Colagem e poema visual em código de Álvaro de Sá, realizada nos anos 1960 e relacionada ao contexto da arte política brasileira, do governo militar, da censura e das experiências de linguagem que participam da formação do Poema Processo.
Álvaro de Sá
Categoria: Arte Politica
Acervo: 00212
Data: 1960s
Dimensões: 23,4 x 20,5 (folha) / 34,1 x 24,3
TEXTO SALSA EM PORTUGUÊSColagem e poema visual em código de Álvaro de Sá, realizada nos anos 1960 e relacionada ao contexto da arte política brasileira, do governo militar, da censura e das experiências de linguagem que participam da formação do Poema Processo. A obra combina fragmentos de publicidade industrial, tipografia impressa, palavras recortadas, escrita manual, alterações de escala, diferentes famílias tipográficas e uma estrutura textual central que rompe deliberadamente com a leitura convencional.A composição apresenta um grande campo vermelho ornamentado por uma trama repetitiva de desenhos circulares e formas abstratas. No centro encontra se uma área vertical branca que concentra o poema. Essa faixa funciona como núcleo de leitura e estabelece forte contraste com a regularidade gráfica do fundo vermelho.No alto do poema destaca se a palavra NADA em letras negras de grande dimensão. A palavra reaparece em diferentes momentos da composição, funcionando como elemento recorrente e possível chave para o sistema poético. Ao seu redor surgem fragmentos como nada, consistentemente, apesar, brilho, poder, cobertura, você, dia, vida, não, homem, branco, violeta, azul, verde, laranja e vermelho. Letras e sílabas isoladas aparecem ampliadas, fragmentadas ou integradas a outras palavras.A linguagem é submetida a operações de ruptura. Palavras que originalmente pertenciam à publicidade e à descrição técnica de materiais são desmontadas e reorganizadas dentro do poema. Trechos como poder, cor, branco, violeta, azul, verde, laranja e vermelho aproximam vocabulário industrial, percepção cromática e significados políticos e sociais.A palavra poder possui importância particular no contexto da obra. Inserida em uma composição identificada pela procedência como arte política produzida durante o governo militar, ela deixa de possuir apenas uma função técnica ou publicitária e passa a admitir associações com autoridade, controle e estruturas políticas. A mesma operação ocorre com termos como homem, vida, nada e cor, que são retirados de uma linguagem funcional e transformados em signos poéticos abertos.As extremidades superior e inferior preservam fragmentos de um anúncio ou texto técnico relacionado a pigmentos e tintas. Na parte superior são legíveis referências a excelente poder de cobertura e coloração, alto brilho, dispersão e controle durante a fabricação. Na parte inferior aparece uma frase sobre Dióxido de Titânio, tintas, acabamento de couro e esmaltes vitrificantes. Esses fragmentos indicam que Álvaro de Sá se apropriou de material gráfico relacionado à indústria química ou à produção de pigmentos.O uso do Dióxido de Titânio como matéria verbal é particularmente significativo. Um texto originalmente destinado a comunicar propriedades técnicas de pigmentação, cobertura e cor passa a servir de moldura para um poema centrado justamente em palavras relacionadas à cor, branco, violeta, azul, verde, laranja e vermelho. A apropriação transforma uma mensagem comercial em estrutura poética e cria uma reflexão sobre os sistemas que atribuem função e significado às palavras.A leitura da faixa central não ocorre de maneira exclusivamente linear. Mudanças de tamanho, sobreposição de letras, interrupções, fragmentos manuscritos e diferentes orientações obrigam o observador a reconstruir possíveis relações. O poema funciona como um código visual no qual tipografia, cor, escala e posição possuem importância semelhante à palavra escrita.Segundo a informação de procedência fornecida, a peça está relacionada ao uso do poema em código durante o período do governo militar. Nesse contexto, a fragmentação da linguagem pode ser compreendida como recurso poético e também como estratégia de comunicação indireta em ambiente marcado por censura e vigilância. A obra não entrega imediatamente sua mensagem, exigindo interpretação e participação ativa do leitor.Essa transformação do leitor em agente da leitura aproxima a peça de questões centrais do Poema Processo. A poesia deixa de depender apenas da frase e do verso e passa a operar por meio de signos, fragmentos, relações espaciais, códigos e processos de decifração. A obra existe também no processo intelectual necessário para reconstruir seus possíveis sentidos.Documento de grande importância para pesquisas sobre Álvaro de Sá, Poema Processo, poesia visual brasileira, poema código, poesia codificada, poesia experimental, arte política brasileira, governo militar, ditadura militar brasileira, censura, poder, comunicação indireta, publicidade industrial, Dióxido de Titânio, pigmentos, cor, tipografia, colagem, apropriação da imprensa, semiótica, comunicação visual, participação do leitor e vanguardas brasileiras dos anos 1960.TEXTO SALSA EM INGLÊSCollage and coded visual poem by Álvaro de Sá produced during the 1960s and related to the context of Brazilian political art, military government, censorship and experimental language practices connected with the formation of Poema Processo. The work combines fragments of industrial advertising, printed typography, cut out words, handwriting, changes of scale, different typefaces and a central textual structure that deliberately disrupts conventional reading.The composition presents a large red field covered by a repetitive pattern of circular drawings and abstract forms. At the center is a vertical white area containing the poem. This strip functions as the principal reading nucleus and creates a strong contrast with the graphic regularity of the red background.At the top of the poem the word NADA appears prominently in large black letters. The word reappears at different moments in the composition, functioning as a recurrent element and possible key to the poetic system. Around it are fragments including nada, consistentemente, apesar, brilho, poder, cobertura, você, dia, vida, não, homem, branco, violeta, azul, verde, laranja and vermelho. Individual letters and syllables are enlarged, fragmented or incorporated into other words.Language is subjected to processes of rupture. Words that originally belonged to advertising and technical descriptions of materials are dismantled and reorganized within the poem. Fragments such as power, color, white, violet, blue, green, orange and red connect industrial vocabulary, chromatic perception and possible political and social meanings.The word power is especially significant within the context of the work. Within a composition identified through provenance as political art produced during the period of military government, it no longer functions only as a technical or advertising term and may acquire associations with authority, control and political structures. A similar transformation occurs with terms such as man, life, nothing and color, which are removed from functional language and converted into open poetic signs.The upper and lower margins preserve fragments of an advertisement or technical text related to pigments and paints. The upper section contains references to excellent covering and coloring power, high gloss, dispersion and control during manufacturing. The lower section contains a sentence concerning Titanium Dioxide, paints, leather finishing and vitreous enamels. These fragments indicate that Álvaro de Sá appropriated graphic material associated with the chemical or pigment industry.The use of Titanium Dioxide as verbal material is particularly significant. A text originally intended to communicate technical properties of pigmentation, coverage and color becomes the frame for a poem centered precisely on terms related to color, including white, violet, blue, green, orange and red. Appropriation transforms a commercial message into poetic structure and creates a reflection on the systems that assign functions and meanings to words.Reading the central strip is not exclusively linear. Changes in scale, overlapping letters, interruptions, handwritten fragments and varied typographic treatments require the viewer to reconstruct possible relationships. The poem functions as a visual code in which typography, color, scale and position have importance comparable to written language.According to the provenance information provided, the piece is related to the use of coded poetry during the period of military government. Within this context, fragmentation of language can be understood both as a poetic procedure and as a form of indirect communication in an environment marked by censorship and surveillance. The work does not immediately reveal its message and instead requires interpretation and active reader participation.This transformation of the reader into an active agent connects the work with central concerns of Poema Processo. Poetry no longer depends solely on sentences and verse but operates through signs, fragments, spatial relationships, codes and processes of decoding. The work also exists through the intellectual process required to reconstruct its possible meanings.This document is highly relevant to research on Álvaro de Sá, Poema Processo, Brazilian visual poetry, coded poem, coded poetry, experimental poetry, Brazilian political art, military government, Brazilian military dictatorship, censorship, power, indirect communication, industrial advertising, Titanium Dioxide, pigments, color, typography, collage, appropriation of printed media, semiotics, visual communication, reader participation and Brazilian avant garde practices of the 1960s.
TEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊSColagem e poema visual atribuído a Álvaro de Sá e situado nos anos 1960 segundo a informação de procedência fornecida. A peça apresenta formato vertical e utiliza material impresso de origem aparentemente publicitária ou técnica associado a tintas, pigmentos e processos industriais, combinado com uma intervenção poética central.O campo principal é vermelho e apresenta uma textura gráfica repetitiva constituída por numerosos desenhos circulares, linhas, pontos e pequenas formas abstratas. Essa padronização ocupa quase toda a superfície e funciona como moldura para uma faixa branca vertical posicionada aproximadamente no centro.Na margem superior permanece visível parte do material impresso original. É possível identificar uma frase iniciada por Ele provê excelente poder de cobertura e coloração, seguida por referências a propriedades de pigmentação. Outro trecho menciona alto brilho, excelente dispersão e outras características técnicas. À direita aparece referência a controle durante a fabricação e à garantia de propriedades do produto.Esses textos indicam provável apropriação de uma página publicitária ou informativa relacionada à indústria de pigmentos. A própria palavra poder, originalmente ligada ao poder de cobertura de um produto, ganha nova possibilidade de leitura quando inserida em uma obra de arte política.Na margem inferior encontra se uma frase impressa de grande relevância documental. O texto informa que o que o Dióxido de Titânio faz pelas tintas também faz pelo acabamento de couro e pelos esmaltes vitrificantes. A referência permite identificar com maior precisão a natureza do material gráfico apropriado pelo artista.O Dióxido de Titânio é, portanto, elemento importante para a descrição da obra não necessariamente como assunto principal, mas como origem material e discursiva do impresso utilizado na colagem. A escolha desse suporte cria relações com pigmentação, cobertura, branco, cor, indústria e produção em série.Na faixa central branca encontra se uma composição formada por palavras impressas e manuscritas em diferentes tamanhos. No topo destaca se NADA. Abaixo aparece novamente nada e uma sequência fragmentária na qual podem ser reconhecidas palavras como consistentemente, apesar, brilho, poder, cobertura, você, dia, vida, não, homem e cor.Mais abaixo encontram se nomes de cores, entre eles branco, violeta, azul, verde, laranja e vermelho. A presença dessas palavras estabelece relação direta com o conteúdo técnico do anúncio original, que trata de pigmentos e propriedades cromáticas. O artista transforma o vocabulário industrial em matéria do poema.Diversas letras aparecem muito ampliadas e algumas palavras são interrompidas por outras formas tipográficas. A leitura alterna entre textos impressos, intervenções manuais e fragmentos aparentemente provenientes de diferentes fontes. A mudança constante de escala produz hierarquia visual e dificulta uma leitura exclusivamente sintática.A palavra NADA possui forte recorrência e aparece novamente na parte inferior da faixa central. Essa repetição pode funcionar como eixo estrutural da composição, relacionando ausência, negação e esvaziamento da linguagem. Entretanto, uma interpretação definitiva da sequência verbal exige exame direto do original.A composição explora também o contraste entre ordem industrial e desordem poética. O texto técnico das margens emprega linguagem objetiva, descritiva e comercial. No centro, essa previsibilidade desaparece e dá lugar a uma organização fragmentada, instável e aberta.Segundo a informação de procedência fornecida, a obra está relacionada à arte política, ao governo militar e à utilização de um poema em código. Essa informação deve ser preservada na ficha de catalogação como contexto histórico da peça. A imagem confirma claramente uma estrutura verbal fragmentada que exige reconstrução por parte do leitor.A hipótese de que a codificação funcionasse como estratégia diante da censura é compatível com o contexto informado, mas a fotografia isoladamente não permite determinar qual mensagem política integral estaria codificada. Para fins de catalogação histórica é importante distinguir a evidência visual da informação de procedência.A peça apresenta forte relação com procedimentos desenvolvidos por Álvaro de Sá no ambiente do Poema Processo, especialmente a utilização da palavra como imagem, a ruptura da linearidade, a apropriação de materiais da comunicação de massa, a transformação do leitor em participante e a organização do poema como sistema visual.Não é possível identificar na fotografia apresentada uma assinatura ou data manuscrita suficientemente clara para estabelecer o ano preciso da obra. A classificação nos anos 1960 corresponde à informação de procedência fornecida.Termos relevantes para indexação incluem Álvaro de Sá, anos 1960, colagem, arte política, poema código, poesia codificada, governo militar, ditadura militar brasileira, censura, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, NADA, poder, cor, branco, violeta, azul, verde, laranja, vermelho, Dióxido de Titânio, pigmentos, tintas, publicidade industrial, comunicação de massa, apropriação, tipografia experimental, semiótica, código visual, linguagem fragmentada e participação do leitor.OBSERVATION TEXT IN ENGLISHCollage and visual poem attributed to Álvaro de Sá and situated within the 1960s according to the provenance information provided. The piece has a vertical format and uses printed material apparently originating from technical or advertising sources associated with paints, pigments and industrial processes, combined with a central poetic intervention.The principal field is red and contains a repetitive graphic texture composed of numerous circular drawings, lines, dots and small abstract forms. This pattern occupies most of the surface and functions as a frame for a vertical white strip positioned approximately at the center.Part of the original printed material remains visible along the upper margin. A sentence beginning with Ele provê excelente poder de cobertura e coloração can be identified, followed by references to pigment properties. Another passage mentions high gloss, excellent dispersion and other technical characteristics. On the right there is a reference to control during manufacturing and the assurance of product properties.These texts indicate the probable appropriation of an advertising or informational page associated with the pigment industry. The word power itself, originally connected to the covering power of a product, acquires a new potential meaning when inserted into a work of political art.Along the lower margin there is a printed sentence of particular documentary importance. It states that what Titanium Dioxide does for paints it also does for leather finishing and vitreous enamels. This reference makes it possible to identify more precisely the nature of the graphic material appropriated by the artist.Titanium Dioxide is therefore important to the description of the piece, not necessarily as its principal subject but as part of the material and discursive origin of the printed source used in the collage. The choice of this support creates relationships with pigmentation, coverage, whiteness, color, industry and serial production.The central white strip contains a composition formed by printed and handwritten words in different sizes. At the top the word NADA is especially prominent. Below it appears nada again and a fragmented sequence in which words such as consistentemente, apesar, brilho, poder, cobertura, você, dia, vida, não, homem and cor can be recognized.Further below are names of colors including branco, violeta, azul, verde, laranja and vermelho. Their presence establishes a direct relationship with the technical content of the original advertisement, which concerns pigments and chromatic properties. The artist transforms industrial vocabulary into poetic material.Several letters appear greatly enlarged and some words are interrupted by other typographic forms. Reading alternates among printed text, manual interventions and fragments apparently originating from different sources. Constant changes in scale create visual hierarchy and prevent exclusively syntactic reading.The word NADA recurs strongly and appears again toward the bottom of the central strip. This repetition may operate as a structural axis of the composition, connecting absence, negation and the emptying of language. A definitive interpretation of the verbal sequence, however, would require direct examination of the original.The composition also explores a contrast between industrial order and poetic disorder. The technical text along the margins uses objective, descriptive and commercial language. At the center this predictability disappears and gives way to a fragmented, unstable and open organization.According to the provenance information provided, the work is related to political art, military government and the use of a coded poem. This information should be preserved within the catalogue record as part of the historical context of the piece. The image clearly confirms a fragmented verbal structure that requires reconstruction by the reader.The hypothesis that coding functioned as a strategy in relation to censorship is consistent with the context provided, but the photograph alone does not establish the complete political message that may have been encoded. For historical cataloguing it is important to distinguish visual evidence from provenance information.The piece has a strong relationship with procedures developed by Álvaro de Sá within the environment of Poema Processo, particularly the use of the word as image, the disruption of linear reading, appropriation of mass communication materials, transformation of the reader into a participant and organization of the poem as a visual system.No signature or handwritten date sufficiently clear to establish the precise year of production can be identified in the photograph. The classification within the 1960s follows the provenance information provided.Relevant indexing terms include Álvaro de Sá, 1960s, collage, political art, coded poem, coded poetry, military government, Brazilian military dictatorship, censorship, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, NADA, power, color, white, violet, blue, green, orange, red, Titanium Dioxide, pigments, paints, industrial advertising, mass communication, appropriation, experimental typography, semiotics, visual code, fragmented language and reader participation.


