. No quinto quadro, a estrela desaparece sob a massa gráfica, restando apenas uma pequena ponta visível. O sexto quadro apresenta o espaço completamente vazio.\n\nA estrutura produz uma narrativa visual de aproximação, cobertura, desaparecimento e ausência. A estrela funciona como figura estável e reconhecível, enquanto a forma semelhante a uma nuvem atua como agente de transformação. O movimento não é realmente animado, mas reconstruído mentalmente pelo observador a partir da sucessão de imagens fixas. Esse procedimento aproxima a obra do cinema, da montagem, da sequência gráfica e da narrativa visual.\n\nO título Cine Mato Gráfico parece resultar da combinação ou fragmentação das palavras cinema, cinemático e gráfico. A expressão pode sugerir um cinema realizado por meios impressos, no qual o movimento é construído pela passagem entre quadros estáticos. Também pode conter um jogo verbal relacionado ao ato de matar graficamente a estrela, pois a figura é progressivamente coberta até desaparecer. Essa interpretação deriva da observação formal da obra e não deve ser apresentada como explicação documental definitiva do artista.\n\nOs números 3 e 13 aparecem próximos à margem esquerda entre as sequências. Eles podem funcionar como numeração de quadros, indicações editoriais, referências temporais ou elementos de organização gráfica. A imagem apresentada não permite determinar sua função exata. A inscrição 8/73 indica provavelmente agosto de 1973 e é coerente com a data institucional atribuída à obra pelo MAC USP.\n\nA estrela possui uma forma visual simples e de reconhecimento imediato. Ao ser progressivamente coberta, ela deixa de funcionar apenas como símbolo e passa a constituir o objeto de uma ação gráfica. A forma arredondada pode ser percebida como nuvem, fumaça, mancha, massa ou personagem abstrato. A obra não fornece texto narrativo que determine seu significado, permitindo que o observador produza diferentes relações entre os dois elementos.\n\nA passagem do primeiro ao último quadro também pode ser compreendida como reflexão sobre visibilidade e apagamento. O símbolo inicialmente exposto torna se parcialmente oculto, quase invisível e finalmente ausente. O último campo vazio não representa apenas o fim da sequência. Ele preserva a memória visual daquilo que esteve presente nos quadros anteriores. A ausência torna se resultado de um processo.\n\nA economia de linhas e a repetição dos enquadramentos são características fundamentais da composição. Os retângulos negros funcionam como limites espaciais e como unidades temporais. A leitura ocorre da esquerda para a direita e de cima para baixo, seguindo uma organização semelhante à página impressa e à montagem cinematográfica. Cada quadro registra uma pequena alteração, enquanto o conjunto produz a percepção de continuidade.\n\nA obra estabelece diálogo direto com o design gráfico e a comunicação visual, áreas centrais na trajetória de Cláudio Ferlauto. O artista atuou como arquiteto, designer, professor, crítico e editor, com formação em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo. Também participou de projetos editoriais e gráficos e esteve ligado a experiências de comunicação alternativa durante a ditadura militar brasileira.\n\nComo parte de On Off 1, Cine Mato Gráfico integrava uma publicação coletiva constituída por folhas independentes reunidas em envelope. On Off foi editada por Julio Plaza e Regina Silveira entre 1972 e 1974 e reuniu artistas ligados à arte conceitual, à experimentação gráfica, às publicações de artista e às formas alternativas de circulação. Cláudio Ferlauto aparece entre os participantes confirmados do projeto.\n\nA condição editorial amplia a leitura da obra. A sequência gráfica não foi concebida apenas para exposição em parede, mas também para integrar um conjunto manuseável, transportável e potencialmente enviado pelo correio. Sua inserção em On Off relaciona a peça à publicação de artista, ao livro de artista, à arte postal, à reprodução gráfica e às redes independentes de comunicação artística desenvolvidas no Brasil durante a década de 1970.\n\nO registro do MAC USP relaciona Cine Mato Gráfico às exposições Prospectiva 74, realizada de 16 de agosto a 16 de setembro de 1974, Tendências do Livro de Artista no Brasil, de 16 de maio a 23 de junho de 1985, Livro de Artista no Acervo, de agosto a outubro de 1988, Julio Plaza Arte como Ideia, de 11 de maio a 4 de agosto de 2004, Arte como Questão Anos 70, de 5 de setembro a 28 de outubro de 2007, Um dia terá que ter terminado 1969/74, de 2 de outubro de 2010 a 7 de agosto de 2011, e Julio Plaza Indústria Poética, de 9 de novembro de 2013 a 5 de março de 2017.\n\nCine Mato Gráfico constitui um documento importante da experimentação gráfica e conceitual brasileira dos anos 1970. A obra articula sequência, repetição, movimento virtual, símbolo, apagamento, ausência, design gráfico e circulação editorial. Sua integração a On Off 1 permite compreendê la simultaneamente como obra autônoma, página sequencial, contribuição para uma publicação de artista e parte das redes experimentais organizadas por Julio Plaza e Regina Silveira.\n\nText for the Salsa program in English\n\nCine Mato Gráfico is a work created by Cláudio Ferlauto in 1973 as a contribution to On Off 1, the first issue of the artists publication edited by Julio Plaza and Regina Silveira. The composition contains six rectangular panels arranged in three rows and two columns, forming a visual sequence related to comic strips, animation and studies of movement. The title cine mato gráfico, the name CLÁUDIO FERLAUTO, the numbers 3 and 13 and the inscription 8/73 appear in the lower section, indicating August 1973.\n\nThe Museum of Contemporary Art of the University of São Paulo formally records the work as Cine Mato Gráfico by Cláudio Ferlauto, dated 1973, associated with the publication On/Off 1, produced in offset on paper and measuring 29.7 by 21 centimetres. The MAC USP example bears accession number 1989.24.83.6 and entered the collection through a donation by Cacilda Teixeira da Costa and Annateresa Fabris.\n\nThe sequence begins with an isolated star and a rounded cloud like form entering from the left edge. In the following panels, this form advances progressively toward the star. It first approaches the symbol, then partially covers it and eventually occupies most of the visual field. In the fifth panel, the star has almost entirely disappeared beneath the graphic mass, with only a small point remaining visible. The sixth panel is completely empty.\n\nThe structure creates a visual narrative of approach, concealment, disappearance and absence. The star functions as a stable and recognizable figure, while the cloud like form acts as an agent of transformation. Movement is not physically animated but mentally reconstructed by the viewer through the succession of fixed images. This procedure connects the work with cinema, montage, graphic sequencing and visual narrative.\n\nThe title Cine Mato Gráfico appears to combine or fragment words related to cinema, cinematic movement and graphic language. It may suggest a form of cinema produced through printing, in which motion is constructed through the transition between static frames. The title may also contain a verbal play connected with the graphic elimination of the star, which is progressively covered until it disappears. This interpretation derives from the visible structure of the work and should not be presented as a documented statement of the artist.\n\nThe numbers 3 and 13 appear near the left margin between the sequences. They may function as frame numbers, editorial indications, temporal references or graphic organizational elements. Their precise meaning cannot be determined from the available image. The inscription 8/73 probably indicates August 1973 and is consistent with the institutional date assigned by MAC USP.\n\nThe star is a simple and immediately recognizable visual form. As it becomes progressively covered, it ceases to function only as a symbol and becomes the object of a graphic action. The rounded form may be perceived as a cloud, smoke, stain, mass or abstract character. Because the work provides no narrative text defining its meaning, the viewer may construct different relationships between the two elements.\n\nThe progression from the first panel to the last may also be understood as a reflection on visibility and erasure. The initially exposed symbol becomes partially hidden, nearly invisible and finally absent. The empty final field does not merely conclude the sequence. It preserves the visual memory of what appeared in the previous panels. Absence becomes the outcome of a process.\n\nThe economy of line and repetition of framing are essential to the composition. The dark rectangular borders function as spatial limits and temporal units. Reading proceeds from left to right and from top to bottom, following an organization associated with the printed page and cinematic editing. Each panel records a small transformation, while the complete sequence produces a sense of continuity.\n\nThe work relates directly to graphic design and visual communication, central fields in Cláudio Ferlauto
s career. He worked as an architect, designer, educator, critic and editor. He graduated in Architecture from the Federal University of Rio Grande do Sul and completed a master
s degree in Architecture and Urbanism at the University of São Paulo. Ferlauto also participated in editorial and graphic projects and was connected with alternative communication initiatives during the Brazilian military dictatorship.\n\nAs part of On Off 1, Cine Mato Gráfico belonged to a collective publication composed of independent sheets assembled inside an envelope. On Off was edited by Julio Plaza and Regina Silveira between 1972 and 1974 and brought together artists associated with conceptual art, graphic experimentation, artists publications and alternative distribution networks. Cláudio Ferlauto is among the documented participants in the project.\n\nThe editorial condition expands the interpretation of the work. The graphic sequence was not intended only for display on a wall but also to form part of a portable and manageable set that could potentially circulate through the postal system. Its inclusion in On Off connects the piece with artists publications, artists books, mail art, graphic reproduction and independent networks of artistic communication developed in Brazil during the 1970s.\n\nThe MAC USP record associates Cine Mato Gráfico with Prospectiva 74, held from 16 August to 16 September 1974, Tendências do Livro de Artista no Brasil, from 16 May to 23 June 1985, Livro de Artista no Acervo, from August to October 1988, Julio Plaza Arte como Ideia, from 11 May to 4 August 2004, Arte como Questão Anos 70, from 5 September to 28 October 2007, Um dia terá que ter terminado 1969/74, from 2 October 2010 to 7 August 2011, and Julio Plaza Indústria Poética, from 9 November 2013 to 5 March 2017.\n\nCine Mato Gráfico is an important document of Brazilian graphic and conceptual experimentation during the 1970s. The work combines sequence, repetition, virtual movement, symbolism, concealment, absence, graphic design and editorial circulation. Its inclusion in On Off 1 allows it to be understood simultaneously as an autonomous work, a sequential printed page, a contribution to an artists publication and part of the experimental networks organized by Julio Plaza and Regina Silveira.
