Home Acervo Boletim Informativo número 1 da Expo Internacional de Novíssima Poesia 69, publicação do Centro de Artes Visuais do Instituto Torcuato Di Tella, localizado na Florida 936, Buenos Aires, Argentina. O documento foi produzido para divulgar e organizar a exposição internacional prevista para os meses de março e abril de 1969.

Boletim Informativo número 1 da Expo Internacional de Novíssima Poesia 69, publicação do Centro de Artes Visuais do Instituto Torcuato Di Tella, localizado na Florida 936, Buenos Aires, Argentina. O documento foi produzido para divulgar e organizar a exposição internacional prevista para os meses de março e abril de 1969.

Clemente Padín

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03489 - 1969 - Folder de Exposição Internacional

22,6 x 11,5 cm

PORTUGUÊS TEXTO PARA O PROGRAMA SALSA Boletim Informativo número 1 da Expo Internacional de Novíssima Poesia 69, publicação do Centro de Artes Visuais do Instituto Torcuato Di Tella, localizado na Florida 936, Buenos Aires, Argentina. O documento foi produzido para divulgar e organizar a exposição internacional prevista para os meses de março e abril de 1969. A mostra teve origem em uma proposta apresentada no final de 1967 por Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari, integrantes do Grupo de Poesia Concreta de São Paulo, ao Instituto Torcuato Di Tella. Os poetas brasileiros defenderam a realização de uma exposição dedicada à nova poesia em razão de seu desenvolvimento internacional e do conhecimento ainda limitado dessas experiências na América Hispânica. A proposta reconhecia Buenos Aires como importante centro artístico e o Instituto Torcuato Di Tella como instituição capacitada para promover a circulação dessas pesquisas. O Instituto, já dedicado às manifestações contemporâneas nas artes visuais e na música, aceitou organizar o evento e confiou a coordenação ao Movimento Diagonal Cero, de La Plata, associado ao artista, poeta, editor e articulador cultural argentino Edgardo Antonio Vigo. A exposição pretendia apresentar na Argentina um panorama das novas concepções poéticas internacionais, incluindo experiências concebidas para serem vistas e experiências destinadas à audição. O texto do boletim afirma que essas práticas não deveriam ser compreendidas apenas como artes plásticas ou música, mas como uma expansão dos meios de recepção e realização da poesia. A iniciativa buscava estimular o debate, provocar uma renovação crítica e enriquecer a prática artística argentina em diálogo com as transformações vitais e tecnológicas do período. O Instituto Torcuato Di Tella acolheu o projeto como parte de sua política de abertura às novas manifestações artísticas. O boletim também registra o processo de definição do título da mostra. Inicialmente foi considerado o nome Primeira Exposição Internacional de Poesia Concreta, em reconhecimento aos autores da proposta. Depois foi discutido o título Primeira Exposição de Poesia de Novíssima Vanguarda Internacional. As expressões concreta e vanguarda foram consideradas insuficientes. O termo concreta identificava apenas uma das vertentes da nova poesia, com princípios e formulações estéticas particulares, enquanto vanguarda havia sofrido desgaste por seu uso indiscriminado e poderia provocar associações inadequadas com a poesia surrealista. A denominação escolhida foi Expo Internacional de Novíssima Poesia 69, pois a palavra novíssima foi considerada capaz de representar, sem limitações prévias, o estado e a intencionalidade das experiências poéticas contemporâneas. A capa apresenta a identificação institucional do Instituto Torcuato Di Tella, Centro de Artes Visuais, o endereço Florida 936, Buenos Aires, Argentina, a direção telegráfica Instella, o título da exposição e a indicação Boletim Informativo número 1. A composição gráfica utiliza tipografia nas cores vermelha, azul e preta. Na página ilustrada da capa encontra se uma obra de Álvaro de Sá, identificado como artista do Brasil. A obra é estruturada como uma sequência de nove quadros, organizados em três linhas, nos quais uma forma orgânica, um quadrado central e sucessivas molduras geométricas produzem uma narrativa visual de aproximação, enquadramento, transformação e impacto. O último quadro apresenta uma explosão gráfica acompanhada da inscrição TRAC. A publicação constitui um registro documental relevante da participação de Álvaro de Sá e do movimento Poema Processo em uma das mais importantes iniciativas internacionais dedicadas à poesia experimental em 1969. O boletim informa que o grupo brasileiro de poesia concreta de São Paulo enviaria cerca de setenta cartazes realizados por seus integrantes, entre eles Décio Pignatari, José Lino Grünewald, Ronaldo Azeredo, Haroldo de Campos e Augusto de Campos. Informa ainda que o grupo de Poesia Processo, reunido em torno da revista Ponto, participaria de maneira ampla com trabalhos de seus vinte e quatro componentes. Esse registro confirma a presença internacional do Poema Processo e sua apresentação ao lado da poesia concreta brasileira, embora o boletim reconheça as diferenças entre as diversas tendências da nova poesia. Entre as colaborações internacionais anunciadas está o Institute of Contemporary Arts de Londres, responsável pelo envio de trabalhos de Ronald Draper, Bob Cobbing, Ken Cox, Tom Edmonds, Dom Sylvester Houédard, Liliane Lijn, Peter Mayer, Edwin Morgan, Tim Phillips, Alan Riddell, Frances Rose, John J Sharkey e Trevor Wells. O editor alemão Hansjörg Mayer foi encarregado de enviar uma exposição que seria realizada na Espanha com o título Letras Textos Imagens, reunindo trabalhos de autores alemães ligados à poesia visual, concreta e experimental. A Cooperativa de Produção Artística de Madri preparava um envio composto por exposições, conferências e publicações, com a possibilidade de incluir um filme experimental. A organização solicitava que os trabalhos fossem enviados ao professor Jorge Romero Brest, responsável pelo Centro de Artes Visuais do Instituto Torcuato Di Tella. As informações e a coordenação de correspondência estavam vinculadas ao professor Edgardo Antonio Vigo, em La Plata. O boletim explica que as participações foram obtidas por meio de uma extensa rede internacional de coordenação e comunicação. Nos países onde existiam centros capazes de organizar remessas coletivas, a seleção e o envio foram confiados a essas instituições. Nos países sem estruturas equivalentes, artistas reconhecidos e grupos com capacidade de articulação foram convidados diretamente. Também foi mantida uma convocação aberta a poetas experimentais que não estivessem representados por esses centros. A relação de participantes que já haviam enviado obras inclui, pela Itália, Mirella Bentivoglio, Annalisa Alloatti, Gian Carlo Conti, Liliana Landi, Ugo Carrega, Silvana Pirozzi, Marco Margnelli, Vincenzo Accame, Giuliano Della Casa, Adriano Malavasi, Ugo Locatelli, William Xerra e Michele Perfetti, entre outros. Pelos Estados Unidos aparecem Dennis Williams, Ronald Gross, Liam O Gallaher, Jackson Mac Low, Dick Higgins e John Giorno, entre outros. Pela França aparecem Jean François Bory, Jochen Gerz, Georges Rochier e Marcel Alocco. Pelo Brasil aparecem Hugo Mund e Álvaro de Sá. Pelo Canadá aparecem Andy Suknaski, Stephen Scobie, Duguay e Kittaeff. Pela Holanda aparecem Herman Damen e Hans Clavin. Pelo Japão aparecem Seiichi Niikuni, Shoji Yoshizawa e Yutaka Ishii. Pela Tchecoslováquia aparecem Josef Honys, Malina e Jiri Valoch. Também são relacionados Ian Hamilton Finlay, da Escócia, Gappmayr, da Áustria, e Carl Weissner, da Alemanha. Uma das páginas apresenta uma composição de Luigi Ferro, identificado como artista da Itália. A obra utiliza a repetição da letra L para construir duas grandes estruturas geométricas, uma forma superior semelhante a um losango e uma forma inferior aberta e curva, demonstrando a transformação de unidades tipográficas em imagem visual. O Boletim Informativo número 1 da Expo Internacional de Novíssima Poesia 69 documenta a articulação entre poesia concreta, poesia visual, poesia sonora, poesia experimental, tipografia, imagem, publicações de artista e práticas intermídia no final da década de 1960. A publicação é uma fonte primária para o estudo do Instituto Torcuato Di Tella, do Movimento Diagonal Cero, de Edgardo Antonio Vigo, de Jorge Romero Brest, do Poema Processo, do Grupo Noigandres, da revista Ponto e das redes internacionais de poesia experimental entre Brasil, Argentina, Europa, América do Norte e Ásia.\n\nENGLISH TEXT FOR THE SALSA PROGRAM Informational Bulletin number 1 of the International Expo of Newest Poetry 69, published by the Visual Arts Center of the Torcuato Di Tella Institute, located at Florida 936, Buenos Aires, Argentina. The document was produced to publicize and organize the international exhibition scheduled for March and April 1969. The exhibition originated in a proposal presented in late 1967 by Haroldo de Campos, Augusto de Campos and Décio Pignatari, members of the São Paulo Concrete Poetry Group, to the Torcuato Di Tella Institute. The Brazilian poets advocated an exhibition devoted to new poetry because of its international development and the limited awareness of these experiments in Hispanic America. The proposal recognized Buenos Aires as an important artistic center and the Torcuato Di Tella Institute as an institution capable of promoting the circulation of this research. The Institute, already committed to contemporary manifestations in visual art and music, accepted the project and entrusted its coordination to the Diagonal Cero Movement of La Plata, associated with the Argentine artist, poet, editor and cultural organizer Edgardo Antonio Vigo. The exhibition sought to present in Argentina an international overview of new poetic conceptions, including experiences intended to be seen and experiences intended to be heard. The bulletin states that these practices should not be understood solely as visual art or music, but as an expansion of the means through which poetry could be created and received. The initiative aimed to stimulate debate, provoke critical renewal and enrich artistic practice in Argentina in response to the social and technological transformations of the period. The Torcuato Di Tella Institute hosted the project as part of its policy of openness toward new artistic manifestations. The bulletin also documents the process through which the exhibition title was selected. The name First International Exhibition of Concrete Poetry was initially considered in recognition of the authors of the original proposal. The title First International Exhibition of Newest Avant Garde Poetry was later discussed. The terms concrete and avant garde were regarded as insufficient. Concrete identified only one branch of new poetry, with its own principles and aesthetic formulations, while avant garde had become weakened through indiscriminate use and could produce inappropriate associations with Surrealist poetry. The final title was International Expo of Newest Poetry 69 because the word newest was considered capable of representing the condition and intentions of contemporary poetic experiments without imposing a restrictive definition. The cover identifies the Torcuato Di Tella Institute, Visual Arts Center, the address Florida 936, Buenos Aires, Argentina, the telegraphic address Instella, the exhibition title and the designation Informational Bulletin number 1. The graphic design uses red, blue and black typography. The illustrated cover page reproduces a work by Álvaro de Sá, identified as an artist from Brazil. The work is structured as a sequence of nine panels arranged in three rows, in which an organic shape, a central square and successive geometric frames create a visual narrative of approach, enclosure, transformation and impact. The final panel presents a graphic explosion accompanied by the inscription TRAC. The publication is an important documentary record of the participation of Álvaro de Sá and the Poema Processo movement in one of the most significant international initiatives devoted to experimental poetry in 1969. The bulletin states that the São Paulo Concrete Poetry Group would send approximately seventy posters by its members, including Décio Pignatari, José Lino Grünewald, Ronaldo Azeredo, Haroldo de Campos and Augusto de Campos. It also states that the Brazilian Poema Processo group, organized around the magazine Ponto, would participate extensively with works by its twenty four members. This record confirms the international presence of Poema Processo and its presentation alongside Brazilian concrete poetry, while the bulletin also acknowledges the differences among the various tendencies of new poetry. International contributions announced in the bulletin include the Institute of Contemporary Arts in London, which was preparing a group of works by Ronald Draper, Bob Cobbing, Ken Cox, Tom Edmonds, Dom Sylvester Houédard, Liliane Lijn, Peter Mayer, Edwin Morgan, Tim Phillips, Alan Riddell, Frances Rose, John J Sharkey and Trevor Wells. The German editor Hansjörg Mayer was responsible for sending an exhibition planned for Spain under the title Letters Texts Images, bringing together works by German authors associated with visual, concrete and experimental poetry. The Artistic Production Cooperative of Madrid was preparing a shipment involving exhibitions, lectures and publications, with the possible inclusion of an experimental film. Works were to be sent to Professor Jorge Romero Brest at the Visual Arts Center of the Torcuato Di Tella Institute. Information and correspondence coordination were associated with Professor Edgardo Antonio Vigo in La Plata. The bulletin explains that participation was secured through an extensive international network of coordination and communication. In countries where established centers could organize collective shipments, those institutions were entrusted with selection and delivery. In countries without comparable structures, recognized artists and groups with organizational capacity were invited directly. An open invitation was also maintained for experimental poets not represented by those centers. The preliminary list of artists who had already sent works includes, from Italy, Mirella Bentivoglio, Annalisa Alloatti, Gian Carlo Conti, Liliana Landi, Ugo Carrega, Silvana Pirozzi, Marco Margnelli, Vincenzo Accame, Giuliano Della Casa, Adriano Malavasi, Ugo Locatelli, William Xerra and Michele Perfetti, among others. Participants from the United States include Dennis Williams, Ronald Gross, Liam O Gallaher, Jackson Mac Low, Dick Higgins and John Giorno, among others. Participants from France include Jean François Bory, Jochen Gerz, Georges Rochier and Marcel Alocco. Brazil is represented in this list by Hugo Mund and Álvaro de Sá. Canada is represented by Andy Suknaski, Stephen Scobie, Duguay and Kittaeff. The Netherlands is represented by Herman Damen and Hans Clavin. Japan is represented by Seiichi Niikuni, Shoji Yoshizawa and Yutaka Ishii. Czechoslovakia is represented by Josef Honys, Malina and Jiri Valoch. The list also includes Ian Hamilton Finlay from Scotland, Gappmayr from Austria and Carl Weissner from Germany. One page reproduces a composition by Luigi Ferro, identified as an artist from Italy. The work uses repeated letter L forms to construct two large geometric structures, an upper diamond shaped form and a lower open curved form, demonstrating the transformation of typographic units into a visual image. Informational Bulletin number 1 of the International Expo of Newest Poetry 69 documents the interaction of concrete poetry, visual poetry, sound poetry, experimental poetry, typography, image, artist publications and intermedia practices at the end of the 1960s. The publication is a primary source for research on the Torcuato Di Tella Institute, the Diagonal Cero Movement, Edgardo Antonio Vigo, Jorge Romero Brest, Poema Processo, the Noigandres Group, the magazine Ponto and the international networks of experimental poetry connecting Brazil, Argentina, Europe, North America and Asia.

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