Home Acervo Balaio Incomun, Folha Porreta, X 806, é uma publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 25 de março de 1996.

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 806, é uma publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 25 de março de 1996.

Moacy Cirne

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04259 - 25 de março de 1996 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

33 x 21,5 cm

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 806, é uma publicação de Moacy Cirne produzida no Rio de Janeiro em 25 de março de 1996. O exemplar integra a série de folhas autorais e experimentais em que Cirne articula poesia, comentário crítico, humor, erotismo, cultura popular e circulação independente. A composição é datilográfica e organizada como uma página de leitura múltipla, reunindo texto introdutório, poemas e intervenções marginais.

Na abertura, Moacy Cirne escreve Não, não me venham dizer e comenta Chico Rolim de Carão, apresentado como figura literária e personagem de uma escrita marcada pelo excesso, pela irreverência e pela dimensão pornográfica e política. Cirne cita referências culturais brasileiras e estabelece um registro simultaneamente crítico e satírico, aproximando literatura, oralidade, memória e provocação.

A parte central da folha apresenta a seção Poemas de Chico Rolim de Carão. Os textos exploram desejo, sexualidade, linguagem coloquial, humor escatológico, referências religiosas, nomes próprios, lugares e expressões populares. A construção poética trabalha com enumerações, repetições, rimas, deslocamentos semânticos e vocabulário explícito, transformando a linguagem cotidiana em matéria de experimentação literária. Entre as referências presentes aparecem Potengi, Maria Antonieta Pons, Astória, Senhor do Bonfim, Maria Boa, Lambertão Virgulino e Paris, compondo uma rede heterogênea de referências populares, históricas, geográficas e imaginárias.

O documento evidencia características recorrentes da produção de Moacy Cirne, especialmente sua aproximação entre poesia experimental, cultura de massa, literatura marginal, humor e práticas gráficas de circulação alternativa. A Folha Porreta funciona simultaneamente como publicação independente, espaço crítico e suporte poético, inserindo se no universo das experiências gráficas e literárias ligadas à poesia visual, à poesia experimental brasileira e às redes de publicação independente do final do século XX.

O exemplar X 806 constitui documento relevante para o estudo da produção editorial de Moacy Cirne na década de 1990 e para a compreensão das relações entre poesia experimental, humor, erotismo, cultura popular e edição alternativa no Brasil. Sua preservação permite documentar uma prática autoral baseada na circulação de folhas avulsas, na combinação entre crítica e criação e na expansão do poema para além dos formatos editoriais convencionais.

Balaio Incomun, Folha Porreta, X 806, is an independent publication by Moacy Cirne produced in Rio de Janeiro on 25 March 1996. The copy belongs to Cirnes series of experimental authorial sheets combining poetry, critical commentary, humor, eroticism, popular culture and independent circulation. Its typewritten composition is structured as a multiple reading page bringing together an introductory text, poems and marginal interventions.

The opening text, Não, não me venham dizer, discusses Chico Rolim de Carão, presented as a literary figure and as the subject of writing characterized by excess, irreverence and a simultaneously pornographic and political dimension. Cirne introduces Brazilian cultural references in a critical and satirical register, connecting literature, oral culture, memory and provocation.

The central section is identified as Poemas de Chico Rolim de Carão. The poems explore desire, sexuality, colloquial language, scatological humor, religious references, personal names, places and expressions drawn from popular speech. Their poetic construction uses enumeration, repetition, rhyme, semantic displacement and explicit vocabulary, transforming everyday language into material for literary experimentation. References appearing on the sheet include Potengi, Maria Antonieta Pons, Astória, Senhor do Bonfim, Maria Boa, Lambertão Virgulino and Paris, creating a heterogeneous network of popular, historical, geographical and imaginary associations.

The document reveals recurring aspects of Moacy Cirnes work, particularly his intersection of experimental poetry, mass culture, marginal literature, humor and alternative graphic practices. Folha Porreta operates simultaneously as an independent publication, a critical space and a poetic support, placing it within the field of Brazilian visual poetry, experimental literature and alternative publishing networks of the late twentieth century.

Copy X 806 is an important document for studying Moacy Cirnes editorial production during the 1990s and for understanding the relationships among experimental poetry, humor, eroticism, popular culture and independent publishing in Brazil. Its preservation documents an authorial practice based on the circulation of individual sheets, the combination of criticism and creative writing and the expansion of poetry beyond conventional publishing formats.