Home Acervo Colagem experimental atribuída a Álvaro de Sá e situada nos anos 1960, construída pela articulação entre formas geométricas coloridas, círculos brancos, setas, palavras e inscrições manuscritas.

Colagem experimental atribuída a Álvaro de Sá e situada nos anos 1960, construída pela articulação entre formas geométricas coloridas, círculos brancos, setas, palavras e inscrições manuscritas.

Álvaro de Sá

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00089 - 1960 - Colagem Diversas

34,1 x 49,2

TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS

Colagem experimental atribuída a Álvaro de Sá e situada nos anos 1960, construída pela articulação entre formas geométricas coloridas, círculos brancos, setas, palavras e inscrições manuscritas. A composição organiza a linguagem verbal como elemento visual e espacial, propondo percursos de leitura relacionados a direção, movimento, orientação, avanço, retorno, subida, descida, caminho, corpo, cor e transformação. Entre as expressões claramente perceptíveis encontram se setas indicam rumos, onde está a seta, apontam, avante, seta para frente, para trás, para baixo, para cima, seta azul, rumo à lua, amarelo à frente, outra vez para trás e referências a caminhos, corpo, futuro, céu, sol, terra e movimento.

A presença insistente das setas constitui um dos principais núcleos conceituais da obra. Elas não funcionam apenas como sinais gráficos de orientação, mas como elementos de um sistema poético que questiona a possibilidade de estabelecer uma direção única. Frente e trás, cima e baixo, avanço e retorno aparecem continuamente confrontados. A própria linguagem oferece comandos e logo os contradiz, criando uma estrutura baseada em deslocamento, dúvida e multiplicidade de percursos.

No campo superior destaca se a palavra Avante associada à indicação de uma seta e à ideia de futuro e movimento para frente. Em outras áreas da composição surgem instruções para trás, para baixo e para cima. Essa multiplicação de comandos impede uma leitura linear e transforma o trabalho em uma espécie de mapa visual de orientações possíveis e impossíveis.

A obra também utiliza as cores como signos. Azul, amarelo, verde, vermelho, laranja, rosa, marrom, preto e branco participam da organização do conjunto, e algumas cores são mencionadas diretamente pelos textos. A expressão seta azul aparece relacionada ao rumo à lua, enquanto amarelo à frente sempre é amarelo vincula direção e identidade cromática. Cor, palavra e posição tornam se partes de um mesmo processo de significação.

Alguns textos introduzem referências ao espaço e à matéria, como terra, montanhas, caminhos, lua, céu e sol. Outros aproximam orientação espacial e condição corporal, incluindo referências ao corpo, à descida e à morte. Há ainda frases que sugerem impossibilidade de retorno e destruição de caminhos, ampliando a composição para questões relacionadas ao tempo, à memória, à existência e à irreversibilidade.

Formalmente, a colagem apresenta uma estrutura modular formada por retângulos e quadrados coloridos sobre uma base escura. Círculos brancos funcionam como áreas de concentração para palavras, desenhos e sinais direcionais. A caligrafia irregular contrasta com a organização geométrica do fundo, estabelecendo tensão entre projeto visual e gesto manual.

A obra pode ser relacionada às pesquisas que Álvaro de Sá desenvolveria no contexto do Poema Processo, no qual a comunicação visual, a estrutura gráfica e os signos passam a assumir papel fundamental na construção poética. Em lugar de um poema organizado exclusivamente pela sequência verbal, encontra se uma estrutura que solicita ao observador decidir como percorrer seus diferentes elementos.

Esta colagem constitui documento importante para pesquisas sobre Álvaro de Sá, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, colagem, semiótica, comunicação visual, linguagem gráfica, setas, sistemas de orientação, arte conceitual, arte participativa, cor, direção, movimento e vanguardas brasileiras dos anos 1960.

TEXTO SALSA EM INGLÊS

Experimental collage attributed to Álvaro de Sá and situated within the 1960s, constructed through the interaction of colored geometric forms, white circles, arrows, words and handwritten inscriptions. The composition organizes verbal language as a visual and spatial element, proposing reading paths related to direction, movement, orientation, advance, return, ascent, descent, pathways, the body, color and transformation. Among the clearly perceptible expressions are setas indicam rumos, onde está a seta, apontam, avante, seta para frente, para trás, para baixo, para cima, seta azul, rumo à lua, amarelo à frente and outra vez para trás, together with references to pathways, the body, the future, sky, sun, earth and movement.

The persistent presence of arrows constitutes one of the principal conceptual centers of the work. They function not merely as graphic signs of orientation but as components of a poetic system that questions the possibility of establishing a single direction. Forward and backward, above and below, advance and return are continuously confronted. Language itself offers commands and then contradicts them, creating a structure based on displacement, uncertainty and multiple possible routes.

In the upper area the word Avante is associated with an arrow and with ideas of the future and forward movement. Elsewhere the composition contains instructions toward the back, downward and upward. This multiplication of commands prevents linear reading and transforms the work into a kind of visual map of possible and impossible orientations.

Color also functions as a system of signs. Blue, yellow, green, red, orange, pink, brown, black and white participate in the organization of the composition, while certain colors are directly mentioned in the texts. The expression seta azul is connected to a direction toward the moon, while amarelo à frente sempre é amarelo associates direction with chromatic identity. Color, word and position become components of the same process of meaning.

Several texts introduce references to space and matter, including earth, mountains, pathways, the moon, sky and sun. Others connect spatial orientation with the condition of the body, including references to descent, the body and death. There are also phrases suggesting the impossibility of return and the destruction of pathways, extending the work toward questions of time, memory, existence and irreversibility.

Formally, the collage presents a modular structure composed of colored rectangles and squares arranged over a dark base. White circles operate as concentrated areas for words, drawings and directional signs. Irregular handwriting contrasts with the geometric organization of the background, creating tension between visual planning and manual gesture.

The work can be related to the investigations that Álvaro de Sá would develop within the context of Poema Processo, in which visual communication, graphic structure and signs assume a fundamental role in poetic construction. Instead of a poem organized exclusively through verbal sequence, the viewer encounters a structure that requires decisions about how its different elements should be navigated.

This collage is an important document for research on Álvaro de Sá, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, collage, semiotics, visual communication, graphic language, arrows, orientation systems, conceptual art, participatory art, color, direction, movement and Brazilian avant garde practices of the 1960s.

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