Chorinho para Garrincha é uma impressão gráfica colorida de Avelino de Araújo realizada em 2001, vinculada à poesia visual, à poesia experimental, à arte conceitual, à cultura popular brasileira e às investigações intersígnicas relacionadas ao campo do Poema Processo.
Avelino de Araújo
03593 - 2001 - Impressão Tipografica sobre papel
29,5 x 21 cm
Chorinho para Garrincha é uma impressão gráfica colorida de Avelino de Araújo realizada em 2001, vinculada à poesia visual, à poesia experimental, à arte conceitual, à cultura popular brasileira e às investigações intersígnicas relacionadas ao campo do Poema Processo. A inscrição visível na base da obra registra CHORINHO P GARRINCHA, embora o título também possa aparecer catalogado como Cachorinho pra Garrincha. A composição apresenta uma estrutura vertical de grande densidade formada por pautas musicais, notas, claves de sol, sinais de repetição, setas, palavras, números, formas geométricas, figuras humanas esquematizadas, bolas e linhas coloridas. Avelino de Araújo reúne referências ao futebol e à música brasileira para construir uma homenagem visual a Garrincha, importante símbolo popular associado à criatividade, ao improviso, ao drible e à alegria do jogo. O termo chorinho relaciona a obra ao choro, gênero musical brasileiro marcado por virtuosismo, ritmo, variação e improvisação. A aproximação entre choro e futebol transforma a movimentação do jogador em partitura gráfica e converte o campo esportivo em espaço musical. As notas coloridas parecem percorrer trajetórias irregulares sobre as pautas, enquanto setas, linhas, figuras e sinais sugerem deslocamentos, mudanças de direção, fintas e dribles. Uma ampla linha vermelha sinuosa atravessa a composição e pode ser interpretada como o percurso imprevisível da bola ou do jogador pelo campo. A presença de bolas coloridas, incluindo uma forma amarela semelhante a uma bola de futebol, reforça a relação entre esporte, ritmo e movimento. Entre os elementos textuais podem ser identificados Garrincha, Anjo Torto, Passarinho, Poesia, Alegria, Furacão, Fim da Drible e as datas 1958, 1962 e 1970, referências que aproximam a obra da memória do futebol brasileiro e das conquistas mundiais da seleção. A expressão Anjo Torto recupera um conhecido modo de representar Garrincha como personagem singular, popular e inventivo. O nome Passarinho sugere leveza, liberdade, rapidez e imprevisibilidade. As figuras humanas negras e geométricas aparecem caminhando, correndo, saltando ou conduzindo movimentos sobre as pautas, funcionando como jogadores, dançarinos, músicos ou sinais coreográficos. A composição combina preto, azul, vermelho, verde, amarelo, laranja, rosa, roxo e turquesa, produzindo forte vibração visual. O excesso de informações cria uma partitura expandida na qual letras, números, imagens e símbolos participam do mesmo sistema poético. Chorinho para Garrincha pode ser compreendida como poema visual, partitura gráfica, homenagem esportiva, crônica cultural e celebração da identidade brasileira. A obra integra a produção de Avelino de Araújo baseada na apropriação de códigos musicais, linguagem tipográfica, sinais urbanos, referências históricas e imagens populares como matéria de experimentação visual. Palavras chave para indexação: Avelino de Araújo, Chorinho para Garrincha, Cachorinho pra Garrincha, Garrincha, Mané Garrincha, Anjo Torto, Passarinho, 2001, impressão gráfica, poesia visual brasileira, poema visual, poesia experimental, arte conceitual, Poema Processo, futebol brasileiro, seleção brasileira, Copa do Mundo, 1958, 1962, 1970, choro brasileiro, chorinho, música popular brasileira, partitura gráfica, notas musicais, clave de sol, drible, improvisação, movimento, cultura popular, arte e futebol, semiótica, intersigno, comunicação visual, arte gráfica brasileira, múltiplo gráfico, arquivo de poesia visual, arte brasileira do século vinte e um.
