Mulher comendo maçã depois do amor é uma obra de Claudio Tozzi realizada em 1972 e posteriormente incorporada como cartão de artista à segunda edição de On Off, publicação experimental editada por Julio Plaza e Regina Silveira.
Projeto On / Off - Julio Plaza e Regina Silveira
03671 - 1972 - Cartao
15 x 10 cm
Mulher comendo maçã depois do amor é uma obra de Claudio Tozzi realizada em 1972 e posteriormente incorporada como cartão de artista à segunda edição de On Off, publicação experimental editada por Julio Plaza e Regina Silveira. O cartão combina reprodução fotográfica monocromática em vermelho, identificação técnica da obra original e estrutura postal, reunindo pintura, fotografia, impressão, publicação de artista e circulação por correio.\n\nO verso apresenta as inscrições Claudio Tozzi, Mulher comendo maçã depois do amor, Liquitex sobre tela e 1972. A ficha também possui linha divisória vertical, três linhas destinadas ao endereço, espaço retangular para selo e a indicação via aérea. Esses elementos demonstram que a peça foi concebida materialmente como cartão postal e não apenas como reprodução gráfica em formato semelhante a um cartão.\n\nO Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo confirma a existência de Mulher comendo maçã depois do amor, de Claudio Tozzi, com data de 1972. A obra aparece no conjunto institucional que reúne contribuições relacionadas a On Off 2, ao lado de Proposta para Monumento, de Regina Silveira, Are you alive
Você está vivo
, de Julio Plaza, Sinais do Homem, de Vera Chaves Barcellos, e Space Media, de Fred Forest.\n\nA imagem da frente apresenta uma mulher sentada ao ar livre, próxima a uma árvore ou tronco vertical. A figura encontra se de perfil ou em posição parcialmente voltada para a esquerda. A área superior é ocupada por vegetação e folhagem, enquanto o corpo permanece concentrado na região central e inferior da composição. A imagem foi reproduzida integralmente em tonalidades de vermelho e rosa, com trama de impressão visível.\n\nO título introduz uma narrativa temporal que não está completamente representada pela imagem. O cartão não mostra explicitamente o acontecimento amoroso mencionado. Ele apresenta o momento posterior, identificado pelo ato cotidiano de comer uma maçã. O termo depois organiza a leitura e transforma uma cena aparentemente simples em consequência de um acontecimento anterior, ausente da representação.\n\nA obra articula erotismo e cotidiano sem recorrer à exposição direta do ato sexual. O título fornece uma informação íntima que modifica a percepção da cena. A mulher deixa de ser apenas uma figura sentada num ambiente externo e passa a ser compreendida dentro de uma sequência narrativa formada por desejo, experiência, pausa e ação posterior.\n\nA maçã possui uma longa tradição simbólica relacionada a desejo, conhecimento, transgressão, fertilidade e experiência corporal. Nesta composição, porém, não é possível confirmar pela fotografia se o objeto segurado pela mulher aparece com nitidez suficiente para ser identificado visualmente como maçã. A identificação decorre principalmente do título impresso no verso. Qualquer interpretação simbólica deve, portanto, permanecer como leitura crítica e não como declaração comprovada do artista.\n\nO uso de uma única cor aproxima o cartão dos processos de reprodução gráfica, da serigrafia, do cartaz, da imprensa alternativa e da cultura visual de massa. A imagem deixa de conservar a variedade cromática que poderia existir na pintura original e passa a operar por contraste, retícula e saturação. Essa transformação produz uma nova condição material e visual para a obra.\n\nA inscrição Liquitex sobre tela identifica a técnica da obra original reproduzida, provavelmente uma pintura executada com tinta acrílica da marca Liquitex sobre suporte de tela. Essa informação não deve ser confundida com a técnica do cartão. O cartão mostrado é uma reprodução impressa sobre papel ou cartão, mas o processo gráfico específico de impressão não pode ser determinado somente pelas fotografias.\n\nClaudio Tozzi desenvolveu parte importante de sua produção por meio da apropriação e transformação de imagens relacionadas à imprensa, à política, à cultura urbana e aos meios de comunicação. Mulher comendo maçã depois do amor desloca uma imagem de caráter íntimo para uma edição coletiva e potencialmente postal, ampliando sua circulação e modificando a relação entre obra, reprodução e destinatário.\n\nComo parte de On Off 2, o cartão integrava uma publicação coletiva formada por obras postais de diferentes artistas. A Fundação Vera Chaves Barcellos identifica On Off como publicação editada por Julio Plaza e Regina Silveira entre 1972 e 1974 e inclui Claudio Tozzi entre seus participantes. A segunda edição foi estruturada como conjunto de cartões postais e foi posteriormente apresentada na exposição Um ponto de ironia, realizada em 2011.\n\nO formato postal é essencial ao significado da peça. A frente transmite uma imagem e o verso identifica artista, título, técnica e data, ao mesmo tempo em que preserva áreas para mensagem, destinatário, endereço e selo. Dessa forma, o cartão podia funcionar como obra, edição, documento, correspondência e meio real de comunicação.\n\nA presença da expressão via aérea reforça a possibilidade de circulação nacional ou internacional. O deslocamento físico do cartão permite compreender a obra não apenas como objeto estático, mas como imagem destinada a viajar entre pessoas, cidades, coleções e redes de artistas. Essa característica estabelece sua ligação direta com a arte postal e com as formas alternativas de distribuição desenvolvidas durante a década de 1970.\n\nA obra também evidencia a diferença entre original e reprodução. O trabalho original é identificado como Liquitex sobre tela, enquanto o exemplar de On Off 2 transporta sua imagem para um suporte postal. A reprodução não funciona apenas como documentação da pintura. Ao receber frente, verso, identificação editorial e possibilidade de remessa, ela adquire autonomia como contribuição específica para a publicação.\n\nMulher comendo maçã depois do amor constitui documento relevante da produção de Claudio Tozzi e das experiências editoriais brasileiras dos anos 1970. A obra articula intimidade, narrativa, corpo, desejo, reprodução monocromática, pintura, cartão postal e circulação artística. Sua inclusão em On Off 2 insere a imagem numa rede coletiva organizada por Julio Plaza e Regina Silveira, na qual o correio e a publicação se tornaram componentes do processo artístico.


