Cartão de poesia visual e Arte Postal criado por Avelino de Araújo, também identificado como A de Araújo, por meio de colagem, reprodução gráfica, intervenção cromática e mensagem manuscrita.
Avelino de Araújo
00247 - - Cartao
15,9 x 11 cm
Cartão de poesia visual e Arte Postal criado por Avelino de Araújo, também identificado como A de Araújo, por meio de colagem, reprodução gráfica, intervenção cromática e mensagem manuscrita. A face principal apresenta uma composição em preto, verde e laranja construída a partir de uma imagem apropriada da imprensa, na qual aparecem crianças e outras figuras humanas reunidas diante de uma abertura semelhante a uma janela ou estrutura arquitetônica. Na parte superior encontra se a palavra BRASILEIRO e, na região inferior, a expressão DESCUBRA O BRASIL. A justaposição entre essas frases de caráter nacional e turístico e a imagem de pessoas em situação social aparentemente precária produz uma leitura crítica sobre identidade nacional, desigualdade, exclusão e representação do povo brasileiro. A colagem transforma uma linguagem próxima da propaganda institucional em poesia visual de conteúdo social e político. As áreas verdes destacam os textos e determinados contornos da imagem, enquanto intervenções em tonalidade laranja aparecem sobre rostos e partes dos corpos, ampliando a tensão entre reprodução documental, cor e manipulação artística. O verso utiliza um cartão impresso com a expressão Poesia para ver e as identificações A de Araújo, Avelino de Araújo, Mail Art Brasil, Arte Postal, Arte Livre e Arte Correio. Avelino de Araújo escreveu uma lista numerada de nove informações pessoais destinada a um correspondente não identificado na imagem. A mensagem manuscrita registra inicialmente que tudo está bem e que o artista também está bem. O terceiro item apresenta leitura parcialmente incerta e parece conter a palavra muitas. No quarto item, o artista informa que algo vai ruim. No quinto, comunica que Hélio Lete está bem e continua morando com ele e com outro colega. No sexto item menciona uma pessoa ou expressão de leitura incerta relacionada ao Rio e acrescenta Império dos Sentidos. No sétimo informa que tem visto pouco Moacy ultimamente, referência provavelmente relacionada a Moacy Cirne, importante poeta, crítico, pesquisador e participante do movimento Poema Processo. No oitavo item declara ter realizado muitos novos contatos de Mail Art e Arte Postal. No nono registra que pretende estar em Natal em dezembro de 1980 ou janeiro de 1981. A mensagem termina com a expressão acho que é só por hoje e a assinatura Avelino. O cartão documenta as relações pessoais e artísticas de Avelino de Araújo com participantes das redes de poesia visual, Poema Processo, Mail Art e Arte Correio, além de registrar seu interesse pela circulação internacional, pelos contatos postais e pelo ambiente cultural de Natal e do Rio Grande do Norte. A obra constitui fonte primária para pesquisas sobre Avelino de Araújo, A de Araújo, Moacy Cirne, poesia visual brasileira, Arte Postal, Mail Art Brasil, Poema Processo, colagem, arte política, comunicação intersígnica, imprensa apropriada e redes alternativas de artistas no início da década de 1980.\n\nTEXT FOR THE SALSA PROGRAM IN ENGLISH\n\nVisual poetry and Mail Art card created by Avelino de Araújo, also identified as A de Araújo, through collage, graphic reproduction, chromatic intervention and a handwritten message. The main side presents a composition in black, green and orange constructed from an image appropriated from the press, showing children and other human figures gathered before an opening resembling a window or architectural structure. The word BRAZILIAN appears in the upper section and the expression DISCOVER BRAZIL appears below. The juxtaposition between these national and tourist oriented phrases and the image of people in an apparently precarious social situation creates a critical reading of national identity, inequality, exclusion and representations of the Brazilian population. The collage transforms a language associated with institutional advertising into visual poetry with social and political content. Green areas emphasize the texts and certain contours of the image, while orange interventions appear over faces and parts of the bodies, increasing the tension between documentary reproduction, colour and artistic manipulation. The reverse uses a printed card bearing the expression Poetry to be seen and the identifications A de Araújo, Avelino de Araújo, Mail Art Brazil, Postal Art, Free Art and Mail Art. Avelino de Araújo wrote a numbered list containing nine items of personal information addressed to a correspondent who is not identified in the image. The handwritten message first records that everything is fine and that the artist is also well. The third item is partially uncertain and appears to contain the word many. In the fourth item the artist states that something is going badly. In the fifth he reports that Hélio Lete is well and continues to live with him and another colleague. The sixth item mentions a person or expression of uncertain reading connected with Rio and adds Empire of the Senses. In the seventh item he states that he has seen little of Moacy lately, probably referring to Moacy Cirne, an important poet, critic, researcher and participant in the Poema Processo movement. In the eighth item he states that he has established many new Mail Art and Postal Art contacts. In the ninth he records his intention to be in Natal in December 1980 or January 1981. The message ends with the expression I think that is all for today and the signature Avelino. The card documents the personal and artistic relationships of Avelino de Araújo with participants in visual poetry, Poema Processo, Mail Art and Postal Art networks, as well as his interest in international circulation, postal contacts and the cultural environment of Natal and Rio Grande do Norte. The work is a primary source for research on Avelino de Araújo, A de Araújo, Moacy Cirne, Brazilian visual poetry, Mail Art, Mail Art Brazil, Poema Processo, collage, political art, intersign communication, appropriated press imagery and alternative artist networks during the early 1980s.



