Home Acervo Poem i é um poema concreto e visual de Ji í Valoch realizado em maio de 1968, na então Tchecoslováquia, durante um dos períodos centrais de suas experiências com máquina de escrever, permutação de letras, redução linguística e organização espacial do texto.

Poem i é um poema concreto e visual de Ji í Valoch realizado em maio de 1968, na então Tchecoslováquia, durante um dos períodos centrais de suas experiências com máquina de escrever, permutação de letras, redução linguística e organização espacial do texto.

Jiri Valoch - Tchecoslováquia

-Poema+concreto+original+datiluscrito+,+Poem+i+de+Jiri+Valoch+,+May+1968,+1a+.jpg

00553 - 1968 - Poesia Original Datiluscrito

29,8 x 21 cm

Texto para o Salsa em português

Poem i é um poema concreto e visual de Ji

í Valoch realizado em maio de 1968, na então Tchecoslováquia, durante um dos períodos centrais de suas experiências com máquina de escrever, permutação de letras, redução linguística e organização espacial do texto. A folha apresenta o título poem i datilografado na região superior esquerda e, no eixo central, uma coluna vertical composta por sucessivas combinações das quatro letras que formam a palavra poem. Na parte inferior aparece a identificação datilografada jiri valoch e may 1968, seguida da assinatura manuscrita do artista em tinta vermelha. Esses elementos fornecem evidência material direta de autoria e uma datação precisa para maio de 1968.

O acervo Poema Processo registra a obra como poem i, número 00553, autoria de Jiri Valoch, Tchecoslováquia, ano 1968, dimensões de 29,8 x 21,1 cm e técnica catalogada como xerox. A peça apresentada possui, entretanto, aparência claramente datilográfica e conserva assinatura autógrafa, razão pela qual é importante distinguir a técnica de execução da matriz ou original da eventual técnica de reprodução indicada na ficha digital. O exame físico do objeto é necessário para determinar definitivamente se este exemplar corresponde ao datiloscrito original, a uma reprodução xerográfica assinada ou a outra modalidade de edição.

A estrutura central de Poem i é construída pela permutação sistemática das letras p, o, e e m. Em vez de desenvolver uma frase, Valoch utiliza uma única unidade verbal, poem, desmontando seus quatro caracteres e reorganizando suas posições repetidamente. A palavra deixa de funcionar apenas como designação de poema e passa a fornecer o próprio material de construção do poema. O resultado estabelece uma relação autorreferencial na qual o termo poem é simultaneamente título implícito, matéria linguística, regra combinatória e estrutura visual.

A escolha de quatro caracteres é especialmente produtiva porque permite um conjunto matematicamente limitado de combinações. A composição apresenta uma extensa sequência vertical de rearranjos das mesmas letras, transformando leitura em observação de diferenças mínimas. Cada linha conserva exatamente o mesmo repertório de caracteres, mas modifica sua ordem. A informação verbal permanece potencialmente constante enquanto sua configuração muda. O processo aproxima poesia, permutação, serialidade, lógica combinatória e visualidade.

Essa operação é característica das investigações de Valoch nos anos 1960. A Kontakt Collection situa seus optical poems principalmente entre 1966 e 1968 e observa que, nesse período, o artista se afastou da função denotativa convencional da linguagem em favor de estruturas indiciais e visuais, utilizando propriedades ópticas dos grafemas, repetição e variação tipográfica. Poem i pertence exatamente ao ano final desse núcleo de experimentação e demonstra como a máquina de escrever podia funcionar para Valoch como instrumento de composição visual, serial e conceitual.

A disposição espacial possui importância equivalente à combinação das letras. A longa coluna estreita ocupa apenas uma pequena área da folha e é cercada por amplo espaço vazio. A verticalidade contrasta com o formato retangular do papel e induz o olhar a percorrer a sequência de cima para baixo. O vazio não constitui uma ausência acidental, mas participa da economia visual da obra, isolando o sistema permutacional e aumentando a percepção das pequenas alterações entre uma linha e outra.

O título poem i também sugere pertencimento a um conjunto numerado de poemas. O acervo Poema Processo preserva ainda Poem v, igualmente atribuído a Ji

í Valoch e datado de 1968, o que comprova a existência de pelo menos outras unidades identificadas numericamente dentro dessa produção. Não é possível determinar apenas com a documentação atualmente localizada quantos poemas integraram originalmente essa série, portanto o número total não deve ser presumido.

Poem i possui relevância adicional por estar preservado em um acervo brasileiro dedicado ao Poema Processo e às redes internacionais de poesia experimental. O conjunto do acervo reúne numerosos trabalhos de Valoch do final da década de 1960, entre eles In Every Situation Only Black, Minimal poem vii, návrh 18, Poetry for Everyday, Answer for Every Situation, expansion e Poem v. A presença dessas obras permite analisar de forma concentrada diferentes procedimentos empregados pelo artista em um período decisivo de sua trajetória.

A circulação internacional desses trabalhos fazia parte de uma prática mais ampla de Ji

í Valoch. A Kontakt Collection documenta em Letters from Brno poemas enviados pelo artista ao editor Charles Verey entre 1964 e 1968, produzidos com máquina de escrever e estruturados como poemas ópticos e enunciados linguisticamente abstratos. Essa documentação demonstra que a datilografia, a poesia visual e a correspondência internacional estavam profundamente articuladas em sua prática exatamente no período de criação de Poem i.

Poem i constitui, portanto, um documento significativo da poesia concreta, poesia visual e poesia experimental centro europeia de 1968. A obra converte uma palavra em sistema e transforma o processo de permutação em acontecimento poético. Ao desmontar e reorganizar repetidamente as letras de poem, Ji

í Valoch questiona onde o poema reside, se no significado da palavra, na disposição gráfica, na regra combinatória, na repetição ou na percepção das diferenças entre cada configuração.

Salsa text in English

Poem i is a concrete and visual poem by Ji

í Valoch created in May 1968 in what was then Czechoslovakia, during one of the central periods of his experimentation with the typewriter, letter permutation, linguistic reduction and the spatial organization of text. The sheet presents the title poem i typewritten near the upper left area and a vertical column along the central axis composed of successive combinations of the four letters forming the word poem. Near the bottom appears the typewritten identification jiri valoch and may 1968, followed by the artists handwritten signature in red ink. These elements provide direct material evidence of authorship and establish a precise date of May 1968.

The Poema Processo archive records the work as poem i, registration number 00553, by Jiri Valoch, Czechoslovakia, dated 1968, measuring 29.8 x 21.1 cm and catalogued with the technique xerox. The object presented here, however, has a clearly typewriter related appearance and preserves an autograph signature. It is therefore important to distinguish the production technique of the original or matrix from the reproduction technique recorded in the digital catalogue. Physical examination is required to determine conclusively whether this example is the original typescript, a signed xerographic reproduction or another form of edition.

The central structure of Poem i is constructed through systematic permutations of the letters p, o, e and m. Instead of developing a sentence, Valoch takes a single verbal unit, poem, dismantles its four characters and repeatedly changes their positions. The word ceases to function merely as a designation for a poem and becomes the physical material from which the poem itself is constructed. The result is self referential, as poem simultaneously functions as linguistic material, combinatorial rule and visual structure.

The use of four characters is especially productive because it creates a mathematically limited field of combinations. The composition presents an extended vertical sequence of rearrangements of the same letters, transforming reading into the observation of minute differences. Each line preserves the same repertory of characters while modifying their order. Verbal information remains potentially constant while its configuration changes. The procedure connects poetry with permutation, seriality, combinatorial logic and visual perception.

This operation is characteristic of Valochs investigations during the 1960s. Kontakt Collection places his optical poems primarily between 1966 and 1968 and notes that during this period he moved away from the conventional denotative function of language toward indexical and visual structures, exploring optical properties of graphemes, repetition and typographic variation. Poem i belongs precisely to the final year of this experimental phase and demonstrates how the typewriter could function for Valoch as an instrument of visual, serial and conceptual composition.

Spatial organization is as important as the combination of letters. The narrow vertical column occupies only a small area of the sheet and is surrounded by an extensive empty field. Its vertical direction contrasts with the rectangular format of the paper and encourages the viewer to scan the sequence from top to bottom. Empty space is not merely passive background but participates in the visual economy of the work by isolating the permutation system and intensifying perception of the small changes occurring from one line to the next.

The title Poem i also suggests membership in a numbered group of poems. The Poema Processo archive preserves Poem v, likewise attributed to Ji

í Valoch and dated 1968, confirming the existence of at least other numerically identified units within this production. The total number of works originally belonging to this sequence has not been securely established in the documentation presently located and should therefore not be assumed.

Poem i has additional significance through its preservation in a Brazilian archive dedicated to the Process Poem Movement and international experimental poetry networks. The same archive contains numerous works by Valoch from the late 1960s, including In Every Situation Only Black, Minimal poem vii, návrh 18, Poetry for Everyday, Answer for Every Situation, expansion and Poem v. This concentration makes it possible to examine different procedures employed by the artist during a decisive moment of his career.

The international circulation of such works was part of a broader practice. Kontakt Collection documents in Letters from Brno poems sent by Valoch to editor Charles Verey between 1964 and 1968, produced with a typewriter and structured as optical poems and formally abstract linguistic statements. This evidence demonstrates that typewriting, visual poetry and international correspondence were closely interconnected in Valochs practice during the exact period in which Poem i was created.

Poem i is therefore a significant document of Central European concrete poetry, visual poetry and experimental poetry in 1968. The work transforms a word into a system and makes permutation itself into a poetic event. By repeatedly dismantling and reorganizing the letters of poem, Ji

í Valoch raises the question of where the poem resides, whether in semantic meaning, graphic arrangement, combinatorial rule, repetition or the perception of differences between successive configurations.

-Jiri_Valoch_007_001.png -Poema+concreto+original+datiluscrito+,+Poem+i+de+Jiri+Valoch+,+May+1968,+1a+.jpg