Home Acervo Panna vierge / hlas = voix é uma poesia concreta e visual de Ji í Valoch pertencente à fase inicial de suas experiências com máquina de escrever, decomposição verbal, repetição, tradução e organização espacial da linguagem.

Panna vierge / hlas = voix é uma poesia concreta e visual de Ji í Valoch pertencente à fase inicial de suas experiências com máquina de escrever, decomposição verbal, repetição, tradução e organização espacial da linguagem.

Jiri Valoch - Tchecoslováquia

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00552 - 1964/66 - Poesia Original Datiluscrito

30 x 21 cm

Texto para o Salsa em português

Panna vierge / hlas = voix é uma poesia concreta e visual de Ji

í Valoch pertencente à fase inicial de suas experiências com máquina de escrever, decomposição verbal, repetição, tradução e organização espacial da linguagem. A obra apresenta diversos núcleos datilográficos distribuídos sobre uma folha de aproximadamente 30 x 21 cm. Na região inferior aparecem claramente as expressões panna vierge e hlas = voix. Próximo à margem inferior direita encontra se a identificação datilografada jiri valoch seguida de 1964/66, além da assinatura manuscrita do artista. No canto inferior esquerdo aparece a indicação manuscrita x/200, elemento que documenta uma edição de duzentos exemplares, embora o número individual deste exemplar não esteja claramente determinado na imagem.

A ficha atualmente publicada pelo acervo Poema Processo identifica a obra como panna vierge / hlas = voix, registro 00552, Ji

í Valoch, Tchecoslováquia, datação 1964/66, técnica xerox e dimensões de 30 x 21 cm. A imagem fornecida confirma visualmente a inscrição 1964/66. Existe, porém, documentação independente de outro exemplar ou versão da mesma composição datado 1964/5, medindo igualmente 30 x 21 cm e posteriormente assinado e datado por Valoch em 1967. Essa diferença demonstra que a obra circulou em versões ou exemplares com registros cronológicos distintos e recomenda conservar todas as variantes documentadas em futura pesquisa de catálogo raisonné.

A composição é organizada em quatro campos tipográficos principais. Na zona superior esquerda há uma pequena sequência vertical formada pela transformação sucessiva de caracteres. Na zona superior direita encontra se outro desenvolvimento vertical iniciado pela palavra hlas, que progressivamente se fragmenta e reorganiza. Na metade inferior esquerda, a palavra panna é repetida e expandida até formar uma estrutura aproximadamente losangular, seguida por um processo de contração. Na metade inferior direita aparece uma segunda construção tipográfica igualmente baseada em expansão, redução e espacialização de letras. A página deixa de funcionar como simples suporte para frases e passa a constituir o próprio campo estrutural do poema.

As expressões panna vierge e hlas = voix revelam um princípio de equivalência entre línguas. Panna pode significar virgem em tcheco e em outros idiomas eslavos próximos, enquanto vierge corresponde a virgem em francês. Hlas significa voz em tcheco e voix significa voz em francês. Assim, a tradução não aparece apenas como explicação lexical. Ela se transforma em operação poética. Valoch utiliza palavras semanticamente equivalentes em idiomas diferentes e as submete a processos de decomposição, repetição, crescimento, contração e reorganização visual.

A obra pertence ao período inicial em que Ji

í Valoch desenvolveu poesia experimental utilizando recursos mínimos da máquina de escrever. Fontes especializadas registram que os trabalhos desse período exploravam grafemas, repetição, propriedades ópticas dos caracteres e a passagem da escrita linear para estruturas visuais. Panna vierge / hlas = voix é especialmente significativa porque reúne poesia concreta, poesia visual, tradução, estrutura tipográfica e experimentação multilíngue em uma única superfície.

A indicação x/200 possui grande importância documental. Ela demonstra que este objeto não deve ser descrito simplesmente como peça única sem ressalva. A inscrição é compatível com uma edição de duzentos exemplares. Entretanto, a documentação atualmente localizada não permite determinar com segurança qual publicação, revista, pasta, suplemento ou projeto editorial originou essa edição. A informação correta para catalogação é edição de 200 exemplares, contexto editorial ainda não identificado.

O verso apresenta a anotação manuscrita material de jiri valoch. Essa inscrição possui relevância para a história de proveniência porque demonstra que a folha foi identificada e preservada como material de Ji

í Valoch. A autoria dessa anotação manuscrita não pode ser determinada apenas pela fotografia. Portanto, não deve ser automaticamente atribuída a Álvaro de Sá sem comparação documental de caligrafia ou outra fonte comprobatória.

Considerando a associação deste material ao arquivo de Álvaro de Sá documentada no conjunto preservado, a obra possui especial importância para o estudo das conexões entre Ji

í Valoch, a poesia experimental da Tchecoslováquia e o ambiente brasileiro que posteriormente se relacionaria ao Poema Processo. O documento acrescenta evidência material à circulação internacional da produção de Valoch no Brasil e à presença de sua obra no universo documental de Álvaro de Sá. Essa relação deve ser registrada como conexão de proveniência, circulação e arquivo, sem afirmar que Valoch tenha integrado formalmente o Poema Processo.

Salsa text in English

Panna vierge / hlas = voix is a concrete and visual poetry work by Ji

í Valoch belonging to the early phase of his experiments with typewriting, verbal decomposition, repetition, translation and the spatial organization of language. The work consists of several typewritten structures distributed across a sheet measuring approximately 30 x 21 cm. Near the lower section the expressions panna vierge and hlas = voix are clearly visible. Close to the lower right margin appears the typewritten identification jiri valoch followed by 1964/66 together with the artists handwritten signature. In the lower left corner is the handwritten notation x/200, documenting an edition of two hundred examples, although the individual number of this particular example cannot be securely determined from the image.

The current Poema Processo archive record identifies the work as panna vierge / hlas = voix, registration number 00552, Ji

í Valoch, Czechoslovakia, dated 1964/66, xerox, measuring 30 x 21 cm. The supplied image visually confirms the inscription 1964/66. Independent documentation, however, records another example or version of the same composition as 1964/5, also measuring 30 x 21 cm and subsequently signed and dated by Valoch in 1967. This difference indicates that the composition circulated in versions or examples carrying different chronological records and that all documented variants should be preserved in future catalogue raisonné research.

The composition is organized into four principal typographic fields. In the upper left area a small vertical sequence develops through successive transformations of characters. In the upper right area another vertical structure begins with the word hlas and progressively fragments and reorganizes it. In the lower left half, the word panna is repeatedly expanded into an approximately diamond shaped structure before contracting again. In the lower right half another typographic construction similarly employs expansion, reduction and spatial distribution of letters. The sheet therefore ceases to function merely as a support for written sentences and becomes the structural field of the poem itself.

The expressions panna vierge and hlas = voix establish a principle of linguistic equivalence. Panna can mean virgin in Czech and related Slavic languages, while vierge corresponds to virgin in French. Hlas means voice in Czech and voix means voice in French. Translation consequently does not operate simply as lexical explanation. It becomes a poetic procedure. Valoch takes semantically equivalent words from different languages and subjects them to processes of decomposition, repetition, expansion, contraction and visual reorganization.

The work belongs to the early period in which Ji

í Valoch developed experimental poetry through minimal resources of the typewriter. Specialist documentation of his work from this period records investigations involving graphemes, repetition, optical properties of characters and the transformation of linear writing into visual structures. Panna vierge / hlas = voix is particularly significant because it combines concrete poetry, visual poetry, translation, typographic structure and multilingual experimentation within a single surface.

The notation x/200 has major documentary importance. It indicates that the object should not be described simply as a unique work without qualification. The inscription is consistent with an edition of two hundred examples. The documentation presently located does not, however, securely identify the publication, journal, portfolio, supplement or editorial project responsible for this edition. The appropriate catalogue formulation is therefore edition of 200 examples, exact publishing context not yet identified.

The reverse bears the handwritten annotation material de jiri valoch. This inscription is relevant to provenance because it demonstrates that the sheet was identified and preserved as material by Ji

í Valoch. The author of this manuscript annotation cannot be determined from the photograph alone and should therefore not automatically be identified as Álvaro de Sá without handwriting comparison or additional documentary evidence.

Because this material is associated with the preserved archive of Álvaro de Sá, the work is especially important for the study of connections between Ji

í Valoch, experimental poetry in Czechoslovakia and the Brazilian environment that later became associated with the Process Poem Movement. The document adds material evidence to the international circulation of Valochs work in Brazil and to the presence of his production within Álvaro de Sás documentary universe. This relationship should be recorded as one of provenance, circulation and archival connection rather than as evidence that Valoch formally joined the Brazilian Process Poem Movement.

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