Colagem de Álvaro de Sá realizada nos anos 1960, vinculada ao campo da arte política, da poesia visual e das experiências que antecedem e acompanham a formação do Poema Processo.
Álvaro de Sá
Categoria: Arte Politica
Acervo: 00022
Data: 1960s
Dimensões: 50 x 55
TEXTO SALSA EM PORTUGUÊSColagem de Álvaro de Sá realizada nos anos 1960, vinculada ao campo da arte política, da poesia visual e das experiências que antecedem e acompanham a formação do Poema Processo. A obra reúne recortes de jornais, revistas, publicidade, imagens, palavras manuscritas, sinais gráficos e intervenções desenhadas, formando uma estrutura visual complexa na qual comunicação de massa, política, religião, economia, tecnologia, trabalho, violência e futuro são colocados em confronto.A composição apresenta caráter fragmentário e não linear. Palavras e imagens provenientes de diferentes contextos são retiradas de suas funções originais e recombinadas para produzir novas relações de sentido. Entre os elementos identificáveis aparecem referências a flores, mortos, religiosos, intriga atômica, cidade, energia, força, fauna, cibernética, poeta, homem, trabalho, sangue, informação, futuro, dinheiro, porcentagens, amor e amanhã.Na região superior esquerda, a palavra Quando aparece associada a flores e a uma sequência de cruzes e referências aos mortos. Próximo desse conjunto encontram se fragmentos relativos a religiosos e uma composição gráfica que aproxima religião, morte e linguagem institucional. A repetição de cruzes transforma símbolos religiosos em elementos de uma estrutura visual, criando uma relação entre espiritualidade, morte coletiva e comunicação gráfica.Na região superior central e direita surgem inscrições semelhantes a explosões representadas por expressões como Bumm e elementos ligados à expressão intriga atômica. Próximo delas aparece uma representação de cidade. Essa articulação estabelece uma associação entre urbanização, ameaça nuclear, guerra, tecnologia e destruição, temas particularmente presentes no imaginário político internacional dos anos 1960.A palavra Dissidentes ocupa posição de destaque na região central e reforça a dimensão política da obra. O termo aparece associado a outras palavras e construções que envolvem oposição, divergência, poder e relações sociais. A presença de frases relacionadas a quem ama e quem não ama amplia a estrutura para questões humanas e afetivas, colocando sentimentos privados dentro de um campo marcado por discursos políticos e coletivos.Outro núcleo importante está na palavra Energia, apresentada em grande destaque. Logo abaixo encontra se uma imagem semelhante a uma cédula monetária, sobre a qual aparece a palavra Força acompanhada de uma seta. A relação entre energia, força, dinheiro e direção permite uma leitura sobre poder econômico, circulação de capital e capacidade de imposição.No centro da composição encontra se uma grande construção tipográfica em torno da palavra Povo, formada por letras preenchidas com imagens e fragmentos gráficos. A palavra é acompanhada por referências a fauna e cibernética. Essa aproximação cria um campo de tensão entre sociedade, natureza e tecnologia. O povo aparece como elemento central dentro de uma rede na qual seres humanos, máquinas, informação e estruturas políticas se cruzam.Na região esquerda inferior, uma sequência textual aproxima poeta e homem e inclui a frase vai ao encontro no local de trabalho. Outros recortes formam construções como sangue informa para fazer uma casa, internacional, pisem suas terras e por baixo do vulcão. Essas combinações transformam fragmentos jornalísticos em poesia política e ampliam a obra para temas de trabalho, território, violência, construção social e conflito.No centro inferior existe uma área vermelha com um elemento gráfico semelhante a um sinal luminoso ou propagação de ondas. Sobre ela aparecem as expressões Thank You e Day, acompanhadas da frase já imaginou a vida sem barulho. A presença do inglês, da publicidade e da referência ao ruído evidencia o interesse pela circulação internacional da linguagem de massa e pela interferência entre mensagens comerciais e conteúdo poético.A região inferior direita concentra referências numéricas e temporais. Aparecem 75 por cento, 25 por cento, futuro, hoje e amanhã, além de uma representação de dinheiro. A frase Futuro é Hoje destaca se como elemento conceitual importante. A distribuição de percentuais, palavras temporais e dinheiro cria relações entre planejamento, economia, expectativa, consumo e transformação histórica.A obra demonstra como Álvaro de Sá transforma materiais cotidianos da imprensa em uma linguagem visual crítica. O sentido não está localizado em uma frase isolada, mas surge da interação entre palavras, imagens, desenhos, sinais, diferenças tipográficas e posições no espaço. Trata se de uma colagem que exige leitura ativa, associação e deslocamento do olhar.A peça é especialmente relevante para pesquisas sobre Álvaro de Sá, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, arte política brasileira, colagem, comunicação de massa, imprensa, publicidade, guerra fria, ameaça nuclear, tecnologia, cibernética, cidade, religião, trabalho, dinheiro, poder, futuro, sociedade, informação e vanguardas brasileiras dos anos 1960.TEXTO SALSA EM INGLÊSCollage by Álvaro de Sá produced during the 1960s and connected with political art, visual poetry and the experimental practices that preceded and accompanied the development of Poema Processo. The work combines fragments from newspapers, magazines, advertising, images, handwritten words, graphic signs and drawn interventions, creating a complex visual structure in which mass communication, politics, religion, economics, technology, labor, violence and the future are placed in confrontation.The composition has a fragmented and nonlinear character. Words and images originating from different contexts are removed from their original functions and recombined to produce new relationships of meaning. Identifiable elements include references to flowers, the dead, religious figures, atomic intrigue, the city, energy, force, fauna, cybernetics, poet, man, labor, blood, information, future, money, percentages, love and tomorrow.In the upper left area, the word Quando appears in association with flowers and with a sequence of crosses and references to the dead. Nearby are fragments related to religious subjects and a graphic construction that connects religion, death and institutional language. The repetition of crosses transforms religious symbols into elements of a visual structure, creating relationships among spirituality, collective death and graphic communication.In the upper central and right areas there are handwritten representations of explosions using expressions similar to Bumm together with elements connected to the phrase intriga atômica. Nearby appears an image of a city. This combination establishes an association among urbanization, nuclear threat, war, technology and destruction, themes strongly present in the international political imagination of the 1960s.The word Dissidentes occupies a prominent position in the central area and reinforces the political dimension of the work. The term is associated with other words and constructions involving opposition, divergence, power and social relations. Phrases connected to those who love and those who do not love introduce a human and emotional dimension into a field dominated by political and collective discourse.Another important nucleus is the word Energia, presented with strong visual emphasis. Directly below it is an image resembling a banknote on which the word Força appears together with an arrow. The relationship among energy, force, money and direction allows interpretations concerning economic power, the circulation of capital and mechanisms of authority.At the center of the composition is a large typographic construction around the word Povo, with letters filled by images and graphic fragments. The word is accompanied by references to fauna and cybernetics. This combination creates a field of tension among society, nature and technology. The people become a central element within a network where human beings, machines, information and political structures intersect.In the lower left area, a textual sequence connects poet and man and includes the phrase vai ao encontro no local de trabalho. Other fragments form constructions such as sangue informa para fazer uma casa, internacional, pisem suas terras and por baixo do vulcão. These combinations transform journalistic fragments into political poetry and expand the work toward themes of labor, territory, violence, social construction and conflict.In the lower central area there is a red field containing a graphic element resembling a luminous signal or the propagation of waves. The expressions Thank You and Day appear over this field together with the phrase já imaginou a vida sem barulho. The presence of English, advertising language and references to noise demonstrates an interest in the international circulation of mass communication and in the interference between commercial messages and poetic content.The lower right area concentrates numerical and temporal references. Visible elements include 75 percent, 25 percent, futuro, hoje and amanhã, together with a representation of money. The phrase Futuro é Hoje stands out as an important conceptual element. The distribution of percentages, temporal words and money creates relationships among planning, economics, expectation, consumption and historical transformation.The work demonstrates how Álvaro de Sá transforms everyday materials from printed media into a critical visual language. Meaning is not located within an isolated sentence but emerges through the interaction of words, images, drawings, signs, typographic differences and spatial positions. It is a collage that requires active reading, association and movement of the viewer across the visual field.The piece is particularly relevant to research on Álvaro de Sá, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, Brazilian political art, collage, mass communication, newspapers, advertising, the Cold War, nuclear threat, technology, cybernetics, cities, religion, labor, money, power, the future, society, information and Brazilian avant garde practices of the 1960s.
TEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊSColagem original atribuída a Álvaro de Sá e situada nos anos 1960 segundo a informação de procedência fornecida. A obra apresenta suporte de papel com sinais evidentes de envelhecimento, ondulações, rasgos, perdas nas bordas, vincos e diferentes tonalidades resultantes do tempo e dos materiais utilizados. Esses aspectos físicos fazem parte da história material do documento e devem ser preservados no registro do acervo.A composição emprega recortes de jornais, revistas, publicidade, imagens impressas, papéis coloridos, escrita manuscrita, desenhos, sinais direcionais e elementos gráficos. A variedade de procedências tipográficas demonstra um procedimento consciente de apropriação da comunicação impressa. Os fragmentos não são organizados como texto convencional. Eles ocupam posições independentes e produzem relações por proximidade, contraste, escala e associação visual.Na região superior esquerda encontram se a palavra Quando, uma composição de flores, uma sequência de cruzes e referências aos mortos. Também são visíveis fragmentos relacionados a religiosos. A aproximação entre flores, cruzes, morte e religião cria um campo semântico relacionado a memória, ritual, espiritualidade e mortalidade.Na parte superior central e direita aparecem desenhos manuscritos que representam explosões com expressões semelhantes a Bumm. Próximo deles encontram se fragmentos que formam a expressão intriga atômica e uma pequena imagem impressa de cidade. Esse conjunto constitui uma das áreas politicamente mais significativas da obra porque aproxima espaço urbano, energia atômica, ameaça militar e imaginário de destruição.Na região central esquerda aparece a palavra Energia em grande corpo tipográfico. Logo abaixo encontra se uma imagem semelhante a uma cédula monetária, acompanhada da palavra Força e de uma seta direcionada para a direita. A relação visual entre dinheiro, força e direção sugere associações entre economia e poder.No centro destaca se uma construção tipográfica de grandes dimensões que pode ser lida como Povo. As letras contêm imagens e texturas internas. Abaixo e entre as letras aparecem as palavras Fauna e Cibernética. A união desses elementos cria uma associação incomum entre humanidade, natureza, sistemas tecnológicos e comunicação.A palavra Dissidentes aparece em posição central superior e possui grande importância para a interpretação política do trabalho. Sua presença introduz referências a divergência, oposição, contestação e participação política. Ao redor desse termo encontram se sinais e frases que ampliam a ideia de conflito entre diferentes posições.Na parte esquerda inferior é possível identificar uma estrutura formada por poeta e homem, ligada à frase vai ao encontro no local de trabalho. Outros fragmentos incluem sangue, informa, para fazer uma casa, internacional, pisem suas terras e por baixo do vulcão. A combinação reúne referências ao indivíduo, trabalho, informação, território e violência.No centro inferior encontra se um retângulo vermelho com uma composição gráfica de formas brancas e amarelas. São visíveis as palavras Thank You e Day. Na parte inferior desse conjunto aparece a frase já imaginou a vida sem barulho. O bloco parece ter origem publicitária ou editorial e foi incorporado à colagem como elemento de contraste cromático e semântico.Na região direita inferior aparecem referências a 75 por cento e 25 por cento, além de palavras relacionadas a futuro, hoje e amanhã. A expressão Futuro é Hoje destaca se em letras de grande dimensão. Uma representação gráfica semelhante a dinheiro aparece próxima dessa área, reforçando relações entre economia, tempo e expectativa social.A peça apresenta inúmeros trechos manuscritos e pequenos recortes cuja leitura integral não pode ser estabelecida com segurança a partir da fotografia disponível. Recomenda se que uma futura catalogação diplomática seja realizada diretamente diante do original ou a partir de imagem de maior resolução, preservando grafia, posição e eventuais ambiguidades dos textos.Não se identifica na imagem uma data manuscrita ou assinatura suficientemente nítida para estabelecer uma datação precisa. A classificação como obra dos anos 1960 corresponde à informação fornecida sobre sua procedência. A linguagem e os procedimentos utilizados são compatíveis com o universo experimental de Álvaro de Sá e com as investigações sobre comunicação visual, apropriação, poesia visual e estruturas não lineares associadas ao desenvolvimento do Poema Processo.A obra possui elevado valor documental para pesquisas sobre Álvaro de Sá, Poema Processo, arte política brasileira, poesia visual, poesia experimental, colagem, apropriação da imprensa, comunicação de massa, religião, morte, ameaça nuclear, guerra fria, cidade, tecnologia, cibernética, povo, dissidência, dinheiro, trabalho, informação, futuro, publicidade, linguagem gráfica e vanguardas brasileiras dos anos 1960.OBSERVATION TEXT IN ENGLISHOriginal collage attributed to Álvaro de Sá and broadly situated within the 1960s according to the provenance information provided. The work is executed on paper showing visible signs of aging, undulation, tears, losses along the edges, folds and variations in tone produced by time and by the different materials employed. These physical characteristics form part of the material history of the document and should be preserved within its archival record.The composition employs fragments from newspapers, magazines, advertising, printed images, colored papers, handwriting, drawings, directional signs and graphic elements. The variety of typographic sources demonstrates a conscious process of appropriation from printed communication. The fragments are not organized as conventional text. They occupy independent positions and generate relationships through proximity, contrast, scale and visual association.In the upper left area are the word Quando, a composition of flowers, a sequence of crosses and references to the dead. Fragments related to religious subjects are also visible. The proximity of flowers, crosses, death and religion creates a semantic field connected to memory, ritual, spirituality and mortality.In the upper central and right areas are handwritten drawings representing explosions with expressions similar to Bumm. Nearby are fragments forming the expression intriga atômica and a small printed image of a city. This group constitutes one of the most politically significant areas of the work because it brings together urban space, atomic energy, military threat and an imaginary of destruction.In the central left area the word Energia appears in large typography. Directly below it is an image resembling a banknote, accompanied by the word Força and an arrow directed toward the right. The visual relationship among money, force and direction suggests associations between economics and power.At the center is a large typographic construction that can be read as Povo. The letters contain internal images and textures. The words Fauna and Cibernética appear below and between these letters. The combination creates an unusual association among humanity, nature, technological systems and communication.The word Dissidentes appears in the upper central area and has considerable importance for the political interpretation of the work. Its presence introduces references to divergence, opposition, contestation and political participation. Signs and phrases surrounding the word broaden the idea of conflict among different positions.In the lower left area a structure formed by poeta and homem can be identified, connected to the phrase vai ao encontro no local de trabalho. Other fragments include sangue, informa, para fazer uma casa, internacional, pisem suas terras and por baixo do vulcão. The combination brings together references to the individual, labor, information, territory and violence.In the lower central area there is a red rectangle containing a graphic composition of white and yellow forms. The words Thank You and Day are visible. At the bottom of this section appears the phrase já imaginou a vida sem barulho. The block appears to originate from advertising or editorial material and has been incorporated into the collage as an element of chromatic and semantic contrast.The lower right area includes references to 75 percent and 25 percent together with words related to the future, today and tomorrow. The expression Futuro é Hoje stands out in large lettering. A graphic representation resembling money appears near this area, reinforcing relationships among economics, time and social expectation.The piece contains numerous handwritten passages and small printed fragments whose complete reading cannot be established reliably from the available photograph. A future diplomatic cataloguing should preferably be undertaken directly from the original work or from a higher resolution image in order to preserve spelling, position and possible ambiguities in the texts.No handwritten date or sufficiently clear signature can be identified in the supplied image to establish an exact date. The classification as a work from the 1960s follows the provenance information provided. Its language and procedures are consistent with the experimental universe of Álvaro de Sá and with investigations of visual communication, appropriation, visual poetry and nonlinear structures associated with the development of Poema Processo.The work has significant documentary value for research on Álvaro de Sá, Poema Processo, Brazilian political art, visual poetry, experimental poetry, collage, appropriation of printed media, mass communication, religion, death, nuclear threat, the Cold War, cities, technology, cybernetics, people, dissent, money, labor, information, the future, advertising, graphic language and Brazilian avant garde practices of the 1960s.


