Poesia visual do artista, poeta e editor Dámaso Ogaz, chileno radicado na Venezuela e participante ativo das redes latino americanas de poesia experimental, arte postal e publicação de artista.
Damaso Ogaz
Categoria: Mail Art
Acervo: 03857
Dimensões: 28 x 21,7 cm
Poesia visual do artista, poeta e editor Dámaso Ogaz, chileno radicado na Venezuela e participante ativo das redes latino americanas de poesia experimental, arte postal e publicação de artista. A composição reúne texto, formas circulares, pegadas humanas e a imagem de um canhão, organizados como uma narrativa visual aberta sobre deslocamento, finalidade, violência e comportamento coletivo.
Na parte superior esquerda aparece um grande círculo negro contendo um balão de fala branco com a frase POR QUE TODOS VAN. A pergunta pode ser traduzida como por que todos vão. Na região direita, um círculo menor apresenta outro balão de fala com a expressão para qué, que significa para quê. As duas perguntas estabelecem uma sequência verbal baseada em causa e finalidade.
A primeira pergunta procura saber por que todos se deslocam. A segunda questiona o objetivo desse movimento. A obra não oferece uma resposta escrita. Em vez disso, apresenta sinais visuais que ampliam a indagação e transferem ao observador a responsabilidade de construir uma interpretação.
Três pares de pegadas aparecem na região central esquerda. As marcas sugerem caminhada, passagem, fuga, marcha ou deslocamento coletivo. A orientação das pegadas cria a sensação de que alguém atravessou o espaço da página, embora não exista uma figura humana representada. O corpo é indicado apenas por seus vestígios.
Na parte inferior encontra se a imagem de um canhão antigo apoiado sobre uma linha horizontal. O canhão introduz uma referência direta à guerra, à repressão, à violência, ao poder militar e à destruição. Sua presença oferece uma possível resposta visual para as perguntas, mas essa relação permanece aberta. As pessoas podem estar indo para a guerra, fugindo dela, obedecendo a uma ordem, repetindo o comportamento da maioria ou caminhando em direção a um destino desconhecido.
A composição cria uma tensão entre movimento humano e instrumento de violência. As pegadas são pequenas, frágeis e anônimas. O canhão é pesado, mecânico e fixo. Essa oposição pode ser interpretada como comentário sobre a vulnerabilidade do indivíduo diante das estruturas militares, políticas e institucionais.
Os círculos negros funcionam como campos de fala e também como sinais gráficos de grande impacto. O contraste entre preto e branco torna as perguntas imediatamente visíveis. Os balões remetem à linguagem das histórias em quadrinhos, da propaganda, da comunicação popular e dos meios de massa, recursos frequentemente apropriados pelas vanguardas para produzir mensagens diretas e críticas.
A diferença tipográfica entre as duas perguntas reforça a fragmentação. A expressão POR QUE TODOS VAN aparece em letras estreitas, maiúsculas e regulares. A frase para qué utiliza caracteres mais pesados e expressivos. Essa mudança visual sugere duas vozes ou dois níveis de questionamento.
A obra exige uma leitura que combina palavras e imagens. O sentido não está apenas nas frases, nas pegadas ou no canhão de maneira isolada, mas nas relações construídas entre esses elementos. A página funciona como campo de montagem semiótica no qual sinais verbais, corporais e mecânicos produzem uma narrativa incompleta.
O poema pode ser interpretado como crítica ao conformismo coletivo. A expressão todos van sugere que a maioria segue um caminho, enquanto para qué questiona a finalidade desse movimento. A obra introduz a possibilidade de que o indivíduo caminhe apenas porque os demais caminham, sem compreender o destino ou as consequências.
Também é possível relacionar a composição aos contextos políticos latino americanos das décadas de 1960, 1970 e 1980, marcados por regimes autoritários, conflitos armados, repressão, exílio e deslocamentos humanos. Entretanto, o documento não apresenta data ou referência histórica específica que permita associá lo com segurança a um acontecimento determinado.
No canto inferior direito encontra se a identificação Dámaso Ogaz. A presença do nome confirma a autoria impressa ou reproduzida na própria obra. Não são visíveis data, local de publicação, editora, tiragem, destinatário, carimbo postal ou número de série.
A obra relaciona se à poesia visual, à poesia experimental, à arte conceitual, à comunicação gráfica e à produção crítica latino americana. Sua estrutura transforma o leitor em participante, pois cada observador precisa conectar as perguntas, os rastros e o canhão para construir uma possibilidade de sentido.
A relação com o Poema Processo deve ser compreendida como proximidade conceitual e não como participação formal comprovada. A obra utiliza signos funcionais, montagem de linguagens, leitura não linear, participação interpretativa e abertura semântica. Contudo, não há neste documento evidência de que Dámaso Ogaz tenha integrado oficialmente o movimento brasileiro Poema Processo.
Para fins de catalogação e indexação, a obra pode ser identificada como Dámaso Ogaz, Por que todos van, para qué, poesia visual venezuelana, poesia experimental latino americana, arte conceitual, comunicação gráfica, crítica política, pegadas, canhão, guerra, violência, deslocamento humano, participação do leitor e vanguarda latino americana.Text for the Salsa program in English
Visual poem by Dámaso Ogaz, the Chilean born artist, poet and editor based in Venezuela and an active participant in Latin American networks of experimental poetry, mail art and artists publications. The composition combines text, circular forms, human footprints and the image of a cannon, arranged as an open visual narrative concerning movement, purpose, violence and collective behaviour.
A large black circle in the upper left contains a white speech balloon with the phrase POR QUE TODOS VAN. The question may be translated as why is everyone going. A smaller circle on the right contains another speech balloon with the expression para qué, meaning for what purpose.
The first question asks why everyone is moving. The second questions the purpose of that movement. The work provides no written answer. Instead, it presents visual signs that expand the question and transfer interpretive responsibility to the viewer.
Three pairs of footprints appear in the central left area. The marks suggest walking, passage, escape, marching or collective displacement. Their direction creates the impression that someone has crossed the page, although no human figure is represented. The body is indicated only through its traces.
An image of an old cannon appears near the lower edge, resting on a horizontal line. The cannon introduces a direct reference to war, repression, military power, violence and destruction. Its presence offers a possible visual response to the questions, although the relationship remains open. The people may be going to war, fleeing from it, obeying an order, repeating the behaviour of the majority or moving toward an unknown destination.
The composition creates tension between human movement and a weapon of violence. The footprints are small, fragile and anonymous. The cannon is heavy, mechanical and fixed. This opposition may be interpreted as a comment on individual vulnerability before military, political and institutional structures.
The black circles function as fields of speech and as graphic signs with strong visual impact. The contrast between black and white makes the questions immediately visible. The speech balloons evoke comics, advertising, popular communication and mass media, languages frequently appropriated by avant garde artists to produce direct and critical messages.
The typographic difference between the two questions reinforces the fragmentation. POR QUE TODOS VAN appears in narrow, regular capital letters. The expression para qué uses heavier and more expressive type. This visual shift may suggest two different voices or two stages of questioning.
The work requires a reading that combines words and images. Meaning does not reside in the phrases, footprints or cannon separately, but in the relationships created among them. The page operates as a semiotic montage in which verbal, bodily and mechanical signs produce an incomplete narrative.
The poem may be interpreted as a criticism of collective conformity. The phrase todos van suggests that the majority follows a particular path, while para qué questions the purpose of that movement. The work raises the possibility that individuals move simply because others are moving, without understanding the destination or its consequences.
The composition may also be related to Latin American political contexts of the 1960s, 1970s and 1980s, marked by authoritarian regimes, armed conflicts, repression, exile and human displacement. The document, however, contains no date or specific historical reference that would allow a secure connection with a particular event.
The name Dámaso Ogaz appears in the lower right corner. Its presence confirms the authorship printed or reproduced within the work. No date, place of publication, publisher, edition number, recipient, postal cancellation or series number is visible.
The work belongs to the fields of visual poetry, experimental poetry, conceptual art, graphic communication and Latin American critical practice. Its structure transforms the viewer into a participant because each person must connect the questions, traces and cannon to construct a possible meaning.
Its relationship with the Process Poem Movement should be described as a conceptual proximity rather than confirmed formal participation. The work uses functional signs, mixed languages, nonlinear reading, interpretive participation and semantic openness. The document does not demonstrate that Dámaso Ogaz officially belonged to the Brazilian Process Poem Movement.
For cataloguing and indexing purposes, the work may be identified as Dámaso Ogaz, Por que todos van, para qué, Venezuelan visual poetry, Latin American experimental poetry, conceptual art, graphic communication, political criticism, footprints, cannon, war, violence, human displacement, viewer participation and Latin American avant garde.
Documento impresso em preto sobre papel claro, organizado em composição vertical. A parte superior esquerda apresenta um grande círculo negro com balão de fala branco contendo a inscrição POR QUE TODOS VAN.
Na região direita aparece um círculo negro menor contendo outro balão de fala branco com a expressão para qué. A diferença de tamanho entre os círculos cria uma hierarquia visual e conduz a leitura da primeira pergunta para a segunda.
Três pares de pegadas pretas estão distribuídos na região central esquerda. Na parte inferior aparece a reprodução de um canhão antigo com roda grande e estrutura de apoio, colocado sobre uma linha horizontal que funciona como base ou linha de chão.
A identificação Dámaso Ogaz aparece em caracteres pequenos no canto inferior direito. Não há assinatura manuscrita visível separada do nome impresso.
O papel apresenta dobras horizontais e verticais, manchas, pequenas marcas, amarelecimento, desgaste nas bordas e variações na intensidade da impressão. A linha de dobra horizontal atravessa parte da composição.
Não há data visível, título editorial formal, indicação de técnica, tiragem, local de impressão, editora, endereço ou informação de circulação postal. O título de catalogação pode ser formado a partir das duas frases presentes na obra.
A frase superior deve ser preservada segundo a grafia espanhola impressa POR QUE TODOS VAN. A expressão inferior deve ser registrada como para qué, mantendo o acento na palavra qué.Observation text in English
Document printed in black on light coloured paper and arranged as a vertical composition. The upper left area contains a large black circle with a white speech balloon bearing the inscription POR QUE TODOS VAN.
A smaller black circle appears on the right and contains another white speech balloon with the expression para qué. The difference in scale between the circles creates a visual hierarchy and directs the reading from the first question to the second.
Three pairs of black footprints are distributed across the central left section. Near the lower edge appears a reproduction of an old cannon with a large wheel and supporting structure, placed on a horizontal line serving as a ground line.
The name Dámaso Ogaz is printed in small characters in the lower right corner. No separate handwritten signature is visible.
The paper shows horizontal and vertical folds, staining, minor marks, yellowing, edge wear and variations in printing intensity. A horizontal fold line crosses part of the composition.
No visible date, formal editorial title, technique, edition size, place of printing, publisher, address or postal circulation information appears. A catalogue title may be constructed from the two phrases included in the work.
The upper phrase should be preserved according to the Spanish spelling printed on the document as POR QUE TODOS VAN. The lower expression should be recorded as para qué, retaining the accent on qué.
Inglês
Visual poem by Dámaso Ogaz, the Chilean born artist, poet and editor based in Venezuela and an active participant in Latin American networks of experimental poetry, mail art and artists publications.
Dimensions: 11 x 8,5 in
