Home Acervo Carta datilografada de Chico Tur, identificado pelo usuário como Francisco Turra, enviada a J. Medeiros e datada de 17 de março de 1981, em São Paulo.

Carta datilografada de Chico Tur, identificado pelo usuário como Francisco Turra, enviada a J. Medeiros e datada de 17 de março de 1981, em São Paulo.

J. Medeiros

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Categoria: Mail Art

Acervo: 04658

Data: 17 de março de 1981

Dimensões: 31,5 x 21,5 cm

Carta datilografada de Chico Tur, identificado pelo usuário como Francisco Turra, enviada a J. Medeiros e datada de 17 de março de 1981, em São Paulo. O documento constitui um registro pessoal, intelectual e cultural da relação entre Chico Tur e J. Medeiros e apresenta reflexões sobre vida, criação artística, universidade, produção intelectual, crítica cultural, circulação de textos, publicações e projetos ligados à literatura e à arte brasileira no início da década de 1980.

Chico Tur dirige se a J. Medeiros de maneira afetuosa e informal, chamando o destinatário de Jota e de Menino Grande. Logo no início afirma que anda em busca de ilusão e comenta que não possui paraíso, mas procura aquilo que considera essencial para continuar vivendo. O texto assume caráter confessional e filosófico, no qual o remetente contrapõe uma realidade concreta, relacionada às dificuldades e conflitos cotidianos, a uma dimensão ideal e abstrata da existência.

O autor afirma que determinadas atitudes e acontecimentos chegam a tirá lo de seu conforto pessoal e relata um conflito com uma pessoa que chama de senhorzinho e doutorzinho. Segundo Chico Tur, esse indivíduo teria desrespeitado sua ausência e feito comentários sobre ele. O remetente reage criticamente ao que considera gestos inadequados e afirma que seu trabalho intelectual desenvolvido durante meses na universidade não poderia ser compreendido apenas a partir de aparências, títulos ou posições sociais.

A universidade aparece como elemento central do documento. Chico Tur afirma que ela foi o único local em que pôde falar e desenvolver seu trabalho. Ao explicar o que entende por universidade, destaca principalmente os alunos, apresentados como pessoas famintas e sedentas de saber. Essa passagem revela sua concepção do ambiente universitário como espaço de produção intelectual, transmissão de conhecimento e formação crítica.

O remetente esclarece ainda que seu trabalho na universidade teria funcionado como um esboço para atividades posteriores. Afirma não ter procurado títulos, posição de classe média ou reconhecimento acadêmico formal e rejeita explicitamente aquilo que chama de títulos de doutorzinho. O conteúdo demonstra uma postura crítica diante do prestígio institucional, do academicismo e das relações de poder existentes no meio universitário.

Em outro trecho, Chico Tur critica os corredores politiqueiros que, segundo ele, restringiam ou prejudicavam a universidade naquele momento. Manifesta forte insatisfação com indivíduos que considera responsáveis por repudiar e detestar a cultura e acusa determinadas figuras do ambiente universitário de ocuparem espaços sem compromisso efetivo com conhecimento, criação e pensamento crítico.

A carta contém também uma reflexão sobre arte e pensamento. Chico Tur escreve que sua vida somente faria sentido se pudesse falar de arte e de formas sublimes de pensamento, mencionando Hegel como referência filosófica. A associação entre arte, pensamento e filosofia amplia o valor documental da correspondência para o estudo de sua concepção estética e intelectual.

Na parte final, Chico Tur informa a J. Medeiros que ainda não enviaria uma cópia em Xerox de um trabalho de Augusto sobre Pagu. Explica que Carlos havia solicitado o material emprestado e não havia comprado o jornal no sábado. A passagem registra a circulação material de textos, jornais, cópias e pesquisas entre os participantes dessa rede cultural. O nome Augusto aparece novamente ligado a um estudo ou texto sobre Pagu, constituindo uma referência relevante para pesquisas sobre literatura brasileira, modernismo, crítica e memória cultural.

O documento apresenta ainda uma anotação manuscrita no final, na qual Chico Tur pede a J. Medeiros que tenha cuidado com um livro seu. A observação reforça a circulação de livros e outros materiais entre os correspondentes e evidencia a importância atribuída aos exemplares físicos dentro dessas redes intelectuais.

A correspondência constitui fonte primária para o estudo de Chico Tur, Francisco Turra, J. Medeiros, São Paulo, cultura brasileira, universidade, ensino, produção intelectual, crítica ao academicismo, arte, filosofia, Hegel, Augusto, Pagu, Carlos, literatura brasileira, Modernismo, circulação de jornais, Xerox, livros, correspondência cultural e redes intelectuais brasileiras em 1981.

Salsa text in English

Typewritten letter from Chico Tur, identified by the user as Francisco Turra, sent to J. Medeiros and dated March 17, 1981, in São Paulo, Brazil. The document provides a personal, intellectual and cultural record of the relationship between Chico Tur and J. Medeiros and contains reflections on life, artistic creation, university culture, intellectual production, cultural criticism, circulation of texts, publications and projects connected with Brazilian literature and art in the early 1980s.

Chico Tur addresses J. Medeiros in an affectionate and informal manner, calling the recipient Jota and Menino Grande. At the beginning he states that he is searching for illusion and comments that he has no paradise but continues searching for what he considers essential to life. The text develops into a confessional and philosophical reflection in which the sender contrasts concrete reality, marked by everyday difficulties and conflicts, with an ideal and abstract dimension of existence.

The author explains that certain attitudes and events disturb his personal equilibrium and describes a conflict with an individual whom he calls senhorzinho and doutorzinho. According to Chico Tur, this person had shown disrespect during his absence and had made comments about him. Chico Tur responds critically to what he regarded as inappropriate behavior and states that the intellectual work he had developed for months at the university could not be understood merely through appearances, titles or social positions.

The university is a central subject of the document. Chico Tur states that it was the only place where he was able to speak and develop his work. When explaining what he means by university, he emphasizes the students, whom he describes as hungry and thirsty for knowledge. This passage reveals his conception of the university environment as a space for intellectual production, transmission of knowledge and critical education.

The sender further explains that his work at the university served as a preliminary stage for activities he intended to develop later. He states that he had not gone there seeking titles, middle class status or formal academic recognition and explicitly rejects what he calls doutorzinho titles. The document therefore reveals a critical position toward institutional prestige, academic hierarchy and relations of power within the university environment.

In another passage, Chico Tur criticizes the political corridors that, in his view, were restricting or damaging the university at that time. He expresses strong dissatisfaction with individuals whom he considered hostile to culture and criticizes figures occupying institutional spaces without genuine commitment to knowledge, creation and critical thought.

The letter also contains a reflection on art and thought. Chico Tur writes that his life would only make sense if he could speak about art and sublime forms of thought and mentions Hegel as a philosophical reference. The connection between art, thought and philosophy increases the documentary significance of the correspondence for the study of his aesthetic and intellectual ideas.

Toward the end of the letter, Chico Tur informs J. Medeiros that he would not yet send a Xerox copy of a work by Augusto concerning Pagu. He explains that Carlos had borrowed the material and had not purchased the newspaper on Saturday. This passage records the physical circulation of texts, newspapers, photocopies and research materials among members of this cultural network. Augusto is again mentioned in connection with a study or text about Pagu, creating a relevant reference for research on Brazilian literature, Modernism, criticism and cultural memory.

The document also contains a handwritten note at the bottom in which Chico Tur asks J. Medeiros to take care of one of his books. This annotation reinforces evidence of the circulation of books and other materials between the correspondents and demonstrates the importance attributed to physical copies within intellectual networks of the period.

The correspondence is a primary source for research on Chico Tur, Francisco Turra, J. Medeiros, São Paulo, Brazilian culture, university life, education, intellectual production, criticism of academic culture, art, philosophy, Hegel, Augusto, Pagu, Carlos, Brazilian literature, Modernism, newspaper circulation, Xerox copies, books, cultural correspondence and Brazilian intellectual networks in 1981.

Texto de observação em português

Documento original datilografado em uma folha de papel, datado no cabeçalho como São Paulo, 17 de março de 1981. A carta é dirigida a J. Medeiros, chamado pelo remetente de Jota, e apresenta assinatura manuscrita de Chico Tur na parte inferior. Há também uma anotação manuscrita complementar abaixo do texto principal, relacionada ao cuidado com um livro pertencente ao remetente.

A correspondência possui caráter especialmente pessoal e reflexivo. Chico Tur inicia falando sobre sua busca por ilusão e sobre sua maneira de enfrentar a realidade. O texto alterna confissão pessoal, crítica social, reflexão filosófica e comentários sobre sua atuação intelectual.

Um dos núcleos principais da carta envolve um conflito com uma pessoa que Chico Tur chama ironicamente de doutorzinho. O remetente relata que essa pessoa teria feito comentários sobre ele durante sua ausência e demonstra forte rejeição a comportamentos que associa à arrogância, aos títulos acadêmicos e ao prestígio social.

A universidade ocupa posição central no documento. Chico Tur afirma que foi naquele ambiente que encontrou espaço para dizer o que pensava e desenvolver um trabalho intelectual durante meses. Para ele, a verdadeira universidade é identificada principalmente com seus alunos, caracterizados como famintos e sedentos de saber. Essa formulação registra uma visão pedagógica que privilegia estudantes, conhecimento e liberdade intelectual em oposição ao formalismo institucional.

Chico Tur afirma que sua experiência universitária não tinha como objetivo obter títulos acadêmicos ou alcançar uma posição social relacionada à classe média. Apresenta seu trabalho como preparação para algo que desejava desenvolver posteriormente e rejeita explicitamente a ideia de reconhecimento baseado exclusivamente em títulos.

A carta registra também críticas ao ambiente político existente nos corredores universitários. Chico Tur considera que determinados agentes prejudicavam a universidade e expressa indignação com pessoas que, segundo sua avaliação, rejeitavam a cultura. Esses comentários fazem do documento uma fonte para compreender tensões entre produção cultural, universidade, política institucional e intelectualidade brasileira no início dos anos 1980.

Outro elemento importante é a defesa da arte e do pensamento como valores essenciais à vida do remetente. Chico Tur afirma que sua vida somente teria sentido enquanto pudesse falar de arte e de formas sublimes de pensamento. Hegel é citado diretamente como referência filosófica, mostrando a presença da filosofia idealista em suas reflexões.

Na parte final da carta surge uma referência documental particularmente relevante a Augusto e Pagu. Chico Tur informa que não estava enviando naquele momento uma Xerox de um trabalho de Augusto sobre Pagu porque Carlos havia pedido o material emprestado e não comprara o jornal no sábado. O trecho revela a existência de um texto ou estudo sobre Pagu associado a uma pessoa chamada Augusto e registra como materiais culturais circulavam fisicamente por meio de jornais, empréstimos e fotocópias.

Como a carta utiliza apenas os primeiros nomes Augusto e Carlos, a identificação completa dessas pessoas deve permanecer aberta até que seja confirmada por outras correspondências ou fontes documentais. Evitar uma identificação automática é importante para preservar a precisão arquivística do registro.

A anotação manuscrita no rodapé menciona ainda um livro de Chico Tur e pede cuidado com esse exemplar, demonstrando que livros, textos e outros documentos eram emprestados ou compartilhados entre Chico Tur e J. Medeiros.

O documento amplia a compreensão da correspondência anterior de 7 de março de 1981 ao confirmar a continuidade de uma comunicação intensa entre Chico Tur e J. Medeiros naquele mesmo mês. As cartas revelam uma relação baseada em literatura, arte, universidade, crítica, circulação de textos, livros, jornais e debates intelectuais.

Para indexação histórica e pesquisa, o documento relaciona Chico Tur, Francisco Turra, J. Medeiros, Jota, São Paulo, 17 de março de 1981, universidade brasileira, estudantes, produção intelectual, crítica universitária, academicismo, cultura, arte, filosofia, Hegel, Augusto, Pagu, Carlos, Xerox, jornal, livro, literatura brasileira, Modernismo, correspondência intelectual, redes culturais e circulação de documentos.

Observation text in English

Original typewritten document on a single sheet of paper, dated in the heading São Paulo, March 17, 1981. The letter is addressed to J. Medeiros, whom the sender calls Jota, and bears the handwritten signature of Chico Tur at the bottom. An additional handwritten note appears below the main text and concerns the care of a book belonging to the sender.

The correspondence is particularly personal and reflective in character. Chico Tur begins by discussing his search for illusion and his way of confronting reality. The text alternates between personal confession, social criticism, philosophical reflection and comments about his intellectual activities.

One of the central subjects of the letter concerns a conflict with an individual whom Chico Tur ironically calls doutorzinho. The sender reports that this person had made comments about him during his absence and expresses strong rejection of behavior that he associates with arrogance, academic titles and social prestige.

The university occupies a central position in the document. Chico Tur states that this environment provided the space in which he could express his ideas and develop intellectual work over a period of several months. For him, the true university is represented primarily by its students, whom he describes as hungry and thirsty for knowledge. This formulation documents a pedagogical perspective that privileges students, knowledge and intellectual freedom over institutional formalism.

Chico Tur explains that his university experience was not intended to obtain academic titles or secure a social position associated with the middle class. He presents his work as preparation for something he intended to develop later and explicitly rejects recognition based exclusively on titles.

The letter also records criticism of the political environment within university corridors. Chico Tur believed that certain institutional actors were damaging the university and expresses indignation toward people whom he considered hostile to culture. These comments make the document relevant for understanding tensions involving cultural production, university institutions, internal politics and Brazilian intellectual life during the early 1980s.

Another important element is Chico Tur's defense of art and thought as essential values in his life. He states that his existence would only make sense while he remained able to discuss art and sublime forms of thought. Hegel is directly mentioned as a philosophical reference, documenting the presence of idealist philosophy within his intellectual reflections.

Toward the end of the letter appears a particularly significant documentary reference to Augusto and Pagu. Chico Tur explains that he was not sending a Xerox copy of a work by Augusto about Pagu at that moment because Carlos had borrowed the material and had not purchased the newspaper on Saturday. The passage documents the existence of a text or study concerning Pagu associated with a person named Augusto and reveals how cultural materials circulated physically through newspapers, loans and photocopies.

Since the letter gives only the first names Augusto and Carlos, their complete identities should remain open until additional correspondence or documentary evidence provides confirmation. Avoiding automatic identification is important for maintaining archival accuracy.

The handwritten annotation at the bottom also mentions a book belonging to Chico Tur and asks J. Medeiros to take care of the volume, demonstrating that books, texts and other documents were loaned or shared between Chico Tur and J. Medeiros.

The document expands the understanding provided by Chico Tur's previous letter of March 7, 1981, confirming the continuity of an intense exchange between Chico Tur and J. Medeiros during the same month. Together, the correspondence reveals a relationship based on literature, art, university life, criticism, circulation of texts, books, newspapers and intellectual debate.

For historical indexing and research, the document connects Chico Tur, Francisco Turra, J. Medeiros, Jota, São Paulo, March 17 1981, Brazilian universities, students, intellectual production, university criticism, academic culture, culture, art, philosophy, Hegel, Augusto, Pagu, Carlos, Xerox, newspapers, books, Brazilian literature, Modernism, intellectual correspondence, cultural networks and document circulation.


Inglês

Typewritten letter from Chico Tur, identified by the user as Francisco Turra, sent to J. Medeiros and dated March 17, 1981, in São Paulo, Brazil.

Dimensions: 12,4 x 8,5 in