O Poema / Processo Não Acredita em LSD, Entrevista a João Felício dos Santos, Jornal de Letras, Junho de 1969
II Festival de Poesia de Pirapora - II Fespopi - 1969
Categoria: Poema Processo
Acervo: 04832
Data: Junho de 1969
Dimensões: 58 x 22 cm
O Poema / Processo Não Acredita em LSD é uma extensa entrevista publicada na página 6 do Jornal de Letras em junho de 1969, com o subtítulo Entrevista a João Felício dos Santos. A matéria apresenta um debate sobre os princípios, procedimentos e perspectivas do Poema Processo e menciona Wlademir Dias Pino como poeta e pintor ligado à formulação e expansão do movimento.
O texto introdutório estabelece uma sequência histórica que parte do lançamento da Poesia Concreta em 1956, passa pelas experiências de vanguarda que procuraram desencadear processos de renovação e situa o Poema Processo como nova etapa desse ambiente experimental. A introdução afirma que o movimento já se espalhava por outros estados brasileiros e alcançava também a Europa.
Uma das primeiras questões pergunta se existe um líder no Poema Processo. A resposta define o processo como movimento aberto e afirma que ele não possui líder nem teóricos. A teoria é apresentada como especialização vinculada ao estilo, enquanto o movimento é caracterizado como global e coletivo. A formulação também rejeita a necessidade de uma teoria única para todos os participantes.
Ao tratar das bases do poema processo, o texto destaca três conceitos: processo, versão e contra estilo. Processo é associado à visualização do projeto, versão à possibilidade de apropriação e desenvolvimento, e contra estilo à fluidez de estratégias e soluções. Essas definições situam o poema como estrutura passível de transformação e não como forma fixa.
A entrevista pergunta se o Poema Processo seria reflexo de seu tempo. A resposta afirma que o movimento não pretende simplesmente utilizar técnicas modernas, mas operar como técnica. São mencionados conhecimentos e linguagens relacionados à matemática, estatística, cinema e outros campos, indicando uma poesia interessada em sistemas contemporâneos de comunicação e informação.
O texto relaciona o esgotamento do período modernista ao aparecimento do poema sem palavras e aproxima essa transformação de mudanças ocorridas em outras linguagens artísticas. A discussão menciona cinema, tecnologia e codificação, sugerindo que a poesia poderia desenvolver processos que dispensassem a dependência exclusiva da linguagem alfabética.
Outra questão pergunta se o movimento possui uma ação científica. A resposta é negativa e rejeita uma interpretação da criação poética como ciência. O texto distingue investigação artística de demonstração científica e reforça que a produção do movimento pertence ao campo da poesia e da comunicação.
O tema do LSD aparece de maneira explícita. O texto afirma que o Poema Processo não acredita em LSD como estimulante artístico. A resposta sustenta que drogas atuariam sobre conteúdos já existentes no indivíduo e não produziriam automaticamente criação artística. A entrevista também menciona experiências associadas a As Portas da Percepção e questiona a ideia de que alterações químicas possam acrescentar algo essencial ao processo criativo.
Em outro trecho, a entrevista discute cérebro, computador, codificação e percepção. A resposta afirma que o homem reconhece aquilo que já está codificado e utiliza exemplos relacionados à luz elétrica, ao fogo e à produção de signos para tratar da transformação da percepção e dos sistemas de comunicação.
O diálogo pergunta ainda se o Poema Processo é psicodélico e se é vanguarda. A resposta desloca a questão para a criação de novos sistemas de comunicação e consumo cultural. O texto menciona Oswald de Andrade e o Tropicalismo ao discutir a diferença entre aceitar formas existentes e produzir novas possibilidades de circulação e recepção.
A matéria também aborda a oposição entre lógica e não lógica. A resposta afirma que a lógica surge a partir da inauguração de um processo e rejeita a separação simplista entre racionalidade e experimentação. O poema é entendido como estrutura organizada segundo relações próprias, e não como mero exercício de irracionalidade.
Quando questionado sobre a existência de diferentes frentes dentro do movimento, o texto afirma que um participante pode utilizar o processo em diferentes trabalhos e contextos, partindo conscientemente de um conceito de processo para alcançar resultados distintos.
A entrevista registra ainda a expansão do Poema Processo. São mencionadas quatorze exposições realizadas ou em preparação, atividades em vários estados brasileiros, contatos com instituições internacionais e circulação na Argentina e na Alemanha. Também aparece referência ao II Festival de Poesia de Pirapora, no Rio São Francisco, onde já existia um prêmio especial destinado ao poema processo.
Na parte final, uma pergunta compara o Poema Processo à trajetória da poesia concreta e observa a presença de diferentes gerações de participantes. A resposta atribui essa diversidade à abertura do movimento, à ausência de um mestre único e à convivência de contradições internas, características apresentadas como parte de sua vitalidade.
O documento constitui fonte primária para o estudo do Poema Processo em 1969. A entrevista registra discussões sobre liderança, processo, versão, contra estilo, palavra, tecnologia, comunicação, percepção, LSD, psicodelismo, lógica, consumo, expansão geográfica, exposições e formação de novas gerações dentro do movimento.
TEXTO SALSA INGLÊS
Poema Processo Does Not Believe in LSD is an extensive interview published on page 6 of Jornal de Letras in June 1969, with the subtitle Interview with João Felício dos Santos. The article presents a debate concerning the principles, procedures and perspectives of Poema Processo and mentions Wlademir Dias Pino as a poet and painter associated with the formulation and expansion of the movement.
The introductory text establishes a historical sequence beginning with the launch of Concrete Poetry in 1956, continuing through avant garde experiments seeking processes of renewal and presenting Poema Processo as a new stage within this experimental environment. The introduction states that the movement was already spreading through other Brazilian states and reaching Europe.
One of the first questions asks whether Poema Processo has a leader. The response defines process as an open movement and states that it has neither a leader nor theoreticians. Theory is presented as a specialization connected with style, whereas the movement is characterized as global and collective. The formulation also rejects the requirement of a single theory applicable to all participants.
In discussing the foundations of poema processo, the text emphasizes three concepts: process, version and counter style. Process is associated with the visualization of the project, version with possibilities of appropriation and development, and counter style with a fluidity of strategies and solutions. These definitions present the poem as a structure open to transformation rather than as a fixed form.
The interview asks whether Poema Processo is a reflection of its time. The response states that the movement does not simply seek to use modern techniques but operates as technique itself. Mathematics, statistics, cinema and other fields are mentioned, indicating a poetry interested in contemporary systems of communication and information.
The text connects the exhaustion of the Modernist period with the emergence of the poem without words and relates this transformation to changes occurring in other artistic languages. The discussion mentions cinema, technology and coding, suggesting that poetry could develop processes no longer exclusively dependent on alphabetic language.
Another question asks whether the movement has a scientific orientation. The answer is negative and rejects an interpretation of poetic creation as science. The text distinguishes artistic investigation from scientific demonstration and reinforces that the movement belongs to the fields of poetry and communication.
LSD is explicitly discussed. The article states that Poema Processo does not believe in LSD as an artistic stimulant. The response argues that drugs act upon contents already existing within the individual and do not automatically generate artistic creation. The interview also refers to experiences associated with As Portas da Percepção and questions the idea that chemical alteration can add something essential to the creative process.
Another section discusses the brain, computers, coding and perception. The response states that human beings recognize what has already been coded and uses examples involving electric light, fire and the production of signs to address transformations in perception and systems of communication.
The dialogue also asks whether Poema Processo is psychedelic and whether it is avant garde. The response shifts the question toward the creation of new systems of communication and cultural consumption. Oswald de Andrade and Tropicalismo are mentioned in a discussion of the difference between accepting existing forms and producing new possibilities of circulation and reception.
The article also addresses the opposition between logic and non logic. The response states that logic is created through the inauguration of a process and rejects a simplistic separation between rationality and experimentation. The poem is understood as a structure organized according to its own relationships rather than as a mere exercise in irrationality.
When asked about the existence of different fronts within the movement, the text states that a participant may use process in different works and contexts, consciously departing from the concept of process in order to reach distinct results.
The interview also records the expansion of Poema Processo. Fourteen exhibitions are mentioned as completed or in preparation, together with activities in several Brazilian states, contacts with international institutions and circulation in Argentina and Germany. The Second Pirapora Poetry Festival on the Rio São Francisco is also mentioned as already having a special prize devoted to poema processo.
In its final section, a question compares Poema Processo with the trajectory of Concrete Poetry and observes the presence of different generations of participants. The response attributes this diversity to the openness of the movement, the absence of a single master and the coexistence of internal contradictions, presented as elements of its vitality.
The document is a primary source for research into Poema Processo in 1969. The interview records discussions concerning leadership, process, version, counter style, the word, technology, communication, perception, LSD, psychedelia, logic, consumption, geographic expansion, exhibitions and the formation of new generations within the movement.
Recorte do Jornal de Letras, página 6, com anotação manuscrita Junho 1969 na margem superior. O título impresso é O Poema / Processo Não Acredita em LSD e o subtítulo é Entrevista a João Felício dos Santos.
O texto introdutório menciona nominalmente Wlademir Dias Pino como poeta e pintor e como figura vinculada ao movimento. A entrevista está organizada por uma sequência extensa de perguntas e respostas que ocupa o recorte principal e sua continuação.
Entre as questões documentadas aparecem a existência ou não de liderança no movimento, os conceitos de processo, versão e contra estilo, a relação do poema processo com seu tempo, a utilização de técnicas modernas, a possibilidade de poema sem palavras, ciência, percepção, LSD, experiências psicodélicas, computador, codificação, vanguarda, consumo, lógica, diferentes frentes de atuação e futuro do movimento.
O título sobre LSD corresponde a uma questão efetivamente desenvolvida no corpo da entrevista. A resposta rejeita LSD como fundamento ou estímulo necessário para a criação artística e relaciona a discussão à memória, percepção e conteúdos já presentes no indivíduo.
A matéria menciona As Portas da Percepção, Oswald de Andrade e Tropicalismo no desenvolvimento das questões. Também aparecem referências a matemática, estatística, cinema, computador, sistemas de signos e comunicação, demonstrando a amplitude dos campos utilizados na argumentação sobre o Poema Processo.
Na continuação do texto há registro da expansão do movimento por diferentes estados brasileiros e contatos internacionais. São mencionadas quatorze exposições e referências à Argentina, Alemanha e ao II Festival de Poesia de Pirapora, no Rio São Francisco, com prêmio especial para poema processo.
Na parte inferior da segunda folha começa outro texto com o título O POEMA..., identificado como continuação da 6ª página. Esse fragmento aparece graficamente separado da entrevista principal e deve ser tratado como conteúdo editorial adjacente, salvo confirmação de que integra diretamente a mesma matéria.
O exemplar encontra se preservado sobre folhas maiores de arquivo. São visíveis perfurações de fichário na margem esquerda, dobras, amarelecimento, manchas, pontos de oxidação, desgaste e pequenas irregularidades nas bordas. O artigo está preservado em dois recortes complementares.
TEXTO DE OBSERVAÇÃO INGLÊS
Clipping from Jornal de Letras, page 6, with the handwritten notation June 1969 along the upper margin. The printed title is O Poema / Processo Não Acredita em LSD and the subtitle is Entrevista a João Felício dos Santos.
The introductory text explicitly mentions Wlademir Dias Pino as a poet and painter and as a figure connected with the movement. The interview is organized as an extensive sequence of questions and answers distributed across the principal clipping and its continuation.
Documented questions concern the existence or absence of leadership within the movement, the concepts of process, version and counter style, the relationship of poema processo with its time, the use of modern techniques, the possibility of a poem without words, science, perception, LSD, psychedelic experience, computers, coding, avant garde practice, consumption, logic, different fields of activity and the future of the movement.
The reference to LSD in the title corresponds to a subject actually developed within the interview. The response rejects LSD as a necessary foundation or stimulus for artistic creation and connects the discussion with memory, perception and contents already present within the individual.
The article mentions As Portas da Percepção, Oswald de Andrade and Tropicalismo in the development of its arguments. Mathematics, statistics, cinema, computers, sign systems and communication are also referenced, demonstrating the breadth of fields used in the discussion of Poema Processo.
The continuation records the expansion of the movement through different Brazilian states and international contacts. Fourteen exhibitions are mentioned, together with references to Argentina, Germany and the Second Pirapora Poetry Festival on the Rio São Francisco, where a special prize for poema processo is recorded.
At the bottom of the second sheet another text begins under the heading O POEMA..., identified as a continuation of page 6. This fragment is graphically separate from the principal interview and should be treated as adjacent editorial content unless further documentation confirms that it forms part of the same article.
The copy is preserved on larger archival sheets. Binder perforations are visible along the left margin, together with folds, yellowing, staining, oxidation spots, wear and minor edge irregularities. The article is preserved in two complementary clippings.
Proveniência
Coleção Poema ProcessoInglês
Poema Processo Does Not Believe in LSD, Interview with João Felício dos Santos, Jornal de Letras, June 1969
Dimensions: 22,8 x 8,7 in


