Home Acervo Colagem e poema visual em código de Álvaro de Sá realizada nos anos 1960, relacionada ao contexto do governo militar brasileiro, da arte política e das experiências que contribuíram para o desenvolvimento do Poema Processo.

Colagem e poema visual em código de Álvaro de Sá realizada nos anos 1960, relacionada ao contexto do governo militar brasileiro, da arte política e das experiências que contribuíram para o desenvolvimento do Poema Processo.

Álvaro de Sá

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Categoria: Arte Politica

Acervo: 00213

Data: 1960s

Dimensões: 30 x 23,6 (folha) / 34,1 x 24,3

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊSColagem e poema visual em código de Álvaro de Sá realizada nos anos 1960, relacionada ao contexto do governo militar brasileiro, da arte política e das experiências que contribuíram para o desenvolvimento do Poema Processo. A obra articula palavras, fragmentos verbais, formas geométricas negras, padrões quadriculados e composições gráficas que transformam a página em um sistema visual de leitura não linear.A composição apresenta diferentes núcleos. Na parte superior esquerda aparecem expressões como Pobre, Cavalo Morto, não, sim, presente e futuro, associadas a faixas quadriculadas e pequenos retângulos negros. Esses elementos produzem uma linguagem semelhante a sinais, códigos ou unidades de informação que interrompem e reorganizam as palavras.No grande campo superior central destacam se futuro, presente e fragmentos de letras distribuídos entre numerosas formas geométricas negras. A palavra presente ocupa posição central e aparece parcialmente atravessada por pequenas unidades retangulares. Futuro surge acima e também em outras regiões da composição, criando uma relação direta entre presente e futuro.Na região intermediária aparece a expressão ouro pobre, acompanhada pela palavra Fragmentos. Essa combinação introduz um contraste importante entre riqueza e pobreza. Ouro e pobre, termos de sentidos econômicos e sociais opostos, são colocados lado a lado e transformados em matéria poética. A palavra fragmentos funciona também como possível definição do próprio procedimento da obra, construída a partir da dispersão e recombinação de unidades gráficas e verbais.Na grande área inferior a palavra FUTURO reaparece em destaque. Em torno dela são distribuídas diversas ocorrências de OURO, PURO e DURO, além de inúmeros retângulos e quadrados negros. A repetição cria associações entre ouro puro, ouro duro, riqueza, valor material, futuro e transformação social.Ouro funciona como um dos principais eixos semânticos da composição. Sua repetição em diferentes posições e escalas sugere uma investigação sobre valor, riqueza, economia e poder. Quando aproximado de palavras como pobre e futuro, o termo deixa de indicar apenas um metal precioso e passa a participar de uma reflexão sobre desigualdade, expectativa econômica e organização social.A presença de Cavalo Morto no setor superior esquerdo introduz outra camada de significado. O termo aparece associado a uma área fragmentada marcada pela repetição de não e pela oposição entre presente e futuro. Essa montagem cria uma sensação de impasse, interrupção e negação, contraposta às expectativas sugeridas pela palavra futuro em outras partes da obra.A utilização sistemática de pequenos retângulos negros é fundamental. Eles aparecem como unidades visuais recorrentes e parecem organizar ou interferir na leitura das palavras. A estrutura pode ser compreendida como um código gráfico no qual texto e signo geométrico funcionam conjuntamente. Não existe uma direção única de leitura e o observador precisa percorrer a página, comparar posições e estabelecer relações entre diferentes blocos.Segundo a informação de procedência fornecida, a obra se relaciona ao governo militar e à arte em código. Nesse contexto, a fragmentação da linguagem pode adquirir significado político. A transformação da mensagem em estrutura visual indireta cria um sistema que não se apresenta como discurso político convencional e exige participação ativa do leitor.A peça evidencia questões centrais da pesquisa de Álvaro de Sá e do Poema Processo, especialmente a superação do verso tradicional, a utilização da palavra como imagem, a construção do poema por meio de estruturas gráficas e a participação do observador na produção de significado. O poema deixa de ser apenas algo para ler e se torna também algo para visualizar, percorrer, relacionar e decodificar.Documento de grande importância para pesquisas sobre Álvaro de Sá, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, poema código, arte em código, arte política brasileira, governo militar, ditadura militar brasileira, censura, futuro, presente, ouro, ouro pobre, ouro puro, ouro duro, pobreza, riqueza, valor, economia, fragmentação, linguagem gráfica, semiótica, códigos visuais e vanguardas brasileiras dos anos 1960.TEXTO SALSA EM INGLÊSCollage and coded visual poem by Álvaro de Sá produced during the 1960s, related to the context of Brazilian military government, political art and the experiments that contributed to the development of Poema Processo. The work combines words, verbal fragments, black geometric forms, checkered patterns and graphic compositions that transform the page into a nonlinear system of visual reading.The composition contains several distinct nuclei. In the upper left area appear expressions such as Pobre, Cavalo Morto, não, sim, presente and futuro, associated with checkered bands and small black rectangles. These elements create a language resembling signs, codes or units of information that interrupt and reorganize the words.In the large upper central field the words futuro and presente stand out together with fragments of letters distributed among numerous black geometric forms. The word presente occupies a central position and is partially crossed by small rectangular units. Futuro appears above and in other regions of the composition, establishing a direct relationship between present and future.In the intermediate area appears the expression ouro pobre together with the word Fragmentos. This combination introduces an important contrast between wealth and poverty. Gold and poor, terms with opposing economic and social meanings, are placed side by side and transformed into poetic material. The word fragments can also function as a possible description of the work itself, which is constructed through the dispersion and recombination of graphic and verbal units.In the large lower area the word FUTURO appears again prominently. Around it are repeated occurrences of OURO, PURO and DURO together with numerous black rectangles and squares. Repetition creates associations among pure gold, hard gold, wealth, material value, future and social transformation.Gold functions as one of the principal semantic axes of the composition. Its repetition in different positions and scales suggests an investigation of value, wealth, economics and power. When placed near words such as poor and future, the term ceases to refer only to a precious metal and becomes part of a reflection on inequality, economic expectation and social organization.The presence of Cavalo Morto in the upper left sector introduces another layer of meaning. The expression is associated with a fragmented area marked by the repetition of não and by the opposition between present and future. This montage creates a sense of impasse, interruption and negation, contrasted with the expectations suggested by the word future in other parts of the work.The systematic use of small black rectangles is fundamental. They recur as visual units and appear to organize or interfere with the reading of words. The structure can be understood as a graphic code in which text and geometric signs operate together. There is no single reading direction and the viewer must move across the page, compare positions and establish relationships among different blocks.According to the provenance information provided, the work is related to military government and coded art. Within this context, the fragmentation of language may acquire political meaning. Transforming the message into an indirect visual structure creates a system that does not present itself as conventional political discourse and instead requires active reader participation.The piece demonstrates central aspects of Álvaro de Sá's research and of Poema Processo, particularly the rejection of traditional verse, the use of the word as image, the construction of poetry through graphic structures and the participation of the viewer in producing meaning. The poem ceases to be only something to read and becomes something to visualize, navigate, relate and decode.This document is highly relevant to research on Álvaro de Sá, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, coded poem, coded art, Brazilian political art, military government, Brazilian military dictatorship, censorship, future, present, gold, poor gold, pure gold, hard gold, poverty, wealth, value, economics, fragmentation, graphic language, semiotics, visual codes and Brazilian avant garde practices of the 1960s.

TEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊSColagem e poema visual atribuído a Álvaro de Sá e situado nos anos 1960 segundo a informação de procedência fornecida. A obra apresenta formato vertical e é organizada sobre uma base azul em diferentes tonalidades, sobre a qual estão aplicadas áreas brancas contendo palavras, letras, formas retangulares negras e estruturas quadriculadas.Na parte superior esquerda existe uma faixa vertical branca composta por vários módulos. No topo aparece a palavra Pobre acompanhada por um ponto. Logo abaixo encontra se Cavalo Morto. A região seguinte apresenta uma estrutura semelhante a tabuleiro ou código quadriculado, junto a palavras como não e sim. A repetição de não constitui elemento importante dessa área.Ao lado existe uma segunda faixa vertical mais estreita na qual podem ser identificados presente e futuro, associados novamente a pequenos campos negros e padrões quadriculados. A leitura completa dessa faixa permanece parcialmente prejudicada pela resolução da fotografia.Na região superior central encontra se um grande campo branco. No topo aparecem palavras e fragmentos que incluem futuro. A palavra presente aparece em grande escala, embora parcialmente interrompida e atravessada por formas retangulares negras. Há também letras isoladas que parecem fazer parte de outras palavras ou operações gráficas.Os pequenos retângulos negros variam de tamanho e direção. Alguns se agrupam em linhas, outros em estruturas semelhantes a tabuleiros ou sequências de código. Esses elementos não parecem possuir função meramente decorativa, pois aparecem de maneira sistemática junto às palavras.Na faixa azul localizada entre as duas grandes áreas brancas pode ser lida a expressão ouro pobre entre parênteses. Logo abaixo aparece FRAGMENTOS DE, com a continuação possivelmente deslocada para a área inferior. A presença da palavra fragmentos é especialmente importante porque descreve formalmente a estrutura da própria obra.A área inferior branca é dominada pela palavra FUTURO, localizada no canto superior esquerdo. Em diferentes posições aparecem OURO, PURO e DURO. A palavra OURO se repete numerosas vezes e constitui o elemento verbal mais recorrente dessa região.Algumas ocorrências de ouro estão acompanhadas por concentrações de formas quadrangulares e retangulares negras. Em determinadas áreas esses elementos formam padrões densos, quase mosaicos. A interação entre a palavra ouro e essas estruturas gráficas cria uma linguagem híbrida entre texto, imagem, código e diagrama.A associação ouro pobre presente na faixa central e a repetição de ouro, puro e duro na parte inferior devem ser preservadas na indexação. Esses termos permitem relacionar a obra a questões de valor econômico, riqueza, pobreza, matéria e poder, embora o significado específico de cada combinação permaneça aberto.A oposição entre presente e futuro também constitui um eixo fundamental. Futuro aparece diversas vezes em diferentes regiões, enquanto presente ocupa posição relevante no campo superior. A obra pode ser lida como uma investigação sobre transformação, expectativa, temporalidade e passagem histórica.Segundo a informação de procedência, a peça está relacionada ao governo militar e à arte em código. Essa informação deve ser registrada como contexto documental. A fotografia confirma a presença de uma estrutura codificada e fragmentária formada por palavras, repetições e signos geométricos, mas não permite determinar de maneira segura uma mensagem política integral escondida no sistema.Para uma catalogação mais precisa, seria importante confrontar esta obra com outras colagens e poemas código de Álvaro de Sá do mesmo período. A recorrência de pequenos módulos negros, tabuleiros, fragmentação verbal e oposição entre palavras pode revelar um vocabulário gráfico utilizado pelo artista em mais de um trabalho.Não foi identificada na fotografia uma assinatura ou data manuscrita suficientemente clara para determinar o ano exato de realização. A classificação nos anos 1960 corresponde à informação de procedência fornecida.A obra apresenta forte afinidade com princípios do Poema Processo, particularmente a eliminação da leitura linear, a utilização de unidades visuais como signos, a participação do leitor e a construção do poema como estrutura a ser processada. O termo processo é especialmente pertinente porque o significado surge durante a ação de observar e estabelecer relações.Termos relevantes para indexação incluem Álvaro de Sá, anos 1960, colagem, arte política, governo militar, ditadura militar brasileira, poema código, arte em código, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, futuro, presente, ouro, ouro pobre, ouro puro, ouro duro, pobre, Cavalo Morto, fragmentos, riqueza, pobreza, economia, valor, signos geométricos, código gráfico, estrutura quadriculada, semiótica, comunicação visual, leitura não linear, participação do leitor e vanguarda brasileira.OBSERVATION TEXT IN ENGLISHCollage and visual poem attributed to Álvaro de Sá and situated within the 1960s according to the provenance information provided. The work has a vertical format and is organized over a blue base in different tonalities, on which white fields containing words, letters, black rectangular forms and checkered structures are applied.In the upper left area there is a vertical white strip composed of several modules. At the top appears the word Pobre followed by a dot. Directly below is Cavalo Morto. The following area contains a structure resembling a board or checkered code together with words such as não and sim. The repetition of não is an important element in this section.Beside it there is a second narrower vertical strip in which presente and futuro can be identified, again associated with small black fields and checkered patterns. The complete reading of this strip remains partially limited by the resolution of the photograph.In the upper central area there is a large white field. Near the top appear words and fragments including futuro. The word presente appears on a large scale, although it is partially interrupted and crossed by black rectangular forms. Isolated letters are also visible and appear to belong to additional words or graphic operations.The small black rectangles vary in size and orientation. Some form lines, while others create structures resembling boards or coded sequences. These elements do not appear merely decorative because they systematically accompany the verbal components.In the blue strip between the two large white areas the expression ouro pobre can be read within parentheses. Directly below appears FRAGMENTOS DE, with its continuation possibly displaced into the lower section. The presence of the word fragments is particularly significant because it formally describes the structure of the work itself.The lower white field is dominated by the word FUTURO in the upper left corner. In different positions appear OURO, PURO and DURO. The word OURO is repeated numerous times and constitutes the most recurrent verbal element in this section.Some occurrences of gold are accompanied by concentrations of black square and rectangular forms. In certain areas these elements create dense patterns resembling mosaics. The interaction between the word gold and these graphic structures produces a hybrid language combining text, image, code and diagram.The expression ouro pobre in the central strip and the repetition of ouro, puro and duro in the lower area should be preserved in indexing. These terms allow the work to be connected with questions of economic value, wealth, poverty, materiality and power, although the specific meaning of each combination remains open.The opposition between present and future is also a fundamental axis. Futuro appears several times in different areas, while presente occupies an important position in the upper field. The work can therefore be read as an investigation of transformation, expectation, temporality and historical passage.According to the provenance information, the piece is related to military government and coded art. This information should be recorded as documentary context. The photograph confirms the presence of a coded and fragmented structure composed of words, repetitions and geometric signs, but does not permit the secure identification of a complete political message hidden within the system.For more precise cataloguing, it would be valuable to compare this work with other collages and coded poems by Álvaro de Sá from the same period. The recurrence of small black modules, board like patterns, verbal fragmentation and opposition between words may reveal a graphic vocabulary used by the artist across several works.No signature or handwritten date sufficiently clear to establish the exact year of production can be identified in the photograph. The classification within the 1960s follows the provenance information provided.The work has strong affinities with principles of Poema Processo, particularly the elimination of linear reading, the use of visual units as signs, reader participation and the construction of the poem as a structure to be processed. The concept of process is particularly relevant because meaning emerges through the act of observing and establishing relationships.Relevant indexing terms include Álvaro de Sá, 1960s, collage, political art, military government, Brazilian military dictatorship, coded poem, coded art, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, future, present, gold, poor gold, pure gold, hard gold, poor, Cavalo Morto, fragments, wealth, poverty, economics, value, geometric signs, graphic code, checkered structure, semiotics, visual communication, nonlinear reading, reader participation and Brazilian avant garde.


Inglês

Collage and coded visual poem by Álvaro de Sá produced during the 1960s, related to the context of Brazilian military government, political art and the experiments that contributed to the development of Poema Processo.

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