Home Acervo Carta datilografada de Clemente Padin enviada de Montevidéu para Álvaro de Sá, com data de 16 de outubro de 1999.

Carta datilografada de Clemente Padin enviada de Montevidéu para Álvaro de Sá, com data de 16 de outubro de 1999.

Clemente Padín

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03464 - 16 Outubro de 1999 - Carta Datilografia e assinatura manuscrita sobre papel

21,5 x 19,7 cm

Carta datilografada de Clemente Padin enviada de Montevidéu para Álvaro de Sá, com data de 16 de outubro de 1999. O texto tem caráter pessoal, afetivo e intelectual, registrando uma conversa entre amigos e companheiros históricos da poesia experimental latino americana. Padin inicia a carta com a expressão Nobreza Obliga e afirma que a carta de Álvaro o devolveu aos anos 60, com grande emoção, lembrando junto com Myriam a visita à casa 131 da Rua Pacheco Leão. Em seguida comenta a imagem proposta por Álvaro sobre a poesia de participação como correlato da participação social proibida pela força e pelo poder das ditaduras. Padin afirma que foi exatamente assim e amplia a ideia dizendo que, em toda essa experiência, funcionava como ícone o respeito e a consideração pelo outro, entendido como alguém capaz de assumir suas próprias capacidades e opiniões, não apenas no campo da poesia. Padin agradece o excelente material recebido, mas explica que se sentiu superado pela resposta dos amigos poetas de todo o mundo e que o tempo da conferência era insuficiente para mostrar tudo, pois condensar 50 anos em uma hora e meia seria impossível. Mesmo assim, informa que viajava muito, ministrando cursos, e que certamente haveria novas oportunidades para exibir os trabalhos recebidos. Na parte final, Padin agradece os elogios de Álvaro pela difusão feita há muitos anos da poesia de todos eles e afirma que, diante dos grandes poderes das metrópoles, ou se salvam juntos ou desaparecem. Informa que o livro que apresentaria em Madrid se chamaria La Poesía Experimental Latinoamericana 1950 2000 e que no México preparava, com César Espinosa, uma antologia de textos teóricos para destacar a importância da produção latino americana na poesia mundial. O texto termina lembrando a importância de sustentar a memória dos que morreram nessa mesma luta, citando Deisler, Vigo, Ogaz e Teijóo, e pedindo desculpas pelo lirismo, pois a carta de Álvaro havia desencadeado essa resposta. A carta traz assinatura manuscrita de Clemente Padin, carimbo com endereço Casilla C Central 1211, Montevideo, Uruguay, e anotação manuscrita final No te molestes en responderme. O documento é relevante para a história das relações entre Clemente Padin e Álvaro de Sá, para a memória do Poema Processo, da poesia visual, da poesia experimental latino americana, da arte postal, das redes internacionais de artistas e da reflexão sobre participação, ditadura, solidariedade, memória e produção crítica no fim do século vinte.\n\nMain text in English\nTyped letter by Clemente Padin sent from Montevideo to Álvaro de Sá, dated October 16, 1999. The text has a personal, affectionate and intellectual character, recording a conversation between friends and historical companions of Latin American experimental poetry. Padin opens the letter with the expression Nobreza Obliga and says that Álvaro letter brought him back to the 1960s, with great emotion, remembering with Myriam their visit to house 131 on Rua Pacheco Leão. He then comments on Álvaro image of participatory poetry as a correlate of social participation prohibited by the force and power of dictatorships. Padin states that this was exactly the case and expands the idea by saying that throughout that experience there functioned as an icon the respect and consideration for the other, understood as someone capable of assuming their own capacities and opinions, not only in the field of poetry. Padin thanks Álvaro for the excellent material received, but explains that he felt overwhelmed by the response from poet friends around the world and that the conference time was insufficient to show everything, since condensing 50 years into an hour and a half would be impossible. Even so, he says that he was traveling extensively, giving courses, and that there would certainly be new opportunities to exhibit the works received. In the final part, Padin thanks Álvaro for his praise of the dissemination he had carried out for many years of their shared poetry and states that, before the great powers of the metropolises, they either save themselves together or disappear. He informs that the book he would present in Madrid would be titled La Poesía Experimental Latinoamericana 1950 2000 and that in Mexico he was preparing, with César Espinosa, an anthology of theoretical texts to highlight the importance of Latin American production within world poetry. The text ends by recalling the importance of sustaining the memory of those who died in that same struggle, citing Deisler, Vigo, Ogaz and Teijóo, and apologizing for the lyricism, since Álvaro letter had triggered this response. The letter includes Clemente Padin handwritten signature, a stamp with the address Casilla C Central 1211, Montevideo, Uruguay, and the final handwritten note No te molestes en responderme. The document is relevant to the history of the relationship between Clemente Padin and Álvaro de Sá, to the memory of Poema Processo, visual poetry, Latin American experimental poetry, mail art, international artist networks and reflections on participation, dictatorship, solidarity, memory and critical production at the end of the twentieth century.