Home Acervo A Margem é uma obra de Evandro Carlos Jardim realizada em 1973 como contribuição para On Off 2, segunda edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira.

A Margem é uma obra de Evandro Carlos Jardim realizada em 1973 como contribuição para On Off 2, segunda edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira.

Projeto On / Off - Julio Plaza e Regina Silveira

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03674 - 1973 - Cartao

10 x 15 cm

A Margem é uma obra de Evandro Carlos Jardim realizada em 1973 como contribuição para On Off 2, segunda edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira. Concebida em formato de cartão postal, a peça apresenta na frente uma fotografia em preto e branco observada de um ponto elevado. A cena mostra um grupo de crianças distribuídas sobre uma área aberta de solo claro, acompanhadas por sombras alongadas e por recipientes, cestos, potes ou mercadorias reunidos na região inferior central. No verso aparecem o título A MARGEM, a data 24 e 25 de dezembro de 1973, a indicação AD e o nome Evandro Carlos Jardim.\n\nO Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo registra formalmente A Margem, de Evandro Carlos Jardim, com data de 1973. A obra aparece na sequência institucional dedicada às contribuições de On Off 2, juntamente com trabalhos de Regina Silveira, Julio Plaza, Vera Chaves Barcellos, Claudio Tozzi, Amélia Toledo e Fred Forest.\n\nA imagem apresenta crianças vistas de cima, algumas em pé, outras sentadas ou parcialmente reunidas ao redor de objetos dispostos sobre o chão. A tomada elevada reduz a presença de um horizonte e transforma o terreno numa extensa superfície gráfica. Os corpos e suas sombras distribuem pontos escuros pelo campo claro, criando relações entre figura, distância, deslocamento e ocupação do espaço.\n\nAs sombras constituem elementos fundamentais da composição. Elas não apenas confirmam a incidência da luz solar, mas duplicam e prolongam visualmente os corpos. Em alguns casos, as sombras parecem maiores ou mais definidas do que as próprias figuras. Essa relação produz uma percepção simultânea de presença física e projeção, aproximando a imagem das investigações de Evandro Carlos Jardim sobre espaço, memória, observação, território e passagem do tempo.\n\nA fotografia não apresenta as crianças como retratos individualizados. Os rostos são pouco definidos em razão da distância, da escala e do processo de reprodução. A identidade pessoal é substituída pela posição de cada figura dentro do espaço coletivo. O observador percebe posturas, gestos, agrupamentos e intervalos, mas não possui informações suficientes para identificar nominalmente os participantes ou estabelecer com segurança o local fotografado.\n\nNa região inferior central aparecem recipientes ou objetos organizados em pequenos agrupamentos. Alguns parecem conter frutas, alimentos, peças artesanais ou mercadorias, embora a natureza exata desses itens não possa ser determinada pela fotografia. A presença desses elementos permite reconhecer uma possível situação de encontro, comércio, espera ou atividade comunitária, mas nenhuma dessas interpretações deve ser apresentada como fato sem documentação complementar.\n\nO título A Margem amplia o campo de leitura da imagem. A palavra margem pode indicar limite territorial, periferia, fronteira, posição social, afastamento de um centro ou condição de visibilidade reduzida. Também pode designar o espaço lateral de uma página ou de uma publicação. No contexto de On Off, essa multiplicidade aproxima a cena fotografada das formas alternativas de circulação artística desenvolvidas fora dos sistemas editoriais e expositivos convencionais.\n\nA formulação do título não determina qual margem está sendo representada. A obra não informa se a expressão se refere a um lugar geográfico, a uma condição econômica, a um grupo social ou a uma posição simbólica. Essa abertura é importante e deve ser preservada. A associação entre título e fotografia produz uma questão sobre quem é visto, de onde é visto e como determinadas pessoas e atividades ocupam os limites da representação pública.\n\nA posição elevada da câmera também estabelece uma relação desigual entre observador e figuras observadas. O espectador ocupa visualmente um ponto acima da cena. Essa perspectiva permite abranger o conjunto, mas distancia os corpos e reduz detalhes individuais. A obra pode, assim, provocar reflexão sobre observação, registro, documentação e maneiras de representar grupos sociais. Essa interpretação decorre da construção visual da fotografia e não deve ser atribuída ao artista como declaração comprovada.\n\nA data registrada no verso, 24 e 25 de dezembro de 1973, associa a imagem ao período do Natal. Essa indicação fornece precisão temporal e transforma o cartão num documento ligado a dias específicos. Entretanto, não está comprovado apenas pelas imagens se a fotografia foi produzida nesses dois dias, se o cartão foi concebido nesse período ou se a data se refere a uma ação, evento ou circulação. A inscrição deve ser preservada integralmente, mantendo separadas a data impressa no objeto e sua interpretação histórica.\n\nA indicação AD após a data pode corresponder a anno Domini, expressão utilizada para marcar a era cristã, mas essa leitura não foi confirmada por fonte documental. O uso das letras também pode ter outra função editorial ou conceitual. Recomenda se registrá las como inscrição presente no cartão, sem expandir seu significado de forma definitiva.\n\nO verso conserva a estrutura convencional do cartão postal. Uma linha vertical divide o espaço destinado à mensagem daquele reservado ao endereço. Três linhas horizontais e um campo retangular para selo aparecem na metade direita. A obra podia, portanto, circular efetivamente pelo correio, funcionando simultaneamente como fotografia, publicação, objeto artístico, correspondência e meio de comunicação.\n\nA combinação entre título, data, autoria e estrutura postal demonstra que a circulação não é elemento externo à obra. O cartão foi concebido para entrar numa relação entre remetente e destinatário. Mesmo quando não utilizado postalmente, conserva a possibilidade material de deslocamento, inscrição e comunicação. A frente apresenta uma cena social, enquanto o verso oferece espaço para outra voz, outro texto e outro percurso.\n\nComo contribuição de On Off 2, A Margem integrava um conjunto de cartões de diferentes artistas. On Off foi editada por Julio Plaza e Regina Silveira entre 1972 e 1974 e reuniu nomes como Amélia Toledo, Claudio Tozzi, Cláudio Ferlauto, Donato Chiarella, Evandro Carlos Jardim, Flávio Pons, Fred Forest, Gabriel Borba, Gerson Zanini, Guta, Mário Ishikawa, Miriam Chiaverini, Roberto Keppler, Ubirajara Ribeiro e Vera Chaves Barcellos. A segunda edição foi apresentada na exposição Um ponto de ironia, realizada em 2011 pela Fundação Vera Chaves Barcellos.\n\nEvandro Carlos Frascá Poyares Jardim nasceu em São Paulo em 1935 e desenvolveu trajetória como gravador, desenhista e pintor. Sua produção está relacionada à observação da cidade, da paisagem, dos vestígios, da memória e dos espaços percorridos.\n\nA Margem aproxima essas investigações da linguagem fotográfica e do formato postal. A imagem registra corpos e objetos num espaço aberto, enquanto a edição transforma esse registro em objeto transportável. A passagem da cena para o cartão permite que uma situação localizada seja deslocada para outros contextos, destinatários e coleções.\n\nA obra constitui documento relevante da arte conceitual, da fotografia experimental, da publicação de artista e da arte postal brasileira dos anos 1970. Sua estrutura articula infância, espaço público, sombra, observação, distância, margem, documentação e circulação. Dentro de On Off 2, o cartão participa de uma rede editorial na qual a imagem impressa e o sistema postal funcionam como partes do processo artístico.\n\nText for the Salsa program in English\n\nA Margem is a work created by Evandro Carlos Jardim in 1973 as a contribution to On Off 2, the second issue of the artists publication organized by Julio Plaza and Regina Silveira. Conceived in postcard format, the work presents a black and white photograph taken from an elevated viewpoint. The scene shows a group of children distributed across an open area of light coloured ground, accompanied by elongated shadows and by containers, baskets, pots or goods gathered near the lower central section. The reverse carries the title A MARGEM, the date 24 and 25 December 1973, the indication AD and the name Evandro Carlos Jardim.\n\nThe Museum of Contemporary Art of the University of São Paulo formally records A Margem by Evandro Carlos Jardim as a work dated 1973. It appears within the institutional sequence of contributions associated with On Off 2, alongside works by Regina Silveira, Julio Plaza, Vera Chaves Barcellos, Claudio Tozzi, Amélia Toledo and Fred Forest.\n\nThe photograph presents children viewed from above, some standing and others seated or gathered around objects placed on the ground. The elevated perspective reduces the presence of a horizon and transforms the terrain into an extensive graphic surface. Bodies and shadows distribute dark forms across the light field, creating relationships among figure, distance, movement and spatial occupation.\n\nThe shadows are essential components of the composition. They not only confirm the direction of sunlight but visually duplicate and extend the bodies. In several cases, the shadows appear larger or more defined than the figures themselves. This relationship creates a simultaneous perception of physical presence and projection, connecting the image with Evandro Carlos Jardim

s investigations into space, memory, observation, territory and the passage of time.\n\nThe photograph does not present the children as individualized portraits. Their faces remain indistinct because of the distance, scale and reproductive process. Personal identity is replaced by each figure

s position within the collective space. The viewer perceives postures, gestures, groupings and intervals but does not have sufficient information to identify the participants or securely determine the location.\n\nContainers or objects appear in small groups near the lower centre. Some may contain fruit, food, craft objects or merchandise, although the precise nature of these items cannot be established from the image. Their presence may suggest a meeting, trade, waiting or community activity, but none of these possibilities should be recorded as fact without additional documentation.\n\nThe title A Margem expands the interpretive field of the image. The Portuguese word margem may refer to a territorial boundary, periphery, frontier, social position, distance from a centre or reduced visibility. It may also designate the margin of a page or publication. Within On Off, this multiplicity connects the photographed scene with forms of alternative artistic circulation developed beyond conventional editorial and exhibition systems.\n\nThe title does not define which margin is being represented. The work does not state whether the expression refers to a geographical location, an economic condition, a social group or a symbolic position. This openness should be preserved. The relationship between title and photograph raises questions concerning who is seen, from where they are seen and how particular people and activities occupy the limits of public representation.\n\nThe elevated viewpoint also establishes an unequal relationship between observer and observed figures. The viewer occupies a position above the scene. This perspective permits an overview of the group but distances the bodies and reduces individual detail. The work may therefore encourage reflection on observation, documentation and ways of representing social groups. This remains a visual and curatorial interpretation rather than a documented statement by the artist.\n\nThe date on the reverse, 24 and 25 December 1973, associates the card with the Christmas period. It provides temporal precision and connects the object with particular days. The photographs alone do not establish whether the image was produced on both dates, whether the card was conceived during that period or whether the inscription refers to an action, event or circulation. The date should be preserved exactly while remaining distinct from its historical interpretation.\n\nThe indication AD may refer to anno Domini, the conventional designation of the Christian era, but this interpretation has not been confirmed by documentary evidence. The letters may have another editorial or conceptual function. They should therefore be recorded as an inscription present on the postcard without a definitive expansion.\n\nThe reverse retains the conventional structure of a postcard. A vertical line separates the message area from the address field. Three horizontal lines and a rectangular postage stamp area appear on the right. The work could consequently circulate through the postal system, functioning simultaneously as photograph, publication, artwork, correspondence and communication medium.\n\nThe combination of title, date, authorship and postal structure demonstrates that circulation is not external to the work. The postcard was designed to enter into a relationship between sender and recipient. Even when not mailed, it preserves the material possibility of movement, inscription and communication. The front presents a social scene, while the reverse provides space for another voice, text and journey.\n\nAs a contribution to On Off 2, A Margem belonged to a collective set of cards by different artists. On Off was edited by Julio Plaza and Regina Silveira between 1972 and 1974 and included Amélia Toledo, Claudio Tozzi, Cláudio Ferlauto, Donato Chiarella, Evandro Carlos Jardim, Flávio Pons, Fred Forest, Gabriel Borba, Gerson Zanini, Guta, Mário Ishikawa, Miriam Chiaverini, Roberto Keppler, Ubirajara Ribeiro and Vera Chaves Barcellos. The second issue was later presented in Um ponto de ironia, an exhibition organized by the Fundação Vera Chaves Barcellos in 2011.\n\nEvandro Carlos Frascá Poyares Jardim was born in São Paulo in 1935 and developed a career as a printmaker, draughtsman and painter. His practice is associated with observations of the city, landscape, traces, memory and places experienced by the artist.\n\nA Margem connects these investigations with photography and postal format. The image records bodies and objects within an open space, while the edition transforms that record into a transportable object. The passage from scene to postcard allows a localized event to move into other contexts, recipients and collections.\n\nThe work is a relevant document within Brazilian conceptual art, experimental photography, artists publishing and mail art of the 1970s. It brings together childhood, public space, shadow, observation, distance, margins, documentation and circulation. Within On Off 2, the postcard participates in an editorial network in which the printed image and postal system become integral parts of artistic practice.

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