Home Acervo Colagem de Álvaro de Sá realizada nos anos 1960, concebida como uma estrutura visual relacionada ao jogo de xadrez, à arte política, à poesia experimental e às pesquisas que levariam ao desenvolvimento do Poema Processo.

Colagem de Álvaro de Sá realizada nos anos 1960, concebida como uma estrutura visual relacionada ao jogo de xadrez, à arte política, à poesia experimental e às pesquisas que levariam ao desenvolvimento do Poema Processo.

Álvaro de Sá

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00202 - 1960s - Colagem Diversas

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TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS

Colagem de Álvaro de Sá realizada nos anos 1960, concebida como uma estrutura visual relacionada ao jogo de xadrez, à arte política, à poesia experimental e às pesquisas que levariam ao desenvolvimento do Poema Processo. A obra organiza imagens, letras, números, palavras e instruções datilografadas sobre uma grande superfície quadriculada em preto e branco, apropriando a lógica do tabuleiro para criar um campo de relações entre poder, estratégia, identidade, linguagem e movimento.

A estrutura geral remete diretamente a um tabuleiro de xadrez, mas as peças tradicionais são substituídas ou contaminadas por personagens, figuras humanas, animais, objetos, letras e imagens retiradas da cultura impressa. Cavalo, torre, rei e outras referências ao vocabulário do xadrez aparecem incorporadas a frases datilografadas, transformando as regras do jogo em matéria poética.

Entre os textos legíveis encontram se construções como mamão a 5 de CAVALO, cheque eu, preto, a 1 de TORRE e alvarodonte branco a 6 de CAVALO, eu, preto, a 2 de CAVALO. Em outras áreas surgem novas instruções envolvendo alvarodonte, cavalo, cheque e deslocamentos numéricos. A linguagem imita sistemas de notação e instrução do xadrez, mas introduz palavras inesperadas e personagens inventados, rompendo com a função puramente lógica do código.

O termo alvarodonte possui especial importância dentro da composição. A palavra parece associar o próprio nome Álvaro a uma figura imaginária, apresentada em diferentes situações visuais. Na região inferior esquerda aparece um personagem antropomórfico construído por colagem e identificado como bicho alvarodonte. Na região central inferior surge outro personagem colorido associado novamente ao termo alvarodonte. Essa criação funciona como personagem, signo e possível alter ego inserido no sistema do jogo.

A obra transforma o xadrez em metáfora visual de relações sociais e políticas. O tabuleiro estabelece um território de confronto, regras, hierarquias, posições e estratégias. As peças deixam de representar apenas funções abstratas e passam a incorporar figuras provenientes da publicidade, da imprensa, da cultura popular e do imaginário político. O jogo torna se uma estrutura para pensar poder, decisão, movimento, identidade e conflito.

Na parte superior aparecem diferentes formas e personagens recortados, incluindo imagens semelhantes a rostos, círculos coloridos, uma pequena composição identificável pelo termo alvarodonte, uma figura masculina e objetos gráficos. No setor direito encontram se elementos que evocam peças do xadrez, inclusive uma forma semelhante a uma torre. Números como 7, 6 e 5 são distribuídos pela composição e contribuem para a sensação de coordenadas, posições e movimentos.

As grandes letras isoladas em vermelho, azul e outras cores também funcionam como peças gráficas dentro do tabuleiro. Fragmentos como BR e CR participam da estrutura sem formar necessariamente uma leitura verbal contínua. A letra deixa de ser apenas unidade linguística e passa a funcionar como forma, cor, posição e sinal.

Na região inferior direita aparece uma figura feminina usando uma grande coroa, aproximando iconografia popular e referência à realeza. A presença da coroa estabelece diálogo evidente com as estruturas hierárquicas do xadrez, ao mesmo tempo em que introduz referências à cultura de massa e à representação do poder. Em outra área encontra se uma figura antropomórfica colorida que reforça o caráter lúdico e irônico da composição.

Álvaro de Sá articula nessa obra procedimentos de colagem, montagem, apropriação, jogo, escrita datilografada, código, humor, transformação semântica e estrutura modular. A leitura depende do deslocamento do olhar pelo campo visual e da tentativa de relacionar textos, personagens, números e imagens. O observador participa do jogo sem receber uma regra definitiva para percorrer a obra.

A colagem é particularmente relevante para compreender as investigações de Álvaro de Sá sobre sistemas de signos, participação, comunicação visual e ruptura com a linearidade do poema tradicional. O uso do xadrez como estrutura aproxima arte, jogo e linguagem e antecipa questões fundamentais para o Poema Processo, no qual o poema passa a ser pensado como projeto, estrutura, processo e experiência visual.

Documento de grande interesse para pesquisas sobre Álvaro de Sá, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, arte política brasileira, colagem, jogo de xadrez na arte, arte e jogo, semiótica, comunicação visual, arte conceitual, apropriação, cultura de massa, linguagem gráfica, sistemas de signos, participação do observador, política, poder, estratégia e vanguardas brasileiras dos anos 1960.

TEXTO SALSA EM INGLÊS

Collage by Álvaro de Sá produced during the 1960s and conceived as a visual structure related to chess, political art, experimental poetry and the investigations that would contribute to the development of Poema Processo. The work organizes images, letters, numbers, words and typed instructions across a large black and white grid, appropriating the logic of the chessboard to create a field of relationships among power, strategy, identity, language and movement.

The overall structure directly evokes a chessboard, but traditional pieces are replaced or transformed by characters, human figures, animals, objects, letters and images appropriated from printed culture. References to the knight, rook, king and other elements of chess vocabulary appear within typed phrases, transforming the rules of the game into poetic material.

Among the legible texts are constructions such as mamão a 5 de CAVALO, cheque eu, preto, a 1 de TORRE and alvarodonte branco a 6 de CAVALO, eu, preto, a 2 de CAVALO. Other areas contain additional instructions involving alvarodonte, chess pieces, checks and numerical movements. The language imitates systems of chess notation and instruction while introducing unexpected words and invented characters that disrupt the purely logical function of the code.

The term alvarodonte has particular importance within the composition. The word appears to associate the name Álvaro with an imaginary figure presented in different visual situations. In the lower left area an anthropomorphic collage character is identified as bicho alvarodonte. In the lower central area another colored character is again associated with the term alvarodonte. This invention functions as character, sign and possible alter ego inserted into the system of the game.

The work transforms chess into a visual metaphor for social and political relationships. The board establishes a territory of confrontation, rules, hierarchies, positions and strategies. The pieces no longer represent only abstract functions but incorporate figures from advertising, newspapers, popular culture and political imagery. The game becomes a structure through which power, decision, movement, identity and conflict can be considered.

Different forms and characters appear across the upper area, including faces, colored circles, a small composition associated with the word alvarodonte, a male figure and several graphic objects. Elements resembling chess pieces appear on the right, including a form similar to a rook. Numbers such as 7, 6 and 5 are distributed across the composition and contribute to the impression of coordinates, positions and movements.

Large isolated letters in red, blue and other colors also operate as graphic pieces within the board. Fragments such as BR and CR participate in the structure without necessarily forming a continuous verbal statement. Letters cease to function only as linguistic units and become forms, colors, positions and signs.

In the lower right area a female figure wearing a large crown connects popular imagery with references to royalty. The crown establishes an evident dialogue with the hierarchical structures of chess while also introducing elements of mass culture and representations of power. Another area contains a colorful anthropomorphic character that reinforces the playful and ironic character of the composition.

Álvaro de Sá combines collage, montage, appropriation, game structures, typed writing, codes, humor, semantic transformation and modular organization. Reading depends on the movement of the eye across the visual field and on attempts to establish relationships among texts, characters, numbers and images. The viewer participates in the game without receiving a definitive rule for navigating the work.

The collage is particularly relevant to understanding Álvaro de Sá's investigations into sign systems, participation, visual communication and the rejection of linear poetic structures. The use of chess connects art, game and language and anticipates fundamental questions of Poema Processo, where the poem becomes project, structure, process and visual experience.

This document is highly relevant to research on Álvaro de Sá, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, Brazilian political art, collage, chess in art, art and games, semiotics, visual communication, conceptual art, appropriation, mass culture, graphic language, sign systems, viewer participation, politics, power, strategy and Brazilian avant garde practices of the 1960s.

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