Home Acervo Colagem e poema visual em código de Álvaro de Sá, realizada nos anos 1960 e relacionada ao contexto da arte política brasileira, da ditadura militar e das experiências que contribuíram para a consolidação do Poema Processo.

Colagem e poema visual em código de Álvaro de Sá, realizada nos anos 1960 e relacionada ao contexto da arte política brasileira, da ditadura militar e das experiências que contribuíram para a consolidação do Poema Processo.

Álvaro de Sá

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00204 - 1960s - Colagem Diversas

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TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS

Colagem e poema visual em código de Álvaro de Sá, realizada nos anos 1960 e relacionada ao contexto da arte política brasileira, da ditadura militar e das experiências que contribuíram para a consolidação do Poema Processo. A obra substitui a leitura verbal convencional por uma organização de letras, números, formas geométricas, símbolos, fragmentos impressos, cores e relações espaciais, produzindo uma linguagem que precisa ser decifrada pelo observador.

A composição apresenta forte estrutura simétrica. Círculos azuis contendo triângulos e pequenos blocos de texto aparecem repetidamente em diferentes pontos da superfície. Linhas verticais azuis, quadrados, triângulos, letras isoladas e números formam um sistema gráfico semelhante a uma codificação. As repetições sugerem equivalências e relações internas entre signos, aproximando o poema de um diagrama, de uma cifra ou de um sistema de comunicação visual.

Na região superior aparecem conjuntos simétricos formados por linhas azuis, círculos e as letras e. Mais abaixo surgem combinações que incluem círculos, letras como d, i e p, além de expressões matemáticas compostas pelo sinal de multiplicação e pelo número 100. Esses elementos aproximam linguagem poética, matemática, informação e estrutura visual.

Na área central destaca se uma cruz acompanhada pela pequena inscrição em. Próximo dela surgem grandes letras recortadas em diferentes cores, tamanhos e estilos gráficos. Essas letras parecem formar fragmentos ou possibilidades de palavras, mas sua disposição evita uma leitura verbal simples. O poema é deliberadamente fragmentado e obriga o observador a procurar relações entre letras, símbolos, quantidades e posições.

A alternância entre vermelho, amarelo, azul, preto, roxo e tonalidades provenientes dos materiais impressos cria diferentes níveis de informação. O código não depende apenas das letras. Cor, forma, dimensão, repetição, orientação e localização de cada signo participam da construção de sentido. Triângulos dentro de círculos azuis se contrapõem a pequenos retângulos contendo blocos de texto, estabelecendo um vocabulário visual recorrente.

Segundo a informação de procedência associada à obra, a construção codificada estava relacionada à necessidade de transmitir conteúdo político em um período de repressão e censura durante a ditadura militar brasileira. Nesse contexto, a utilização de códigos, imagens e estruturas não lineares poderia permitir que determinadas mensagens circulassem sem se apresentarem como discursos políticos convencionais facilmente identificáveis. Essa informação deve ser preservada como parte fundamental da documentação histórica da peça.

A obra exemplifica uma característica decisiva da pesquisa de Álvaro de Sá e do ambiente do Poema Processo. O poema deixa de depender exclusivamente de frases e palavras e passa a utilizar signos visuais como unidades de comunicação. O leitor deixa de ocupar posição passiva e torna se responsável por observar, comparar, relacionar e eventualmente decodificar a estrutura apresentada.

A dimensão política está, portanto, tanto no possível conteúdo codificado quanto no próprio procedimento. Ao tornar a mensagem menos transparente e criar uma linguagem alternativa aos sistemas convencionais de comunicação, Álvaro de Sá investiga simultaneamente censura, controle da informação, liberdade de expressão e participação do leitor.

Documento de grande relevância para pesquisas sobre Álvaro de Sá, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, poema código, poesia codificada, arte política brasileira, ditadura militar, censura, comunicação clandestina, semiótica, linguagem visual, sistemas de signos, poesia matemática, arte conceitual, participação, informação, comunicação gráfica e vanguardas brasileiras dos anos 1960.

TEXTO SALSA EM INGLÊS

Collage and coded visual poem by Álvaro de Sá, produced during the 1960s and related to the context of Brazilian political art, the military dictatorship and the experiments that contributed to the consolidation of Poema Processo. The work replaces conventional verbal reading with an organization of letters, numbers, geometric forms, symbols, printed fragments, colors and spatial relationships, creating a language that must be deciphered by the viewer.

The composition presents a strong symmetrical structure. Blue circles containing triangles and small blocks of printed text appear repeatedly in different areas of the surface. Blue vertical lines, squares, triangles, isolated letters and numbers form a graphic system resembling a code. These repetitions suggest equivalences and internal relationships among signs, bringing the poem close to a diagram, cipher or visual communication system.

In the upper area appear symmetrical groups formed by blue lines, circles and the letter e. Further below are combinations involving circles, letters such as d, i and p, together with mathematical expressions composed of a multiplication sign and the number 100. These elements connect poetic language with mathematics, information and visual structure.

In the central area a cross accompanied by the small inscription en is particularly prominent. Nearby are large cut out letters in different colors, sizes and graphic styles. These letters appear to create fragments or possibilities of words, but their arrangement avoids simple verbal reading. The poem is deliberately fragmented and requires the viewer to search for relationships among letters, symbols, quantities and positions.

The alternation of red, yellow, blue, black, purple and the tones of the appropriated printed materials creates different levels of information. The code does not depend only on letters. Color, shape, dimension, repetition, orientation and the location of each sign participate in the construction of meaning. Triangles inside blue circles are contrasted with small rectangles containing blocks of text, establishing a recurring visual vocabulary.

According to the provenance information associated with the work, its coded construction was related to the need to communicate political content during a period of repression and censorship under the Brazilian military dictatorship. In this context, codes, images and nonlinear structures could allow certain messages to circulate without appearing as conventional political discourse that could be easily identified. This information should be preserved as a fundamental part of the historical documentation of the piece.

The work exemplifies a decisive characteristic of Álvaro de Sá's research and of the environment of Poema Processo. The poem no longer depends exclusively on phrases and words and begins to employ visual signs as units of communication. The reader ceases to occupy a passive position and becomes responsible for observing, comparing, relating and potentially decoding the structure presented.

The political dimension therefore exists both in the possible coded content and in the procedure itself. By making the message less transparent and creating a language alternative to conventional communication systems, Álvaro de Sá simultaneously investigates censorship, control of information, freedom of expression and reader participation.

This document is highly relevant to research on Álvaro de Sá, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, coded poetry, coded visual poem, Brazilian political art, military dictatorship, censorship, clandestine communication, semiotics, visual language, sign systems, mathematical poetry, conceptual art, participation, information, graphic communication and Brazilian avant garde practices of the 1960s.

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