LÁZARO BARRETO: que é a vanguarda senão o espaço em que se move a insatisfação do artista-
III Festival de Poesia de Pirapora - III Fespopi - 1970
Categoria: Exposição Coletiva Nacional
Acervo: 04849
Data: Março de 1970
Dimensões: 28,5 x 36,5 cm
TEXTO SALSA PORTUGUÊS
Entrevista com Lázaro Barreto publicada no jornal Tribuna Literária, em março de 1970, sob o título Lázaro Barreto: que é a vanguarda senão o espaço em que se move a insatisfação do artista- e apresentada na seção T. L. dá margem ao debate. O texto identifica Lázaro Barreto como uma das expressões da vanguarda literária de Minas Gerais, residente em Divinópolis, onde atuava no movimento intelectual da cidade, dirigia o jornal Agora e colaborava com Semana. Também registra sua atuação como contista e poeta, suas menções honrosas nos festivais de Pirapora e na Semana de Arte de Divinópolis, além da publicação dos livros de poemas Árvore no Telhado e Lapinha de Jesus, este último em parceria com Adélia Prado e Frei Tiago Kamps. A matéria informa ainda colaborações de Barreto em jornais e suplementos como Carta, Suplemento Literário e Tribuna Literária.
Na entrevista, Lázaro Barreto discute poesia de vanguarda, o papel da palavra, literatura brasileira e o movimento processo. Ao responder se a poesia de vanguarda ainda seria necessária, afirma que toda boa poesia é de vanguarda quando inaugura possibilidades dentro de uma estrutura estabelecida e amplia o campo do mundo, do tempo e da vida. Formula então a frase que dá título à matéria, relacionando a vanguarda ao espaço em que se move a insatisfação do artista.
Questionado sobre sua posição diante do movimento processo, Lázaro Barreto declara uma curiosidade cética e critica a supressão da palavra na poesia. Seu argumento parte da ideia de que a poesia nasce da necessidade de nomeação e de transposição verbal da experiência. Barreto defende a palavra como matéria fundamental do poeta e estabelece uma distinção entre poesia verbal e comunicação visual. Em resposta posterior, cita Affonso Ávila e Ana Hatherly como exemplos de poetas capazes de construir paisagens e acontecimentos por meio das palavras, além de mencionar Guimarães Rosa e James Joyce no campo da prosa.
Ao tratar da perspectiva do movimento processo diante da realidade nacional, Barreto afirma não acompanhar o movimento de dentro e apresenta sua percepção externa, relacionando o debate à implantação de processos de comunicação visual no Brasil e às condições culturais, sociais e políticas do país. A entrevista documenta uma posição crítica contemporânea sobre o Poema Processo e constitui fonte para o estudo dos debates em torno da palavra, da visualidade, da poesia experimental, da vanguarda literária e das transformações da linguagem poética no Brasil no início da década de 1970.
TEXTO SALSA INGLÊS
Interview with Lázaro Barreto published in the newspaper Tribuna Literária in March 1970 under the title Lázaro Barreto: What Is the Avant Garde if Not the Space in Which the Artist?s Dissatisfaction Moves- and presented in the section T. L. dá margem ao debate. The text identifies Lázaro Barreto as one of the figures of the literary avant garde in Minas Gerais, living in Divinópolis, where he was active in the city?s intellectual movement, directed the newspaper Agora and collaborated with Semana. It also records his work as a short story writer and poet, his honorable mentions at the Pirapora festivals and at the Semana de Arte de Divinópolis, as well as the publication of the poetry books Árvore no Telhado and Lapinha de Jesus, the latter produced in partnership with Adélia Prado and Frei Tiago Kamps. The article further notes Barreto?s contributions to newspapers and literary supplements including Carta, Suplemento Literário and Tribuna Literária.
In the interview, Lázaro Barreto discusses avant garde poetry, the role of the word, Brazilian literature and the movimento processo. Asked whether avant garde poetry was still necessary, he argues that all good poetry is avant garde when it inaugurates possibilities within an established structure and expands the field of the world, time and life. He then formulates the statement that gives the article its title, linking the avant garde to the space in which the artist?s dissatisfaction moves.
When asked about his position regarding the movimento processo, Lázaro Barreto describes his attitude as one of skeptical curiosity and criticizes the suppression of the word in poetry. His argument is based on the idea that poetry originates in the need to name and verbally transpose experience. Barreto defends the word as a fundamental material of the poet and distinguishes verbal poetry from visual communication. In a subsequent answer, he cites Affonso Ávila and Ana Hatherly as examples of poets capable of constructing landscapes and events through words, and he also mentions Guimarães Rosa and James Joyce in prose.
When discussing the perspective of the movimento processo in relation to Brazilian reality, Barreto states that he does not follow the movement from within and presents his external perception, connecting the debate to the introduction of visual communication processes in Brazil and to the country?s cultural, social and political conditions. The interview documents a contemporary critical position on Poema Processo and is a source for research on debates concerning the word, visuality, experimental poetry, literary avant garde and transformations of poetic language in Brazil at the beginning of the 1970s
TEXTO DE OBSERVAÇÃO PORTUGUÊS
A matéria possui no alto a identificação T. L. dá margem ao debate e apresenta Lázaro Barreto em formato de entrevista com perguntas e respostas. O texto biográfico inicial o situa em Divinópolis, Minas Gerais, e registra sua ligação com o jornal Agora, Semana, Carta, Suplemento Literário e Tribuna Literária. Também menciona os festivais de Pirapora, a Semana de Arte de Divinópolis, os livros Árvore no Telhado e Lapinha de Jesus e a colaboração de Adélia Prado e Frei Tiago Kamps neste último.
A entrevista é documentalmente relevante para a história do Poema Processo porque inclui perguntas diretas sobre o movimento processo e registra uma posição crítica de Lázaro Barreto em março de 1970. Barreto declara curiosidade cética diante do movimento e questiona a eliminação da palavra da poesia. Ao discutir a necessidade da palavra, cita Affonso Ávila, Ana Hatherly, Guimarães Rosa e James Joyce. Em outro trecho, relaciona o movimento processo aos processos de comunicação visual e discute sua adequação à realidade brasileira daquele momento. O texto deve ser entendido como registro da opinião de Lázaro Barreto, e não como definição institucional do Poema Processo.
O recorte preserva anotação manuscrita lateral identificando Tribuna Literária, março de 1970 e página 2. Há dobra vertical central e sinais de envelhecimento do papel. Algumas palavras próximas à dobra apresentam leitura parcialmente prejudicada, razão pela qual detalhes menos seguros não foram utilizados como informação afirmativa.
TEXTO DE OBSERVAÇÃO INGLÊS
The article carries the heading T. L. dá margem ao debate and presents Lázaro Barreto in a question and answer interview format. The introductory biographical text places him in Divinópolis, Minas Gerais, and records his connections with the newspaper Agora, Semana, Carta, Suplemento Literário and Tribuna Literária. It also mentions the Pirapora festivals, the Semana de Arte de Divinópolis, the books Árvore no Telhado and Lapinha de Jesus, and the collaboration of Adélia Prado and Frei Tiago Kamps on the latter.
The interview is documentarily significant for the history of Poema Processo because it contains direct questions about the movimento processo and records Lázaro Barreto?s critical position in March 1970. Barreto describes his attitude toward the movement as skeptical curiosity and questions the removal of the word from poetry. In discussing the necessity of the word, he cites Affonso Ávila, Ana Hatherly, Guimarães Rosa and James Joyce. In another passage, he associates the movimento processo with processes of visual communication and discusses its relation to Brazilian reality at that time. The text should be understood as a record of Lázaro Barreto?s opinion and not as an institutional definition of Poema Processo.
The clipping preserves a handwritten lateral annotation identifying Tribuna Literária, March 1970 and page 2. A vertical fold runs through the center of the article and the paper shows visible signs of aging. Some words close to the fold are partially difficult to read, so uncertain details have not been treated as established information.
Proveniência
Coleção Poema ProcessoInglês
Lázaro Barreto: What Is the Avant Garde if Not the Space in Which the Artist?s Dissatisfaction Moves-
Dimensions: 11,2 x 14,4 in
