Home Acervo Cartão de arte postal enviado por Alberto Harrigan, do Rio de Janeiro, a Falves Silva, em Natal, Rio Grande do Norte, com carimbo postal de 15 de dezembro de 1981.

Cartão de arte postal enviado por Alberto Harrigan, do Rio de Janeiro, a Falves Silva, em Natal, Rio Grande do Norte, com carimbo postal de 15 de dezembro de 1981.

ALBERTO HARRIGAN

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03702 - 15 de Dezembro de 1981 - Cartao

10,5 x 15,6 cm

Cartão de arte postal enviado por Alberto Harrigan, do Rio de Janeiro, a Falves Silva, em Natal, Rio Grande do Norte, com carimbo postal de 15 de dezembro de 1981. A peça combina reprodução fotográfica, tipografia, escrita manuscrita, carimbos artísticos, franquia postal, endereço do remetente e circulação pelo correio. O documento integra a rede brasileira de Mail Art e registra a comunicação entre Alberto Harrigan e Falves Silva no início da década de 1980.\n\nNa frente do cartão aparece uma fotografia impressa em preto e branco, enquadrada por ampla margem clara. A imagem apresenta uma pessoa em ambiente interno, aparentemente sentada ou apoiada junto a uma cama, sofá ou estrutura doméstica. A figura sustenta diante do corpo um cartaz vertical com a inscrição Onde você estava entre 1960 e 1980.\n\nA frase ocupa quase toda a superfície do cartaz e foi composta com letras maiúsculas de grande dimensão. A disposição das palavras em linhas sucessivas produz uma imagem tipográfica de forte impacto visual. O texto funciona como pergunta dirigida ao observador e desloca a fotografia de uma situação privada para um campo de memória histórica, experiência coletiva e reflexão política.\n\nA pergunta Onde você estava entre 1960 e 1980 abrange duas décadas marcadas por intensas transformações sociais, culturais e políticas. No contexto brasileiro, esse período inclui os anos anteriores ao golpe de 1964, a ditadura militar, a censura, a repressão política, as mobilizações estudantis, a produção cultural de resistência, o exílio, a reorganização dos movimentos sociais e o início do processo de abertura política. O cartão não apresenta uma explicação escrita que determine uma interpretação específica, mas a formulação convoca o destinatário a relacionar sua trajetória pessoal com a história recente do país.\n\nO uso da segunda pessoa transforma a imagem em interpelação direta. O observador deixa de ser apenas receptor de uma fotografia e passa a ser chamado a recordar, responder e se posicionar. A pergunta pode abranger memória individual, testemunho, responsabilidade, presença, ausência, participação e silêncio.\n\nA fotografia apresenta granulação acentuada, contraste reduzido e perda de detalhes nas áreas mais escuras. Essas características podem resultar do processo de reprodução, da qualidade da imagem original ou do envelhecimento do cartão. A baixa definição não elimina o conteúdo central, pois o cartaz tipográfico permanece claramente visível e assume prioridade sobre a identificação da pessoa e do ambiente.\n\nO corpo que sustenta o cartaz encontra se parcialmente encoberto pela própria mensagem. A imagem cria uma relação entre pessoa e texto, na qual a figura funciona como portadora física da pergunta. O cartaz ocupa a região central e atua como instrumento de comunicação, protesto, investigação histórica ou proposição conceitual.\n\nA frente do cartão não apresenta título impresso, assinatura ou data visível. A autoria e a origem são identificadas no verso por meio de carimbo circular de Alberto Harrigan. A datação é confirmada pelo carimbo postal de 15 de dezembro de 1981 e pela mensagem manuscrita do remetente.\n\nNo verso, um grande carimbo circular vermelho identifica Alberto Harrigan, apresenta o telefone 226 7350 e registra o endereço Rua São Clemente, número 283, apartamento 504, Botafogo, código postal 22260, Rio de Janeiro, Brasil. No centro do carimbo aparece um pequeno símbolo triangular, utilizado como marca gráfica associada ao artista.\n\nA identificação do remetente participa da composição visual e do funcionamento da rede postal. Na Mail Art, o endereço permite resposta, reencontro e continuidade do intercâmbio. A informação postal transforma se em elemento artístico e documental, preservando a localização do artista e um dos pontos de circulação de sua produção.\n\nNa região inferior esquerda aparece um desenho linear semelhante a uma forma orgânica, tecido dobrado, folha, chama ou estrutura corporal. Sobre essa imagem encontra se uma intervenção manuscrita em tinta verde. A leitura segura do primeiro sinal não é possível. Ao lado aparece a mensagem Feliz 82.\n\nA mensagem Feliz 82 indica que o cartão foi enviado como saudação de fim de ano, pouco antes de 1982. A inscrição relaciona a pergunta histórica da frente ao início de um novo ano, criando uma transição simbólica entre o período de 1960 a 1980 e o momento presente do envio em dezembro de 1981.\n\nA assinatura manuscrita Alberto Harrigan aparece abaixo da saudação, acompanhada da indicação Rio 81. A data manuscrita reforça a produção ou o envio da peça no Rio de Janeiro em 1981. O nome foi integrado a uma linha horizontal e a um traço vertical, formando uma composição caligráfica semelhante a uma cruz ou sinal gráfico.\n\nNa região central do verso aparece um carimbo vertical em preto com as expressões Mail Art, Arte Postal e Arte Correio. As três denominações identificam diretamente a natureza do objeto e afirmam sua inserção no circuito internacional de correspondência artística.\n\nO cartão foi endereçado a Falves Silva, na Rua Engenheiro José Rocha, número 16, com complemento 3401 entre parênteses, Candelária, CEP 59000, Natal, Rio Grande do Norte. O nome e o endereço foram escritos manualmente em tinta verde, integrando informação postal e gesto gráfico.\n\nNa parte superior central aparece carimbo circular com a identificação Arcos, Rio de Janeiro, e a data 15 de dezembro de 1981. Na região superior direita encontra se uma franquia mecânica dos Correios do Brasil com o valor de 12 cruzeiros, aplicada na mesma data. A presença da franquia confirma que o cartão circulou oficialmente pelo sistema postal brasileiro.\n\nA peça documenta uma relação direta entre Alberto Harrigan e Falves Silva. Falves Silva participou do Poema Processo, da poesia experimental, da produção gráfica independente e das redes nacionais e internacionais de arte postal. O recebimento deste cartão demonstra sua inserção em circuitos que articulavam imagem, memória política, comunicação alternativa e proposições conceituais.\n\nO cartão funciona simultaneamente como obra visual, saudação de ano novo, documento de correspondência e pergunta histórica. A frente solicita uma reflexão sobre o período entre 1960 e 1980. O verso registra o contato entre os artistas, a saudação para 1982, os dados do remetente e o percurso postal entre Rio de Janeiro e Natal.\n\nA relação do trabalho com a arte conceitual está presente na prioridade concedida à pergunta e à participação mental do destinatário. A imagem não fornece uma resposta. Seu conteúdo depende da memória de cada receptor e das experiências vividas durante as duas décadas mencionadas.\n\nA peça também se relaciona à poesia visual porque transforma uma frase em estrutura gráfica. O tamanho das letras, o recorte em linhas, a centralização do texto e sua presença diante do corpo fazem com que linguagem verbal e imagem fotográfica atuem de maneira inseparável.\n\nA conexão com o Poema Processo ocorre por meio de Falves Silva e do ambiente experimental no qual o cartão foi recebido e preservado. O documento não comprova que Alberto Harrigan tenha integrado formalmente o movimento. Sua relação documentada está na correspondência com um de seus participantes históricos e no compartilhamento de práticas como visualidade da palavra, participação do receptor, circulação alternativa e integração entre texto, imagem e suporte.\n\nO valor histórico do cartão reside na reunião de diferentes funções em um único objeto. Ele registra a atuação postal de Alberto Harrigan, a comunicação com Falves Silva, a circulação entre Rio de Janeiro e Natal, a saudação de fim de ano e uma reflexão sobre a memória brasileira entre 1960 e 1980. Sua preservação contribui para o estudo da Mail Art, da poesia visual, da arte conceitual, das redes de Falves Silva e das formas de elaboração artística da memória política no Brasil.\n\nTEXT FOR THE SALSA PROGRAM IN ENGLISH\n\nMail art postcard sent by Alberto Harrigan, from Rio de Janeiro, to Falves Silva in Natal, Rio Grande do Norte, Brazil, with a postal cancellation dated 15 December 1981. The work combines photographic reproduction, typography, handwriting, artist stamps, postal franking, the sender

s address and actual circulation through the postal system. It belongs to the Brazilian Mail Art network and documents communication between Alberto Harrigan and Falves Silva during the early 1980s.\n\nThe front contains a black and white photographic image surrounded by a broad light margin. The photograph shows a person in an interior environment, apparently seated or positioned near a bed, sofa or domestic structure. The figure holds a vertical sign in front of the body bearing the Portuguese inscription Onde você estava entre 1960 e 1980.\n\nThe sentence occupies almost the entire surface of the sign and is composed in large capital letters. Its arrangement in successive lines creates a visually forceful typographic image. The text operates as a question directed toward the viewer and shifts the photograph from a private situation into a field of historical memory, collective experience and political reflection.\n\nThe question Onde você estava entre 1960 e 1980 asks where the viewer was between 1960 and 1980. It covers two decades marked by major social, cultural and political transformations. In the Brazilian context, this period includes the years preceding the military coup of 1964, military dictatorship, censorship, political repression, student movements, cultural resistance, exile, the reorganization of social movements and the beginning of political opening. The postcard contains no written explanation establishing a single interpretation, but its formulation invites the recipient to relate personal experience to the recent history of the country.\n\nThe use of the second person creates a direct address. The viewer is no longer merely the receiver of a photograph but is called upon to remember, respond and position themselves. The question may involve individual memory, testimony, responsibility, presence, absence, participation and silence.\n\nThe photograph has pronounced grain, reduced contrast and limited detail in darker areas. These characteristics may derive from the reproduction process, the original image or the aging of the postcard. The limited definition does not obscure the central content because the typographic sign remains clearly visible and takes priority over the identification of the person or setting.\n\nThe body holding the sign is partly concealed by the message itself. The image creates a relationship between person and text in which the figure becomes the physical carrier of the question. The sign occupies the central area and functions as a device of communication, protest, historical inquiry or conceptual proposition.\n\nThe front contains no visible printed title, signature or date. Authorship and origin are identified on the reverse through Alberto Harrigan

s circular stamp. The dating is confirmed by the postal cancellation of 15 December 1981 and by the sender

s handwritten message.\n\nA large red circular stamp on the reverse identifies Alberto Harrigan, provides the telephone number 226 7350 and records the address Rua São Clemente, number 283, apartment 504, Botafogo, postal code 22260, Rio de Janeiro, Brazil. A small triangular symbol appears at the center of the stamp as a graphic mark associated with the artist.\n\nThe sender identification participates in both the visual composition and the operation of the postal network. Within Mail Art, an address enables response, renewed contact and continuation of exchange. Postal information becomes an artistic and documentary element that preserves the location of the artist and one of the circulation points of his production.\n\nA linear drawing appears in the lower left area and resembles an organic form, folded fabric, leaf, flame or bodily structure. A handwritten green intervention crosses part of this image. The first sign cannot be read securely. Beside it appears the greeting Feliz 82, meaning Happy 82.\n\nThe greeting indicates that the postcard was sent as an end of year message shortly before 1982. It connects the historical question on the front with the beginning of a new year and creates a symbolic transition between the period from 1960 to 1980 and the contemporary moment of the mailing in December 1981.\n\nThe handwritten signature Alberto Harrigan appears below the greeting and is accompanied by the indication Rio 81. This inscription reinforces the production or mailing of the object in Rio de Janeiro in 1981. The name is integrated with a horizontal line and a vertical stroke, creating a calligraphic arrangement resembling a cross or graphic sign.\n\nA vertical black stamp in the central area contains the expressions Mail Art, Arte Postal and Arte Correio. These three designations directly identify the nature of the object and affirm its place within an international network of correspondence art.\n\nThe postcard was addressed to Falves Silva at Rua Engenheiro José Rocha, number 16, with the additional reference 3401 in parentheses, Candelária, postal code 59000, Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. The recipient

s name and address were written manually in green ink, integrating postal information with graphic gesture.\n\nA circular cancellation in the upper central area identifies Arcos, Rio de Janeiro, and is dated 15 December 1981. A mechanical Brazilian postal franking mark appears in the upper right area and records a value of 12 cruzeiros on the same date. The franking confirms the official circulation of the postcard through the Brazilian postal system.\n\nThe work documents direct contact between Alberto Harrigan and Falves Silva. Falves Silva participated in the Process Poem Movement, experimental poetry, independent graphic production and national and international Mail Art networks. His receipt of this postcard demonstrates his participation in circuits connecting image, political memory, alternative communication and conceptual propositions.\n\nThe postcard functions simultaneously as a visual artwork, a New Year greeting, a correspondence document and a historical question. The front requests reflection on the period from 1960 to 1980. The reverse records contact between the artists, the greeting for 1982, the sender

s information and the postal journey between Rio de Janeiro and Natal.\n\nIts relationship with conceptual art lies in the priority given to the question and to the mental participation of the recipient. The image provides no answer. Its meaning depends on the memory of each viewer and on the experiences lived during the two decades it identifies.\n\nThe object also relates to visual poetry by transforming a sentence into a graphic structure. The scale of the letters, their division into lines, the central placement of the text and its position in front of the body make verbal language and photographic image inseparable.\n\nThe connection with the Process Poem Movement is established through Falves Silva and the experimental environment in which the postcard was received and preserved. The document does not prove that Alberto Harrigan formally participated in the movement. His documented relationship lies in correspondence with one of its historical participants and in shared procedures involving the visual treatment of language, active reception, alternative circulation and integration among text, image and support.\n\nThe historical importance of the postcard derives from its combination of several functions within a single object. It records Alberto Harrigan

s postal activity, his communication with Falves Silva, circulation between Rio de Janeiro and Natal, an end of year greeting and a reflection on Brazilian memory between 1960 and 1980. Its preservation contributes to research on Mail Art, visual poetry, conceptual art, the networks of Falves Silva and artistic approaches to political memory in Brazil.

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